
Saudações! Depois de um longo hiato, volto as colunas do Guia da Cerveja! O propósito da coluna é — e sempre foi — levantar a bandeira da cerveja como potência gastronômica, ainda que haja liberdade editorial para falar sobre absolutamente qualquer assunto que circunde esse diverso e delicioso universo fermentado. E como primeira coluna pós-retorno, fujo um pouco de harmonizações para falar um pouco sobre uma visão mais holística do atual cenário cervejeiro — e de como eu me sinto em relação a ele.
Atuo no mercado de cervejas desde 2015, entrei na crista da onda, onde tudo parecia lindo e diferente. Mas o tempo sabe o que faz, passamos por pandemia, passamos por caso explícito de racismo no meio de grandes nomes, estamos passando por uma mudança significativa de padrão de consumidores, por flutuações de mercado, fechamento de várias cervejarias que fizeram história, e por aí vai…
No meu feed de notícias me deparei, em uma postagem do André Lopes — Advogado Cervejeiro, com duas expressões que definem bem o momento: JOMO e FOMO.
JOMO (Joy of Missing Out) e FOMO (Fear of Missing Out) são dois conceitos opostos que refletem diferentes perspectivas sobre a interação com o mundo digital e social.
FOMO representa o “medo de ficar de fora”, ou a ansiedade de estar perdendo eventos, experiências ou oportunidades importantes que as outras pessoas aparentemente estão vivenciando. É amplamente associado ao uso das redes sociais, onde constantemente vemos as “melhores versões” da vida de outros, o que pode gerar sentimentos de comparação e insatisfação.
Por outro lado, JOMO é o “prazer de ficar de fora”. Trata-se de celebrar o valor de dizer “não” e priorizar o próprio bem-estar, encontrando alegria e contentamento em viver no presente, desconectar-se e focar no que realmente importa. Enquanto o FOMO está ligado à ansiedade e à pressão social, o JOMO incentiva a paz e a liberdade de escolher o que é significativo para si.
Ambos os conceitos refletem aspectos do estilo de vida moderno e destacam a importância de encontrar equilíbrio no mundo hiper conectado.
Atualmente me considero muito mais JOMO do que FOMO. Talvez eu só esteja ficando mais velho e ranzinza.
- Aquele evento cervejeiro que vai ter as mesmas cervejarias, as mesmas bandas cover de rock, o mesmo padrão de público — JOMO!
- Aquele lançamento da enésima NEIPA com CITRA, MOSAIC, GALAXY — JOMO!
- Aquela Smoothie Sour com um caminhão de frutas? — JOMO!
- Aquele novo sabor de cerveja que ninguém previa que seria possível — JOMO!
- Aquele julgamento de concurso internacional paralelo de cervejas “itinerante”? — JOMO!
- Aquela coleção de badges e a gameficação do consumo promovida pelo Untappd? — JOMO!
E FOMO?
Rever grandes amizades que fiz ao longo dos anos, degustar cervejas feitas (e bem-feitas) de forma contínua, visitar lugares que valorizam gastronomia e cerveja, ir a eventos que sejam mais diversos…
E você caro leitor? O que é FOMO ou JOMO para ti?
Saúde!
Jayro Neto é somelelê, CFO, auxiliar administrativo e sócio da Cozalinda. É sommelier de cervejas desde 2015, campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. Também atua como diretor financeiro da AbracervA desde 2022, juiz BJCP Certified e é co-autor do livro Guia da Sommelieria Brasileira.


