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Walfänger e Botafogo-SP: A rara parceria entre um time e uma artesanal

Fundado em 12 de outubro de 1918, o Botafogo de Ribeirão Preto, um dos mais tradicionais clubes do interior paulista, comemora os seu cem anos de fundação com um traço inventivo mesmo para quem possui tanta história. O clube passou recentemente a ser patrocinado pela Walfänger, em uma rara parceria entre um clube de futebol e uma cerveja artesanal.

“Somos a primeira cervejaria artesanal do país a patrocinar um time de futebol e, para nós, é um motivo de muito orgulho esse pioneirismo, pois acreditamos que precisamos valorizar e apoiar o que é da nossa terra”, diz Raoni Balieiro, sócio-diretor da Cervejaria Walfänger em entrevista ao Guia.

Inaugurada em junho de  2015, em Bonfim Paulista, um distrito de Ribeirão Preto, a Walfänger produz cervejas artesanais tendo como base a Lei de Pureza Alemã de 1516, na qual só é permitida a utilização de água, malte, lúpulo e levedura.

A assinatura de um acordo com o Botafogo significa o surgimento da união entre um clube centenário e uma cervejaria que dá passos iniciais, mas firmes, no mercado.  Prova disso é a expectativa criada de que a Walfänger passe a atingir um público ainda maior na região de Ribeirão Preto a partir do contato direto com o torcedor do clube.

Raoni Balieiro, sócio-diretor da Walfänger

“(Podemos) Difundir ainda mais a cultura da cerveja artesanal na cidade, pois estamos em parceria com um grande time local. É a oportunidade de muitas pessoas que ainda não conhecem ou não tiveram a possibilidade de experimentar uma cerveja artesanal puro malte passem a conhecer o produto”, afirma Raoni.

Isso ficou claro a partir de um dos vários aspectos da parceria: o lançamento de um rótulo comemorativo ao centenário do clube, inicialmente com mil unidades de garrafas de 500 ml. Mas a venda do primeiro lote em apenas 48 horas levou a cervejaria a lançar outras mil garrafas da Botafogo, que podem ser adquiridas através do site da Walfänger.

Trata-se de uma German Pilsner, uma puro malte de corpo leve e refrescante. Tem cor dourada, espuma branca persistente e cremosa, equilibrado amargor e aroma lupulado floral originário de lúpulos nobres alemães, segundo as informações divulgadas pela Walfänger. Sua graduação alcoólica é de 4,8%, com 22 IBUs. O rótulo traz a ilustração de uma pantera, a mascote do clube.

“Fizemos um rótulo moderno com tecnologia de realidade virtual. Esses cuidados na hora de elaborar e desenvolver cada projeto valoriza ainda mais o produto, pois o torcedor, além de degustar a cerveja, guarda todo tipo de material de seu time com o mesmo carinho que produzimos nossas cervejas”, explica Raoni.

O estádio de Sócrates
Além da produção da cerveja do centenário do Botafogo, a parceria tornou a Walfänger a cerveja oficial do estádio Santa Cruz, sendo fornecida nos seus bares a partir de 2019, com a venda do seu chope. O resultado é que o torcedor poderá consumir uma bebida diferenciada e de qualidade enquanto se diverte e acompanha seu time.

Esse acordo coincide com o processo de modernização do estádio, que, entre outras novidades, passará a contar com um bar exclusivo da cervejaria, dando mais uma opção gastronômica e de lazer ao torcedor. Além disso, estão sendo construídos espaços para shows e eventos.

“O clube buscava uma cervejaria para patrocinar a nova arena e o time, os dirigentes estavam em contato com outras empresas e nos procuraram também com uma proposta. Estudamos a viabilidade de abraçar o projeto porque tínhamos muito interesse em ter o nosso produto junto a uma marca e um time com o potencial do Botafogo. Os dirigentes do clube entenderam nossa proposta de parceria e compraram a ideia de oferecer um produto de qualidade, uma cerveja artesanal puro malte no estádio para seus torcedores”, explica Raoni.

De propriedade do Botafogo, o Santa Cruz possui capacidade para cerca de 30 mil torcedores, já tendo recebido partidas de peso histórico para o futebol paulista. Foi assim em 1995, quando sediou os dois jogos da final do Estadual, conquistado pelo Corinthians na prorrogação da partida decisiva – derrotou o Palmeiras.

Seis anos depois, o protagonismo corintiano se repetiu, no primeiro confronto da decisão do Paulistão, vencido por 3 a 0 – um empate por 0 a 0 no Morumbi selaria depois o título do clube. E seu adversário era exatamente o Botafogo, que, em um dos maiores momentos da sua história, foi vice-campeão estadual.

Agora, então, o Santa Cruz está sendo modernizado, com o apoio e a participação da Walfänger. E em um novo momento de êxito esportivo do Botafogo, que em 2018 se colocou entre os melhores times do Paulistão e, principalmente, conseguiu o acesso à Série B do Campeonato Brasileiro de 2019. E a celebração do centenário e os bons resultados recentes do Botafogo trazem à tona a memória de outros momentos marcantes da história do clube.

Entre eles, está o surgimento para o futebol de Sócrates, falecido há sete anos. O “Doutor” ainda era um estudante de medicina quando deu seus primeiros passos pelo clube, atuando ao lado de nomes como Geraldão e Zé Mário, já exibindo o talento que o fez disputar duas Copas do Mundo pela seleção e carregando os pensamentos e a formação que o levariam a liderar a “Democracia Corintiana”, um movimento que levava a política para dentro de campo não por oportunismo, mas pela necessidade de mudança e luta por ideais.

Assim, misturando a história centenária do Botafogo, a exigida modernidade de se repaginar um estádio para torná-lo um modelo de negócios mais rentável e a jovialidade e inventividade de uma cervejaria fundada em 2015, a Walfänger enxergou a chance de expansão das artesanais. E isso em Ribeirão Preto, uma cidade muitas vezes vistas como sinônimo de cerveja e chope.

“É uma oportunidade de falarmos de um produto diferenciado para um público diversificado porque, geralmente, o cervejeiro artesanal fala muito do seu produto para quem já é do meio e uma parceria como esta nos proporciona um relacionamento mais próximo com um público composto por pessoas que não conhecem o produto e seu mercado. É uma nova forma de divulgar o mercado cervejeiro de qualidade para um público com muito potencial”, conclui o sócio-fundador da Walfänger, que também também produz a Cerveja 12, linha de cervejas do ex-goleiro Marcos, pentacampeão mundial com a seleção brasileira em 2002 e ídolo histórico do Palmeiras.

Kart e cerveja, festival do Cateto: 8 eventos para o fim de semana

A diversidade de eventos cervejeiros dará o tom do final de semana. Em Curitiba, por exemplo, a Bodebrown fará um festival durante um tradicional evento de kart, enquanto a Dünn realizará um curso no Mercado Central de Belo Horizonte. Destaque, ainda, para o aniversário do Cateto e a Paulistânia Beerfest, em São Paulo, e a Liberdade Beer Fest na pequena Quissamã, no Rio de Janeiro. Confira, a seguir, 8 eventos imperdíveis para o fim de semana.

 

Sudeste

São Paulo
– Festival do Cateto: Tradicional bar de artesanais de Pinheiros, o Cateto faz uma festa para comemorar seus 5 anos. O evento ocorre na Fábrica da Tarantino – com um interessante espaço outdoor – e terá mais de 25 torneiras no esquema open bar. A promessa é de muitas cervejas exclusivas, raras e lançamentos de marcas como a própria Tarantino, a Cozalinda, a Zalaz e a Zapata. Destaque ainda para bandas de Folk/Jazz/Western e para a parte gastronômica, tocada por alguns dos chefes mais criativos da cidade, segundo os organizadores. Será no domingo, das 12h às 19h, na Rua Miguel Nelson Bechara, 316, e o ingresso sai por R$ 195 (+ R$ 19,50 taxa).

– Paulistânia Beerfest: A tradicional marca da capital paulista realizará a 16° edição do Paulistânia Beerfest, evento gratuito que terá chopes importados e artesanais da marca, além de foodtrucks, outlet de cervejas, kits para o Natal com preços especiais e música ao vivo. Os convidados ainda poderão acompanhar uma brassagem com o mestre-cervejeiro da Paulistânia. Será no sábado, das 12h às 19h (outlet até às 17h), na Avenida Engenheiro Eusébio Stevaux, 1469, próximo ao Shopping SP Market.

– Música, arte e cerveja: Para encerrar suas atividades paulistanas de 2018 em grande estilo, a Stella Artois fará dois eventos nos próximos dias. O primeiro ocorre já nesta quinta-feira e será uma edição especial do Música no Vão: a banda Trupe Chá de Boldo apresentará um repertório especial Viva Lina, que celebra a contundência estética e política de Lina Bo Bardi. Será no Masp, na Avenida Paulista, a partir das 20h. A entrada é gratuita e haverá atrações gastronômicas. No sábado será o dia do PicNic na Laje no Petí Americana, na Avenida Angélica, 1900, 4º andar, a partir das 12h, com destaque à presença de Stella Artois harmonizada com bolinhos de chuva com porco defumado, creme azedo e limão siciliano, entre outras iguarias.

– Beer Talks Avós: Em seu recém inaugurado espaço na vila Ipojuca, a cervejaria Avós promove a primeira edição de seu Beer Talks, que deve se tornar um evento mensal. Nele, interessados em cerveja se juntam para uma conversa leve e divertida, embalada por cerveja – mas não necessariamente falando só sobre ela. Dessa vez, o tema é a história da cerveja e a influência que ela teve na sociedade, e o convidado é Luis Marcelo Nascimento, cervejeiro da OneBrew e sócio dos bares Volátil, The Lab e H. Sábado, dia 8, às 10h na AVós, que fica na Rua Croata, 703. Ingressos aqui.

Quissamã
– Festival Liberdade: A pequena cidade do interior do Rio, próxima a Macaé, realizará a segunda edição do Liberdade Beer Fest. A promessa é de muita gastronomia, música e, claro, cerveja artesanal, com a presença de marcas como Domitila, Buzzi e Pindorama, além da The Lone Reyder, desenvolvida em parceria entre a Tatanka Brewing e a Cocky Rooster Brewing. Será entre sexta-feira e domingo, no Clube Recreativo de Quissamã, na Rua Visconde de Ururai, 373.

Belo Horizonte
– Curso no Mercadão: A Dünn Cervejaria realizará mais uma edição do seu Curso de Produção de Cervejas Artesanais. Com o propósito de expandir experiências cervejeiras através do aprendizado sobre as técnicas de fabricação, as aulas terão turmas reduzidas – com no máximo 20 alunos – e abordarão temas como tipos de cerveja: Ale x Lager; ingredientes básicos: água, malte, lúpulo, levedura, adjuntos e outros; tipos de equipamentos e técnicas. Será no sábado, das 8h às 20h, no Auditório Olímpio Marteleto do Mercado Municipal, na Avenida Augusto de Lima, segundo andar. Para se inscrever, ligue no (31) 3274-9600 ou escreva para dunncervejaria@gmail.com.

 

Sul

Curitiba
– Kart e cerveja: A Bodebrown participará do maior evento de kart do Sul do Brasil: o RA RACING, um endurance de 12 horas que acontece no Kartódromo Internacional Beto Carrero. Paralelamente, a tradicional cervejaria curitibana fará o Bodebrown Race Festival, com dez torneiras e chopes de 300 ml vendidos a partir de R$ 12. A marca, aliás, tem uma ligação próxima com o automobilismo e patrocina uma equipe de kart, a Alligator’s Arm Karting – Bodebrown. A parceria serve para alertar sobre a importância de não misturar direção e álcool. “Levamos com muita seriedade a questão da bebida, falamos sempre desta conscientização sobre beber responsavelmente”, explica o piloto Carlos Andrey. Será no sábado, a partir das 12h, no Kartódromo Internacional Beto Carrero, na Penha.

Gramado
– Ô Churras: O tradicional festival de churrasco que reúne mais de mil pessoas. Com opções diferenciadas de cortes, técnicas e assadores convidados, ganhou nesta edição uma atração especial: a presença de artesanais. Serão sete estilos de cinco cervejarias – Rasen, Kaltbach, Mater, Danken e a argentina Patagonia. “No Ô Churras temos um compromisso com a qualidade que não se resume às carnes e seus acompanhamentos, por isso trouxemos a cerveja símbolo da Patagônia Argentina. E para não deixar a nossa tradição de lado, fizemos uma parceria com algumas das mais bacanas microcervejarias do Rio Grande do Sul para trazer uma boa variedade de chope artesanal”, explica Enzo Arns, idealizador do evento. Serão mais de 3 mil litros de chope e cerveja, divididos em pequenos lotes para as 8 horas de open bar. Será no sábado, das 12h às 20h, na Olivas de Gramado, na Rua Vereador José Alexandre Benetti, e o ingresso custa R$ 200. Para maiores informações, escreva para contato@matilha.com.br.

Quer incluir seu evento em nossa agenda? Escreva para nosso editor: itamar@guiadacervejabr.com

Amigas do Rei chega ao mercado unindo dicas de Falcone e poesia de Bandeira

Se você pretende ir embora para Pasárgada e ser amigo do rei, saiba que não será o primeiro – ou o segundo, se considerarmos o alter-ego de Manuel Bandeira – a realizar o feito. Pois duas amigas mineiras acabam de consagrar a trajetória: abriram uma cervejaria no condomínio Pasárgada, em Nova Lima (MG), depois de ficarem amigas de Marco Falcone, um dos “reis” da cerveja artesanal brasileira.

O resultado da poética jornada foi o surgimento da Amigas do Rei Cervejaria, nova marca que ingressa no mercado mineiro sob a coordenação de duas pupilas de Falcone, Carolina Campos e Raquel Velloso.

E o primeiro rótulo da cervejaria já chegou informalmente ao mercado. Trata-se obviamente da Pasárgada, uma Brut IPA clara, refrescante, com 7% de teor alcoólico e 24 IBUs.

“Em 2019 vamos lançar oficialmente, mas ela já está circulando no mercado cervejeiro no intuito de ajustar cada dia mais a receita, conforme o retorno que estamos tendo do mercado e de amigos cervejeiros”, conta Carolina Campos ao Guia, acrescentando que elas já pensam em um segundo rótulo, embora ainda não esteja definido.

Lançada há pouco mais de dois meses e com produção mensal de 200 litros, a Brut IPA foi brassada com a presença de Marco Falcone e a coordenação de seu filho Max, um dos nomes essenciais do processo de remodelação da Falke Bier, icônica cervejaria mineira que ajudou a impulsionar a artesanal brasileira. “Isso para nós foi um grande privilégio e de grande importância para iniciarmos no mercado cervejeiro.”

Falcone, aliás, teve influência direta no surgimento da marca: foi em uma conversa informal em seu pub que as amigas tiveram a ideia da cervejaria. Não à toa, a sala de brassagem da Amigas do Rei leva o nome de Marco Falcone.

O poeta e o rei
Se o experiente cervejeiro guiou Carolina e Raquel em seus novos caminhos, Manuel Bandeira e seu poema sobre a cidade persa as influenciaram com a presença de outro rei, este imperador de fato: Ciro, o Grande, o fundador de Pasárgada.

Foi ele um dos maiores conquistadores da história e o responsável pela formação do Império Persa, em 550 a.C., que dominou parte do mundo por quase dois séculos até ser tomado por Alexandre Magno, da Macedônia. “A principal característica da marca é a ligação do universo poético representado por Manuel Bandeira com um grande fato histórico, os impérios persas que foram conquistados pelo Rei Ciro”, pontua Carolina.

Assim, inspirada pelo universo poético de Bandeira, pela experiência de Falcone e pelo lado explorador de Ciro, a Amigas do Rei espera conquistar o mercado brasileiro de artesanais em 2019.

“No próximo ano queremos nos inserir no mercado cervejeiro explorando novos rótulos, cultura, aromas e sabores em um universo tão amplo e apaixonante como o da cerveja artesanal”, complementa a sócia da cervejaria.

Cervejarias com até 4 funcionários geraram 45% de empregos do setor em 2018

As artesanais tiveram papel decisivo na geração de empregos do mercado cervejeiro em 2018. Entre janeiro e outubro, segundo dados divulgados nesta quarta-feira pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), 1.757 vagas foram criadas pelo setor. Desse total, 951 vieram de empresas de pequeno porte, ou seja, com até 99 funcionários – número que equivale a 54,13% do total.

O número impressiona ainda mais quando se observa o segmento de artesanais independentes, com até quatro colaboradores e responsáveis por 800 postos de trabalho, mais de 45% do total. Uma estatística que vem confirmar a posição do setor – e muito propagada pelo Guia – de que a redução de impostos sobre microcervejarias é fundamental para acelerar o crescimento do mercado e gerar mais empregos ao país.

“Estamos trabalhando para fortalecer o setor através de incentivos fiscais e, também, para dar novos espaços às cervejas artesanais. Acreditamos que isso, somado à qualidade do produto, consolidará ainda mais este segmento no país”, garante Carlo Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva).

Se as artesanais geraram 951 empregos, as grandes indústrias – acima de cem funcionários – foram responsáveis por 806 vagas. O resultado apenas confirma o potencial das artesanais brasileiras, que contavam com 835 marcas independentes até setembro de 2018, um crescimento de 23% em apenas nove meses.

Entre os estados que mais criaram empregos “artesanais”, Minas Gerais liderou o ranking, com 278 vagas, seguido por Rio Grande do Sul (111) e Santa Catarina (92). No geral, aparecem São Paulo (563), Minas Gerais (382), Rio Grande do Sul (191), Goiás (156) e Rio de Janeiro (110).

“O público está cada vez mais exigente com a qualidade dos produtos, o que acaba destacando as marcas independentes. Isso explica o aumento do consumo e, consequentemente, a produção e geração de empregos”, finaliza Lapolli.

Ser grande para inovar: Uma entrevista com o fundador da Goose Island

Com 76 anos e disposição de sobra, John Hall, o fundador da icônica cervejaria Goose Island, de Chicago, desembarcou em São Paulo na última sexta-feira. Seu objetivo principal era participar no domingo da primeira edição da Block Party SP, festa de rua já tradicional promovida pela marca nos Estados Unidos. Mas, horas depois de chegar à capital, ele estava na ativa, conhecendo a brewhouse da marca em São Paulo, uma das nove espalhadas pelo mundo e batendo papo com cervejeiros locais e imprensa.

Hall fundou a Goose Island em 1988, momento em que a cerveja artesanal ainda engatinhava. De lá para cá, cresceu se consolidando como uma tradição de Chicago e uma das maiores expoentes do movimento craft norte-americano. Em 2011, a cervejaria foi adquirida bela AB-Inbev, que possibilitou a expansão internacional.

Seus dias por São Paulo foram de muita troca de experiência com cervejeiros locais. Junior Bottura, da Avós, após levá-lo ao seu recém-inaugurado brewpub na Vila Ipojuca, pôde ouvir conselhos do experiente Hall. “Foi uma surpresa bacana, uma tarde surreal”, conta ele, ressaltando a simplicidade e o interesse de Hall, que sentou-se na calçada para experimentar as cervejas da casa.

“A postura dele é de embaixador do mundo craft, ficou muito preocupado em dar dicas não só de cerveja, mas de como trazer o bairro para junto da cerveja, como crescer o mercado se preocupando com o entorno e com as pessoas que não estão totalmente inseridas no mercado,” conta Bottura. “Dá para ver que ele está realmente interessado em aproximar e dividir a experiência dele.”

John Hall Goose island cervejaria avós
Visita à cervejaria Avós

Entre fatias de filé à milanesa servidas pela Goose Island SP e goles de sua Session IPA Midway e da limitadíssima Bourbon County Brand Stout, Hall conversou com o Guia sobre as dificuldades de ser artesanal dentro de uma gigante da cerveja, sobre inovação e sobre como se constrói uma cultura cervejeira consistente.

Confira, a seguir, a entrevista exclusiva com John Hall, o icônico fundador da Goose Island.


É sua primeira vez no Brasil. O que você já conhecia do mercado de artesanais brasileiro?
Eu conheço o Marcelo [Carneiro], da Colorado, de outros eventos que participamos juntos. Conheci as cervejas deles e são sensacionais. Viajo muito, já estive em diversos lugares, conheço cerveja artesanal do mundo todo, e não necessariamente conseguimos conhecer tudo.

A Goose Island começou como cervejaria independente em 1988 e há 7 anos foi comprada pela AB-InBev. Como foi esse processo?
Primeiro, não começamos a cervejaria pensando em algum dia vender, ninguém faz isso e com certeza o Marcelo também não fez. Mas chega uma hora, em um negócio em que a intensidade do capital é tão alta, que você precisa tomar decisões. A não ser que você seja Fritz Maytag e tenha uma máquina de lavar Maytag funcionando atrás de você, em algum momento você vai precisar de parceiros [Hall faz alusão ao antigo dono da Anchor Brewing Company, de Iowa, cuja família administrava diversas indústrias de manufatura e tinha a fabricação de inovadoras máquinas de lavar roupas como seu principal negócio].

Pense do meu ponto de vista: há fundos de private equity querendo fazer negócio com você, outras cervejarias querendo fazer negócio com você, e você tem empréstimos no banco, tem a hipoteca da casa da sua avó para resolver – como todo mundo – e 76 anos… Você olha para tudo isso e a AB-InBev chega e diz “cara, você quer conversar?” Eu teria que ser um idiota para dizer “não, não estou interessado.” Se olhar em retrospectiva, tomamos a decisão de vender obviamente baseados no volume de dinheiro oferecido, mas é igualmente importante saber o que vai ser dos meus empregados. Eu tenho orgulho da minha cerveja, e tenho mais orgulho ainda dos empregados que fazem essa cerveja.

Então a grande questão é o modo como se faz o acordo?
É um negócio que requer intensidade de capital, alguém com dinheiro grande tem que estar envolvido em algum momento. Nem eu nem você andamos por aí com o bolso cheio de dólares. AB-Inbev ou qualquer outra grande cervejaria estão no mercado de cerveja há muito mais tempo do que a gente, eles entendem do mercado, são elementos de longo prazo nesse jogo. Se você de fato se alia a eles, se confia neles, como eu confiei, nossos empregados se dão melhor, nossa cerveja melhora, conseguimos continuar inovando e, o melhor, eles continuam investindo na minha cidade de origem, Chicago. É um bom acordo.

E como é o espaço para a inovação nesse cenário? Quais são as facilidades e os obstáculos?
Inovação tem sempre sido uma questão imensa para a Goose Island. Inovamos continuamente no mercado de cerveja. Nós atraímos, mais do que ninguém, cervejeiros que despertaram e começaram sua própria cervejaria. Eles viram nosso modelo, como fizemos e, a partir disso, fizeram tantas outras coisas interessantes. Nós continuamos inovando. Olha só o que acontece aqui [refere-se ao evento na brewhouse da marca em São Paulo]. Isso é pura inovação. O Guilherme [Hoffman, mestre-cervejeiro da casa] veio conversar comigo, ele veio por meio de nosso programa, mas demos liberdade para ele criar, pois se queremos ter sucesso, temos que implementar aqui um programa que se relacione com São Paulo, com a estrutura do prédio escolhido, com tudo o que acontece por aqui. E eu não poderia estar mais orgulhoso de ver tudo o que foi construído e como eles estão interagindo com as pessoas.

A Goose Island foi construída com o propósito de se envolver com a comunidade e ser relevante para a construção de uma comunidade melhor. E é exatamente o que está sendo feito aqui, meus olhos se enchem de lágrimas… Olhar para o negócio dessa maneira faz com que as pessoas que trabalham aqui se sintam bem e se sintam importantes, que sejam parte de algo maior do que apenas sair para trabalhar todo dia.

A marca tem planos traçados para São Paulo ou outras cidades brasileiras?
Não podemos falar muito disso. Mas em cada país que estamos (são 9 no total) é tudo muito diferente. Nos EUA é difícil para caramba, por conta do tanto de taprooms espalhadas. O mercado é mais complicado para cervejarias do nosso porte. Estamos mantendo o foco na inovação, em trazer mais cervejas para o mercado, tentando interagir com mais proximidade nos locais em que temos uma presença mais forte. Mas, aqui, estamos em um “modo de crescimento”. Não ficaria surpreso se víssemos em algum momento um novo brewpub ou uma casa como essa, pois esse é um modo muito efetivo de espalhar a mensagem não só da marca, mas da cerveja. É por isso que somos felizes em ter os outros cervejeiros juntos conosco por aqui. Queremos crescer como comunidade.

Falando nisso, nos EUA, a Sierra Nevada tomou a iniciativa de juntar cervejarias e levantar fundos em prol da reconstrução da cidade atingida pelo incêndio na Califórnia. O que acha dessa iniciativa?
Fabulosa. Estamos nesse movimento também, fazemos parte dele. Isso é a comunidade cervejeira, esse é o espírito. Todo mundo que conhece a Sierra Nevada sabe que eles são aquilo em que todos deveriam se espelhar. Para ser honesto, eles já me inspiraram muito. Já fizemos muitas coisas juntos, nos ajudamos trocando conhecimento, são um exemplo.

Festival em SP confirma presença de 42 cervejarias; Slow Brew abre vendas

A temporada de festivais para 2019 está inaugurada. E da melhor maneira possível. O All Beers Sessions acaba de confirmar as marcas para sua festa, enquanto o Slow Brew abrirá na segunda-feira o primeiro lote de vendas para o próximo ano.

Em sua quarta edição, que será realizada no dia 19 de janeiro, das 13h às 18h, no Espaço Escandinavo, na Rua Job Lane, em São Paulo, o All Beers Sessions terá a presença de 42 cervejarias, sendo 28 nacionais e 14 internacionais (leia no fim da matéria).

Destaque para alguns nomes de peso, como Anderson Valley (EUA), Bodebrown, Brewdog (Escócia) e Zalaz, entre tantas outras que vêm para consagrar a proposta de ser uma festa “pequena e com foco na qualidade, trazendo grandes cervejarias nacionais e internacionais, boa comida, arte e música em um ambiente descontraído e agradável”, segundo a organização do evento.

Com a presença de atrações artísticas, DJ e inúmeros food trucks, o All Beers Sessions está em seu segundo lote de ingressos, com preços a R$ 140 (+ R$ 14 de taxa). Clique aqui para comprar.

Slow Brew
Outro importante festival do calendário paulistano também divulgou novidades. Trata-se do Slow Brew, que abrirá o primeiro lote de vendas no dia 10 de dezembro, às 18 horas, com a disponibilização de mil ingressos.

Vale ficar atento. Com o objetivo de promover a interação entre cervejarias e consumidores, o Slow Brew promete uma edição com ainda mais qualidade e conforto, com mil pessoas a menos. Programe-se para garantir o ingresso.

A direção do festival também comunicou a mudança da data, anunciada anteriormente para o final de novembro, mas que será agora em 7 de dezembro de 2019, no mesmo Pro Magno, na Avenida Profa. Ida Kolb, 513, em São Paulo.

Confira as 42 cervejarias confirmadas no All Beers Sessions
2Cabeças
Anderson Valley (EUA)
Bodebrown
BoldBrewing
Boulevard Brewing (EUA)
Blondine
Brewdog (Escócia)
Caravan
Cozalinda
Croma
Dádiva
Daoravida
Duvel (Bélgica)
Heroica
Infected Brewing
Japas
Jever (Alemanha)
Juan Caloto/Freaktion
Kerel (Bélgica)
Lohn Bier
Maniba
Molinarius
Nils Oscar (Suécia)
Octopus
Paulaner (Alemanha)
Pilsener Urquell (Rep. Tcheca)
Quatro Graus
Red Stripe (Jamaica)
Satélite
Sixpoint (EUA)
Suricato Ales
Synergy
Tarantino
Thornbridge (UK)
Three Monkeys
Treze
Tre Fontane (Itália)
Unicorn
UXBrew
Val-Dieu (Bélgica)
WayBeer
Zalaz

Fabricação de bebidas alcoólicas cai em outubro e se torna negativa em 2018

A produção industrial de bebidas alcoólicas ampliou a tendência negativa em outubro. Caiu 5,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Manteve, assim, o cenário de baixa dos dois meses anteriores.

Essa redução na fabricação de bebidas alcoólicas em outubro impactou diretamente na estatística de 2018, que agora é negativa em comparação ao mesmo período de 2017 – queda de 0,6%. Porém, ainda há registro de crescimento nos últimos 12 meses, de 0,7%.

Cenário similar viveu a fabricação de bebidas não alcoólicas em outubro: caiu 2,1% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Ainda assim, registra alta de 2,4% em 2018. E, nos últimos 12 meses, o resultado é positivo em 2%.

Como havia ocorrido nos meses anteriores, a indústria de bebidas apresentou queda, agora de 4% na comparação entre outubro e setembro de 2018. No ano, por sua vez, há crescimento acumulado de 0,8%, enquanto o índice dos últimos 12 meses é de 1,3%.

A queda da fabricação de bebidas em outubro se deu no sentido oposto ao da produção industrial brasileira, que registrou crescimento, ao contrário do que ocorrera anteriormente. Na comparação entre setembro e outubro, a expansão foi de 0,2%. Quando a base é o mesmo período de 2017, o índice é de 1,1%.

Confira, a seguir, os números da produção industrial de outubro:

Produção industrial

Outubro

2018

12 meses

Bebidas alcoólicas

-5,6%

-0,6%

0,7%

Bebidas não alcoólicas

-2,1%

2,4%

2,0%

Fabricação de bebidas

-4,0%

0,8%

1,3%

Geral

1,1%

1,8%

2,3%


PIB e consumo

De acordo com dados divulgados pelo IBGE na semana passada, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro cresceu 0,8% no terceiro trimestre na comparação com o segundo trimestre de 2018. Também houve variações positivas nos demais comparativos: 1,3% em relação ao mesmo período de 2017, 1,4% no acumulado em quatro trimestres e 1,1% de janeiro a outubro de 2018.

Para isso, pesou o crescimento da despesa de consumo das famílias, com aumento pelo sexto trimestre seguido, agora de 1,4%. O resultado também é positivo, em 2%, no acumulado até setembro. Já no somatório dos quatro últimos semestres, a alta foi de 2,3%.

SNA celebra expansão da cevada, mas alerta para qualidade do grão

A Sociedade Nacional de Agricultura (SNA) apontou um cenário positivo na colheita de cevada nos estados da região Sul do Brasil, especialmente no Paraná e no Rio Grande do Sul, a partir de dados do relatório de acompanhamento de safras da  Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O vice-presidente da SNA, Hélio Sirimarco, destacou que o crescimento da colheita de cevada no Rio Grande do Sul tem avançado e alcança quase 25% da área. Porém, ele ponderou sobre problemas provocados na condição da cultura pelas chuvas, deixando a qualidade do grão abaixo do padrão exigido pela indústria local.

“Isso faz com que se tenha o risco de um grande aumento da quantidade de cevada que acaba servindo para a alimentação de animais”, diz o vice-presidente da SNA, destacando que a produtividade da cevada no Rio Grande do Sul também foi impactada pelas chuvas.

Ainda assim, Sirimarco enxerga um cenário positivo, especialmente levando em consideração os resultados de 2017. “Em comparação com a safra anterior, segundo a Conab, o resultado atual foi 24,6% superior”, diz.

Os dados da Conab também apontam que a colheita de cevada já atingiu 3% da área plantada no Paraná, que está estimada em 55,7 mil hectares, o que representa um aumento de 10,9% em relação à safra anterior.

Essa produção está diretamente fomentada pela presença de maltarias no Estado, com a compra de 100% da produção que possui qualidade para ser transformada em malte. E a Conab destaca que 77% das lavouras estão em boas condições, atendendo essa demanda, 22% em média e 1% ruim. Já o rendimento estimado é de 4.392 kg/ha, um número 33% superior ao da safra anterior, que foi afetada pelas geadas.

Já em Santa Catarina, a produção da cevada não foi afetada pelas instabilidades climáticas na região de Campos Novos, onde se concentra o cultivo da cevada. E, baseada no relatório da Conab, a estimativa da SNA também é de aumento da produção da cevada no Estado. “Na safra 2017 foram 282.100 toneladas, e em 2018 deverão ser 385.800 toneladas”, finaliza Sirimarco.

Dia do Samba: A homenagem da Dogma à música “que Chopin não fez”

“Chopin esqueceu de fazer essa”. Foi assim que Vinicius de Moraes definiu “Samba em Prelúdio”, música de Baden Powell e que, posteriormente, recebeu letra do Poetinha. A classificação que resolveu um imbróglio regado a uísque entre dois dos principais nomes da história da música popular brasileira é a explicação suficiente para a grandiosidade da canção, uma das homenageadas pela cervejaria paulistana Dogma em lançamentos realizados para marcar os seus três anos.

Nascida em junho de 2015 da união entre três cervejarias ciganas, a Noturna, a Prima Satt e a Serra de Três Pontas, a Dogma logo se firmou no mercado com histórias e rótulos especiais, como Orfeu Negro e Magnum Opus. E o crescimento contínuo da cervejaria permitiu rapidamente a abertura de uma fábrica.

“Nosso foco foi sempre produzir cervejas de qualidade e, depois desse tempo de história, acumulamos conhecimento e até abrimos nossa fábrica na Vila Buarque, o que nos deu mais confiança para crescer”, conta Bruno Brito, um dos sócios-fundadores da Dogma, em entrevista ao Guia da Cerveja.

O terceiro ano da cervejaria foi celebrado com o lançamento de seis rótulos que homenageiam lendas da música brasileira. Cinco delas são IPAs claras e remetem seus nomes aos cinco prelúdios para violão de Heitor Villa-Lobos. Já a sexta, para fechar a série, é uma Black IPA denominada “Samba em Prelúdio”, uma das diversas músicas que surgiram da parceria entre Baden Powell e Vinicius de Moraes.

“Queremos contar histórias através de nossos rótulos, então a cada cerveja que lançamos buscamos uma inspiração. Para esses rótulos nossa inspiração foi a música, importante manifestação cultural que é capaz de transformar e inspirar as pessoas de diferentes personalidades”, afirma Bruno.

E a música escolhida para o sexto rótulo da série dificilmente poderia ter sido mais emblemática. Nos anos 1960, Baden e Vinicius se uniram para criar diversas canções. De acordo com a história contada pelo próprio Baden, em um dos encontros entre eles, Vinicius travou e não fazia a letra da música que se tornaria “Samba em Prelúdio”. A justificativa desagradou o amigo: “Isso é plágio de Chopin”.

Para resolver o impasse durante uma madrugada em Petrópolis, eles acionaram a arbitragem de Lucinha, a então esposa de Vinicius e fã do compositor polonês nascido no século XIX. Acordada pelos parceiros, ela não encontrou traços que pudessem apontar na música alguma cópia da obra de Chopin. Restou, então, ao Poetinha, reconhecer o engano com o “esquecimento” de um dos maiores compositores para piano da história. E se sentar à máquina de escrever para, de uma vez, criar a letra.

Os Afro-Sambas, um dos maiores discos da história da música brasileira

“Samba em Prelúdio” foi apenas uma das diversas músicas criadas pela profícua parceria entre Baden e Vinicius. Em 1966, inclusive, a união resultou no lançamento da obra-prima “Os Afro-Sambas”, com músicas como “O Canto de Ossanha”.

“Os Afro-Sambas de Baden e Vinícius ganharam notoriedade mundial. Importantes não só a nível harmônico, mas também para a difusão da cultura e religiosidade afro-brasileira. Em boa parte das letras observamos saudações e pedidos direcionados aos Orixás. Uma verdadeira obra-prima da música brasileira”, avalia Aline Calixto, cantora, compositora e apresentadora do Papo De Samba, da rádio Inconfidência.

Tão marcante quanto as próprias músicas era o processo de composição da dupla boêmia. Obviamente, sempre regado a muito álcool. “O Vinicius chegou na casa do Baden para musicar uma letra, com uma caixa de uísque. E aí fizeram mais de 20 músicas”, narra Acir Antão, radialista e jornalista com mais de 50 anos carreira dedicados à música e hoje apresentador do programa “A Hora do Coroa”, na rádio Itatiaia.

Vinicius, Baden, Os Afro-Sambas e o Samba em Prelúdio são alguns dos marcos desse gênero musical que se tornou uma das principais manifestações culturais do Brasil: o samba, que tem seu dia celebrado neste domingo. Um reconhecimento ao gênero que teria surgido na Bahia como um dos símbolos da cultura negra e que depois se expandiu para o país. Uma data que, segundo Aline Calixto, serve para celebrar a ancestralidade e a luta do brasileiro.

“O Dia Nacional do Samba é uma data de celebração e afirmação dos nossos valores culturais, do gênero musical genuinamente brasileiro por excelência, criado nos terreiros, como o da Tia Ciata, e de lá ganhou o mundo. Comemorar o Dia do Samba é também reconhecer a história do nosso povo, sua ancestralidade, sua luta.”

O seu marco original oficial foi a gravação de “Pelo Telefone”, composto por Donga e considerado o primeiro samba registrado. A partir daí, então, abriu novas frentes, sendo muito associado ao carnaval e a compositores dos morros cariocas, até se tornar uma característica decisiva da identidade nacional. E, claro, de ser homenageado por inúmeras cervejarias, como a Dogma e sua Imperial India Black Ale com 9,0% de álcool (leia no fim mais detalhes sobre o rótulo).

Villa-Lobos
Além de lembrar o “Samba em Prelúdio”, de Vinicius e Baden, a Dogma também homenageou Heitor Villa-Lobos e os “Cinco Prelúdios” para violão. Cada um deles, aliás, é uma ode a um aspecto diferente da cultura. O primeiro homenageia o sertanejo brasileiro. Os outros, em ordem, lembram o capadócio, Bach, o índio do Brasil e a vida social carioca.

“Decidimos nos inspirar nos prelúdios por serem considerados um marco na carreira de Villa-Lobos, um ponto de equilíbrio entre suas obras iniciais mais simples e suas obras revolucionárias, chamadas de os 12 estudos”, afirma Bruno Brito, explicando a decisão da Dogma de homenagear os prelúdios de Villa-Lobos.

Além disso, como ocorre com os prelúdios de Villa-Lobos, cada uma das cervejas tem uma característica marcante. “Cada rótulo possui sua própria identidade, assim como os prelúdios, então nos inspiramos nessas músicas para criarmos cervejas que impactassem nossos clientes através de sabores únicos, elaborados com ingredientes diferenciados”, complementa Bruno.

Nascido no século XIX e identificado com a música clássica, Villa-Lobos tem uma característica que o torna único na história da música brasileira, pois inseriu elementos da cultura popular, regional e indígena nas suas composições.

“Dentro do espírito da música erudita, ele colocou a música brasileira, com o tamborim, o surdo… Fez isso com maestria porque estava enfronhado no espírito da música popular”, aponta Acir Antão, destacando, também, a amizade entre Villa-Lobos e Cartola, um dos maiores expoentes do samba brasileiro.

Os 6 prelúdios da Dogma

Prelúdio No1 – American IPA com 6,2% de álcool com os lúpulos Loral, Equinox e Mosaic. Marcada pelo equilíbrio entre aromas frutados, resinosos e cítricos.

Prelúdio No2 – American IPA com 6,7% de álcool com os lúpulos Mandarina Bavaria, Ella, Citra e Chinook. Marcada pelos aromas cítricos e resinosos com notas de tangerina, laranja e toranja.

Prelúdio No3 – Double IPA com 9,1% de álcool com os lúpulos Amarillo e Vic Secret. Marcada por aromas de frutas amarelas como maracujá e manga.

Prelúdio No4 – American IPA com 7,3% de álcool com os lúpulos El Dorado e Galaxy. Feita para apresentar aromas frutados e cítricos intensos, abacaxi, manga e casca de laranja presentes no sabor e aroma.

Prelúdio No5 – West Coast DIPA com 8,5% de álcool com os aromas cítricos e resinosos clássicos vindos dos lúpulos Simcoe, Citra e Centennial.

Samba em Prelúdio – Imperial India Black Ale com 9,0% de álcool, inspirada na Cafuza, porém com aveia e o lúpulo HBC472. O resultado é um corpo aveludado, repleto de aromas achocolatados dos maltes com o complemento amadeirado que lembra baunilha e coco do HBC472.

Edelbrau repaginada, IPA com damasco: As novidades cervejeiras da semana

Dezembro iniciou em ritmo de festa no mercado cervejeiro. Depois de completar sete anos, a Edelbrau repaginou a fachada, demarcando as principais referências de sua história. Já a Molinarius apresentou uma IPA com damasco, bebida perfeita para as festas de final de ano, segundo a marca, enquanto a Bellavista festejou uma importante conquista. Confira, a seguir, as novidades da semana.

Novas Cores
A Edelbrau acaba de completar 7 anos. E, para celebrar a data, a tradicional cervejaria de Nova Petrópolis convidou o artista Jasom Souza para remodelar a fachada com elementos que retratam as principais referências da marca: o mascote, Cuco; o foco na sustentabilidade; o lúpulo, presente em todos os rótulos; e o balão, que representa a diversão. O resultado foi um grafite inspirador, colorido e alegre. Outra novidade veio no rótulo de sua Blond Ale, que ganhou uma arte inspirada na fachada. A embalagem terá edição limitada, mas será comercializada no mesmo valor da tradicional.

IPA com damasco
Totalmente focada no estilo IPA, a Molinarius lançou uma nova linha: a Jams, com adição de polpa de frutas. E o escolhido para iniciar a série foi o damasco, que chega para realçar as propriedades do lúpulo. “Com lote de 180 kg de polpa pura de damasco, sem adição de açúcar, a cerveja tem um presente aroma e sabor de damasco combinado com os lúpulos Citra e Azacca, com corpo baixo e com uma leve acidez da fruta, tornando uma excelente opção para as festas de final de ano”, pontua Sérgio Müller, cervejeiro da marca paulistana. A Jams Damasco tem 6,4% de teor alcoólico, 50 IBUs e será comercializada tanto em lata (473 ml) como em chope.

Bellavista premiada
Poucos meses depois de ser lançada, a Bellavista recebeu um importante troféu. Trata-se do prêmio oferecido pela Associação Gaúcha de Supermercados (Agas), na categoria produto lançamento do ano. Para Júlio Eggers, diretor de marketing da Fruki, marca responsável pela cerveja, o prêmio demonstra que a Bellavista tem muito a crescer. “A Fruki se orgulha em receber esse prêmio dos supermercadistas. Nossa preocupação sempre foi lançar um produto que estivesse alinhado às mudanças do mercado e ao desejo de nossos consumidores, cada vez mais exigentes com sua bebida. A história da Bellavista só tem a crescer e esse reconhecimento solidifica isto.”