back to top
InícioColunasColuna Jayro NetoRecalculando a rota: sobre o fechamento da enoteca Saint VinSaint

Recalculando a rota: sobre o fechamento da enoteca Saint VinSaint

Saudações! A ideia inicial da coluna deste mês era voltar às cervejas e harmonizações. Mas fui pego de surpresa com a triste notícia de que a Enoteca Saint VinSaint irá fechar as portas agora no final de outubro. Escrevo este texto no limite do meu prazo de entrega — prometo melhorar, grande Celso! —, e me vejo na obrigação de tergiversar.

E o que isso tem a ver com cerveja? Nada. E tudo. Pelo menos para mim. 

Para quem nunca ouviu falar da enoteca Saint VinSaint, trata-se do primeiro restaurante no Brasil a trabalhar com vinhos naturais, orgânicos e biodinâmicos. Sob a liderança de Lis Cereja, moldou a cena dos vinhos naturais do país e criou a feira Naturebas — que na humilde opinião deste escriba é disparado o melhor evento da A&B de São Paulo.

Lá bebe-se bem, come-se bem, o público é diverso, não tem rock nas alturas e tem espaço para diversos fermentados. Sim, a cerveja está lá. 

Enfim, não se fala em vinhos naturais no Brasil sem que o nome de Lis não esteja na conversa.

Ela tem um blog, onde, de forma eloquente e sincera, apontou para as razões pelas quais decidiu encerrar o ciclo da Enoteca Saint VinSaint.

Reproduzo um pequeno trecho aqui:

“Temos muito orgulho da nossa trajetória, que inspirou milhares de pessoas, deu início ao movimento do vinho natural — hoje consolidado no Brasil — e ajudou centenas de famílias que produzem de maneira justa pelo país.

A grande questão é que são poucas as pessoas que se importam realmente com isso. 

Se fosse o contrário, iniciativas sustentáveis teriam filas na porta. Mas o que vemos é exatamente o oposto.”

São poucas as pessoas que se importam com isso… Essa frase ficou ecoando na minha cabeça por um tempo. Estou a decantar essa questão. 

O texto me pegou porque, de forma análoga, é essa minha bandeira no mundo da cerveja também. Foi este um dos motivos que me fez sócio de Diego, Vinícius e Tércius na Cozalinda. E eles têm filosofia similar. 

Quando essas coisas acontecem com nossas referências, perdemos o compasso. Perdemos a bússola. E o que nos resta? Se recompor e recalcular a rota.

Neste mundo apressado, o que parece tem muito mais valor do que o que é.

Saúde! E espero estar em melhor humor na próxima!


Jayro Neto é somelelê, CFO, auxiliar administrativo e sócio da Cozalinda. É sommelier de cervejas desde 2015, campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. Também atua como diretor financeiro da AbracervA desde 2022, juiz BJCP Certified e é co-autor do livro Guia da Sommelieria Brasileira.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui