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De Garrett Oliver às edições regionais: confira os destaques e agenda dos festivais de cerveja do 2º semestre de 2026

Os festivais de cerveja estão em constante aperfeiçoamento para atender o público. Se no passado, para ser legal, bastava ter boas cervejas e rock’n’roll, hoje o fã exige muito mais novidades. Se um dia o país já foi dominado por poucos e grandes eventos, hoje eles se multiplicaram e entraram de vez na era da capilaridade. Exemplos dessas transformações estão nas notícias recentes. Na quarta-feira (12), o mestre cervejeiro da Brooklyn Brewery, Garrett Oliver, foi anunciado como atração do Mondial de La Bière, que ocorre no Pier Mauá, no Rio de Janeiro, entre 29 de outubro e 1º de novembro. Neste sábado (15) acontece a primeira edição do festival All Beer Sessions em Curitiba (PR). E daqui a cerca de um mês, estreia o Circuito IPA Day em Vitória (ES).

Garrett Oliver no Brasil e o Mondial de La Bière

O Mondial da La Bière no Rio de Janeiro é um dos poucos festivais de cerveja remanescentes da era dos grandes eventos cervejeiros, comuns na década de 2010. Em 2025, reuniu 40 mil visitantes e movimentou R$ 35 milhões na economia carioca. E para se manter relevante, tem passado por muitas transformações nos últimos anos.

Em 2025, deixou a antiga organizadora, a GL Events Exhibitions, para as mãos de Gabriel Pulcino, antigo gerente do evento e hoje CEO. Este ano, entra como sócio Thiago Coelho, ex-diretor-geral da operação da cerveja Estrella Galicia no Brasil, segundo a revista Veja Rio.

A edição 2026 também promete outras novidades. Além do anúncio da vinda de Garrett Oliver para o Brasil, o evento contará com uma cerveja própria, feita de maneira colaborativa com a cervejaria Brooklyn, de Nova York.

A ideia do evento é também ampliar as possibilidades de harmonização entre os mais de 1,5 mil rótulos, de cerca de 250 cervejarias nacionais e internacionais, e diferentes estilos de cozinha. Também por isso a escalação de Garrett, que é conhecido como Papa das Harmonizações de cerveja. Do lado da gastronomia, o evento contará com menu assinado pelo chef Pedro de Artagão, conhecido pela defesa da culinária carioca e da cultura dos botequins. Ele está à frente dos bares Princesa e Rainha e do restaurante Irajá Redux.

Garrett Oliver também fará parada em Curitiba (PR) para o evento This Is Brooklyn no dia 27 de outubro, a partir das 17 horas, na Cervejaria Maniacs. Lá apresentará diversas cervejas, incluindo o lançamento de produções colaborativas com a Cervejaria Maniacs, e conduzirá degustação guiada de receitas clássicas da Brooklyn, como a famosa Black Chocolate Stout e a superexclusiva Black Ops.

All Beer Sessions Curitiba

Em novembro do ano passado, um dos mais tradicionais festivais de cerveja, o All Beer Sessions — coordenado pelo jornalista Raphael Rodrigues, do blog All Beers há 11 anos — abriu uma nova frente de atuação e realizou a primeira edição fora da capital paulista. Foi no Brewteco Tijuca, no Rio de Janeiro.

Agora, está prestes a conquistar o inverno do Sul do país. Neste sábado (15), acontece a primeira edição do All Beers Sessions Curitiba. O evento é open bar e deve reunir mais de 50 rótulos de diferentes cervejarias brasileiras e internacionais dentro da Fumaçônica Brewhouse.

Outra novidade da edição é a criação de um novo projeto de cervejas com madeiras no seu processo, o ABS Wood Aged, feito em parceria com as cervejarias cariocas Pakas e Indigo.

Circuito IPA Day Brasil

O IPA Day Brasil é também um dos mais longevos festivais de cerveja do país. Aconteceu pela primeira vez em 2012 em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo. De lá para cá, desenvolveu também uma forte edição anual na capital paulista — que acabou de acontecer no sábado (8). Mas tudo até então era no modelo open bar. Este ano, vieram as mudanças. Além de diferentes tipos de ingresso com modelo de consumo por fichas, o evento dá início ao Circuito IPA Day com seis edições regionais pelo país até novembro.

O calendário contará com festivais de cerveja em Vitória e Belo Horizonte, em setembro; Petrópolis e Curitiba, em outubro, e Ribeirão Preto, em 21 de novembro, onde acontece o IPA Day Brasil, edição nacional que encerra a temporada.

“O circuito é um passo importante para transformar o IPA Day em uma plataforma nacional. Cada cidade terá identidade própria, mas todas conectadas pela cultura cervejeira e pela experiência construída ao longo de mais de uma década”, diz Rafa Moscheta, criador e promotor do evento.

Garrett Oliver, mestre cervejeiro da Brooklyn Brewery, virá ao Brasil para o Mondial de La Bière Rio e terá agenda em Curitiba (PR) (Crédito: Divulgação)

A edição Petrópolis, considerada a capital estadual da cerveja no Rio de Janeiro, por exemplo, acontece no dia 10 de outubro na Fábrica Park, das 14h às 22h, com curadoria local da sommelière de cervejas Juliana de Souza, do perfil Ju Mundo Cervejeiro, da Cervejaria Sampler e da Cervejaria Tortuga.

Festival das Cervejarias Paulistanas

O Festival das Cervejarias Paulistanas (FCP) chega à 6ª edição no melhor estilo “reboot” cinematográfico. Com a constituição do Polo Cervejeiro da Grande São Paulo em dezembro do ano passado, o evento, que era realizado na Cervejaria Tarantino, passa a ser coordenado pela associação e acontece no Centro Cultural Tendal da Lapa nos dias 29 e 30 de agosto. Outra novidade é o tamanho: ele deve contar com 40 cervejarias e 70 torneiras de chope. O evento deve contar também com uma cerveja própria, música ao vivo, feira de arte, além de ser pet friendly e ter espaço kids para a criançada.

A entrada é gratuita e o consumo é por dose. A organização, no entanto, aceitará 1 kg de alimento não perecível. As doações serão revertidas para a instituição Pão Vó Tutu, que distribui mais de 2 mil unidades de pães diariamente na cidade.

Confira a agenda de festivais de cerveja do segundo semestre de 2026

Agosto

All Beers Sessions 2026 – Edição Curitiba (Inverno)

  • Data: 15 de agosto
  • Horário: das 12h30 até 17h30
  • Local: Fumaçônica Brewhouse (Rua Mateus Leme, 2148 – Centro Cívico – Curitiba)
  • Ingressos: 2º Lote – R$280,00 (+ taxas) – Plataforma Sympla

Three Monkeys – Brewing Friends Festival 2026

  • Data: 22 de agosto
  • Horário: 12h às 18h
  • Local: Brewteco Tijuca (Av. Maracanã, 782 – Tijuca, Rio de Janeiro – RJ)
  • Ingressos: na plataforma Sympla

Festival Mineiro da Cerveja

  • Data: 22 de agosto
  • Horário: 13h às 22h
  • Local: Praça José M. Júnior (Savassi – Belo Horizonte)
  • Ingressos: Plataforma Sympla

6º Festival das Cervejarias Paulistanas

  • Data: 29 e 30 de agosto
  • Horário: sábado, 29, das 12h às 21h; domingo, 30, das 12h às 20h
  • Local: Centro Cultural Tendal da Lapa (Rua Guaicurus, 1100 – Lapa – São Paulo)
  • Ingressos: Entrada gratuita
  • Observação: Doação voluntária de 1 kg de alimento não perecível para o Pão da Vó Tutu.

Setembro

IPA Day Vitória

  • Data: 12 de setembro
  • Horário: 14h às 22h / Ingresso BeerGeek a partir das 13h
  • Local: Na Vista Casa de Eventos (Rua Roseny Borges Alvarado, 71, Enseada do Suá, Vitória – ES)
  • Ingressos: Plataforma Eventiza

IPA Day Belo Horizonte

  • Data: 26 de setembro
  • Horário: 14h às 22h / Ingresso BeerGeek a partir das 13h
  • Local: Mirante Happiness (Rua Flor de Lã, 150 – Jardim Alvorada – Belo Horizonte)
  • Ingressos: Plataforma Eventiza

São Paulo Oktoberfest

Outubro

41ª Oktoberfest Blumenau

  • Data: 7 a 25 de outubro
  • Horário: abertura entre 10h e 11h (exceto 07/10 às 18h); encerramento à 1h (domingo a terça), às 3h (quarta e quinta) e às 4h (sexta e sábado)
  • Local: Parque Vila Germânica
  • Ingresso: Site oficial da Okrtoberfest Blumenau

Mantiqueira Beer Fest 2026

  • Data: 9 a 12 de outubro
  • Horário: das 11h às 00h  
  • Local: Centro de Eventos (Avenida Ministro Nelson Hungria, 1086 – Santo Antônio do Pinhal/SP)
  • Ingressos: Entrada gratuita

IPA Day Petrópolis

  • Data: 10 de outubro
  • Horário: 14h às 22h / Ingresso BeerGeek a partir das 13h
  • Local: Fábrica Park (antiga Fábrica São Pedro de Alcântara, Centro Histórico, Petrópolis – RJ)
  • Ingressos: Plataforma Eventiza

IPA Day Curitiba

  • Data: 31 de outubro
  • Horário: a definir
  • Local: a definir
  • Ingressos: a definir

Mondial de la Bière Rio 2026

  • Data: 29 de outubro a 1º de novembro
  • Horário: 29 e 30, a partir das 16 horas; 31 e 1º, a partir das 14 horas
  • Local: Pier Mauá – Rio de Janeiro (Av. Rodrigues Alves, 10 – Praça Mauá – Rio de Janeiro – RJ)
  • Ingressos: Site oficial do Mondial de La Bière

Novembro

IPA Day Brasil 2026 – Ribeirão Preto

  • Data: 21 de novembro
  • Horário: a definir
  • Local: a definir
  • Ingressos: a definir

Inflação da cerveja acelera para 0,76% em julho; produção industrial de junho cresce

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Na contramão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que desacelerou para apenas 0,07%, a inflação da cerveja de julho cresceu 1,05 ponto percentual em relação a junho e atingiu 0,76%. A inflação da cerveja no ano já registra variação de 1,65% e de 5,63% nos últimos 12 meses.

Já a produção industrial de junho cresceu 1,7% em relação ao mesmo mês do ano passado, revertendo o quadro de queda de maio. Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Inflação da cerveja

A inflação da cerveja em domicílio também contrasta com os números dos grupos em que está inserido. No subgrupo de Alimentação em domicílio e no grupo de Alimentos e Bebidas em geral foram registradas deflações de -1,14% e -0,67%, respectivamente. Já fora de domicílio, a cerveja registrou alta de preços de 0,61%, assim como o subgrupo de Alimentação fora de domicílio, que chegou a 0,55%.

Categoria / SubgrupoVariação mensal — Julho/2026
IPCA Geral+0,07%
Alimentação e Bebidas-0,67%
Alimentação no Domicílio-1,14%
Cerveja (no domicílio)+0,76%
Alimentação fora do Domicílio+0,55%
Cerveja (fora do domicílio)+0,61%

Geograficamente, houve alta no preço da cerveja nos supermercados em 14 das 15 capitais pesquisadas em julho. Apenas São Paulo registrou queda de -0,57%. As maiores inflações foram em Brasília (1,96%) e Rio de Janeiro (1,81%). As menores, foram em Recife (0,45%) e Curitiba (0,86%).

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No acumulado de 12 meses, os preços subiram mais no Rio de Janeiro (8,87%), Campo Grande (8,68%) e Goiânia (8,06%). A inflação acumulada foi menor no período em Recife (1,27%) e Salvador (2,47%).

CapitalCerveja (no domicílio) — Julho/2026Cerveja (no domicílio) – Acumulado em 12 meses
Aracaju (SE)+0,92%+5,45%
Belém (PA)+0,93%+6,10%
Belo Horizonte (MG)+1,49%+4,83%
Brasília (DF)+1,96%+6,90%
Campo Grande (MS)+1,07%+8,68%
Curitiba (PR)+0,86%+7,08%
Fortaleza (CE)+1,47%+6,59%
Goiânia (GO)+1,02%+8,06%
Grande Vitória (ES)+1,31%+7,13%
Porto Alegre (RS)+1,64%+2,71%
Recife (PE)+0,45%+1,27%
Rio Branco (AC)
Rio de Janeiro (RJ)+1,81%+8,87%
Salvador (BA)+1,70%+2,47%
São Luís (MA)+0,87%+5,46%
São Paulo (SP)-0,57%+5,52%

Produção Industrial

Os dados recém-divulgados da Produção Física Industrial (PIM-PF) de junho mostram recuperação no setor de bebidas. Bebidas alcoólicas registraram alta de 1,7% em relação ao mesmo mês do ano anterior. Em maio, houve registro de queda acentuada de -4,2%. O resultado está alinhado ao crescimento de 1,7% do setor industrial como um todo no mesmo período.

Já o setor de bebidas não alcoólicas cresceu 4,5% em junho de 2026 em relação a 2025.

No acumulado dos últimos 12 meses, a indústria de bebidas alcoólicas — segmento em que a indústria cervejeira representa quase 90% da produção — acumula queda de -3%. Já a fabricação de bebidas não alcoólicas teve aumento de 1,1%.

Grupo IndustrialVariação relação ao mesmo mês do ano anterior (%)Acumulado no Ano (%)Acumulado em 12 Meses (%)
Bebidas Alcoólicas (11.1)+1,7%+1,5%-3,0%
Bebidas Não Alcoólicas (12.2)+4,5%+1,5%+1,1%

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A melhor IPA do mundo é nossa! Cervejas brasileiras faturam 7 prêmios na etapa mundial do World Beer Awards 2026

As cervejas brasileiras tiveram um ótimo desempenho na etapa mundial do World Beer Awards 2026. Ao todo, as cervejarias e marcas nacionais conquistaram sete prêmios. O anúncio dos rótulos contemplados como melhores cervejas do mundo (World’s Best) e vencedoras de estilos (Style Winners) ocorreu na tarde desta quarta-feira (12) no site da competição. A maior premiada foi a Atrás do Bloco, da Cervejaria Landel, de Campinas (SP), que, além de conquistar a condecoração de melhor Milkshake IPA/New England IPA, foi vencedora do título de Melhor IPA do Mundo (World’s Best IPA). Esse é o prêmio máximo de toda a categoria de cervejas do estilo India Pale Ale do concurso no mundo.

Além do título de Melhor IPA do Mundo, as cervejarias e marcas brasileiras se destacaram na categoria IPA como um todo, faturando ao todo quatro prêmios. Além dos dois prêmios da Landel, a cerveja Therezópolis Jade, da Cervejaria Therezópolis (RJ), venceu como melhor English Style IPA. Já a Orange Kush, da Cervejaria Unika, de Rancho Queimado (SC), foi a melhor do estilo Speciality IPA.

Nas demais categorias, as cervejarias e marcas brasileiras também faturaram outros três prêmios: melhor “No & Low Alcohol Stout & Porter” foi para a Sim! Cerveja Sem Álcool (Campinas – SP) pela cerveja Coffee Dry Stout; melhor Catharina Sour para a Jane MF Sour da Cervejaria Faroeste (Itajaí – SC); e melhor Heritage Beer para a Kaptain Lisa da Cerveja Stannis (Jaraguá do Sul – SC).

Da melhor IPA do mundo para as melhores cervejas do Brasil

Na terça-feira (11), o World Beer Awards 2026 também divulgou a lista completa das cervejas premiadas na edição deste ano. Em todo o mundo, o concurso concedeu 1.775 prêmios, sendo 614 medalhas de ouro, 649 de prata e 512 de bronze. Entre as que ocupam a posição mais alta do pódio, 562 também foram condecoradas como Country Winner, ou seja, as melhores do país de origem.

Já o Brasil faturou, ao todo, 125 prêmios para 37 cervejarias e marcas diferentes: 55 medalhas de ouro, 36 de prata e 34 de bronze. Das cervejas premiadas com a condecoração de primeiro lugar, 48 foram eleitas Country Winner.

Com 17 medalhas ao todo, a cervejaria Stannis, de Jaraguá do Sul (SC), foi a cervejaria ou marca que conquistou o maior número de prêmios este ano. Foram sete de ouro e Country Winner (Brigit Ale, Gold Amélia, Kaptain Lisa, Mamma Sour, Ruby Rauch, Stannis Sem Álcool e Stannislau’s Reserve), sete de prata (Antonieta Porter, Fuerte Frida, Goddess Calíope, Mother Gaia, Scarlett Flanders, Space Nebula e St. Paddy’s) e 3 de bronze (Red Sönja, S.Low e White Rose).

Em segundo lugar, aparece a Therezópolis (RJ) com oito prêmios, sendo três de ouro e Country Winner (Ebenholz, Jade e Rubine), quatro medalhas de prata (Gold, Or Blanc, Saphir e Sem Glúten) e uma de bronze (Elfenbein). Ela ficou imediatamente à frente da Salva de Bom Retiro do Sul (RS), que também tem oito no total, mas tem menos medalhas de prata. A marca gaúcha conquistou três de ouro e Country Winner (Cajuzada Sem Álcool, Cow me Baby e Limonada de Morango), duas de prata (A Gente Queria Mais Pimenta Mas o Adriel Não Deixou e American Pale Ale) e três de bronze (Cajuzada de Morango, Salva d’Ouro e Scotch Ale).

Confira as melhores cervejas do Brasil que entraram no World’s Best:

  • World’s Best IPA – Landel – Atrás do Bloco
  • World’s Best Milkshake IPA/New England IPA – Landel – Atrás do Bloco
  • World’s Best English Style IPA – Therezópolis – Jade
  • World’s Best Speciality IPA – Cervejaria Unika – Orange Kush
  • World’s Best No & Low Alcohol Stout & Porter – Sim! Cerveja Sem Álcool – Coffee Dry Stout
  • World’s Best Catharina Sour – Faroeste – Jane MF Sour
  • World’s Best Heritage Beers – Cerveja Stannis – Kaptain Lisa

Confira o resultado completo de cada país no documento abaixo:

União Europeia registra queda de 11% nas exportações de cerveja em 2025

O mercado internacional de bebidas alcoólicas registrou retrações significativas e mudanças estruturais em 2025. De acordo com dados oficiais divulgados pelo Eurostat, o órgão de estatísticas da União Europeia (UE), o bloco exportou 3,2 bilhões de litros de cerveja com teor alcoólico para fora de suas fronteiras em 2025, o que representa um recuo expressivo de 11% em relação ao ano anterior. Em contrapartida, as importações europeias provenientes de países de fora do bloco registraram alta de 6%, totalizando meio bilhão de litros.

No cenário europeu, a Bélgica consolidou-se como o maior exportador de cerveja (incluindo comércio intra e extra União Europeia), comercializando um total de 1,5 bilhão de litros. Logo atrás aparecem os Países Baixos, com 1,4 bilhão de litros, e a Alemanha, com 1,3 bilhão de litros. A Tchéquia (República Checa) e a Irlanda completam o topo do ranking de exportações, com 0,6 bilhão de litros cada. 

Pelo lado das compras, a França liderou como a principal importadora de cerveja com álcool do continente, adquirindo 0,9 bilhão de litros, seguida pela Itália, com mais de 0,7 bilhão de litros, e pela Alemanha e Espanha, com 0,6 bilhão de litros cada.

O acordo entre Mercosul e União Europeia pode alterar significativamente esses números. A tendência é que as exportações de cervejas da Europa para o bloco sul-americano aumentem com a queda gradual das tarifas. Mas o mercado brasileiro também pode se beneficiar exportando cervejas para os europeus.

Barreiras tarifárias e as exportações dos Estados Unidos

A desaceleração não se limitou ao mercado europeu. Nos Estados Unidos (EUA), o impacto de disputas comerciais e políticas tarifárias severas resultou em uma queda nas exportações de bebidas. Dados do U.S. Census Bureau publicados pelo site Vinepair revelam que a categoria de “Vinhos, cervejas e produtos correlatos” despencou US$ 472 milhões em 2025, uma redução de 26% em relação a 2024, totalizando US$ 1,2 bilhão.

O segmento de vinhos foi o mais severamente atingido, registrando uma perda de US$ 428 milhões (uma retração de 33,5% frente ao ano anterior). Outras bebidas alcoólicas, excluindo vinhos, também encolheram US$ 215 milhões em relação a 2024, fechando o ano com US$ 2,8 bilhões exportados.

Do lado das importações norte-americanas, o impacto também foi bilionário: as compras externas de vinhos, cervejas e afins recuaram US$ 1,1 bilhão, enquanto outras bebidas alcoólicas tiveram uma queda de US$ 3,1 bilhões nas importações.

Analistas associam esse colapso exportador às tarifas recíprocas agressivas adotadas pelo governo Trump em abril de 2024, que geraram boicotes internacionais e impulsionaram campanhas de consumo local em mercados estratégicos, como o Canadá. As exportações de vinho americano para o mercado canadense, seu principal cliente, derreteram 76,8%. Apesar de a Suprema Corte ter derrubado as tarifas originais em fevereiro de 2026, a incerteza comercial permanece alta após o anúncio subsequente de novas alíquotas globais de 10% a 15%.

Cervejas da União Europeia e EUA no Brasil

No Brasil, os reflexos desse cenário global  geraram mudanças no fluxo de importações registradas pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) no Anuário da Cerveja 2026. Em 2025, o volume total de cerveja importada pelo Brasil saltou de 7,49 milhões de litros em 2024 para expressivos 26,32 milhões de litros, uma alta de 251,4%. 

Curiosamente, essa enxurrada de cerveja estrangeira não veio acompanhada de um aumento proporcional nos gastos: o Brasil desembolsou US$ 9,41 milhões em compras, apenas 1,7% a mais que no ano anterior, resultando em um preço médio histórico de apenas US$ 0,36 por litro importado.

Essa distorção de preços é amplamente explicada pelas importações vindas dos Estados Unidos, que se tornaram a principal origem de cerveja importada pelo Brasil em volume, com 19,53 milhões de litros (representando 74,2% de toda a cerveja estrangeira que entrou no país). Essa marca representa uma explosão de 13.178% frente aos 147.099 litros importados dos EUA em 2024. O dado mais intrigante é o financeiro: o valor total gasto com o produto americano foi de apenas US$ 276.381, uma vez que a cerveja foi adquirida a um preço médio irrisório de US$ 0,01 por litro.

Por outro lado, o comércio tradicional e de maior valor agregado com a Europa manteve-se altamente relevante. Das 15 principais origens de cerveja importada pelo Brasil, 9 são países europeus. A Alemanha lidera com folga em valor monetário, representando sozinha 34,4% de todo o montante gasto pelo Brasil com cervejas importadas, faturando US$ 3,24 milhões por um volume de 2,26 milhões de litros (com preço médio qualificado de US$ 1,43/litro). 

A Espanha aparece em seguida entre os fornecedores europeus com 673.001 litros (gerando US$ 895.977), acompanhada pelos Países Baixos (241.382 litros, a US$ 2,06/L), Portugal (216.934 litros, a US$ 1,09/L), Irlanda (180.766 litros, a US$ 1,78/L), Bélgica (128.191 litros, a US$ 3,25/L), República Tcheca (96.088 litros) e Reino Unido (94.369 litros). 

Bares esperam repetir movimento da Copa no retorno do futebol

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O impacto da Copa do Mundo sobre o consumo pode se estender para o restante da temporada. Com a volta do Campeonato Brasileiro e da Copa do Brasil, bares e restaurantes esperam repetir o aumento de público observado durante o torneio. Segundo levantamento do Itaú Unibanco, a vitória do Brasil sobre o Japão nas fases eliminatórias elevou em 38,6% as vendas em bares na comparação com o mesmo dia da semana do ano anterior, enquanto os açougues registraram crescimento de 19,6%.

O pico de pagamentos aconteceu às 16h, horário em que boa parte dos clientes fechava a conta logo depois do apito final. O crescimento apareceu com força em estados como Ceará, Goiás, Bahia e Minas Gerais, o que indica que o fenômeno não ficou restrito aos grandes centros urbanos.

O que muda sem a Seleção em campo

Com o fim do Mundial, a pergunta que fica para bares e cervejarias é sobre a próxima fonte desse movimento. O Campeonato Brasileiro Série A retomou a temporada em 16 de julho, ainda antes da final da Copa, com a 19ª rodada reunindo, entre outros jogos, Botafogo contra Santos e Vitória contra Vasco da Gama. A Copa do Brasil, por sua vez, volta a campo entre os dias 1º e 6 de agosto, com os confrontos de ida e volta da próxima fase eliminatória.

O Brasileirão Série A concentra 26,1% do volume de apostas em competições nacionais, à frente da Copa do Brasil, que soma 4,5%, segundo uma pesquisa da KTO com apostadores que acompanham futebol em uma plataforma de bet. O dado ajuda a explicar por que essas duas competições devem herdar parte do interesse que a Copa despertou nos últimos dois meses, mesmo sem contar com a força de mobilização de uma Seleção Brasileira em campo.

Cervejarias já se prepararam para o pico de consumo

Esse cenário não é exatamente inédito. Durante o próprio Mundial, o setor cervejeiro já havia se planejado para aproveitar o aumento no consumo, com cervejarias e bares investindo em ativações e ampliação de espaço para receber o público. A diferença agora é que o público não se reúne mais em torno de uma data única e coletiva, como a estreia ou a decisão da Seleção, e sim em torno do calendário fragmentado dos clubes, com jogos espalhados por diferentes dias e horários ao longo da semana.

Menos picos concentrados, mais chances ao longo do mês

Para os estabelecimentos, isso pode significar menos datas de pico concentradas, mas possivelmente mais oportunidades ao longo do mês. Se o padrão observado nos jogos do Brasil se repetir, ainda que em menor escala, nas rodadas do Brasileirão e nos confrontos eliminatórios da Copa do Brasil, o desafio deixa de ser atrair o público em um único domingo de decisão e passa a ser sustentar o movimento rodada após rodada.

Cervejarias artesanais ampliam portfólio para se adaptar aos novos padrões de consumo

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O consumidor de cervejas está mudando. O crescimento de produtos que respondem à maior preocupação do público com saúde, bem-estar e moderação, bem como o interesse por outras bebidas, como os drinks prontos para beber (RTDs, na sigla em inglês), são exemplos disso. Se antes só as grandes indústrias investiam nessas tendências, hoje já é possível notar que cervejarias artesanais estão se transformando em verdadeiras indústrias de bebidas para se adaptar aos novos padrões de consumo e aproveitar essas oportunidades. As estratégias são variadas, mas passam por diversificar o portfólio e otimizar a estrutura industrial já existente.

Os números estão aí para quem quiser ver. Segundo o mais recente relatório da IWSR, uma das principais referências de mercado no setor, os RTDs superaram pela primeira vez a marca de 1 bilhão de caixas consumidas globalmente em 2025. O destaque vai para os coquetéis em lata, que saltaram 14% em volume no último ano no mundo. A mesma pesquisa aponta ainda que as projeções apontam que a cerveja sem álcool deve dobrar de volume no mundo, saltando de 2% para 4% do volume total consumido até 2033. 

As ações da grande indústria também mostram essa mudança. O Grupo Heineken lançou na semana passada a plataforma +Equilíbrio, área que vai concentrar os produtos com foco na tendência de bem-estar (wellness). São produtos como a nova Heineken Ultimate, com 30% menos calorias, as cervejas sem álcool, a exemplo da Heineken 0.0, e sem glúten, como Sol, Praya e Amstel Ultra.

Na Ambev, o equivalente é a área de “Balanced Choices”, que teve como lançamento recente a Spaten Pro, cerveja preta sem álcool com 10 gramas de proteína. Desde 2021, existe também a unidade de negócios “Beyond Beer” para outros produtos da companhia, como o Beats, drink pronto para beber (RTD, na sigla em inglês).

Entre as cervejarias artesanais, a paulista Cervejaria Tarantino acabou de terminar uma reforma em suas instalações. Ela uniu forças com a WeBev para integrar a produção e distribuição de cervejas às linhas de bebidas não alcoólicas e funcionais. Mas existe também quem tenha visto essa tendência chegar há mais tempo. A mineira Verace investiu em destilaria própria e maquinário de envase exclusivo para abocanhar o mercado de drinks prontos em lata desde 2020, ano marcado pela pandemia de Covid-19.

Cervejaria Tarantino e os não-alcoólicos

A transformação da Cervejaria Tarantino começou a partir da relação entre o sócio-proprietário Isaac Deutsch e Raphael Hennies, da WeBev. Ambos se conheceram enquanto trabalhavam com uma terceira distribuidora. Naquele momento, os empresários identificaram que a distribuição própria constituía um pilar essencial para o crescimento de suas marcas. Para solucionar essa demanda, eles criaram uma estrutura própria e focada no portfólio conjunto da Tarantino e da WeBev. A parceria, que iniciou pela distribuição, evoluiu rapidamente para a integração da produção física.

Isaac explica que hoje o projeto une a experiência da Tarantino em cervejas e sua robusta estrutura industrial ao conhecimento de mercado da WeBev em bebidas não alcoólicas e funcionais, representadas pelas marcas Puro Verde e Amaz. As duas empresas compartilham integralmente a produção, a logística e a atuação comercial, consolidando uma plataforma de bebidas muito mais robusta e completa.

Amaz é energético funcional feito com ingredientes amazônicos orgânicos, naturais e agroflorestais da WeBev, parceira da Cervejaria Tarantino (Crédito: Divulgação)
Amaz é energético funcional feito com ingredientes amazônicos orgânicos, naturais e agroflorestais da WeBev, parceira da Cervejaria Tarantino (Crédito: Divulgação)

“Para as cervejarias artesanais, diversificar o portfólio também é uma forma de aproveitar melhor a estrutura industrial e buscar novas fontes de crescimento. Mas não basta ter capacidade de produção. É preciso conhecer cada categoria, entender o consumidor e saber como competir nos pontos de venda”, diz o sócio-proprietário da Tarantino.

Verace, os destilados e RTDs

No mercado mineiro, a Cervejaria Verace, localizada em Nova Lima, trilhou o caminho da diversificação focada em bebidas mistas gaseificadas (RTDs). O sócio-proprietário e cervejeiro Túlio Silva revela que a ideia surgiu no segundo semestre de 2020, durante o primeiro ano da pandemia de COVID-19. Diante do cenário de incertezas e do modelo de “abre e fecha” do comércio, a diretoria buscou prever o comportamento do mercado na retomada para preparar a fábrica com antecedência.

A empresa avaliou dois cenários: completar a adega com novos tanques para ampliar a capacidade de cerveja ou iniciar a produção de bebidas mistas. Sinais fortes do mercado de Belo Horizonte apontaram para a segunda opção. O primeiro sinal veio do Carnaval de rua da capital mineira, onde o consumo de bebidas mistas em latas e plásticos é massivo devido à proibição de recipientes de vidro. O segundo sinal foi o sucesso local do Xeque Mate (bebida mista de chá-mate, guaraná, rum e limão).

Túlio já havia observado essa tendência em 2015, na feira de Nuremberg, na Alemanha, onde indústrias craft compravam equipamentos de destilaria para fabricar bebidas diferenciadas. Para tirar o projeto do papel, a Verace realizou processos de licenciamento, preparação de layout e comprou maquinários específicos. A empresa adquiriu uma enlatadora isobarométrica dedicada exclusivamente aos drinks e instalou uma área de destilaria com um destilador próprio para produzir o gin e a vodka que servem de base para as receitas. O próprio Túlio especializou-se e fez o curso de mestre destilador.

Atualmente, com pouco mais de quatro anos nesse segmento, as bebidas mistas representam entre 15% e 20% do volume de vendas financeiro da Verace. O portfólio conta com dois destilados puros (gin e vodka) e cinco opções de RTDs em lata. A empresa já está na segunda geração de drinks — do portfólio inicial de dez produtos, apenas um restou, enquanto os outros quatro atuais já pertencem à nova fase — e a equipe já desenvolve a terceira geração.

O Gimbrado da Cervejaria Verace é um RTD feito com gin autoral, limão siciliano e bitter de laranja, com 7,9% (Crédito: Divulgação)
O Gimbrado da Cervejaria Verace é um RTD feito com gin autoral, limão siciliano e bitter de laranja, com 7,9% (Crédito: Divulgação)

Um dos grandes diferenciais da Verace é o fornecimento de drinks em barril (granel). Isso permite que os bares locais dediquem torneiras (taps) para servir drinks prontos com agilidade. A praticidade beneficia os donos de bares, que não precisam contratar mixologistas ou estocar frutas frescas, garantindo um produto padronizado.

“Apesar desse tipo de bebida ser feita dentro da mesma fábrica, o mercado e o consumidor são diferentes. A única coisa que eles têm em comum muitas vezes é o fato de irem ao ponto de venda para beberem juntos”, conta Tulio. “Eu acho que abrir mão desse tipo de produto hoje é abrir mão de faturamento e de maior presença no mercado”, finaliza.

Dicas para cervejarias artesanais

Para as cervejarias artesanais que planejam expandir o portfólio e ingressar no mercado de novas bebidas, os empresários Isaac Deutsch e Túlio Silva compartilham recomendações fundamentais:

  • Pense primeiro no comercial e no consumidor: Isaac Deutsch alerta que a estratégia comercial, o posicionamento de marca e o entendimento do público-alvo devem vir antes do desenvolvimento da produção. Embora muitas cervejarias artesanais consigam fabricar outras bebidas com poucas adaptações técnicas, a capacidade fabril por si só não garante o sucesso de vendas no ponto de venda.
  • Busque parceiros experientes: Isaac reforça que colaborar com parceiros experientes nas categorias desejadas acelera o aprendizado, evita erros operacionais, reduz investimentos desnecessários e gera economias de escala na produção, logística e distribuição. Já Túlio Silva diz que é perfeitamente viável produzir drinks comprando o destilado base a granel de terceiros e que casas de aroma (como a francesa Givaudan e a brasileira Duas Rodas) têm muito o que explorar e até relatórios anuais de tendências de consumo. A Verace mantém, inclusive, um profissional formado dedicado exclusivamente a realizar experimentos com esses insumos e acompanhar as rápidas mudanças de preferência do consumidor.
  • Destilados versus RTDs: Túlio destaca que os produtos que realmente trazem volume de vendas, margem financeira e sucesso comercial são os RTDs. O mercado de destilados puros em garrafa é extremamente fechado e dominado por grandes multinacionais ou marcas de baixo custo, o que dificulta a competição de preços para produtores menores.

Substituição tributária no setor da cerveja

Quando se discute a tributação da cerveja, é natural que a atenção se volte para as alíquotas incidentes sobre o produto. Entretanto, saber qual percentual é aplicado nem sempre basta para compreender o peso efetivo do tributo. Antes da alíquota, existe outra pergunta igualmente importante: sobre qual valor o imposto será calculado? Essa questão ganha especial relevância no regime de substituição tributária do ICMS.

Na chamada substituição tributária “para frente”, um contribuinte situado no início da cadeia (o fabricante, por exemplo) fica responsável por recolher não apenas o ICMS de sua própria operação, mas também o imposto que se presume devido nas vendas posteriores.

Na prática, o Estado antecipa a arrecadação que ocorreria nas operações realizadas por distribuidores, atacadistas, supermercados, bares e outros estabelecimentos. O objetivo é facilitar a fiscalização, concentrando o recolhimento em um número menor de contribuintes.

Como essas vendas futuras ainda não ocorreram, é necessário estimar por quanto o produto chegará ao consumidor final. É justamente nesse ponto que surge o Preço Médio Ponderado a Consumidor Final, conhecido pela sigla PMPF. 

Problemas da Substituição Tributária na cerveja

O PMPF é uma das formas utilizadas pelo Fisco para definir a base de cálculo presumida sobre a qual será recolhido antecipadamente o ICMS-ST. A Lei Complementar nº 87/1996 permite que essa base seja estabelecida por diferentes critérios, como preços fixados pelo poder público, preços sugeridos pelo fabricante ou margens calculadas a partir dos valores praticados no mercado. 

Um dos grandes problemas desse sistema é que o PMPF não consegue reproduzir individualmente cada operação. Ele busca representar, com base em pesquisas, uma média dos preços praticados no mercado. Mas, na prática, o mercado cervejeiro está longe de ser uniforme. Uma mesma cerveja pode ter valores diferentes em supermercados, lojas especializadas, bares, restaurantes ou na venda direta realizada pela própria cervejaria. Promoções, custos logísticos, diferenças regionais e estratégias comerciais também interferem no preço final. Quanto mais diversificados forem os produtos e os canais de venda, maior será o desafio de transformar essa realidade em uma única referência presumida.

Assim, pode ocorrer da base presumida ser superior ao preço efetivamente praticado no mercado. Nesse caso, o imposto antecipado pode representar um peso econômico maior do que aquele correspondente à operação real. A situação pode ser especialmente sensível para cervejarias que trabalham com promoções, produtos sazonais, venda direta ou canais nos quais o preço final se distancia da média apurada pelo Fisco.

As diferenças de cada estado

Além disso, as regras não são uniformes em todo o país. Cada estado possui legislação e procedimentos próprios, enquanto operações interestaduais podem envolver convênios e protocolos celebrados no âmbito do Confaz. Assim, uma cervejaria que comercializa seus produtos em diferentes estados pode estar sujeita a bases de cálculo, obrigações e mecanismos de recolhimento distintos.

Ao analisar esse tipo de caso, o  Supremo Tribunal Federal reconheceu que é devida a restituição da diferença do ICMS pago a maior quando a base de cálculo efetiva da operação for inferior à presumida. Isso não significa, entretanto, que a recuperação ocorra de forma automática. Os procedimentos dependem da regulamentação de cada estado e da documentação necessária para demonstrar os preços efetivamente praticados.

Pelo outro lado da moeda, ou seja, quando o valor presumido for inferior ao preço efetivamente praticado no mercado, existem estados que exigem complementação. Também há alguns estados que instituem regimes facultativos nos quais o contribuinte pode renunciar à restituição em troca da dispensa dessa complementação.

Enfim, o PMPF demonstra que o valor do imposto não é definido apenas pela alíquota. A base de cálculo, a classificação do produto, sua embalagem, o volume, o estado de destino e a posição ocupada pela empresa na cadeia podem ser igualmente decisivos.

A questão na cerveja

No setor cervejeiro, isso exige acompanhamento constante. As listas estaduais são extensas, recebem atualizações e podem incluir novos produtos ou alterar referências já existentes. Informações fiscais desatualizadas podem gerar recolhimentos incorretos, distorcer margens e criar riscos em uma futura fiscalização.

Compreender a tributação da cerveja, portanto, exige ir além do percentual previsto na legislação. Na substituição tributária, tão importante quanto saber quanto o estado cobra é conhecer o preço que ele presume ter sido praticado. E esse preço nem sempre é o mesmo que aparece na nota fiscal, na gôndola ou no cardápio.


Clairton Gama é advogado e sócio do escritório Kubaszwski Gama Advogados Associados. Possui mestrado em Direito pela UFRGS e é especialista em Direito Tributário pelo IBET. Além disso, é cervejeiro caseiro.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Manipueira Selvagem vira tema de pesquisa com financiamento da Fapesp

Uma pesquisa aprovada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) receberá mais de R$ 400 mil para estudar as características da cerveja Manipueira Selvagem. O projeto, intitulado “Caracterização Multiômica e Mapeamento Integrado do Terroir da Manipueira Selvagem: Uma Nova Cerveja Brasileira de Fermentação Espontânea”, tem como objetivo consolidar a bebida como o novo estilo de cerveja nacional. Coordenado pelo professor Jean Carlos Rodrigues da Silva, o estudo será desenvolvido no Centro Multidisciplinar de Tecnologia Cervejeira (CTCerv) do Instituto Federal de São Paulo (IFSP), em Sertãozinho (SP). A iniciativa reúne cientistas do IFSP, da Universidade de São Paulo (USP) e das cervejarias Cozalinda, de Florianópolis (SC), e Uçá, de Sergipe.

Com duração prevista de três anos, o estudo acompanhará duas safras consecutivas de cerveja Manipueira Selvagem em São Paulo, Santa Catarina e Sergipe. Os pesquisadores vão comparar a fermentação realizada em barris de madeira com a efetuada em recipientes de polipropileno. O procedimento permitirá avaliar a influência da microbiota residente na madeira, na manipueira e no ambiente sobre o produto final. Serão coletadas amostras desde a obtenção do insumo até o envase da cerveja para análises físico-químicas, microbiológicas, metagenômicas, metabolômicas e sensoriais.

A iniciativa pretende fornecer fundamentação científica para reconhecer a Manipueira Selvagem como estilo próprio no mercado internacional. Atualmente, a Catharina Sour figura como o único estilo brasileiro reconhecido em guias internacionais de cerveja. A pesquisa busca valorizar microrganismos locais, promover a bioeconomia no setor artesanal e desafiar a ideia de que a cerveja não possa ter terroir. Para a Abracerva, o projeto fortalece a identidade da produção nacional ao utilizar insumos e saberes ancestrais da cultura alimentar do País.

O estilo de cereja Manipueira Selvagem

O Projeto Manipueira Selvagem utiliza o líquido resultante da prensagem da mandioca na produção de farinha para promover a fermentação espontânea de mostos cervejeiros. O processo de maturação ocorre em barris de madeira ao longo de 12 meses. A proposta nasceu de uma parceria entre a Cozalinda e a Cervejaria Zalaz, de Paraisópolis (MG), sendo posteriormente ampliada em âmbito nacional pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva). A primeira safra de Manipueira Selvagem foi lançada em 2023, reunindo mais de 50 cervejarias de diversos estados brasileiros.

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Brasileiros gastaram R$ 13 bilhões com cerveja em 12 meses, mostra Pesquisa CREST

Os consumidores brasileiros movimentaram cerca de R$ 13 bilhões com cerveja no período de 12 meses encerrado em junho de 2026. Segundo levantamento da Pesquisa CREST (Consumer Reports on Eating Share Trends), realizada em parceria com o Instituto Foodservice Brasil e a Gouvêa Inteligência, a cifra representa uma alta de 17% em relação aos R$ 11,11 bilhões registrados em igual intervalo concluído em junho de 2025. O volume total de operações no setor, contudo, recuou 3% no período analisado, somando 369,2 milhões de transações.

As refeições noturnas lideram as ocasiões de consumo do produto, com 60% do total de vendas. Entre os canais de compra, os bares lideram o mercado ao concentrar 33% da demanda, seguidos por supermercados e hipermercados, que somam 15%. O perfil dos consumidores brasileiros é majoritariamente masculino, parcela que representa 61% do volume comprado. Além disso, a faixa etária compreendida entre 35 e 59 anos responde por 66% de todo o consumo registrado no país.

A conveniência e o hábito figuram como os fatores determinantes para a compra da bebida entre os brasileiros. A conveniência foi apontada por 54% dos entrevistados no estudo, enquanto o hábito motivou a decisão de 53% dos consumidores. Na comparação interanual encerrada em junho, o fator hábito acusou expansão de 14%, consolidando sua relevância entre os vetores de consumo da categoria em refeições e encontros sociais.

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Festa All Beers Sessions chega pela primeira vez a Curitiba

Curitiba (PR) recebe no sábado (15) a primeira edição local do All Beers Sessions, festival open bar promovido pelo portal All Beers. O evento será realizado na Fumaçônica Brewhouse, das 12h30 às 17h30, reunindo rótulos de mais de 50 cervejarias nacionais e internacionais. Os ingressos do segundo lote custam R$ 280 na plataforma Sympla e dão direito a um copo exclusivo de vidro. A atração marca também o lançamento da marca colaborativa ABS Wood Aged, criada junto às cariocas Pakas e Indigo.

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Ambev e AB InBev lançam campanha global Cheers to Beer

A Ambev e a AB InBev apresentaram no mês da cerveja a campanha global Cheers to Beer, desenvolvida pela agência Wieden+Kennedy. A iniciativa destaca a relevância social e econômica da bebida, acompanhando transformações no perfil do consumidor, como a busca por moderação. Segundo dados da consultoria IWSR, cerca de 93% do volume total das bebidas sem álcool pertence à categoria cervejeira. No Brasil, o segmento premium da Ambev cresceu na casa dos 20% no segundo trimestre de 2026, enquanto as opções sem álcool avançaram 30% no período.

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Roda sensorial de produtos lupulados obtém registro no INPI e ganha versão impressa

A Roda Sensorial para Produtos Lupulados, desenvolvida em projeto de pós-doutorado da UFSC e liderada pela pesquisadora Amanda Felipe Reitenbach, teve seu registro de desenho industrial concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). A ferramenta, mantida em cotitularidade com a UnB e a Cervejaria Kairós, ganhou versão impressa em formato de jogo americano para uso direto em balcões, salas de treinamento e degustações guiadas. O material reúne descritores técnicos para cervejas, chás e kombuchas, podendo ser baixado gratuitamente no site do Science of Beer.

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Ambev celebra Mês da Cerveja com visitas e tour virtual

A Ambev abriu suas cervejarias para visitação pública em Jaguariúna (SP), Agudos (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Ponta Grossa (PR). As experiências presenciais acontecem aos sábados ao longo de agosto, com harmonizações guiadas. A unidade de Ponta Grossa também promoverá tours virtuais e gratuitos nas terças-feiras, nos dias 11 e 25. As inscrições presenciais devem ser feitas no site da Ambev, enquanto as sessões virtuais estão disponíveis pela Sympla. Todas as atividades são destinadas a maiores de 18 anos.

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Heineken 0.0 e Strava ampliam projeto Finish Line Detour

A Heineken 0.0 e o aplicativo Strava expandiram a iniciativa Finish Line Detour para Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS), além de ampliar os pontos parceiros em São Paulo (SP) e no Rio de Janeiro (RJ). O projeto conecta trechos de corrida no aplicativo a bares e cafés, onde o atleta pode retirar uma garrafa de Heineken 0.0 sem álcool após o treino. Criada pela agência LePub São Paulo, a ação estimula a socialização no pós-treino. Os interessados devem acessar o desafio na página da Heineken no Strava para validar a participação.

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Lagunitas convoca o Cãodidato no IPA Day e promove feira de adoção em São Paulo

Para celebrar o IPA Day e o Dia Internacional da Cerveja, a Lagunitas, marca do Grupo Heineken, iniciou uma campanha estrelada pelo personagem Cãodidato com ações em oito bares parceiros e promoções no iFood até o dia 30 de agosto. As ativações contemplam endereços em São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Vitória (ES), Belo Horizonte (MG) e Curitiba (PR), com foco no rótulo Lagunitas DayTime, cerveja do estilo Session IPA que conta com teor alcoólico de 4% e 98 calorias por lata.

Além da ação nos bares, a cervejaria promoveu no sábado (8) uma feira de adoção responsável de cães na capital paulista, em parceria com a ONG Amigos de São Francisco. O evento foi realizado na Heineken House, localizada no Parque Villa-Lobos, das 11h às 16h, e reuniu dez animais resgatados. A seleção dos novos tutores seguiu a política de avaliação da entidade, com aplicação de entrevista prévia e taxa de adoção de R$ 200 destinada ao custeio de tratamentos veterinários.

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Brahma lança campanha para a Festa do Peão de Barretos

A Brahma apresentou o filme da campanha Todas as Estradas Te Levam Pra Barretos, que marca a atuação da cervejaria na 71ª Festa do Peão de Barretos. Desenvolvida pela agência Africa Creative, a produção teve gravações em Senador Canedo (GO) e Goiânia (GO). A estratégia inclui veiculação em TV aberta, rádio e mídias digitais, além do lançamento de uma lata comemorativa em edição limitada. O vídeo promocional está disponível no canal da Brahma no YouTube.

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Mestre cervejeiro indica harmonizações gastronômicas de até R$ 25

O mestre cervejeiro Alexandre Esber, da Academia da Cerveja, apresentou sugestões de harmonização de pratos populares com diferentes estilos da bebida para o Dia da Cerveja, celebrado na sexta-feira (7). As propostas combinam opções de até R$ 25 com rótulos da Ambev. Entre as indicações estão salada de bacalhau com Skol Zero Zero, spaghetti cacio e pepe com Stella Artois Pure Gold, sanduíche caprese com Michelob Ultra e brigadeiro de panela com a cerveja Caracu. O guia visa demonstrar a acessibilidade de combinações gastronômicas simples.

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Zé Delivery oferece descontos de até 40% no Mês da Cerveja

O aplicativo Zé Delivery realiza promoções de até 40% de desconto em rótulos de cerveja durante o mês de agosto em comemoração ao Dia Internacional da Cerveja, celebrado na sexta-feira (7). As ofertas abrangem marcas como Stella Pure Gold Long Neck, Michelob Ultra Long Neck, Corona Cero Long Neck e Spaten, acompanhando o crescimento de 60% do segmento de bebidas sem álcool, sem glúten ou de baixa caloria no segundo trimestre do ano. A categoria de bebidas conhecidas como wellness representa cerca de 7% do volume comercializado pela plataforma, presente em mais de 850 municípios brasileiros.

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iFood registra venda de mais de 28 milhões de cervejas em 2026

A plataforma de entregas iFood registrou a comercialização de mais de 28 milhões de unidades de cerveja no Brasil no primeiro semestre de 2026, montante que representa alta superior a 100% nas verticais de Mercado e Bebidas & Conveniência em relação a igual período do ano passado. Os pedidos de opções zero álcool acusaram avanço de 38% de janeiro a junho, totalizando 730 mil unidades entregues no país. O levantamento apontou ainda que São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ) e Belo Horizonte (MG) lideram o consumo da bebida no aplicativo, com concentração de 56% das vendas nos fins de semana.

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Mamba Water Protein ganha prêmio de inovação em bebidas

A suplementação líquida Mamba Water Protein foi eleita Inovação do Ano na categoria Bebidas pela premiação (IN)Nova, promovida pela empresa de inteligência de mercado Scanntech. Comercializado em lata de alumínio, o produto integra o portfólio da marca Mamba Water dentro do ecossistema Heineken SPIN e contém 20 gramas de proteína de colágeno, BCAA, sem adição de açúcares, glúten ou lactose. A distribuição nacional da marca é feita pelo Grupo Heineken em canais físicos e plataformas digitais.

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Grupo Petrópolis renova embalagem da cerveja Itaipava Premium

O Grupo Petrópolis apresentou a nova identidade visual da Itaipava Premium, desenvolvida para reforçar a presença do rótulo no segmento de cervejas de alta gama e na gastronomia de botequim. A mudança da embalagem chega aos pontos de venda em agosto, mês em que se comemora o Dia Internacional da Cerveja, celebrado na sexta-feira (7). A bebida do estilo American Lager é produzida com lúpulos alemães e maturação prolongada em comparação ao portfólio tradicional da marca.

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Heineken lança nova fase da campanha Fãs Têm Mais Amigos

A cervejaria Heineken iniciou a nova fase da campanha Fãs Têm Mais Amigos na quinta-feira (6), com foco em eventos musicais e festivais de grande porte. O filme publicitário foi desenvolvido pela agência LePub Milão, com adaptação nacional assinada pela LePub São Paulo. A estratégia inclui a criação da Loudest Playlist no Spotify durante o Rock in Rio Brasil 2026, evento que marca 15 anos de patrocínio da marca ao festival de música.

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Bodebrown promove Growler Day de Dia dos Pais em Curitiba

A cervejaria Bodebrown realiza no sábado (8) o Growler Day do Dia dos Pais em Curitiba (PR), das 9h às 18h, na sede da fábrica no bairro Hauer. O evento presencial tem entrada gratuita e oferece 14 opções de chope nas torneiras, além de apresentações musicais das bandas Motormouse e King Nothing a partir das 14h. A programação conta com visita guiada pela linha de produção a R$ 65 por pessoa e arrecadação de alimentos não perecíveis destinados a entidades assistenciais parceiras.

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Artigo: Neste 7 de agosto, um brinde ao Brasil cervejeiro!

(*) Por Márcio Maciel, Gilberto Tarantino e Paulo De Tarso Petroni

Neste Dia Internacional da Cerveja, é importante ampliar o olhar a partir de uma perspectiva mais completa. Afinal, estamos falando de uma bebida milenar, presente na trajetória humana há 7 mil anos, e que exerce papel incomparável na convivência social e impacto relevante na economia, contribuindo com US$ 878 bilhões para o PIB global e empregando 33 milhões de pessoas mundo afora, segundo estudo da Oxford relativo a 2023.

No Brasil, é sinônimo inequívoco de encontro, diversidade, criatividade, inovação e trabalho. Poucos produtos representam de forma tão clara a conexão entre tradição e contemporaneidade. A cerveja está presente em momentos de celebração, de relaxamento e de convívio. Percorre uma vasta cadeia produtiva do campo ao copo: começa nos insumos como cevada e lúpulo, passa pela indústria e pela logística, movimenta o comércio, bares e restaurantes, e chega à mesa de milhões de brasileiros.

Somos o terceiro maior produtor mundial de cerveja, atrás apenas de duas potências globais — China e Estados Unidos — respondendo por 8% da produção global, segundo relatório recém-divulgado da BarthHaas. Trata-se de um setor com forte capilaridade econômica e regional: são 1.954 cervejarias em operação, distribuídas por 794 municípios, com presença em mais de 1,2 milhão de pontos de venda e atuação de Norte a Sul do país.

Essa presença se traduz em impacto concreto sobre a economia e o desenvolvimento. A cadeia cervejeira responde por cerca de 2% do PIB, gera 2,5 milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos e recolhe aproximadamente R$ 50 bilhões por ano em tributos. 

Os números superlativos não param por aí: no ano passado foram produzidos 15,6 bilhões de litros. São mais de 56 mil marcas e 44 mil produtos registrados, em uma demonstração inequívoca do dinamismo do nosso mercado e da imensa oferta de sabores, inclusive artesanais com frutas típicas brasileiras, ervas, especiarias, mel e café. 

Além disso, a despeito de tantos desafios que marcam o nosso país, a indústria cervejeira segue acreditando no Brasil, com investimentos que superam R$ 15 bilhões nos últimos três anos em novas fábricas e linhas de produção. Somos um país com líderes talentosos, que hoje comandam operações no exterior das maiores companhias globais de bebidas frias.  

Tudo isso se reflete em um portfólio cada vez mais diverso, que respeita escolhas individuais e amplia as ocasiões de consumo. O crescimento das cervejas sem álcool, de baixo teor alcoólico e sem glúten mostra que a moderação já está acontecendo na prática, impulsionada por inovação, tecnologia e novas preferências do consumidor. Além disso, as empresas do setor têm investido em comunicação responsável, campanhas educativas, rotulagem informativa e ações de conscientização em grandes eventos, integrando o consumo moderado à sua agenda ESG.

Celebrar a cerveja nesta data especial é também reconhecer o papel de uma cadeia produtiva que gera renda, inovação, empreendedorismo e encontros em todo o país, tirando as pessoas do isolamento social e das telas que consomem o nosso tempo. É valorizar uma bebida que faz parte da cultura brasileira e que simboliza a moderação. Em um país plural como o Brasil, a cerveja segue sendo, acima de tudo, um símbolo de convivência — e convivência, para ser positiva, precisa caminhar junto com responsabilidade, valor indissociável para a nossa indústria. Um brinde à cerveja brasileira!


(*) Márcio Maciel, Gilberto Tarantino e Paulo De Tarso Petroni são, respectivamente, presidente-executivo do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), presidente da Associação Brasileira da Cerveja Artesanal (Abracerva) e presidente da Associação Brasileira da Indústria Cervejeira (CervBrasil).


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

5 estilos de cerveja IPA para presentear no Dia dos Pais

As coincidências são muitas para serem ignoradas: a cerveja IPA tem tudo a ver com os pais aqui no Brasil. Duvida? Vamos aos fatos. O Dia dos Pais e o Dia Internacional da IPA ficam no mesmo mês no calendário: agosto. Além disso, as duas são datas móveis que ficam pertinho uma da outra: o primeiro é comemorado todo segundo domingo (dia 9 este ano); o segundo, na primeira quinta-feira (hoje, dia 6). Além disso, não sei se você já notou, a sigla IPA (India Pale Ale) e a palavra PAI têm as mesmas três letras. De uma para a outra é só descolar o “I” para o final. 

Dados todos esses acasos — poderíamos até chamar de destino! — nada mais justo do que indicar bons rótulos de cerveja IPA para agradar os pais na sua data especial e, de quebra, comemorar a efeméride cervejeira. 

Mas há um desafio. Pais são muito diferentes entre si. Felizmente, esse estilo de cerveja tem inúmeras variações, vamos dizer assim. O que é ótimo para agradar diferentes paladares e personalidades paternas.

Confira a seleção do Guia da Cerveja.

Pai tradicional — IPA sem álcool

Esse tipo de pai é responsável, chefe de família e não raramente também o motorista da vez. Estando na boleia ou tendo que trabalhar no dia seguinte sem ressaca, as cervejas sem álcool são ótimas opções para ter sempre à mão. E que bom que hoje há muito mais opções e com sabor muito melhor do que há anos. 

E justamente por isso, a IPA sem álcool não precisa ser consumida apenas como alternativa por conta de uma restrição, como dirigir. Pode ser uma opção não beber ou beber menos. Existe hoje uma tendência de moderação, que pode ser atingida também alternando entre cervejas com e sem álcool (técnica conhecida como zebra striping, que consiste em alternar entre cervejas com e sem álcool). Na prática, você diminui a quantidade de etanol aproximadamente pela metade. Outro fato interessante é que, sem o álcool, esse tipo de cerveja também tem quantidade de calorias reduzida, ótimo para manter a forma.

A indicação é a IPA Zero da cervejaria Campinas (SP), multipremiada em diversas competições na categoria sem álcool, como World Beer Awards, Brasil Beer Cup e Concurso Brasileiro de Cervejas.

Infelizmente, apesar de haver várias Pilsen sem álcool, os supermercados ainda não possuem muitas opções de cervejas de outros estilos nessa categoria.

Pai tranquilão — Session IPA

Esse tipo de pai é “de boa”, normalmente também é boa praça e conta com muitos amigos. Pode também ser uma versão de férias do pai tradicional, quando está com menos responsabilidades nos ombros. Ele gosta de uma cervejinha, mas não pode exagerar — precisa estar bem nos compromissos de família, cuidar das crianças e não ficar de ressaca no dia seguinte. Uma boa solução são as Session IPAs, versões desse estilo com no máximo 5% de álcool (as tradicionais podem chegar a 7,5%). Ou seja, dá para beber por mais tempo e aproveitar o evento com moderação.

Muitas cervejarias têm ótimos rótulos nesse estilo. A indicação é Reptilia, da cervejaria Unika, de Rancho Queimado (SC). Ela foi vencedora da medalha de ouro nessa categoria no Concurso Brasileiro de Cervejas este ano. Possui só 4%, corpo leve, amargor gentil e muito aroma de abacaxi, manga e maracujá. 

Apesar de estar disponível pela internet, pode ser difícil de achar em supermercados e fora do estado catarinense. Uma alternativa de distribuição mais ampla no comércio é a Goose Island Midway, marca da Ambev, com 4,1% e aromas cítricos.

Pai fitness — IPA low carb

Se o seu pai é assíduo na academia ou simplesmente gosta de cuidar da forma, os efeitos no corpo e a manutenção da performance são critérios importantes ao escolher a IPA do presente. As cervejas mencionadas anteriormente também cabem aqui, dependendo da situação. Um período de treino mais puxado pode combinar com uma IPA sem álcool ou momentos de descontração com uma Session IPA.

Mas há outra categoria interessante que pode ser explorada: low carb. Cervejas com baixo teor de carboidratos — aqueles que não foram convertidos em álcool durante a fermentação — reduzem significativamente a carga calórica da bebida.

Algumas delas unem funcionalidades e também são sem álcool. É o caso da IPA da Sim! Cerveja, marca de Campinas (SP) especializada em rótulos não alcoólicos. Ela tem apenas 4,6 gramas de carboidrato por 100 ml e 74 calorias por lata (350 ml), mantendo o amargor típico do estilo e os ricos aromas cítricos dos lúpulos. Além disso, também é medalhista no World Beer Awards.

Outras mantêm o álcool, mas usam um tratamento especial para deixar menos carboidratos no final. É o caso da Lagunitas DayTime, uma Session IPA do Grupo Heineken com 4%, aromas cítricos e só 98 kcal por lata de 350 ml.

Pai hipster — Hazy/Juicy IPA

Esse tipo de pai também é conhecido como pai descolado. Só toma café coado no Hario V60, anda de bike retrô e frequenta feiras orgânicas. Também usa tênis moderninho, conhece bandas novas antes dos filhos e aprecia um bom chope no final de semana.

Para quem é assim, a cerveja deve ser tão moderna quanto ele mesmo. A sugestão é o estilo Hazy ou Juicy IPA, também conhecido como New England IPA. Nesse tipo de cerveja, a maior parte do lúpulo é inserida nas fases tardias do processo, o que causa uma grande explosão de aromas e deixa a cerveja com amargor relativamente baixo. Na boca, a sensação é sedosa e cremosa, com sabor intenso e prolongado.

Um bom presente pode ser a Dogma Rizoma, uma das pioneiras desse estilo fabricadas no Brasil, ainda em 2016. Com 8,3%, leva 20 gramas por litro de lúpulos Citra e Mosaic, causando uma explosão de aroma e sabor de maracujá, manga, abacaxi, pêssego e limão.

Pai cozinheiro — English IPA

E também sempre há um pai cozinheiro. Se não é completamente chegado no fogão, é pelo menos um churrasqueiro orgulhoso. Ele sente prazer em ver as pessoas curtindo seus preparos e valoriza o mundo dos aromas e sabores como ninguém. E se há um estilo de cerveja IPA que tem boa entrada na gastronomia, é o English IPA.

Harmonizar alimentos com cervejas amargas é um desafio técnico. Depende de um fino equilíbrio com dulçor ou teor de gordura dos pratos, mas também de algum aspecto de semelhança que os ligue de alguma forma. E, em geral, as IPAs britânicas têm uma base de maltes mais rica e pronunciada, com notas tostadas, amendoadas e caramelizadas. Esse detalhe casa muito bem com tudo o que é grelhado, assado ou frito, gerando combinações em que não se sabe onde começa um e termina o outro.

Infelizmente, esse é um dos estilos de cerveja IPA mais difíceis de encontrar no Brasil — fazemos por aqui quase exclusivamente versões americanas. A Lovely Day, da Cervejaria Alright Brewing Co., ganhou medalha de ouro no Concurso Brasileiro da Cerveja desse ano justamente nessa categoria e é boa pedida. Com distribuição mais ampla, você pode encontrar a Fuller’s IPA, cerveja importada da tradicional cervejaria inglesa para o Brasil pela Boxer do Brasil.