Ambev e Heineken, as duas maiores empresas de cerveja do mundo, divulgaram na última semana os balanços financeiros do quarto trimestre de 2025, que fecham o ciclo do ano e dão um panorama de como foi o desempenho no período. As companhias conseguiram aumento de receita por meio da venda de produtos mais caros, como as cervejas premium e super premium, mesmo enfrentando um cenário desafiador. “Fatores cíclicos”, segundo os documentos, como clima e condições macroeconômicas, levaram a um recuo nos volumes de vendas. Ambas sinalizam que o futuro próximo será marcado pela busca de eficiência.
Ambev e a premiunização
O relatório de resultados da Ambev aponta queda de 3,3% no volume vendido em todo 2025 e de 3,6% no quarto trimestre (4T25), comparado ao mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, houve aumento de receita líquida de 4% na comparação anual e de 4,8% no quarto trimestre.
Segundo a empresa, a queda no consumo foi motivada por “fatores cíclicos que afetaram as ocasiões de consumo”.
Somente no Brasil, a queda no volume de vendas foi de -4,1%, sendo -4,5% em cerveja e -3,1% em outras bebidas. No recorte pelo quarto trimestre, o recuo foi de -3,7%. Dentro deste percentual e neste período, as cervejas tiveram redução de -2,6% e as demais bebidas, de -6,6%.
Este cenário não afetou o lucro da empresa, que teve crescimento de 1,6% em 2025, comparado ao ano anterior.
Já o EBITDA Ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, excluindo gastos não recorrentes) cresceu 5,6% no ano e 1,3% no último trimestre. Esse desempenho foi sustentado por uma estratégia de gestão de receita que elevou a receita líquida por hectolitro em 7,5% em 2025, segundo a empresa.
“Condições climáticas adversas e um ambiente de consumo mais desafiador reduziram as ocasiões de consumo, especialmente nos canais ligados à socialização, pressionando os volumes da indústria”, diz o CEO da empresa, Carlos Lisboa, no relatório.
A aposta no segmento de alta renda foi crucial. Segundo o relatório da administração, as marcas mais caras, como cervejas premium e super premium, cresceram “um dígito alto” (high-single-digit) no ano, superando a média da categoria. A eficiência operacional também permitiu que a margem EBITDA expandisse 50 pontos-base, alcançando 33,4% em 2025 — o terceiro ano consecutivo de expansão.
Heineken e as cervejas premium
A holandesa Heineken apresentou resultados na mesma linha. Houve recuo no volume total de venda de -1,2% em 2025, comparado ao ano anterior, e crescimento da receita líquida de 1,6%. O relatório da empresa cita a estratégia de vendas de produtos premiunizados, como o segmento cervejas premium. Em 2025, o segmento teve aumento de volume de 2,7%, puxados por mercados como China, Vietnã, Nigéria e Índia.
No Brasil, as marcas Heineken e Amstel estão envolvidas nessa estratégia, ao lado da Eisenbahn.
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O relatório também citou o mercado brasileiro, um dos mais importantes para a empresa, como um ponto de atenção, já que “fatores cíclicos” enfraqueceram a demanda.
“Em 2025, entregamos um desempenho resiliente e bem equilibrado. Ganhamos participação de mercado, impulsionamos a produtividade de custos e caixa, e aumentamos o investimento em nossas marcas”, afirmou o CEO global, Dolf van den Brink, no relatório de resultados. O executivo alertou para a continuidade da cautela, afirmando que a empresa permanece “prudente” para as condições do mercado de cerveja no curto prazo. Ele anunciou que deixará o cargo em 31 de maio deste ano.
Perspectivas
Ambas as empresas sinalizam que 2026 será um ano de foco em eficiência e inovação. A Heineken projeta um crescimento do lucro operacional entre 2% e 6% para o próximo ano e anunciou um corte de 5 a 6 mil cargos em todo o mundo ao longo dos próximos dois anos como parte de seu programa de produtividade. Já a Ambev aposta na digitalização de seu ecossistema, citando o crescimento de 70% no volume bruto de mercadorias.
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