Balcão da Copa: A ressureição de Trotsky em forma de cerveja | Guia da Cerveja
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Balcão da Copa: A ressureição de Trotsky em forma de cerveja

Cerveja Trotsky faz parte da “linha vermelha” da Tito Bier, que homenageia também Marx e Rosa de Luxemburgo

Diz a história que Leon Trotsky perdeu a disputa com Josef Stalin pelo comando da União Soviética, foi exilado anos depois no México e acabou assassinado por Ramón Mercader em agosto de 1940, a mando de seu rival. Não cabe aqui debater causas e consequências do fato. Mas cabe, sim, expor outro dado interessante: a “ressureição” de Trotsky, canalizada em uma garrafa de cerveja artesanal brasileira.

Mais de 75 anos após a sua morte, provocada pela impiedosa luta sucessória inaugurada com a morte de Lenin, Trotsky inspirou a receita de uma cerveja produzida pela Tito Bier. Assim, nasceu uma nova red ale.

O rótulo faz parte da “linha vermelha” da cervejaria, uma série que homenageia também Marx (uma ipa) e Rosa de Luxemburgo (uma altbier). A Tito Bier ainda traz entre suas inspirações nomes como o do escritor Goethe e do pensador Henry Thoreau.

“A Trotsky foi a segunda receita da ‘linha vermelha’ que fizemos”, conta Vini Marson, sócio da Tito Bier. “A primeira foi a Marx e veio de uma encomenda de um amigo marxista, Tato Coutinho. Ele queria uma cerveja vermelha, intensa e lupulada para dar de lembrança aos convidados do seu aniversário de 50 anos. Foi um sucesso e ele nos encomendou a Trotsky para o ano seguinte.”

O retrato de Trotsky
Reproduzir um personagem tão complexo como Trotsky em uma garrafa de cerveja, porém, não foi algo simples. Vini conta que a ideia inicial era “desvirtuar” uma red ale. Até chegar à receita ideal e produzi-la em maior escala, a convite do projeto Social Beers, foram testadas 18 versões.

E o resultado, segundo o sócio da Tito Bier, foi um bom retrato de Trotsky. “Sempre que pensamos em receitas e relacionamos a um personagem tentamos fazer um retrato livre. Às vezes é de trás para frente – primeiro vem a cerveja, depois o homenageado”, detalha Vini, explicando como a cerveja se conecta com o personagem.

“No caso da Trotsky queríamos uma cerveja que fosse tão cheia de nuances quanto palatável, tivesse uma base tradicional (teórica – representada pelos maltes variados), mas com um final surpreendente e inspirador (representada pela lupulagem fresca e cítrica de columbus e amarillo, quase a antítese complementar desta base de maltes). Retratamos nela o Trotsky orador e tradutor de ideias complexas em conceitos compreensíveis e inspiradores.”

Embora afirme ser difícil precisar se Trotsky gostava de cerveja, Vini garante que alguns líderes da revolução aprovavam bebidas alcoólicas. “Pesquisamos isso, mas não descobrimos se ele tinha algum apreço por cerveja. Sabemos do gosto dos líderes da revolução pelos destilados, mas entendemos também que a cerveja é historicamente a bebida alcóolica popular, por isso nos demos esta liberdade poética.” Mesmo sempre atrás da vodca na preferência nacional, a cerveja teve seu espaço no período soviético, como contamos nesse texto aqui do Guia.

O sócio da Tito Bier acrescenta, por fim, que a cervejaria passou por mudanças nos últimos meses que afetaram a produção. Nem todos os rótulos da linha vermelha, assim, estão disponíveis. “No momento estamos fazendo uma cerveja por vez – o que faz com que não tenhamos garrafas/latas de todas sempre.”


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