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Governo zera Imposto de Importação de cota de extrato lúpulo para cerveja

O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) decidiu na quinta-feira (26) zerar o Imposto de Importação de uma cota de extrato de lúpulo para cerveja de forma temporária. O produto faz parte de um pacote de 970 itens que tiveram a tarifa cortada, e está dentro dos 779 que já contavam com concessões anteriores, que foram renovadas. Os demais 191 itens fazem parte de uma reversão das tarifas elevadas que deve ser aplicada neste ano a mais de 1,2 mil produtos eletrônicos, como smartphones.

A notícia foi inicialmente divulgada pela Agência Brasil na quinta-feira (26), no entanto, o material não especifica que o corte tem validade de 12 meses para 1,2 mil toneladas de extrato de lúpulo, segundo a nota técnica. O Guia da Cerveja foi informado a respeito dos detalhes e do mecanismo de funcionamento da redução de taxa nesta terça-feira (31) pelo vice-presidente da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo), Daniel Leal.

“Infelizmente, circulou amplamente na imprensa, a partir de uma nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), a notícia de que houve isenção do Imposto de Importação para lúpulo. Rapidamente, a informação se espalhou como se a isenção se aplicasse a todo o lúpulo importado para o Brasil. A isenção, na verdade, diz respeito apenas ao extrato de lúpulo, mediante solicitação da Heineken, referente à quota de 1,2 mil toneladas — a mesma do pedido anterior, feito no fim de 2024”.

O Mdic trata essa decisão como rotineira. O Governo concede a redução após pedidos de empresas que alegaram ausência de produção nacional. No entanto, a concessão feita não é apenas para a solicitante, mas beneficia todos os interessados no produto. O objetivo é reduzir custos para a indústria e garantir o abastecimento de itens sem produção nacional equivalente.

No caso do lúpulo, apesar de haver uma produção nacional que responde por até 3% da necessidade interna, não há produção de extrato de lúpulo em específico. “Aqui, cabe registrar que não existe nenhuma planta de extração de lúpulo em escala industrial no Brasil”, diz Leal.

A Camex também zerou a tarifa de importação para diversos produtos de outros setores considerados estratégicos. Entre eles, estão medicamentos utilizados no tratamento de doenças como diabetes, Alzheimer, Parkinson e esquizofrenia

Retrato do lúpulo para cerveja no Brasil

O setor de lúpulo no Brasil vive um momento de maturação, alcançando produtividade recorde de 852,3 kg/ha em 2024, mesmo com uma redução de 14,6% na área total cultivada, segundo o Mapa do Lúpulo Brasileiro 2024. O salto da produção foi de 8% em relação ao ano anterior. Atualmente, o país conta com 109 produtores que somam 95,4 hectares, voltando-se predominantemente para variedades de aroma.

Apesar da eficiência no campo, a comercialização ainda é o principal gargalo da cadeia produtiva, atendendo apenas entre 2% e 3% da demanda nacional. Segundo o relatório, 18% dos produtores ainda não conseguem escoar sua produção e a maioria depende da venda direta para cervejarias.

Gargalos e o futuro

Segundo Leal em entrevista dada ao Guia da Cerveja este mês, os desafios residem na competitividade e padronização do lúpulo nacional. O setor nacional compete com o produto importado, especialmente nas variedades de amargor, que possuem escala global e preços menores.

O futuro da cultura no país aponta para a criação de polos produtivos regionais e para a padronização industrial, segundo Leal, que defende que a integração dos processos de secagem e peletização é essencial para profissionalizar a oferta.

Uma vez superados os desafios de escala e custo no mercado interno, a expectativa é que o lúpulo brasileiro esteja apto a competir globalmente, transformando o setor em uma rota consolidada de exportação.

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
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