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Entrevista: Nova lei pode transformar BH na “Bélgica Brasileira”

Aprovação de PL pode resultar em uma centena de brewpubs em BH, segundo José Bento Valias Vargas (Crédito da Imagem: Gavin Kerigan/Freeimages)

Belo Horizonte pode ganhar centenas de brewpubs nos próximos anos e se tornar oficialmente a “Bélgica Brasileira”. Essa é a avaliação de José Bento Valias Vargas, sócio da Lamas Brew Shop de Belo Horizonte, da Cervejaria Dunk Bier e um dos fundadores da Associação dos Cervejeiros Artesanais de Minas Gerais (Acerva Mineira).

José Bento Valias Vargas, um dos responsáveis pela aprovação do PL

Um dos principais nomes envolvidos no Projeto de Lei 475/2018, importante proposta que foi aprovada pela Câmara dos Vereadores e aguarda a assinatura do prefeito Alexandre Kalil para entrar em vigor, José Bento assegura que a nova lei pode representar um marco sem precedentes à cerveja mineira.

“Podemos acreditar que essa lei permitirá Belo Horizonte se tornar realmente a Bélgica Brasileira, como já é apelidada pela quantidade de estilos diferentes de cerveja que são produzidos na região”, assegura o especialista.

Em entrevista exclusiva ao Guia da Cerveja, José Bento narra os detalhes da aprovação do PL de Belo Horizonte e enumera todas as boas mudanças que o setor pode vivenciar nos próximos anos.

Confira, a seguir, a entrevista completa com José Bento Valias Vargas, sócio da Lamas Brew Shop de BH, da Dunk Bier e um dos fundadores da Acerva Mineira.

Como e quando surgiu a ideia do PL?
A ideia do PL surgiu em 2011 dentro da Acerva Mineira e foi apresentada para a prefeitura de Nova Lima com o nome de Lei Pró Artesão. Essa lei permitia diversas facilidades – e não só para o setor de cerveja. Mas, no caso, permitia que fosse aberta uma cervejaria em qualquer local do município de Nova Lima, seguindo-se determinadas regras.

Quem esteve engajado e como foi o desenvolvimento?
Na época o projeto foi capitaneado pelo associado da Acerva, o Sr. Alfredo [Figueiredo], então dono da cerveja VM Beer, atualmente sócio da Krug Bier. Esteve no projeto a diretoria da Acerva, então formada pelos Srs. Humberto Mendes, Daniel Gontijo, Juliano Caldeira e José Bento Valias Vargas, além de órgãos da Prefeitura de Nova Lima, o Gabinete do prefeito, a Secretaria de Turismo e alguns vereadores. Na atual versão, em Belo Horizonte, o projeto foi capitaneado por membros da Acerva Mineira, especialmente os Srs. Marcelo Maciel, proprietário da cervejaria Astúcia, e Gustavo Alves, proprietário do bar Köbes. Eles receberam apoio do gabinete do vereador Léo “Burguês” de Castro, líder do governo na Câmara.

As tratativas foram difíceis?
Nesse primeiro momento, em Nova Lima, o projeto tinha apoio do prefeito e de sua base, e a aprovação da lei levou menos de um ano. Desde então, essa lei passou por várias mãos. Foi entregue a vários vereadores, prefeito, até mesmo deputados, pela diretoria da Acerva. Quando a chamada Lei Pró-Artesão se desenvolveu no PL atual, os envolvidos tiveram grande apoio do vereador [Léo Burguês] através do seu gabinete, da Secretaria de Turismo de BH e do próprio parlamentar, que trabalhou com seus pares para a aprovação do projeto sem, inclusive, alterações propostas por outros parlamentares, que seriam prejudiciais ao texto original.

O que a lei pode mudar efetivamente?
A principal mudança da lei é a quebra do zoneamento da cidade para a criação de empreendimentos de pequeno porte em todas as suas regiões. Essa maior facilidade de se criar empreendimentos cervejeiros vai ajudar imensamente a cultura cervejeira a crescer na cidade e vai propiciar a diversos empreendedores que tenham seu negócio de forma mais viável, em um país que basicamente vai contra a iniciativa privada. A lei será de extrema importância para o franco crescimento do setor e, vale dizer, ela não flexibiliza obrigações importantes como a segurança alimentar e os cuidados necessários para melhorarmos nossos índices de poluição, especialmente da água.

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Confirmada a aprovação, qual será o impacto ao setor?
A lei visa facilitar a criação de nanocervejarias e, especialmente, brewpubs no município. Como Minas, especialmente BH, tem um movimento cervejeiro muito forte, a lei vai propiciar a criação de empreendimentos cervejeiros espalhados pela cidade, que já é conhecida como a cidade dos bares. Até então, muitos desses empreendimentos eram criados em Nova Lima, mesmo sendo de pessoas de Belo Horizonte. Podemos acreditar que essa lei permitirá Belo Horizonte se tornar realmente a Bélgica Brasileira, como já é apelidada pela quantidade de estilos diferentes de cerveja que são produzidos na região.

É possível mensurar esses benefícios em números?
É muito difícil mensurar em números. Mas é preciso considerar que atualmente Nova Lima tem mais de 20 cervejarias construídas, que atendem dezenas de cervejeiros ciganos, além de outras cervejarias da região metropolitana de BH. É preciso considerar também que a Acerva Mineira tem atualmente mais de 300 associados, que produzem suas cervejas em casa e, obviamente, desejam ter seu negócio no ramo. Há, ainda, milhares de bares na cidade. E tudo isso estará associado à possibilidade de um empreendimento desse porte ser pautado pelas regras do Simples Nacional. Pode-se acreditar, então, em pelo menos uma centena de brewpubs surgindo em Belo Horizonte, com alguns milhares de novos empregos e, talvez, centenas de milhares de reais em impostos arrecadados para município, estado e União.

 

Leia, também, no Guia da Cerveja:

Nova lei em Belo Horizonte vai facilitar surgimento de brewpubs

Podres poderes: A eleição, a crise política e seus impactos no mercado cervejeiro

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