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Após polêmica com Bolsonaro, cervejaria Mito ressurge com ação para minorias

mito
Paralisada desde 2017, marca retoma suas atividades após ser confundida com cerveja Mito, feita para homenagear Bolsonaro

A definição de mito costuma associar o termo a histórias fantásticas, tradicionalmente transmitidas de modo oral, com protagonistas que são heróis geralmente vistos como deuses com poderes sobrenaturais. São seres capazes de influenciar momentos históricos e, até mesmo, a condição humana.

Foi a partir desse conceito básico – e do intuito de homenagear deuses mitológicos – que Bruno Mesquita criou em 2014, no Rio de Janeiro, a Cervejaria Mito. Uma iniciativa que chegou a ser paralisada anos depois, mas que ressurge agora por conta de uma inusitada polêmica: uma confusão com um rótulo de outra marca que homenageia o presidente Jair Bolsonaro.

Da polêmica política envolvendo o termo mito, contudo, Bruno criou uma exemplar iniciativa. Vai colocar novamente em ação as panelas da cervejaria para produção de um novo rótulo, em uma ação de cunho social que pretende auxiliar minorias como LGBTs, negros e índios.

A polêmica
Toda a confusão se iniciou durante a campanha eleitoral de 2018, quando um grupo de três empresários lançou a Mito, uma artesanal vendida pela Vapor Negro, cervejaria com sede em Nova Petrópolis (RS). O nome remetia ao apelido que alguns eleitores emplacaram no então candidato. E explica a confusão envolvendo a Mito.

Paralisada desde 2017, a cervejaria carioca produziu antes rótulos que lembravam figuras mitológicas, como a Rá, uma Witbier com o nome do Deus Egípcio do Sol. Depois, mesmo sem atuar no mercado, a Mito manteve suas contas ativas nas redes sociais. Até ser confundida diversas vezes com a marca que produz o rótulo alusivo a Bolsonaro.

“A Mito existe dede 2014. Mas, desde 2017, ela parou de produzir cerveja, até mesmo em nível caseiro. A gente tinha a intenção de lançar uma cervejaria cigana. Aqui no Rio, a gente participou de vários eventos e fez um barulho. Por isso a gente manteve a página. Mesmo que não fosse lançar a cerveja, ficou uma página de lembrança”, explica Bruno em entrevista ao Guia.

Pela confusão protagonizada por apoiadores de Bolsonaro, que invadiram sua página para comprar o rótulo Mito, a cervejaria carioca fez um post esclarecedor, explicando não possuir qualquer relação com a outra marca. Declarou-se, ainda, politicamente contra o presidente e ironizou o vídeo do “golden shower”, divulgado por ele em suas redes sociais após o carnaval.

“A gente não tem nada a ver com Bolsonaro e nem era nossa pretensão nada disso, o post foi uma brincadeira. Um desabafo em tom de brincadeira que não tinha intenção nenhuma de tomar partido. Apesar de minha posição política ter ficado bem clara no post, eu não tinha intenção de tomar partido, até porque eu acho que minha opinião é irrelevante politicamente”, afirma Bruno.

A ação
A publicação, porém, viralizou. Foram mais de 50 mil interações, 6 mil comentários e 14 mil compartilhamentos em menos de duas semanas, atingindo um público que não conhecia a Mito. Inspirado pela repercussão, Bruno planejou uma ação para que a marca não fosse mais uma mera lembrança, mas um rótulo com algum impacto e engajamento político.

Em abril, o dono da Mito criará uma nova cerveja. E os valores auferidos com as vendas serão destinados a instituições que apoiem minorias, parcela que Bruno acredita estar sendo negligenciada nos três primeiros meses da gestão Bolsonaro. A marca até criou um post nas redes sociais solicitando a indicação de instituições a serem beneficiadas pela ação.

“Vou lançar um desafio para a cerveja do Bolsonaro. A gente vai produzir, com tudo regularizado, uma cerveja e vai distribuir em nível nacional. A ideia é pegar a verba e investir em causas sociais, defendendo minorias que são negligenciadas na pauta do governo, como os LGBTs, os negros, a mulher, o índio e os animais, ajudando tudo aquilo que o governo não está interessado”, revela Bruno.

Assim, da confusão política gerada entre o apelido e o significado do termo mito, o mercado cervejeiro “lucra” com o resgate de uma marca. E em uma ação muito bem classificada por seu responsável como “corrente do bem”.

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