A inflação da cerveja fechou o mês de outubro com alta de 0,75%, cerca de oito vezes mais que o índice geral, que ficou em 0,09%. Os dados são IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), e foram divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Segundo Fernando Gonçalves, gerente do IPCA, a variação de preços pode ser reflexo de um reajuste feito no segundo semestre e que, agora, chegou aos consumidores. “Alguns fabricantes de cerveja reajustaram seus preços no início do segundo semestre, possivelmente refletindo agora, nas prateleiras, para o consumidor final”, diz.
Outro fator que pode explicar o avanço dos preços em outubro são as temperaturas mais altas, já que o calor impacta diretamente no consumo da bebida, avalia Gonçalves.
No acumulado do ano, de janeiro a outubro, a inflação da cerveja ficou em 4,44%, também acima do índice geral, de 3,73% para o período. No acumulado dos últimos 12 meses, os preços apresentaram estabilidade nos dois indicadores. A inflação da cerveja ficou em 4,66% enquanto o IPCA geral fechou em 4,68%.
| IPCA de outubro, segundo o IBGE | ||
| Cerveja | IPCA geral | |
| Variação mensal (%) | 0,75 | 0,09 |
| Acumulada no ano (%) | 4,44 | 3,73 |
| Acumulada em 12 meses (%) | 4,66 | 4,68 |
Inflação da cerveja
A variação de preços da cerveja em outubro ficou acima também da variação captada em setembro, quando o índice fechou em 0,64% e ficou mais próximo do IPCA geral, de 0,48%. Comparado aos preços de outras bebidas alcoólicas, o avanço de preços das cervejas é ainda maior, já que o subitem teve recuo de -1,06%.
No entanto, o cenário se inverte na alimentação fora de domicílio. O grupo teve inflação de 0,46% no período, mas as cervejas ficaram -0,08% mais baratas, enquanto outras bebidas alcoólicas avançaram 0,37%.
| outubro 2024 | novembro 2024 | dezembro 2024 | janeiro 2025 | fevereiro 2025 | março 2025 | abril 2025 | maio 2025 | junho 2025 | julho 2025 | agosto 2025 | setembro 2025 | outubro 2025 | |
| Índice geral | 0,56 | 0,39 | 0,52 | 0,16 | 1,31 | 0,56 | 0,43 | 0,26 | 0,24 | 0,26 | -0,11 | 0,48 | 0,09 |
| Alimentação e bebidas | 1,06 | 1,55 | 1,18 | 0,96 | 0,7 | 1,17 | 0,82 | 0,17 | -0,18 | -0,27 | -0,46 | -0,26 | 0,01 |
| Alimentação no domicílio | 1,22 | 1,81 | 1,17 | 1,07 | 0,79 | 1,31 | 0,83 | 0,02 | -0,43 | -0,69 | -0,83 | -0,41 | -0,16 |
| Cerveja | 0,98 | 0,85 | -0,64 | 0,49 | -0,29 | 0,37 | 0,48 | 0,11 | 0,36 | 0,45 | 1 | 0,64 | 0,75 |
| Outras bebidas alcoólicas | -1,18 | -0,11 | 0,75 | -0,55 | -0,77 | 0,47 | -1,13 | -0,36 | 1,34 | -0,63 | 2,69 | -2,04 | -1,06 |
| Alimentação fora do domicílio | 0,65 | 0,88 | 1,19 | 0,67 | 0,47 | 0,77 | 0,8 | 0,58 | 0,46 | 0,87 | 0,5 | 0,11 | 0,46 |
| Cerveja | 0,89 | 0,79 | 0,24 | -0,09 | 1,07 | 0,17 | 0,61 | 0,11 | -0,17 | 0,06 | 0,42 | 0,44 | -0,08 |
| Outras bebidas alcoólicas | -0,38 | 0,29 | 0,87 | 0,66 | 0,62 | 1,31 | 0,18 | 0,45 | 0,8 | 0,88 | 0,36 | -0,03 | 0,37 |
Maior queda de preços foi em Belém
Os preços nas capitais monitoradas pelo IBGE apontam que a maior redução no custo da cerveja em outubro foi registrada em Belém, com recuo de -1,3%, seguido por Porto Alegre (0,42%) e Fortaleza (0,44%)
Já os maiores aumentos foram no Rio de Janeiro, com alta de 1,53%, Grande Vitória e São Paulo, ambos com aumento de 0,88%, e Belo Horizonte, com variação de 0,86%.
| Inflação da cerveja em outubro* | |
| Rio de Janeiro (RJ) | 1,53 |
| Grande Vitória (ES) | 0,88 |
| São Paulo (SP) | 0,88 |
| Belo Horizonte (MG) | 0,86 |
| Brasil | 0,75 |
| Curitiba (PR) | 0,74 |
| Salvador (BA) | 0,72 |
| Recife (PE) | 0,68 |
| Fortaleza (CE) | 0,44 |
| Porto Alegre (RS) | 0,42 |
| Belém (PA) | -1,3 |
Em relação à Alimentação Fora do Domicílio, os preços da cerveja tiveram os maiores aumentos em Belo Horizonte (1,78%), Grande Vitória (1,76%) e Belém (0,89%).
As maiores quedas de preço aconteceram em São Paulo (-1,24%), Curitiba (-0,34%), e Salvador (-0,08%).
Produção industrial
Os dados da PIM-PF (Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física), também divulgados pelo IBGE, apontam que a fabricação de bebidas alcoólicas recuou -6,7% em setembro, se comparado ao mesmo mês do ano anterior.
No acumulado do ano, de janeiro a setembro, a variação também ficou negativa em -4,8%, mesmo percentual para o acumulado de setembro de 2024 a setembro de 2025.
A indústria das bebidas não-alcoólicas também apresenta números negativos, mas em menor magnitude. O acumulado do ano ficou em -0,3%, enquanto o acumulado de setembro do ano passado até setembro deste ano ficou em -1,8%. A produção industrial do segmento em setembro teve aumento de 4,3%, comparado a agosto, segundo o IBGE.


