O lúpulo brasileiro não é mais uma promessa. É uma realidade. Na temporada 2022/2023, foram produzidos 88 mil quilos, segundo pesquisa anual da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo). São 114 produtores e um total de 111,18 hectares cultivados. Mesmo assim, ainda é muito pouco perto da necessidade de um país que é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, com mais de 15 bilhões de litros por ano e tem cerca de 2 mil fábricas.
Atualmente, embora a indústria cervejeira ainda seja dependente da importação do produto, as plantações nacionais seguem se desenvolvendo para fornecer o lúpulo brasileiro, especialmente para as cervejarias artesanais. Um ótimo começo para uma onda que começou apenas em 2005 – o país já teve outras tentativas de cultivo nos séculos 19 e 20.
Por aqui, os produtores de lúpulo tiveram que adaptar a cultura da planta, natural de climas frios e cultivada tradicionalmente entre as latitudes 35° e 55° do globo terrestre. Sabe-se que essa trepadeira é muito dependente de tempo de luz solar e que o Brasil oferece menos que o necessáiro. Portanto, os produtores tiveram que aprender a suplementar as plantações com luz artificial, por exemplo.
Esses e outros ajustes curiosos que estão sendo realizados pelos pioneiros do lúpulo nacional foram tema de uma conversa entre a reportagem do Guia da Cerveja com Daniel Leal, vice-presidente da Aprolúpulo. O dirigente contou curiosidades que farão você apreciar e vaorizar ainda mais a matéria-prima nacional – que já começa a aparecer em algumas cervejas artesanais.
Suplementação com luz artificial
O lúpulo é uma planta originária do Hemisfério Norte, onde os dias são mais longos e, portanto, há maior quantidade de exposição à luz. No Brasil, para compensar os dias mais curtos, é necessária a suplementação luminosa. Isso porque o lúpulo precisa acumular muitas horas de sol para fotossíntese e energia, e o encurtamento do dia funciona como um gatilho para a planta parar de vegetar e começar a produzir as inflorescências (cones de lúpulo).
Enganando a planta com LED
A suplementação luminosa não precisa ser feita com lâmpadas específicas como as usadas para plantações indoor. Descobriu-se que lâmpadas LED com potência específica podem “enganar” a planta, fazendo-a acreditar que o dia continua longo, atrasando o florescimento. Essas lâmpadas são mais baratas e consomem menos energia do que as lâmpadas fotossintetizantes.
Maior ciclo produtivo
Antes da suplementação luminosa, a produtividade do lúpulo no Brasil era menor, pois a planta não acumulava horas de luminosidade suficientes e não tinha o “gatilho” para florescer. Agora, a suplementação luminosa alonga o ciclo de produção, o que significa ter mais de uma safra por ano. Ela permite controlar o desenvolvimento da planta e atingir um nível de produtividade economicamente viável a cada safra.
Amor à cerveja leva guia a produção do lúpulo brasileiro
Muitos produtores são amantes da cerveja, mas enfrentam dificuldades nos processos agrícolas ou na comercialização. Produtores com experiência agrícola podem ter sucesso na produção, mas dificuldade na venda. O novo segmento e o mercado cervejeiro estão também se adaptando a essa nova realizadae e ao novo produto.
Produtor faz-tudo
No Brasil, as plantações de lúpulo, geralmente, são pequenas propriedades, de 1 mil a 2 mil metros quadrados, com viabilidade comercial a partir de meio hectare. Existem algumas produções maiores (4 a 7 hectares), mas são poucas. Por isso, o produtor de lúpulo no Brasil é altamente verticalizado, plantando, beneficiando, industrializando, criando marca e vendendo. Isso gera altos custos e limita novos investimentos.
Alto valor agregado por hectare
O lúpulo tem alto valor agregado em comparação com outras culturas, permitindo um retorno interessante em pequenas áreas. No entanto, a produtividade é variável devido a fatores de risco (suplementação luminosa, doenças, pragas) e a falta de domínio total do manejo.
Recomendado para a diversificação
O lúpulo é uma cultura interessante para diversificar a atividade econômica da propriedade, mas não é recomendado como investimento único devido aos riscos e variabilidade. Uma realidade que será mudada em breve, se depender da força de vontade dos produdores de lúpulo brasileiro.


