A indústria cervejeira alemã acompanhou no último mês uma movimentação histórica no mercado bávaro. A Schneider Weisse, famosa por suas cervejas de trigo, confirmou a aquisição das marcas Bischofshof e Weltenburger, a cervejaria mais antiga do mundo ainda feita em monastério, fundada em 1050. Ambas estão entre as mais tradicionais instituições cervejeiras da Baviera.
O negócio busca preservar o legado das marcas em um momento em que a indústria cervejeira alemã passa por mudanças estruturais.
“Solução bávara”
A transação, prevista para ser concluída oficialmente em 1º de janeiro de 2027, foi descrita pela imprensa especializada como uma “solução bávara” para garantir a sobrevivência das marcas em um cenário econômico desafiador.
Segundo o site The Drinks Business, o diretor administrativo da Bischofshof e Weltenburger, Till Hedrich, afirmou que a continuidade das operações de forma independente não era mais economicamente viável, apesar dos esforços recentes.
A aquisição pela Schneider Weisse evita que as marcas sejam fragmentadas ou adquiridas por investidores sem ligação com a tradição regional. Conforme relatado pelo portal BR24, a Schneider Weisse assumirá o controle das marcas e da produção, mantendo o foco na qualidade e na herança cultural da região de Kelheim e Regensburg.
Cervejaria mais antiga do mundo feita em monastério

O ponto alto da negociação é a Weltenburger Klosterbrauerei. Fundada em 1050, ela é reconhecida como a cervejaria mais antiga do mundo feita em mosteiro e ainda em atividade. De acordo com o portal Plataforma Media, a venda marca um momento histórico para a instituição.
A boa notícia para os entusiastas da marca é que a unidade de produção em Weltenburg será mantida. O site inFranken.de destaca que a Schneider Weisse pretende dar continuidade às operações no mosteiro, preservando os 21 postos de trabalho locais e garantindo que a famosa Weltenburger Kloster Barock Dunkel continue sendo produzida em seu local de origem.
O título de cervejaria mais antiga do mundo em geral fica com a também alemã Weihenstephaner (Bayerische Staatsbrauerei Weihenstephan), que faz e vende cervejas desde 1040. Apesar de ter se iniciado no mosteiro beneditino de Freising, na colina de Weihenstephan, em 1803 ela passou para o controle do estado. Ou seja, ela não é mais administrada por monges, mas sim pelo estado da Baviera. A operação funciona em conjunto com a Universidade Técnica de Munique.
Fechamento da Bischofshof em Regensburg

Se, por um lado, a Weltenburger ganha fôlego, a situação da Bischofshof é mais delicada. Fundada em 1649, a cervejaria em Regensburg deve encerrar suas atividades de produção no final de 2026, após 377 anos de história.
Conforme apurado pelo inFranken.de, a unidade de Regensburg, que emprega 56 pessoas, deixará de fabricar cerveja, mas a marca Bischofshof continuará existindo sob o guarda-chuva da Schneider Weisse.
A logística da empresa, que conta com 21 funcionários, também será integrada ao novo grupo. O objetivo, segundo o The Drinks Business, é tentar realocar os colaboradores afetados em outras áreas do grupo ou em empresas parceiras do setor de bebidas.
As partes envolvidas, que optaram pelo sigilo contratual, e não revelaram os detalhes financeiros da transação, conforme informado pelos veículos alemães citados.
Produção brasileira da Weltenburger
O Grupo Petrópolis produz as cervejas da Weltenburger sob licença desde 2010. Procurada pela reportagem, a empresa preferiu não se manifestar sobre a continuidade ou não da fabricação das cervejas da marca no Brasil. Os rótulos que estavam sendo feitos no país são Urtyp Hell, Hefe-WeiBbier, Anno 1050 e Barock Dunkel.


