O tempo em que a cerveja sem álcool era sinônimo de sabor ruim ficou definitivamente para trás. Hoje, o mercado entrega ótimos rótulos, alguns repletos de personalidade e sabor. E isso é uma boa notícia também para os adeptos do Janeiro Seco (ou Dry January), movimento que propõe um mês sem álcool para dar aquele “reset”. Agora, isso não necessariamente significa ficar sem beber cerveja.
A tendência não é apenas moda. Globalmente, o mercado de bebidas sem álcool já movimenta cerca de US$ 24 bilhões em 2025, com projeções de alcançar os US$ 50 bilhões na próxima década, segundo o Global Market Insights. No Brasil, o salto é histórico: o Anuário da Cerveja 2025, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), revelou que o volume produzido de cerveja sem álcool no país disparou 537%, saltando de 118,9 milhões em 2023 para 757,4 milhões de litros em 2024.
Um dado curioso é que, segundo a NielsenIQ, cerca de 82% dos que compram a versão sem álcool também consomem bebidas convencionais. Isso prova que a cerveja zero não serve apenas para quem “não pode” beber, mas é uma escolha estratégica para diversos momentos. De acordo com o Sindicerv, o Brasil já ocupa a 2ª posição no ranking mundial de consumo dessa categoria, atrás somente da Alemanha.
A origem do Janeiro Seco
O Janeiro Seco ganhou força em 2011, quando a britânica Emily Robinson decidiu ficar o mês inteiro sem beber para treinar para uma meia maratona. Surpresa com os benefícios para seu corpo, ela levou a ideia para a ONG Alcohol Change UK, que lidera o movimento mundialmente desde 2013.
A filosofia por trás da campanha não é proibir, mas convidar as pessoas a observar sua relação com o álcool, refletindo sobre abusos e equilíbrio. Participar de movimentos assim é algo motivador e muitas vezes necessário para alguns. Mas, acima de tudo, é preciso ter coerência e não confundir a meta com o objetivo maior. De nada adianta passar janeiro sem beber e exagerar nos outros 11 meses do ano.
Também é preciso entender a realidade regional. No hemisfério norte, onde a campanha nasceu, já é inverno em janeiro — o que naturalmente diminui o consumo de cerveja. No Brasil, é pleno verão. Por isso, o exercício não necessariamente precisa ser nesse mês.
Para ajudar você que quer se lançar nesse desafio, o Guia da Cerveja selecionou cinco opções de cervejas artesanais sem álcool com muito sabor para provar.
Campinas IPA Zero
Para quem não abre mão dos lúpulos, a IPA Zero, da Cervejaria Campinas, é excelente opção. Trata-se de uma das cervejas sem álcool mais vencedoras do Brasil. Entre outros prêmios, conquistou ouro e o título “Country Winner Brazil” no World Beer Awards em 2021 e 2022. Com 40 IBU (unidades de amargor, numa escala de zero a cem), é uma IPA que não deve em nada para as versões tradicionais. Traz amargor acentuado e é muito aromática, tendo triplo dry-hopping com lúpulos Citra e Sabro.
Sim! Cerveja — Melancia Sour n’ Salt
A Sim! Cerveja, também de Campinas (SP), é uma marca que faz somente cervejas artesanais sem álcool. Somente este ano, ela foi premiada em dois importantes concursos de cerveja internacionais. O rótulo Melancia Sour n’ Salt foi eleito a melhor do mundo em sua categoria no World Beer Cup, considerado o maior concurso de cervejas do mundo. E a IPA Sem Álcool ganhou como melhor cerveja sem álcool do mundo no World Beer Awards 2025.
A primeira é uma cerveja ácida e salgada, do estilo Contemporay Gose, com adição de melancia, trazendo um sabor muito peculiar e muito refrescante. Vale a pena provar.
Dádiva Golden Ale Sem Álcool
A Cervejaria Dádiva, de Várzea Paulista (SP), foi uma das primeiras a produzir cervejas sem álcool entre as artesanais, ainda em 2019. O cervejeiro utiliza aqui um microrganismo fermentativo alternativo que produz níveis muito baixos de álcool (abaixo de 0,5%, o que é considerado sem álcool pela legislação brasileira) e todo o sabor que a cerveja precisa. A Golden Ale é complexa, frutada e com maltado leve. Vale a pena experimentar.
ETAPP Catharna Sour com frutas vermelhas
A ETAPP também é uma marca especializada em cerveja sem álcool, mas que traz um apelo ao público esportista e de bem-estar. Conta hoje com cinco rótulos. Entre eles, uma Catharina Sour (primeiro estilo de cerveja brasileiro) com frutas vermelhas que recebeu medalha de prata na etapa nacional da Copa Cerveja Brasil em 2025. Trata-se de uma cerveja ácida com aroma e sabor das frutas. Muito refrescante.
Luci Maracuvaia
A Luci também só faz cervejas sem álcool. O portfólio hoje inclui seis rótulos. Entre eles, uma deliciosa Pilsen com café Arara orgânico da D.Origem. Mas o destaque mesmo é a Maracuvaia, uma Catharina Sour com maracujá e uvaia. Ela foi premiada com medalha de ouro e “Country Winner Brazil” na categoria No & Low Alcohol — Sour & Wild no World Beer Awards 2025, além de levar bronze na Copa Sulamericana de Cervejas no mesmo ano.
Opções convencionais para o Janeiro Seco
O mercado hoje está recheado de boas opções. Entre as convencionais, a Heineken 0.0 e a Corona Cero são boas pedidas e fáceis de achar. Além disso, ambas são feitas a partir de cervejas com álcool que passam por um processo de destilação a vácuo (dealcolização) para retirada do etanol. Nesse caso, pela legislação, elas têm menos de 0,05% — uma quantidade ínfima equivalente a um sachê pequeno de ketchup (5 ml) a cada 10 litros.


