Da lama ao sol: Conheça a Rota construída após uma tragédia climática
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Da lama ao sol: Conheça a Rota Cervejeira construída após uma tragédia climática

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Com 23 cervejarias de 4 municípios, Rota Cervejeira RJ foi idealizada após enchentes de 2011 deixarem quase mil mortos na Região Serrana

Uma semana depois da Câmara do Rio abrir processo de impeachment contra o prefeito Marcelo Crivella, a capital carioca mais uma vez foi assolada por problemas climáticos, em uma tempestade que deixou dez mortos e expôs a falta de políticas públicas para evitar desastres. É um problema que já vai se tornando corriqueiro nas grandes cidades brasileiras. Nem tudo, porém, parece perdido. Em um país onde a tragédia se repete como subproduto do descaso, é preciso estar atento às pequenas iniciativas capazes de minimizar o caos e sedimentar a construção de possibilidades. Como a desenvolvida pela Rota Cervejeira RJ.

Maior desastre climático da história do Brasil, com quase mil mortos e dezenas de milhares de desabrigados, as enchentes e deslizamentos de terra na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro em 2011 também expuseram a falta de preparo para evitar tragédias, mas forçaram empresários das cidades a se reorganizarem. E foi a partir dessa união que surgiu a Rota Cervejeira RJ, interessante ação liderada pela Associação das Cervejarias e Cervejeiros do Estado do Rio de Janeiro (Accerj-Tur) para valorizar a produção local e as atrações turísticas da região.

“O projeto surgiu algum tempo depois da tragédia, quando percebemos que os turistas não subiam mais a Serra quando a meteorologia dizia que teria chuva naquele determinado final de semana”, explica Ana Cláudia Pampillón, coordenadora da Rota Cervejeira RJ. “Descobrimos que existia uma verba destinada à região para o fomento da economia local, e fomos a Brasília saber do que se tratava.”

A iniciativa, então, segundo relata Ana Cláudia ao Guia, tomou forma em 2014 e envolveu inicialmente seis cervejarias de três cidades da região: Therezópolis, Bohemia, Grupo Petrópolis, Ranz Bier, Cidade Imperial e Buda Beer – as duas últimas não fazem mais parte da Rota.

A avaliação era de que as conhecidas cervejas da Região Serrana seriam mais um apelo para os turistas, que costumavam ser atraídos pela natureza. “O turismo cervejeiro seria um grande chamariz devido às boas cervejas da região aliadas à beleza natural da serra do Rio”, lembra a coordenadora. O que acabou se concretizando.

Cervejas com história
Por sua influência germânica, a Região Serrana do Rio está envolvida diretamente com a história da cerveja no Brasil, tanto que uma das primeiras fábricas do país foi instalada lá, no século XIX – a Bohemia. E essa tradição contribui para a associação da região com a cerveja.

A Rota, então, ampliou a presença de turistas em um dos principais destinos dos cariocas no inverno, além de trazer novos clientes para as cervejarias. O resultado, segundo Ana Cláudia, foi o aumento do número de associados e de projetos turísticos cervejeiros.

Além disso, a atenção conquistada pelas marcas tem impactado na produção de cervejas na região e na geração de empregos. “Muitas cervejarias ciganas têm vindo produzir na Serra, gerando mais renda e empregos para os municípios”, aponta a coordenadora.

Hoje, a Rota tem 24 cervejarias de quatro municípios – Teresópolis, Petrópolis, Friburgo e Guapimirim. São elas: Bohemia, Grupo Petrópolis, Therezópolis, Brewpoint, Ranz, Born2Brew, Barão Bier, Dr. Duranz, Odin, Cazzera, Guapa, Imperatriz, Vila de Secretário, Pontal, Alpendorf, Tortuga, Madame Machado, Serra Velha, Broers, Colarinho da Serra, Favre Baum, Soul Terê, Mad Brew e Rota Imperial.

Envolvendo uma variedade tão ampla de cervejarias, que passa por nomes mainstreans, marcas ciganas e conceituadas artesanais, a Rota RJ oferece uma série de passeios que inclui visitas a fábricas, degustação de diferentes rótulos e harmonizações, em meio a um cenário de montanhas e belas paisagens.

Rede de apoio
E esse crescimento em cinco anos já fez a iniciativa fluminense virar exemplo para outras ações semelhantes. “Hoje somos referência em turismo cervejeiro para outros estados, inclusive em outros países”, garante Ana Cláudia.

Além de englobar as cervejarias locais, a iniciativa também envolve outros setores das cidades, como rede hoteleira, agências de viagens – com roteiros de dois a três dias -, restaurantes e supermercados, que apoiam a Rota através de descontos e incentivos a eventos.

Em 2019, a partir da realização de um evento no Rio, a iniciativa que une diferentes setores da Região Serrana pretende expandir e se tornar mais conhecida. “Temos planos de fazer um grande evento da Rota Cervejeira no Rio de Janeiro para chamar de nosso e com isso divulgar o destino turístico, as boas cervejas e toda a cadeia turística que envolve o turismo cervejeiro”, revela a coordenadora.


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