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Cervejaria Santa Catarina fecha fábrica, demite 88 e busca terceirizar marcas

Uma das principais cervejarias catarinenses vai fechar a sua fábrica e apostará em um novo modelo de negócios para manter suas marcas ativas. A Cervejaria Santa Catarina, que agrega quatro marcas em seu portfólio, anunciou o fechamento da sua unidade produtiva em Forquilhinha, o que provocará o desligamento de 88 pessoas. E, a partir de agora, buscará licenciar as suas marcas.

A fábrica da Cervejaria Santa Catarina em Forquilhinha, onde fica a sua sede, será desativada, com o desligamento dos funcionários ocorrendo ao longo dos próximos 60 dias, período em que a companhia espera terminar de usar as matérias-primas, as transformando em produtos para serem comercializados. A empresa afirma estar construindo um processo para auxiliar na recolocação dos profissionais dispensados. Além disso, o Pub Saint Bier, anexo à unidade produtiva, continuará em atividade.

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À reportagem do Guia, o diretor executivo da cervejaria, Bruno Braviano, explicou que a decisão de terceirizar a produção, desativando a unidade, foi tomada diante de desafios encarados pela operação da fábrica, que vinha afetando custos e a competitividade da empresa.

“Era algo que já pensávamos antes da pandemia. Mas a pandemia acelerou essa possibilidade com a questão dos custos, dificuldade de preços e desafios com a operação fora de Santa Catarina, problemas que foram potencializados em função dos custos logísticos e tributários. Começamos a testar esse modelo de terceirização e consideramos os testes bons. Acreditamos que isso diminui a pressão e os custos. Foi uma decisão matemática, com a razão e com dor no coração”, diz.

A fábrica da Cervejaria Santa Catarina possuía capacidade para produzir até 500 mil litros mensais em caso de rótulos Pilsen, volume que se reduz com a adição de outros estilos ao mix. Mas a companhia não vinha conseguindo utilizar toda a capacidade, o que afetava sua atividade e saúde financeira, como explica Braviano.

“Precisamos que a fábrica fique produzindo 100% ou há uma explosão de custos e perda de competitividade. Estávamos em 80%, o que é muito perigoso para manter a empresa saudável. Desde o fim do ano passado, só mantemos a carteira, sem conseguir aumentá-la, o que é um desafio, pois operamos em multimercados”, afirma.

A Cervejaria Santa Catarina agrega, em seu portfólio as marcas de cerveja Saint Bier, Coruja, Barco e Catarina. E a ideia da companhia é mantê-las ativas através da cessão dos direitos de uso. O foco principal, no entanto, será seguir, ao menos, com Saint Bier e Coruja em atividade.

Ambas as marcas superam a barreira dos 100 mil litros de cerveja produzidos por mês, um nível relativamente raro entre as artesanais brasileiras. “As marcas vão continuar vivas, porém com outra dinâmica de negócio, com a produção e a comercialização administradas por um concessionário”, explica Braviano.

A produção dos rótulos das marcas que compõem o portfólio da Cervejaria Santa Catarina vinha acontecendo, também, nas unidades da Opa Bier e da Lassberg, em solo catarinense, e com a Stier, no Rio Grande do Sul. Por isso, elas estão à frente na possibilidade de terceirização.  

“Elas têm a preferência. Estamos em fase de negociação, temos um portfólio bem amplo, com cerca de 50 rótulos, é preciso ver o que há de interesse, o que permanece…”, diz Braviano. “A negociação também envolve questões de produção e manutenção das receitas, por exemplo”, acrescenta.

Trajetória da Cervejaria Santa Catarina

Em 2007, a Cervejaria Santa Catarina foi fundada, conquistando sucesso através da venda do chope da Saint Bier, que em 2010 começou a produzir seus rótulos. Posteriormente, Coruja, Barco e Catarina foram incorporadas ao seu portfólio.  

De acordo com o Anuário das Cervejas Artesanais de Santa Catarina, publicado no ano passado, a Saint Bier fabricava 160 mil litros de cerveja por mês, a Coruja fazia 140 mil, Catarina outros 50 mil, enquanto a Barco produzia 40 mil litros à época.

Em 2022, a Cervejaria Santa Catarina sofreu um grande baque, com a morte de Abrahão Paes Filho, seu sócio-fundador, em um acidente de trânsito, enquanto conduzia uma motocicleta de luxo na rodovia Governador Jorge Lacerda, em Criciúma.

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