O Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa) lançou na quarta-feira (12) a sétima edição da publicação Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025. A publicação traz uma pesquisa desenvolvida pela Ipsos-Ipec que mostra grandes mudanças no comportamento dos consumidores em relação ao álcool, além de números de internações e mortalidade do Datasus. Segundo o levantamento, o consumo abusivo de álcool, por exemplo, caiu de 17% em 2023 para 15% em 2025.
A queda aconteceu com mais intensidade na faixa etária mais jovem, dos 18 a 24 anos, que saiu de 20% para 13% em dois anos. “E a maioria deles, quando bebe, consome uma ou duas doses por ocasião”, ressalta Mariana Thibes, doutora em sociologia e coordenadora do Cisa.
Além disso, o levantamento evidencia que a maioria dos bebedores (39%) consome apenas de uma a duas doses por ocasião. O que se alinha com um dos principais fatores para definição de consumo moderado.
Consumo abusivo de álcool
O levantamento CISA/Ipsos 2025 identificou algumas características do consumidor abusivo de álcool. É normalmente do sexo masculino (26%), sendo que 18% dos homens que bebem consomem 10 doses ou mais por ocasião. Ocorre mais nas faixas etárias de 25 a 44 anos (54%), em indivíduos com escolaridade de Ensino Médio (25%) e nas regiões Norte e Centro-Oeste (31%). Apesar da maior parte (42%) consumir uma vez por semana ou a cada 15 dias, a proporção de abusivos que bebem de duas a quatro vezes por semana aumentou de 29% para 35% entre 2023 e 2025.
Outro fator relevante é que bebedores abusivos têm uma falsa percepção de consumo: 82% acreditam beber de forma moderada. A proporção é superior à observada em 2023 (75%), e apenas 9% reconhecem exagerar e precisar mudar (13% em 2023).
“A interpretação errada do seu próprio padrão de consumo é um dificultador para a mudança de hábito. Ser mais tolerante ao álcool, ou seja, beber muito e não sentir os efeitos do álcool, não significa ser mais resistente ou estar protegido dos prejuízos do álcool. Pelo contrário. Precisar aumentar a quantidade de álcool para atingir os efeitos desejados é um sinal de alerta”, explica Arthur Guerra, psiquiatra e presidente do CISA.
Internações e mortes
O número de internações e de mortes Totalmente Atribuíveis ao Álcool (TAA) também caiu. No primeiro caso, o declínio foi expressivo, com 48,4% de diminuição no período entre 2010 e 2024, de acordo com dados do Datasus presentes na publicação. O grupo de 18 a 34 anos foi o que registrou a maior queda, com uma redução de 75,7%.
Já a mortalidade TAA voltou a níveis pré-pandêmicos. Entre 2010 e 2019, houve considerável queda de 7,9%, passando de 7.157 para 6.594 óbitos. No entanto, com a Covid-19 o número cresceu 32,5%, para 8.738 óbitos. Em 2023, voltou para 7.322, ou seja, uma queda de 16,2% após se manter dois anos em alta.
O grupo TAA é composto por condições de saúde que não existiriam se não houvesse o consumo de álcool, como doença alcoólica do fígado e cardiomiopatia alcoólica, por exemplo.
Já nos óbitos Parcialmente Atribuíveis ao Álcool (PAA), houve redução entre 2010 e 2023 nas mortes por causas externas. Acidentes de trânsito teve queda de 15,7% (passando de 14.604 para 12.310 óbitos) e em violência interpessoal houve redução de 17,1% (de 8.905 para 7.384 óbitos).
Apesar das boas notícias, os números gerais foram puxados para cima pela alta geral em internações (50,3%) e óbitos PAA (11,2%). Quando somadas as internações totalmente e parcialmente atribuíveis ao álcool, houve um crescimento de 24,2% entre 2010 e 2024. Já o total de óbitos aumentou 10,2% entre 2010 e 2023.
Jovens puxam mudanças
A maioria dos brasileiros (64%) declarou não beber em 2025, o que representa um aumento significativo. Em 2023, quando 55% disseram não consumir álcool. Essa mudança de comportamento está sendo puxada pelos jovens. Além de serem os que mais caíram em consumo abusivo de álcool e em internações TAA, a abstinência entre pessoas de 18 a 24 anos subiu de 46% para 64%. Na faixa etária de 25 a 34 anos, subiu de 47% para 61%.
O aumento da abstenção também foi notável entre indivíduos com ensino superior (de 49% para 62%), moradores da região Sudeste (de 51% para 62%) e das classes A e B (de 44% para 55%).
A publicação Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025 está disponível para download no site do Cisa.


