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12 cervejarias avaliam como foi o ano de 2020 para o setor

Redação Guia da Cerveja
Por Redação Guia da Cerveja
22 de dezembro de 2020
Atualizado em: 28 de dezembro de 2020
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    O ano de 2020 entra para a história como um dos mais desafiadores para as cervejarias artesanais em todo o Brasil. Afinal, praticamente todas sentiram os impactos de um dos anos mais atípicos da sociedade moderna, marcado pelo surgimento da pandemia do coronavírus.

    Leia também – Como foi 2020 na visão de 7 fornecedores da indústria cervejeira

    Se na virada do ano as expectativas eram as melhores possíveis, logo no começo de 2020 as cervejarias tiveram de encarar a desconfiança do consumidor após as contaminações e mortes pelo consumo de rótulos da Backer.

    Em seguida, os efeitos da pandemia da Covid-19 espalharam-se tão rapidamente pelo país quanto o próprio vírus. De um dia para o outro, o isolamento social e as consequências econômicas da crise sanitária afetaram a vida das pessoas e, consequentemente, os planos das cervejarias para 2020.

    Por outro lado, o temor das contaminações e o crescente número de mortes aceleraram a tendência ao digital. E, para sobreviver a esses desafios de 2020, muitas cervejarias foram obrigadas a se adaptar ao “novo normal”, que trouxe consigo um novo perfil de consumidor.

    Aos estabelecimentos, coube elaborar formas para manter as vendas mesmo com as portas fechadas. Foi quando a inovação e a criatividade se tornaram fundamentais para a operação das cervejarias em 2020. Vieram à tona os projetos engavetados e firmou-se parcerias, priorizando as formas mais seguras e eficazes de comunicação e entrega.

    Quem conseguiu sobreviver, ainda teve pela frente mais abalos econômicos, com as longas restrições ao funcionamento, as dificuldades de logística, a alta do dólar e, mais recentemente, a falta de insumos e de matérias-primas. E tudo em meio a decretos de fechamento e reaberturas, proibições de consumo, adequações de horários, dispensas de pessoal e desafios financeiros, o que exigiu resiliência das cervejarias em 2020.

    Leia também – Falta de insumos: Maior crise em décadas dificulta retomada do setor cervejeiro

    Confira o balanço exclusivo de 12 cervejarias sobre o ano de 2020 para o Guia.

    Blondine (Sibele Xerfan, fundadora e diretora de marketing)
    2020 foi um ano desafiante e de muita resiliência para muitos setores. Nós, conectados com a hospitalidade, sofremos os impactos do fechamento repentino dos bares e restaurantes, que representam uma parte importante de nosso faturamento. Diante da nossa nova realidade, tivemos de tomar decisões com agilidade, como corte de custos e ampliar nossos canais de venda com o lançamento da loja online. Também oferecemos apoio aos bares e restaurantes como forma de fidelização deste nosso portfólio em um período sensível para todos. Outra estratégia, depois da reabertura das casas, foi a venda de growlers lacrados de fábrica para os bares pensando em uma forma de trazer mais segurança e menos manuseio dos produtos durante a pandemia. Paralelamente, fortalecemos nossa presença nas redes de varejo, o que trouxe muita segurança para a Blondine neste ano, visto que os consumidores aumentaram a compra de bebidas alcoólicas para consumo em casa. A Blondine sempre estimou o relacionamento próximo com os seus parceiros, desta forma conseguiu abastecer o mercado sem alavancar grandes problemas de ruptura com as embalagens. A única adversidade foi com a cerveja Sparkling, uma Brut IPA que usa em seu envase uma garrafa importada da França que sofreu um reajuste de 100%, o que inviabilizou a manutenção do produto nas prateleiras das redes e ocasionou sua retirada do mercado. As demais cervejas continuam em linha, obtendo sucesso de vendas e sem comprometer o portfólio.

    Cia de Brassagem Brasil (Danielle Mingatos, diretora de tecnologia cervejeira)
    Encerramos a operação do nosso bar em março. Já tínhamos esse fechamento previsto, mas o objetivo com essa ação era a de retornarmos ao mercado e tudo aconteceu junto. Entendemos que, com as despesas que tínhamos com o nosso bar, era inviável nos mantermos. Também passamos por uma mudança societária. Isso nos fez rever a nossa cervejaria, nossas estratégias e entender quais seriam os melhores caminhos a seguir. Retomamos as produções no final de outubro e estamos seguindo com muita parcimônia. No retorno, vimos o estrago com tantos bares e restaurantes de portas fechadas. A falta de garrafas é um complicador, pois temos alguns pontos de venda que exigem que o produto seja apresentado em garrafas. Felizmente, já tivemos experiência com a produção em latas. Hoje, estamos produzindo nossas cervejas em latas e com a possibilidade de tê-las não pasteurizadas, o que melhora muito a experiência do consumidor.

    Colonus (Filipe Carvalho, sócio-proprietário)
    Os meses de março, abril e maio geraram cada vez mais temor ao que estava por vir, nos fazendo buscar mais proximidade para reforçar o nosso grupo de cervejeiros: as parcerias surgidas durante este período, o reforço na divulgação das marcas e das ações promovidas. Não podemos esquecer das lives que também promoveram fortemente as marcas e o canal de comunicação, elevando mais ainda o status da Rota (RJ) dentro do cenário. De maneira efetiva, tivemos o suporte jurídico para todas as ações, com destaque para problemas com energia e água nas cidades.

    DeBron Bier (Thomé Calmon, sócio-diretor)
    2020 não foi um ano fácil, apesar de ter tido um início promissor. Tiramos aprendizados e conseguimos desenvolver outros canais de vendas que deram uma boa visibilidade para a DeBron. Naturalmente, o coronavírus desacelerou o desenvolvimento que havíamos planejado para este ano, sem falar na queda de faturamento. Mas, por outro lado, conseguimos ser mais eficientes e aumentar a produção de garrafas apesar da falta em um determinado período. Os insumos ficaram mais caros e a pressão por aumento de preços tem ficado cada dia maior. Palavra do ano: resiliência!

    Doutor Duranz (Ricardo Branco, sócio-proprietário)
    Tivemos de inovar, usar a criatividade. Assim, nós turbinamos o nosso aplicativo de delivery, que passou a ser o principal canal de venda. Fizemos uma série de promoções para poder atrair as pessoas e, com isso, conseguimos um contato mais próximo com o público. Neste delicado momento que estamos vivendo, a Rota Cervejeira RJ conseguiu promover ainda mais a união dos seus associados, para que juntos pudéssemos pensar em soluções para alavancar a retomada do turismo cervejeiro em um futuro próximo.

    Hipnose
    Obviamente, a crise do coronavírus trouxe um impacto financeiro negativo na Hipnose, assim como em todas as outras cervejarias. Para nós, especialmente pelo fato de termos constantemente eventos e shows nas nossas taps, compondo grande parte da receita da empresa. Recentemente, a falta de insumos também se mostra um desafio que estamos lidando através do aumento de parceiros fornecedores e de aquisição em quantidades menores, caso necessário. A ideia é não perder nenhuma oferta de insumo disponível para não diminuirmos a produção.

    MinduBier (Gustavo Martins, sócio-fundador)
    O ano de 2020 tem sido um dos mais desafiadores da nossa história como empresa. Foi um ano em que a resiliência falou mais alto. Em março, logo após decretarem o fechamento dos estabelecimentos comerciais, todos os clientes cancelaram seus pedidos e tivemos uma queda nas vendas de 95%. A partir daí, investimos no e-commerce e, principalmente, no delivery na Grande Salvador. As pessoas, que compravam bastante nos pontos de venda, passaram a comprar conosco, o que recuperou um pouco o faturamento e, aliado à redução de custos fixos por revisão de contratos e diminuição do ritmo de produção, conseguimos passar por essa fase. Após a retomada, percebemos um aumento de vendas a estes estabelecimentos, porém também as vendas pelo delivery caíram bastante e, em paralelo, fomos surpreendidos com a falta de insumos e embalagens.

    New Age (Edison Nunes, gerente comercial)
    Nos meses de março e abril, as quedas nas vendas foram de 50% devido ao fechamento dos bares e restaurantes e as prioridades do consumidor para as compras de material de limpeza, higiene pessoal e cesta básica. Já no 2º semestre, houve o aumento de venda em cerca de 30% das nossas cervejas especiais. O consumo domiciliar cresceu, privilegiando as embalagens em lata (consumo individual) e os canais de vendas como os supermercados, que permaneceram abertos durante toda a pandemia. Na NewAge, todas as cervejas estão predominantemente na embalagem de lata e a indústria de embalagem, que não conseguiu acompanhar a demanda do consumo, ocasiona a falta de vários rótulos e marcas tradicionais no mercado.

    Odin (Flavio Haas, sócio-proprietário)
    O coronavírus alterou o consumo propriamente dito. O cliente trocou a cerveja no bar por garrafas e growlers na comodidade e proteção de sua casa. A alta do dólar afetou diretamente o “direcionamento” de nossas matérias-primas brutas, assim como de nossas importações, que consequentemente afetam toda a cadeia de produção, desde os insumos e embalagens até as peças de reposição. De fato, 2020 foi um ano atípico, não somente pela questão do coronavírus. A reação da Odin a toda essa crise foi imediata e rapidamente conseguimos adiantar os insumos necessários para alguns meses à frente, negociamos o prazo de alguns pagamentos e impostos, postergamos novos investimentos e, principalmente, aceleramos a venda direta ao cliente final. Nossas mídias digitais alteraram o viés institucional para um viés mais comercial, reduzindo o caminho entre a propaganda e a execução da venda final ao cliente.

    Proa
    2020 foi, sem dúvida, um ano de muitos desafios. O fechamento dos bares devido à pandemia impactou diretamente o nosso negócio, pois houve uma drástica diminuição das vendas e, consequentemente, da produção. Além dos bares e restaurantes que compravam o nosso produto, a Proa tem três bares próprios: um bar de fábrica, um bar conceito em Salvador e um mais recente no aeroporto, que segue fechado. Tudo isso gerou diminuição da receita e também inevitáveis demissões. A falta de insumo provocou uma quebra na nossa produção, prejudicando o estoque. Toda a cadeia necessária para chegar ao produto final foi afetada. A maneira que encontramos para agir nesse cenário foi dar prioridade ao consumidor final. Implementamos um delivery próprio e nossos bares passaram a funcionar como ponto de take away. Com isso, tivemos que mudar o foco da nossa comunicação também, estreitando os laços com o cliente final, oferecendo growlers e aluguel de chopeira como opção de compra, já que não envasamos toda a nossa produção.

    Taru (Marcelo Miguel, sócio-proprietário)
    Claro que em momentos de crise sempre surgem oportunidades, e isso fez com que a cervejaria colocasse em prática planos que eram de médio ou longo prazo. O coronavírus veio para complicar, e muito, o cenário mundial. A grande dor é ver parceiros e amigos que estão se perdendo no caminho. Entendemos que a falta de insumos e matéria-prima, que já são de certa forma normais para nosso mercado por estarmos em entressafra, foi agravada pela crise. E a dificuldade na previsão de demanda para os próximos meses dificulta ainda mais um planejamento apurado. De qualquer forma, tem sido possível obter os materiais necessários buscando novas fontes e fornecedores. Conseguimos manter a produção rodando normalmente. Um pouco de criatividade, novas receitas e boa comunicação com o consumidor ajudam bastante.

    Wonderland Brewery (Anna Lewis, sócia-proprietária)
    Este ano foi muito desafiador. Primeiro foi a incerteza de quando terminaria a quarentena, como poderíamos nos adaptar, que volume e quais estilos poderíamos produzir para atender à demanda ajustada, e em que embalagem. O segundo desafio é que todo o ecossistema que foi construído antes mudou, e uma mudança na cadeia dá um efeito cascata para todos. E agora, chegamos a um ponto em que as cervejarias artesanais estão sem garrafas de vidro e caixas de papelão. Há também a parte que é quase impossível para uma cervejaria artesanal pequena fazer um pedido, pois o volume não atende aos requisitos de lote mínimo para os grandes fabricantes. Mas, mesmo assim, precisamos pagar adiantado, e um preço 25% maior do que era antes da pandemia. Como é possível lidar com isso? Bem, isso requer muita análise de uma bola mágica, organizando-se com fornecedores e outras pequenas cervejarias em nossa comunidade para tornar viável para os fornecedores nos atenderem. Além disso, depois de ver a dinâmica, adaptamos nossa proporção e os novos lotes de nossas três cervejas foram lançados em latas.

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