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Inflação da cerveja de setembro cai e produção industrial tem recuperação

Dois dos principais índices de mercado relacionados à cerveja tiveram melhoras, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Porém as boas notícias são apenas parciais. A inflação da cerveja fechou em 0,64% em setembro, contra 1% no mês de agosto — maior índice registrado nos últimos 22 meses. No entanto, ela permanece acima do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que fechou o mês em 0,48%. Já a produção industrial de Bebidas Alcoólicas de agosto ficou em -11,8% frente ao mesmo mês do ano anterior, uma melhora em relação à julho (-15,4%).

Segundo analistas do Bradesco BBI em relatório liberado no fim de setembro, publicado no InfoMoney, o setor cervejeiro conseguiu sustentar o aumento de preços realizados no primeiro trimestre pela Ambev e em julho pela Heineken — o que deu origem a índices maiores que a inflação da cerveja medida pelo IPCA. No entanto, do lado do consumo, a leitura dos especialistas é mais pessimista, indicando uma demanda mais fraca e, logo, uma produção industrial de bebidas em queda em relação ao ano passado.

Os analistas afirmam que aparentemente o setor cervejeiro parece estar tendo uma troca direta entre preços mais altos e volumes menores consumidos. E isso levanta dúvidas sobre a capacidade dele manter o atual equilíbrio nos próximos meses.

Inflação da cerveja

A inflação da cerveja de 0,64% em setembro representa uma desaceleração em relação ao aumento de agosto, que foi de 1%, índice bastante alto, sendo o maior em quase dois anos. No acumulado do ano, de janeiro a setembro, a inflação da cerveja chega a 3,66%. Nos últimos 12 meses, o indicador está em 4,89%. 

IPCASetembro (%)Janeiro a setembro (%)Set/2024 a Set/2025 (%)
Índice geral0,483,645,17
Alimentação e bebidas-0,262,676,61
Alimentação no domicílio-0,411,665,99
Cerveja0,643,664,89
Outras bebidas alcoólicas-2,04-1,07-1,61
Alimentação fora do domicílio0,115,368,24
Cerveja0,442,654,64
Outras bebidas alcoólicas-0,035,356,18
Fonte: IBGE

Os números altos estão na contramão do próprio grupo que a bebida está inserida. Alimentação e Bebidas teve leve aceleração, mas continua deflacionário em -0,26%. O Índice vinha registrando quedas sucessivas desde abril, mas fechou o mês de agosto com baixa de -0,46%.

Os dados do IBGE apontam que a cerveja subiu menos fora de casa. No subgrupo Alimentação fora do domicílio, o índice geral ficou em 0,11%, enquanto os preços da cerveja subiram 0,44%, terceira alta consecutiva.

set/24out/24nov/24dez/24jan/25fev/25mar/25abr/25mai/25jun/25jul/25ago/25set/25
IPCA0,440,560,390,520,161,310,560,430,260,240,26-0,110,48
Alimentação e bebidas0,51,061,551,180,960,71,170,820,17-0,18-0,27-0,46-0,26
Alimentação no domicílio0,561,221,811,171,070,791,310,830,02-0,43-0,69-0,83-0,41
Cerveja0,370,980,85-0,640,49-0,290,370,480,110,360,4510,64
Alimentação fora do domicílio0,340,650,881,190,670,470,770,80,580,460,870,50,11
Cerveja0,110,890,790,24-0,091,070,170,610,11-0,170,060,420,44
Fonte: IBGE

Inflação da cerveja por cidade

Nas capitais, a inflação da cerveja ficou maior no Rio de Janeiro, com alta de 2,87%, seguida por São Luís (1,76%), Salvador (1,22%), Campo Grande (1,11%) e Belém (1,08%). Belo Horizonte e Recife tiveram baixas de -0,68% e -0,65%, respectivamente.

No subitem Alimentação fora de casa, a inflação da cerveja foi maior em Curitiba (1,68%), Porto Alegre (1,33%), São Paulo (0,94%), Rio branco (0,86%) e Brasília (0,84%).

As maiores baixas ficaram em Belo Horizonte (-1,56%), Campo Grande (-1,28%), Goiânia (-0,64%), e Rio de Janeiro (-0,21%).

Produção industrial de bebidas

A produção industrial de Bebidas Alcoólicas de agosto, mês mais recente a ser pesquisado pela PIM-PF (Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física) do IBGE, apontou uma queda menor se comparada ao registrado em julho, mas ainda assim o percentual permanece elevado. 

O índice caiu -11,8% em relação a agosto de 2024 na série que já considera ajustes sazonais. Em julho, a queda havia sido de -15,4% sobre o mesmo mês do ano anterior. Em 2025, a queda acumulada de janeiro a agosto foi de 4,6%. Já nos últimos 12 meses, o recuo foi de 4,3%.

Na comparação com as bebidas não-alcoólicas, houve avanço de 3,1% na produção industrial de agosto em relação ao mesmo mês do ano anterior. O acumulado do ano ficou com queda de 0,9%, e nos últimos 12 meses, o recuo foi de 2,1%.

Se comparado ao mesmo mês do ano anterior, o setor industrial brasileiro teve redução de 0,7% em agosto de 2025. Houve quedas em 9 dos 18 locais pesquisados, com recuos mais acentuados no Mato Grosso (-12,8%), Maranhão (-11,4%) e Amazonas (-9,3%). O setor de bebidas, em geral, acumulou queda de 4,9% no mesmo período.

No entanto, se comparados a julho de 2025, os números de agosto representam um crescimento na produção industrial nacional de 0,8%, também na série com ajuste sazonal. Assim, 9 dos 15 locais pesquisados pelo IBGE acompanharam esse movimento positivo. As altas foram no Pará (5,4%), Bahia (4,9%) e Paraná (4,2%) tiveram os maiores avanços e Amazonas (-7,4%), Pernambuco (-3,5%) e Rio de Janeiro (-1,9%) as maiores quedas.

Élida Oliveira
Élida Oliveira
Jornalista formada pela PUC-PR, escreve sobre economia, investimentos, educação, ciência e saúde. Tem passagens pelo Estadão, Folha de S.Paulo, g1, El País, UOL e InfoMoney. Sempre curiosa por aprender e informar.
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