Mulheres no meio cervejeiro: Reflexo da luta pela sobrevivência
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Mulheres no meio cervejeiro: Reflexo da luta pela sobrevivência na sociedade

mulheres no meio cervejeiro
Segundo Nadhine França, da Maria Bonita Beer, "a gente ainda tem que ouvir muita gracinha e tem que ter paciência para educar essas pessoas"

Nessa semana, devido à celebração do Dia Internacional da Mulher, muito se falou e discutiu sobre o papel das mulheres no meio cervejeiro. Em reportagem de sexta no Guia, quatro vozes femininas do setor avaliaram a evolução da participação feminina. Em consonância com a máxima de que o espaço é crescente, mas os obstáculos ainda são enormes, Nadhine França, uma das fundadoras da confraria Maria Bonita Beer, vê as dificuldades como reflexo de uma luta maior da mulheres: pela sobrevivência.

“Eu sempre acho difícil tratar da luta das mulheres no meio cervejeiro. Tem uma coisa que se antecipa a isso: a batalha para as mulheres sobreviverem. Vivemos  em um país onde se matam mulheres o tempo todo, assassinadas por seus companheiros, seus ex-maridos”, afirma ela. Atualmente, uma mulher é morta no Brasil a cada duas horas, segundo dados oficiais.

À sua maneira, no olhar dela, o meio cervejeiro bebe da mesma fonte machista que alimenta a sociedade. “A cultura machista está acima do mercado. A gente ainda tem que ouvir muita gracinha e tem que ter paciência para educar essas pessoas”, conta Nadhine, antes de arrematar.

“Você tem uma foto de uma grande cervejaria de mulheres brassando cerveja para o Dia das Mulheres, e tem que ler comentário de que ‘elas estão lá para lavar a panela’. É um absurdo. Ainda falta muito.”

Assim, cada passo dado por uma cervejaria ou qualquer outra marca envolvida no mercado, para ela, deve ser bem pensado para não corroborar com essa postura.

“Quando eu estou pensando em um evento de cerveja, ou mesmo na criação do meu rótulo, eu tenho que levar isso em consideração. Não quero alimentar essa cultura. Isso existe. Portanto, pensando em um evento, vou tentar colocar coisas que previnam ou minimizem isso”, diz.

Mesmo que as mulheres ainda sejam minoria, Nadhine aposta no crescimento do mercado artesanal como prenúncio de melhora. Um futuro cenário com mais oportunidades de trabalho para elas.

“Trabalhamos no sentido de dizer que é um mercado aberto para a mulher, para que ela não se sinta impedida. Eu sei que o fato de fazermos campanhas e movimentos, mostrar nas mídias que existem mulheres no meio cervejeiro, incentiva mais mulheres a entrar”, aponta, citando o destaque que renomadas profissionais mulheres alcançaram no mercado como outro grande incentivador.


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