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O texto que você (quase) não leu

Em sua nova coluna, Edu Sena reflete sobre o cansaço da rotina e como a falta de tempo e de espaço mental nos afasta do que realmente importa

Esta coluna quase não existiu. E não foi por falta de assunto, foi falta de tempo ou, sendo mais honesto, foi falta de espaço mental.

Os últimos dois meses têm sido intensos, voltei às origens, assumi uma área criativa. Desafio grande, daqueles que a gente quer fazer bem feito desde o primeiro dia. E junto com ele, vieram também novas responsabilidades, projetos, conversas e urgências. Coisas boas, mas que fazem o tempo, que já era curto, diminuir mais ainda.

No meio disso tudo, tinha essa coluna. Um compromisso que eu demorei pra assumir, justamente por falta de tempo. E quando assumi, não é que tivesse tempo de sobra, mas precisava desse momento e, desde então, ele fazia parte da minha rotina com algum respiro. Um espaço de pensamento e de pausa. Um momento de organização interna antes de virar texto.

Só que dessa vez, esse espaço não veio e ainda mandou uma pergunta: sobre o que escrever quando não dá tempo de pensar no que escrever?

O texto que você (espero) ainda tá lendo não era pra existir. Foi numa pausa pra um papo com um Celso interessado, insistente e tão crente na causa que me procurava há dias, sem resposta (nem no Whatsapp), que a resposta apareceu. Eu explicava justamente sobre a correria, o novo momento, a dificuldade de parar, quando percebi que talvez o texto fosse esse.

Não o que eu gostaria de ter escrito.
Mas o que eu precisava escrever. Porque às vezes, tudo que a gente precisa dizer é o que precisa ser dito. Nem mais, nem menos.

A vida adulta tem dessas coisas. A gente passa tanto tempo tentando dar conta de tudo que para de olhar o que interessa de verdade.

E isso não vale só para uma coluna.

Vale para aquele encontro que você adia, aquela conversa que a gente deixa pra depois, o happy hour com aquela cervejinha que vira o clássico “vamo marcar”.

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Vale principalmente pra esses espaços onde a vida não só passa, ela acontece de verdade.

Foi o próprio Celso, editor do Guia e dono de um repertório jornalístico de respeito, quem me lembrou de grandes cronistas que escrevem justamente sobre a falta de assunto.

A real é que nunca foi sobre falta de assunto. Foi mais um excesso de vida mesmo. E se o problema é estar tão imerso dentro de um fluxo caótico, a coisa mais honesta a fazer é escrever a partir dele.

Talvez esse texto seja isso. Um registro de que, mesmo quando tudo aperta, ainda vale a pena parar, nem que seja só pra reconhecer o caos. Ou pra trocar ideia com um velho amigo que, entre umas e outras, nos lembra do valor de compartilhar a verdade.

Porque, na real, o mais importante nem é dar conta de tudo. É não abrir mão do que importa enquanto a gente tenta, né não?


Eduardo Sena é publicitário, entusiasta cervejeiro, podcaster e agitador etílico-cultural. Com mais de 20 anos de experiência como criativo, é diretor de conteúdo do Hora do Gole HUB — plataforma que conecta cerveja, cultura, equidade e criatividade. Também colabora como estrategista e criativo para outras marcas.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

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