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3ª Festa da Colheita de Lúpulo: entre cones e conversas 

Araraquara recebeu, na sexta (1º de agosto) e sábado (2), um evento que ajuda a marcar esse novo capítulo que vem sendo escrito sobre a história do lúpulo brasileiro. Mais do que uma celebração simbólica do Dia do Agricultor, a 3ª Festa da Colheita de Lúpulo reuniu agricultores, pesquisadores, cervejeiros, estudantes e autoridades públicas para discutir o papel estratégico do lúpulo na economia regional e nacional. Ela foi organizada pelo Sindicato Rural de Araraquara em parceria com a Cadeia Produtiva Local do Lúpulo (CPL), a APROJAPE e o projeto Lúpulo Guarani.

Ribeirão Preto, que é a famosa cidade do chope, fica a menos de 100 quilômetros de distância de Araraquara e as culturas cervejeiras vão se encontrando e se formatando em uma região muito rica e potente do setor de turismo, entretenimento e gastronomia, com a cerveja como ferramenta de cultura regional. 

>>> Leia Mais: CPL do Lúpulo mira produção nacional mais autossustentável. Confira a entrevista com Luciana Andreia Pereira, da Lúpulo Guarani, que esteve à frente do projeto

Lançamento da CPL do Lúpulo em Araraquara contou com a presença de autoridades durante a 3ª Festa da Colheita de Lúpulo, como: Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva (esq.) e o prefeito da cidade de Araraquara, Doutor Lapena (ao centro, de camisa listrada). Crédito Bia
Lançamento da CPL do Lúpulo em Araraquara contou com a presença de diversas autoridades durante a 3ª Festa da Colheita de Lúpulo, como: Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva (esq.) e o prefeito da cidade de Araraquara, Doutor Lapena (ao centro, de camisa listrada). Crédito: Bia Amorim

A programação começou com uma missa presidida pelo Padre Nelson e seguiu com o cerimonial de abertura, pronunciamentos de autoridades e a inauguração da tão aguardada Unidade de Beneficiamento da planta. Trata-se de uma estrutura técnica com capacidade para processar até uma tonelada de lúpulo por dia, e que conta com o apoio do programa estadual SP Produz. A iniciativa insere o lúpulo de Araraquara no rol das CPLs (Cadeias Produtivas Locais), o que viabiliza investimentos, reconhecimento formal e articulação entre diversos agentes: do campo à indústria.

Palco principal da abertura do evento com as autoridades presentes (Crédito: Bia Amorim)
Palco principal da abertura do evento com as autoridades presentes (Crédito: Bia Amorim)

Durante a abertura da 3ª Festa da Colheita de Lúpulo, o prefeito de Araraquara, Doutor Lapena, destacou o papel estratégico do lúpulo no desenvolvimento econômico do município: “Estamos construindo aqui uma referência nacional na produção de lúpulo. A força do campo é o alicerce do nosso futuro, e apoiar o agricultor é garantir que a inovação ande de mãos dadas com a tradição”, afirmou.

Unidade de beneficiamento também foi entregue durante o evento (Crédito: Bia Amorim)
Unidade de beneficiamento também foi entregue durante o evento (Crédito: Bia Amorim)

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado de São Paulo, Jorge Lima, também elogiou a atuação dos produtores da região: “Araraquara mostra como é possível alinhar vocação agrícola e empreendedorismo. O Estado está atento a esse movimento e pronto para apoiar iniciativas que geram emprego, renda e tecnologia no campo.”

Presidente da Abracerva, Gilberto Tarantino, mostra o interior de uma flor de lúpulo na 3ª Festa da Colheita de Lúpulo
Presidente da Abracerva, Gilberto Tarantino, mostra o interior de uma flor de lúpulo

Depois da faixa oficial cortada, fomos visitar a plantação dos lúpulos e ver, e sentir, de perto os lindos cones verdes, em camadas finas e aroma delicioso. Colhi um lúpulo pela primeira vez e fiquei muito feliz. Abri ao meio a flor e lá estava, aquele miolo amarelinho e cheio das substâncias que fazem da cerveja tão equilibrada, amarga e cheirosa, como eu gosto!

Segundo dia da 3ª Festa da Colheita de Lúpulo

No segundo dia de evento, o IPA Day reuniu cervejeiros, sommeliers, professores universitários e representantes da Abracerva, da Aprojape e da comunidade local. Painéis técnicos abordaram temas que iam desde genética vegetal e adaptação ao clima até experiências práticas na produção de cervejas com lúpulo nacional. O clima foi de festa, mas também de escuta e troca e o lúpulo, enfim, vai deixando de ser só promessa para se apresentar em forma de pellet, mudas de diferentes variedades e produtos como a cerveja Ópera Guarani (Session IPA) e a água saborizada com lúpulo.

As torneiras estavam bem representadas por cervejarias da região que apostam na produção artesanal com identidade. Entre elas, nomes como Cervejaria Ópera, Feitoria, Avenida 42, Vitruviana, Bendita, Taberna Augustina, Invicta e Cachorro Magro marcaram presença, levando suas interpretações criativas — e frescas — sobre o uso do lúpulo brasileiro.

Bia Amorim participou da 3ª Festa da Colheita de Lúpulo e conta suas impressões (Crédito: Mari Astolfi)
Bia Amorim participou da 3ª Festa da Colheita de Lúpulo e conta suas impressões (Crédito: Mari Astolfi)

Entre os presentes estavam nomes importantes da cena cervejeira, Duan Ceola, Patrick Bannwart (Global Food), Mari Astolfi, Marcelo Rubino (Cervejaria Ópera), Bruno Virgílio (Vitruviana), Guilherme Donato (Cachorro Magro), Rodrigo Silveira (Invicta) e representantes da comunidade acadêmica da UNESP. Também participaram Herman Wigman e a equipe da Van de Bergen, a BioSab Leveduras, com a Sabrina Ciane, reforçando a importância da troca de conhecimentos com iniciativas internacionais de cultivo e tecnologia.

Gilberto Tarantino (ABRACERVA) fez uma fala importante na abertura do evento, relembrando a importância da cerveja na economia do país: “Cerveja é agricultura, um produto feito no Brasil. Isso gera mais de 2 milhões de empregos, diretos e indiretos e representa 2% do PIB no país. O Estado de São Paulo tem capacidade de sobra para uma central de lúpulo como essa.” apresentou Giba.

O evento reforça a consolidação de Araraquara como um dos polos emergentes do cultivo de lúpulo no Brasil. Ainda é cedo para falar em autossuficiência, mas o que se viu ali, entre falas, risadas, mudas, cervejas e compromissos públicos, foi um sinal claro de que há movimento, pesquisa, governança e, principalmente, vontade de fazer diferente e fazer com nossa identidade, frescor e comunidade agrícola.

Como uma formiguinha que carrega folhas maiores do que seu próprio corpo, seguimos. Com o aroma do lúpulo no nariz e os pés firmes no chão do Brasil.

Bia Amorim é sommelière, pesquisadora e palestrante. Atua na interseção entre gastronomia, cultura e bebidas brasileiras, com foco em comunicação, experiência, consumo consciente e hospitalidade.

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