O mercado brasileiro de latas de alumínio atingiu um novo patamar histórico. Segundo a Associação Brasileira da Lata de Alumínio (Abralatas), o setor bateu recorde de vendas no último ciclo, comercializando 34,8 bilhões de unidades — crescimento de 7,6% em relação ao ano anterior. Ao todo, foram vendidas 429,2 mil toneladas de alumínio, de acordo com recém-lançado Relatório Setorial ESG da Abralatas de 2025.
Além do bom desempenho comercial, as latas de alumínio reforçaram seu papel de embalagem mais sustentável do país. O índice de reciclagem ficou em 97,3%, um patamar de excelência global. “Esse desempenho reafirma a preferência do consumidor pela lata, enquanto fortalece um ecossistema eficiente que há mais de 15 anos se mantém como referência mundial em circularidade”, afirma Cátilo Cândido, presidente executivo da Abralatas, em texto do relatório, que pode ser baixado no site da Abralatas.
Reciclagem

O relatório da Abralatas destaca o DNA sustentável da embalagem. A rede envolve 39 centros de coleta em 20 estados, 49 recicladoras em 8 estados, 25 fábricas em 13 estados e 42 cooperativas parceiras em 10 estados.

O ciclo de vida de reciclagem da lata, que começa com a aquisição dos produtos no comércio, não termina quando o consumidor descarta o produto e ele chega nos pontos de reciclagem. O processo inclui várias outras etapas, como compactação, detector de radiação, transformação em novas chapas finas, até a transformação novamente em latas e envio para as fábricas de envase.
Além disso, o processo de reciclagem da lata envolve mais de 800 mil catadores de materiais em todo o Brasil, segundo o relatório, o que gera renda e inclusão social para as famílias que integram o ciclo.
Todo esse ecossistema leva aos números de reciclagem de latas, cujo índice atingiu 97,3%. Este percentual poupou 5 mil Gigawatt/hora no Brasil, o que equivale ao consumo de 1% de toda a energia do país.
Aterro zero e descarbonização
Um dos principais marcos ambientais celebrados no documento é a gestão de resíduos nas fábricas. As empresas fundadoras da Abralatas — Ardagh Metal Packaging, Ball, Canpack e Crown Embalagens — atingiram a meta de aterro zero. Isso significa que, hoje, menos de 1% dos resíduos gerados nas unidades fabris é destinado a aterros sanitários. Ou seja, quase 100% das latas do país são reduzidas, reutilizadas, recicladas ou compostadas.
A Abralatas, em parceria com as associadas, oferece ferramentas de capacitação e integração para os trabalhadores. Além disso, também age junto ao poder público para assegurar a inserção prioritária dos catadores nas políticas públicas de reciclagem.
Olhando para o futuro, o setor também deu o pontapé inicial em seu projeto setorial de descarbonização. A iniciativa visa mensurar emissões e preparar a indústria para o futuro mercado regulado de carbono, posicionando a lata de alumínio como uma solução de baixo impacto e alta eficiência energética.
Latas de alumínio brasileiras no G20

A sustentabilidade das latas de alumínio brasileiras ganhou os holofotes do mundo no G20 — grupo formado pelas maiores economias do mundo, mais a União Africana e a União Europeia. Em 2024, o Brasil assumiu a liderança do grupo, e a Abralatas firmou uma parceria inédita para distribuir 100 mil latas de água mineral em todas as reuniões do grupo realizadas no país. A ação substituiu garrafas plásticas e destacou a preocupação com a circularidade nacional para as lideranças globais.
De acordo com o relatório, cada uma das latas tinha um QR Code que direcionava para um conteúdo educativo sobre circularidade e reciclagem, integrando tecnologia, comunicação estratégica e educação ambiental.
Além da visibilidade, o setor garantiu um avanço técnico histórico: a criação da NBR 17194. Desenvolvida em parceria com a ABNT, esta é a primeira norma técnica de qualidade para latas de alumínio do mundo. O documento estabelece parâmetros rigorosos de segurança e desempenho, elevando a régua de qualidade para toda a cadeia produtiva.
Avanços na legislação e apoio social
O relatório também destaca a forte atuação institucional da Abralatas na modernização de políticas públicas. A entidade teve papel ativo na defesa da inclusão do Imposto Seletivo na Reforma Tributária. O mecanismo que permite tributar de forma diferenciada produtos com maior impacto ambiental, favorecendo embalagens sustentáveis como a lata.
Outro ponto forte foi a regulamentação da Lei de Incentivo à Reciclagem, que cria mecanismos para financiar projetos de reciclagem com foco na inclusão social. O relatório reforça que a valorização dos catadores continua sendo uma prioridade estratégica, com projetos voltados para capacitação e melhoria das condições de trabalho. Esses trabalhadores são um elo fundamental que garante os altos índices de reciclagem do país.


