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Indústria

Lúpulo brasileiro viu projeto de lei avançar na Câmara e união produtiva para ganhar escala

Élida Oliveira
Por Élida Oliveira
22 de dezembro de 2025
Atualizado em: 30 de dezembro de 2025
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    Setor do lúpulo brasileiro viu avanços significativos em 2025 (Crédito: Canva.com)
    Setor do lúpulo brasileiro viu avanços significativos em 2025 (Crédito: Canva.com)

    O ano de 2025 marcou um período de reconhecimento institucional para o lúpulo brasileiro, avalia Daniel Leal, vice-presidente da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo). Ao mesmo tempo, a cadeia produtiva enfrentou desafios, como um “achatamento” na curva de desenvolvimento, que pressiona pequenos produtores a buscarem cooperação ou saírem do negócio. 

    A cadeia do lúpulo busca se estabelecer como alternativa para a indústria brasileira. Atualmente, quase todo o lúpulo consumido no Brasil é importado, mesmo com o alto volume de produção de cerveja no país. O Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, atrás da China e dos Estados Unidos — um mercado promissor para o cultivo de lúpulo local.

    Lúpulo brasileiro: 7 curiosidades sobre a matéria-prima nacional

    Reconhecimento 

    Do ponto de vista institucional, Leal avalia que 2025 foi um ano “bastante positivo”. Ele destaca que o lúpulo brasileiro consolidou sua presença no discurso governamental e de entidades da cadeia da cerveja. 

    “Foi um ano em que o lúpulo se fez muito presente. A gente vê o lúpulo brasileiro no discurso de outras entidades, na cadeia produtiva da cerveja, em diferentes órgãos municipais, estaduais e federais. Falam do lúpulo e reconhecem o lúpulo, apoiando cada vez mais a nossa cultura”, afirma.

    Avanço legal do lúpulo brasileiro

    Em meio a esta articulação, houve um marco importante: o início da tramitação do projeto de lei (PL) que institui a Política Nacional de Incentivo à Produção de Lúpulo de Qualidade no Brasil, de autoria da deputada federal Adriana Corsi (PT-GO). 

    O PL já foi aprovado na Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados e, em outubro, foi recebido na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Após a avaliação, o PL deve seguir para votação em plenário (acompanhe a tramitação aqui).

    O objetivo é promover e estimular o desenvolvimento da cadeia produtiva. A iniciativa prevê acesso a crédito e seguro rural, assistência técnica e extensão rural, pesquisa agrícola e desenvolvimento tecnológico, capacitação gerencial e qualificação da mão de obra, e a criação de um selo de qualidade para o produto nacional. 

    A busca pela união na produção

    Segundo Leal, o lúpulo brasileiro enfrenta um cenário de competição binária: não há “meio-termo” ou “escadinha” de evolução. O produto nacional compete diretamente com os players globais que detêm alta tecnologia e capacidade de investimento. Assim, mesmo para pequenas cervejarias, a comparação de qualidade é feita com o padrão internacional.

    Leal afirma que a produção de lúpulo para atender a demanda da indústria exige escala. E o setor identificou que a verticalização total — quando uma só propriedade é responsável pela produção, beneficiamento, industrialização e comercialização — acaba saindo mais caro. E é inviável para o pequeno produtor, porque este modelo drena tempo e recursos que deveriam estar focados no campo.

    A solução aponta para a união e cooperação, transformando o processamento em responsabilidade coletiva.

    O exemplo de Araraquara

    CPL de Araraquara. Foto: Arquivo Pessoal/Luciana Andreia Pereira)

    O grande destaque prático de 2025 foi a entrega da estrutura da Cadeia Produtiva Local (CPL) de Araraquara (SP), inaugurada em 1º de agosto. O espaço é equipado com peladora, secador, peletizadora, câmeras de armazenamento e fria, e embaladora a vácuo. A estrutura garante conservação e processamento adequado do produto, de acordo com Luciana Andreia Pereira, sócia da Lúpulo Guarani e diretora da CPL de Araraquara.

    Nestes primeiros meses, a CPL já fechou parceria com universidades e disseminou a cultura. Participam desta cadeia a UNESP Técnica (Cervejeiras, Cosméticos, Químicas e Farmacêuticas), a UNESP de Botucatu (Agronomia) e a UNESP de Jaboticabal (Agronomia). Além disso, contam com a experiência de grandes profissionais. São nomes como o engenheiro Felipe Francisco, que tem mais de 16 anos de experiência em lúpulo, e do professor Éder Antônio Gigliotti, que atua com controle fitossanitário e melhoramento genético. “Essa base institucional de pesquisa dá suporte para que o crescimento seja até exponencial, embora ainda se trate de uma estimativa”, afirma Luciana.

    “Atualmente, iniciamos essa cadeia com 6,2 hectares, o que representa 30% do total produzido no estado de São Paulo, que conta com 24 hectares segundo o último Mapa da Aprolúpulo. Além disso, há uma estimativa de 26 novos plantios dentro dessa CPL, muitos elos de produção já estão inseridos na cadeia, embora ainda não tenham iniciado o cultivo”, afirma.

    Investimento

    O investimento parte do governo do Estado e inclui governança estruturada, estatutos e regimento para assegurar solidez e continuidade do projeto. Esse investimento resultou em dois editais de fomento e R$ 1 milhão, aplicados na cultura do Lúpulo na região, somente por parte do governo, cuja marca regional é “Lúpulo Central Paulista”. Além disso, buscamos linhas de pesquisa e parcerias com o EMBRAPII, que atua no desenvolvimento de maquinário para a cadeia.

    O local tem capacidade para atender a produção local e realizou eventos técnicos importantes durante a colheita.

    Ela conta que dentro do projeto da CPL, no edital de fomento, existe investimento em consultoria para esses novos plantios, recursos destinados aos projetos e linhas de crédito para que os plantios se concretizem. A perspectiva é que esses 26 hectares se transformem em cultivo ativo, ou seja, a produção da CPL poderá dobrar. 

    Pequenos produtores saem, outros maiores entram na cadeia

    O ano de 2025 também trouxe para a cadeia produtiva do lúpulo um fenômeno que Daniel Leal descreve como “achatamento” na curva de desenvolvimento do setor. Segundo Leal, produtores menores e isolados, que não conseguiram se integrar a cooperativas ou associações, estão deixando a cultura. 

    Isso reflete a realidade global, onde a produção funciona em grande escala ou via terceirização da verticalização.

    Em contrapartida, há a entrada de novos produtores com perfil diferente. Eles têm áreas de produção maiores, melhor estruturação e investimento, além do uso de referências produtivas já existentes para otimizar processos.

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      Élida Oliveira
      Jornalista formada pela PUC-PR, escreve sobre economia, investimentos, educação, ciência e saúde. Tem passagens pelo Estadão, Folha de S.Paulo, g1, El País, UOL e InfoMoney. Sempre curiosa por aprender e informar.
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