Da primeira vez que me chamaram para escrever para o Guia, fiz uma pausa para pensar. Mas declinei. Não tinha tempo nem fôlego para seguir. Da segunda, aceitei de primeira. Mas depois fiz uma pausa: “Ainda não tenho tempo, será que vai dar?”, pensei. Mas se você tá lendo agora, deu.
Fazer uma pausa parece perigoso, te expõe, ainda mais num mercado que vende a presença como valor. Onde ser visto não é mais consequência, é obsessão. Mas a verdade é que nem sempre foi a presença que mudou o jogo na minha jornada. Foi justamente parar que me reposicionou.
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Para mim, parar nunca foi sobre ausência ou covardia. É mais sobre estratégia. Um jeito de reorganizar o pensamento, revisar o sentido e trazer mais intenção. É olhar o todo com calma já que vivemos num mundo em que acelerar é o padrão.

Falei sobre isso outro dia e me perguntaram se eu tinha medo de me posicionar. A pergunta sincera veio de alguém que tá crescendo como marca, mas sente que precisa “calar” algumas falas para continuar na trend. É aí que mora o dilema: crescer para quem?
Essa pergunta me pegou, pois já estive nesse lugar. De pensar se valia a pena arriscar um contrato por uma opinião. De medir palavras para não assustar. De ter medo de sofrer ataques, cancelamento, ameaças. Mas hoje, com anos de estrada e algumas cicatrizes, não tenho dúvida: se posicionar dói, mas se esconder dói ainda mais.
É claro que nem toda empresa precisa ser ativista. Mas toda empresa precisa saber do que não abre mão. Em tempos de polarização e pós-verdade, isso tem que ficar visível. Porque o silêncio da omissão parece confortável, mas ele também comunica. E normalmente, comunica conivência.
Parar me ensinou que não dá para criar no automático. E se posicionar me lembrou que não vale a pena crescer agradando quem não corre junto contigo. É papo reto, cada escolha tem um custo. Mas também tem um filtro. É o que fica quando você diz com clareza a que veio, no que acredita e o que não admite: gente que se identifica, não vampiriza. É apoio na caminhada, não questionamento vazio. É motivação para seguir e apoio quando apertar, pois você sabe para quem tá criando e o principal: vale a pena.
Foi assim quando parei de criar para o @horadogole. Foi assim quando voltei. E foi por sempre me posicionar que o Guia me convidou para estar aqui.
Hoje, mais do que querer ser presença, eu quero criar barulho. Mais do que buscar aplauso, eu quero provocar conversas como as que compartilho a cada semana no @horadogole. Foi a pausa que me reconectou com isso. E o posicionamento, me pôs ao lado de quem eu realmente quero estar.
E você, tem posicionado sua marca com clareza? Me conta aqui nos comentários.
Eduardo Sena é publicitário, entusiasta cervejeiro, podcaster e agitador etílico-cultural. Com mais de 20 anos de experiência como criativo, é diretor de conteúdo do Hora do Gole HUB — plataforma que conecta cerveja, cultura, equidade e criatividade. Também colabora como estrategista e criativo para outras marcas.


