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Entrevista: Brasil expande participação no World Beer Cup e comprova qualidade da produção nacional, diz diretor da competição

Conhecida como a “Copa do Mundo da Cerveja”, a competição norte-americana de cervejas World Beer Cup (WBC) se consolidou como o principal termômetro de excelência na indústria cervejeira global. Nos últimos anos, o Brasil tem marcado uma presença cada vez mais notável, ampliando o número de inscrições e prêmios. Para a edição de 2026, a delegação brasileira mais uma vez mostra sua força, com 44 cervejarias enviando 151 rótulos para a disputa — crescimento de aproximadamente 5% em amostras. Os números comprovam que o país já é um competidor de peso, capaz de brilhar tanto na inovação com bebidas de identidade local quanto na execução impecável de estilos clássicos.

O WBC é o concurso de cervejas organizado pela Brewers Association (BA) desde 1996. Inicialmente realizado bianualmente, passou a acontecer ano a ano desde 2022. E para entender como a organização do evento enxerga o cenário brasileiro e sul-americano, o Guia da Cerveja conversou com Chris Williams, Advanced Cicerone® e diretor de competições da BA. 

Além da maturidade e da qualidade alcançadas pela cerveja nacional, por trás dessa maior participação dos últimos anos está a parceria entre a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e a BA. Desde 2023, as cervejas premiadas com medalha de ouro na etapa final da Copa Cerveja Brasil, concurso anual da entidade local, ganham a inscrição para o WBC do ano seguinte. Enquanto não houve rótulos premiados em 2022 e 2023, as edições de 2024 e 2025 renderam três medalhas cada para nosso país. Todas de rótulo que saíram da seletiva nacional.

Na entrevista a seguir, Williams detalha a evolução da participação do Brasil no WBC, aborda os desafios logísticos enfrentados pelas cervejarias da América do Sul para enviar suas amostras e explica como uma medalha na competição pode transformar o patamar comercial de uma marca no disputado mercado cervejeiro.

Olhando para o World Beer Cup 2026, como a participação das cervejarias brasileiras evoluiu nos últimos anos? Vocês percebem um crescimento constante no interesse do nosso país?

Essa é uma ótima pergunta. Para 2026, estamos vendo uma forte participação do Brasil, com 44 cervejarias inscrevendo 151 cervejas. Quando você analisa ao longo do tempo, no entanto, a participação flutuou um pouco de ano a ano. Por exemplo, em 2022 tivemos 41 cervejarias com 157 inscrições; em 2023, caiu para 33 cervejarias e 118 cervejas, e depois se recuperou em 2025, com 45 cervejarias enviando 145 amostras. Então, você pode notar que não é um crescimento estritamente linear, mas o que vemos é um engajamento consistente e significativo dos cervejeiros brasileiros. E, tão importante quanto isso, continuamos a ver essa presença refletida nos resultados das premiações, o que realmente atesta a qualidade da comunidade de cerveja artesanal do Brasil.

Nas edições recentes, cervejarias brasileiras conquistaram medalhas em categorias clássicas e tradicionais, como Imperial Stouts e Old Ales. Como a Brewers Association vê os mercados internacionais se destacando nesses estilos tradicionais ao lado de cervejeiros americanos e europeus?

Isso é verdade! Acredito que isso demonstra a imensa dedicação e a paixão pela qualidade presentes na cena da cerveja artesanal brasileira. Existe uma apreciação clara pelos estilos de cerveja tradicionais e globais, mas, ao mesmo tempo, você vê algumas das cervejas mais empolgantes e criativas vindo do Brasil. É a mistura perfeita entre a excelência nos estilos tradicionais de produção e cervejas únicas, que destacam a vibrante cultura brasileira. A melhor parte é que isso não se restringe apenas ao Brasil, à Europa ou aos Estados Unidos. Excelentes cervejeiros de qualquer lugar do mundo também dedicam seu tempo e paixão para aperfeiçoar um estilo com maestria, tendo chances iguais de levar para casa uma medalha por uma cerveja excelente em um estilo tradicional. É por isso que o World Beer Cup é tão empolgante para a comunidade global de cerveja e sidra.

Além do prestígio, há cervejarias que expandem sua produção ou abrem novos canais de exportação após uma vitória no World Beer Cup. Da sua perspectiva, quais são as histórias de sucesso comercial mais empolgantes ou tendências de crescimento de mercado que você já viu cervejarias internacionais alcançarem após conquistarem uma medalha?

Você tem razão, tudo começa com o imenso prestígio de conquistar esse prêmio. Ouvimos constantemente dos participantes que uma medalha no World Beer Cup não é apenas um prêmio que estabelece e acelera a credibilidade dentro de um mercado cervejeiro global concorrido, mas também atua como um catalisador capaz de impulsionar o crescimento de forma mais rápida do que a entrada tradicional no mercado.

Cervejarias como a japonesa Spring Valley Brewery (premiada entre 2023 e 2025) ou a belga Omer Vander Ghinste usaram esse reconhecimento para reforçar seu posicionamento premium em seus respectivos mercados, ganhando uma vantagem positiva nas negociações de exportação. O prêmio é, em sua essência, uma elevação da marca com o objetivo de ajudá-los a ganhar influência no mercado, atraindo a atenção de importadores ou incentivando parceiros atuais a ampliarem seus compromissos. Ele ajuda a empresa a contar uma história mais forte, e as histórias de sucesso mais cativantes costumam ser das cervejarias que utilizam o prêmio não apenas como reconhecimento, mas como uma ferramenta estratégica para expandir sua presença em um mercado saturado.

Sabemos que entrar em uma competição internacional envolve um comprometimento logístico e financeiro significativo para as cervejarias sul-americanas, especialmente considerando as taxas de câmbio. Como a BA vê esse nível de dedicação dos cervejeiros brasileiros, e existem esforços contínuos para tornar o processo de envio e consolidação internacional mais fácil para eles?

Vemos a participação internacional como algo totalmente essencial para o papel do World Beer Cup na comunidade cervejeira global. O nível de comprometimento que temos visto dos cervejeiros brasileiros, e que continuamos a ver das cervejarias sul-americanas de forma mais ampla, realmente destaca o quão significativa a competição é como um parâmetro global de excelência. Ao mesmo tempo, estamos perfeitamente cientes de que participar envolve desafios logísticos e financeiros reais, exatamente como você mencionou.

Por causa disso, é uma prioridade contínua para nós nos esforçarmos para reduzir essas barreiras de entrada, a fim de manter forte a participação das cervejarias da América do Sul. Com isso em mente, estamos sempre de olho em refinar esse processo, trabalhando de perto com parceiros logísticos, avaliando pontos de consolidação e observando onde a participação está crescendo rapidamente para determinar onde os ajustes podem causar o maior impacto. Nosso objetivo é tornar o processo o mais tranquilo e acessível possível, sem comprometer a integridade da competição. Sabemos que sempre há mais a ser feito, e nosso esforço contínuo é diretamente moldado pelo engajamento global que observamos, especialmente em regiões como a América do Sul.

Com um campo global tão diverso e mais de 100 estilos, quais são alguns dos passos que a BA toma para garantir que as inscrições internacionais, que podem ser produzidas com realidades locais diferentes, sejam avaliadas de forma justa e precisa?

No cerne da competição, tudo é fundamentado nas diretrizes de estilo. Cada cervejaria inscreve sua cerveja de acordo com esses parâmetros, e os juízes são treinados para avaliar rigorosamente com base nesses critérios na mesa. Como o julgamento é completamente às cegas, os juízes avaliam baseando-se apenas no que está na taça. Nenhuma informação sobre a cervejaria, país de origem ou quaisquer outros detalhes que possam introduzir algum viés é fornecida, o que é fundamental para garantir a justiça em um campo global tão diversificado.

Além do julgamento, também damos uma ênfase significativa à forma como a cerveja é manuseada assim que chega. Garantimos que as cervejas sejam armazenadas e servidas em condições ideais, desde o recebimento até o momento em que são julgadas. Controle de temperatura, organização cuidadosa e práticas de serviço padronizadas são apenas algumas das muitas ferramentas que usamos para criar o cenário mais igualitário possível. Fazemos isso com um único objetivo em mente: seja uma cerveja vinda da rua de trás ou do outro lado do mundo, ela será avaliada de forma justa, precisa e exclusivamente pela maneira como representa o estilo na taça.

Confira todas as cervejas brasileiras já premiadas no World Beer Cup:

MedalhaNome da CervejaCervejariaCategoriaPaísAno
OuroQuadruppel 277277 Craft BeerBelgian-Style Strong Specialty AleBrazil2025
OuroCanoa Quebrada277 Craft BeerGoseBrazil2025
OuroSim! Cerveja Sem Álcool – Melancia SOUR’n SaltSim! CervejaSpecialty Non-Alcohol BeerBrazil2025
PrataSt. Patrick’s Imperial StoutBrew Center Cervejas EspeciaisBritish-Style Imperial StoutBrazil2024
OuroGoiabinhaSuricatoContemporary GoseBrazil2024
OuroSt. Patrick’s Old AleBrew Center Cervejar EspeciaisOld Ale or Strong AleBrazil2024
PrataMandacaru AtômicoCaatinga RocksSpecialty Berliner-Style WeisseBrazil2024
OuroTupiniquim Pecan Imperial StoutCervejaria TupiniquimField BeerBrazil2018
PrataLohn Bier CarvoeiraCervejaria LohnHerb and Spice BeerBrazil2018
BronzeLeuven Irish Red AleCervejaria LeuvenIrish-Style Red AleBrazil2018
OuroWaels BrutCervejaria WaelsOther Belgian-Style AleBrazil2018
BronzeBrew Center Cervejas EspeciaisBrasserie 35Other Strong BeerBrazil2018
OuroWäls DubbelWäls CervejariaBelgian-Style DubbelBrazil2014
PrataWäls QuadruppelWäls CervejariaOther Belgian-Style AleBrazil2014
BronzeEisenbahn DunkelCervejaria Sudbrack Ltda.German-Style SchwarzbierBrazil2008
PrataKronenbierCia Antarctica PaulistaNon-Alcoholic Malt BeveragesBrazil1998
BronzeCerveja AntarcticaCia. Antarctica Paulista JaguariúnaDry LagerBrazil1996

Élida Oliveira
Élida Oliveira
Jornalista formada pela PUC-PR, escreve sobre economia, investimentos, educação, ciência e saúde. Tem passagens pelo Estadão, Folha de S.Paulo, g1, El País, UOL e InfoMoney. Sempre curiosa por aprender e informar.
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