A união entre o ciclismo e a cerveja artesanal é, para muitos grupos de pedal, um forte elo de socialização e celebração. Longe da bebedeira sem limites, a cerveja depois do treino atua como a recompensa merecida e o catalisador da amizade após o esforço físico, fomentando uma cultura que une esporte, convívio e degustação de bebidas.
Para muitos praticantes do esporte, especialmente amadores e não-atletas de elite, a cerveja gelada é vista como a melhor recompensa e um momento para relaxar e desfrutar. O mesmo ocorre em grupos de corrida que foram tema de reportagem aqui no Guia da Cerveja em outubro.
Do pedal intenso à cerveja depois do treino
Um dos exemplos é o grupo Pedal e Cerva, que completa 15 anos em 2025. O embrião surgiu por volta de 2008, quando amigos se reuniam para treinos intensos, buscando a melhora física para provas esportivas.
“Em 2008 começamos a juntar alguns amigos para pedalar e curtir os finais de semana. Não era só um rolê. Era um treino mais forte buscando melhorar fisicamente para as provas”, conta Victor Alonso de Oliveira, 56 anos, administrador de empresas e ciclista.
A recompensa sempre vinha após o suor. Oliveira conta que os amigos combinavam de fazer churrasco e tomar cerveja depois do treino aos sábados e domingos.
Essa rotina se consolidou dois anos depois e, com a combinação por WhatsApp das pedaladas, o grupo ganhou forma: o Pedal e Cerva, que começou com um núcleo de amigos, hoje conta com 40 pessoas em sua essência e mais 60 seguidores de diversos estados do Brasil e do exterior.
O grupo tem logo e camisetas com a identidade visual, mas sem fins lucrativos ou pretensão de ser algo que vise o lucro.
O foco está na prática do ciclismo, desde o road bike (estradas) ao mountain bike (trilhas), explorando rotas como as ciclovias de São Paulo, a Rota dos Romeiros, o caminho até Itu, pedal no Sul de Minas e no interior de São Paulo. “Sempre tem um rolê diferente no final de semana”, diz Oliveira. “E, na sequência, tomamos a merecida cerveja”, brinca.
Menor quantidade, maior qualidade
Com o tempo, a cultura do grupo mudou em relação ao consumo da bebida. Segundo Oliveira, a maturidade e a chegada das cervejas artesanais transformaram a experiência. “Mudamos muito o foco de quantidade para qualidade”, explica. “A gente deixou de tomar um volume grande para tomar uma qualidade muito melhor”.
Essa valorização da experiência e da qualidade reflete o papel da cerveja como fator de conexão social e lazer. Para a maioria dos grupos, a cerveja gelada é vista como o principal elemento de recompensa pós-treino, um momento para rir, compartilhar histórias da trilha e fortalecer os laços.
Saúde e moderação
Apesar do benefício social e psicológico do ritual, a moderação é um ponto crucial, especialmente para a saúde e segurança. Segundo estudo publicado no Journal of the International Society of Sports Nutrition em 2015, a cerveja não tem efeito prejudicial na hidratação após o exercício — desde que bebida em pequenas quantidades.
A combinação de ciclismo e cerveja exige consciência. A regra de ouro é nunca pedalar sob o efeito do álcool, especialmente em vias de trânsito ou trilhas perigosas.
Além disso, embora seja 90% água, a cerveja depois do treino possui efeito diurético. É altamente recomendado que o ciclista beba água ou bebidas repositoras de eletrólitos antes de começar a consumir a bebida após o pedal. E é preciso ter consciência que não se deve exagerar. O álcool em doses altas pode prejudicar a síntese de proteínas, essencial para o ganho de massa muscular.


