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Rússia supera Alemanha e lidera produção de cerveja na Europa

O aumento na fabricação na Rússia (8,18%) e uma queda de volume na Alemanha (1,13%) forçaram a primeira mudança no top 5 mundial dos maiores países em termos de produção de cerveja no mundo. Os russos conquistaram o 5º lugar com 9,08 bilhões de litros em 2024, empurrando os germânicos para a 6ª colocação com seus 8,39 bilhões, segundo o mais recente relatório da BarthHaas, divulgado na semana passada.

Apesar de rara, a mudança de posições nesse nível do ranking não é inédita na história recente. Em 2000, a Rússia já havia conquistado o 5ª posição, mas a Alemanha recuperou o posto em 2013.

Os três primeiros colocados continuam os mesmos, com a China em primeiro, com 34,1 bilhões de litros (cerca de 18,2% de toda a cerveja produzida no mundo), Estados Unidos em segundo, com 18,45 bilhões (9,8%) e o Brasil em terceiro, com 14,75 bilhões de litros (7,9%).

A BarthHaas é uma empresa alemã e hoje um dos maiores grupos produtores de lúpulo do mundo. O relatório é produzido desde 1912 e se tornou um dos mais relevantes do setor com números abertos sobre cerveja e lúpulo ao nível global. Ele é organizado com base em diversos levantamentos e estimativas — como acontece com os números da Rússia —, dada as dificuldades de obter essas informações em alguns países.

Segundo o relatório, mudanças no comportamento do consumidor, o aumento do consumo de cerveja sem álcool e a queda no poder aquisitivo podem ser algumas das razões para a queda no consumo na Alemanha. Na sexta-feira (25) a Oettinger-Brauerei, uma das maiores cervejarias do país, anunciou que pretende fechar uma de suas fábricas que fica em Brunsvique, no centro-norte do país, por conta do excesso de capacidade ociosa devido à queda de consumo na última década.

Maiores empresas em produção de cerveja do mundo

Também vêm da Rússia as principias novidades no ranking de 40 maiores empresas produtoras de cerveja do mundo, que respondem juntas por 87,4% de toda a cerveja global. A Baltika entrou na 12ª posição e a United Breweries – Holding (OPH) na 24ª colocação. A primeira fazia parte da dinamarquesa Calsberg até meados de 2023. A segunda, pertencia à Heineken. Ambas foram recriadas a partir da venda das operações no país em razão da guerra contra a Ucrânia.

A primeira empresa do ranking é a AB InBev com 49,55 bilhões de litros (uma participação de 26,4% no volume mundial de cervejas), seguida pela Heineken, com 24,07 bilhões (12,8%), e a gigante chinesa Snow Breweries, com 10,88 bilhões (5,8%).

Estabilização ao nível global

Os números também apontam uma queda de apenas 0,3% no volume mundial de produção de cerveja (chegando a 188 bilhões de litros). Ou seja, uma tendência de estabilização, já que o volume se mantém perto da faixa de 190 bilhões de litros desde 2022.

Uma das maiores quedas por continente foi na Ásia, que perdeu 2,3% do volume de produção, ficando com 56,54 bilhões de litros em 2024. O resultado foi puxado principalmente pela China, que perdeu 1,8 bilhão de litros. Já a Oceania vem na sequência, já que perdeu 1,6% do volume.

Nas Américas, a produção caiu 1,3%, chegando a 61,7 bilhões de litros no total. A queda foi mais expressiva nos EUA, onde a produção caiu 920 milhões de litros. Já o Brasil perdeu 150 milhões de litros e o México, por outro lado, aumentou 260 milhões de litros, segundo o relatório.

O México é o 4º lugar mundial em produção, com 14,49 bilhões de litros, logo atrás do Brasil. E vem crescendo ano a ano, principalmente por conta das exportações para os Estados Unidos. No entanto, com as novas tarifas do governo norte-americano, os números podem ser sensivelmente prejudicados em 2025.

Já os maiores crescimentos por continente foram registrados na África, com crescimento de 6,7%, e na Europa, com aumento de 1,1%.

Lúpulo

Na área do lúpulo também houve queda de produção mundialmente. A área plantada caiu cerca de 8% (perda de 4.630 hectares). Mas houve um aumento de 4% da produtividade por hectare, o que levou o volume mundial de colheitas a 113,5 milhões de quilos de lúpulo em flor, uma queda de apenas 3,9% em relação a 2023.

A Alemanha manteve sua posição como maior fornecedor mundial de lúpulo (tanto em volume de produção quanto em área plantada). Ainda assim, o número de produtores da planta caiu para níveis historicamente baixos, ficando pouco acima de mil em 2024.

Uma das principais conclusões do material é que o mercado de lúpulo permanece sobreofertado e reduções adicionais de área plantada são essenciais para que ele volte ao equilíbrio. A área plantada de lúpulo no mundo diminuiu 7,7% em 2024, com queda de 18% só nos Estados Unidos (segundo maior produtor mundial) e apenas 2% na Alemanha.

Confira o BarthHaas Report 2024/2025 completo aqui.

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
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