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Entrevista: Brasil Brau 2026 amplia escopo, bate recorde de patrocínios e promete extensa grade de conteúdo

As expectativas para a Brasil Brau 2026 já estão nas alturas. A principal feira profissional da indústria cervejeira na América Latina, que será realizada esse ano de 9 a 11 de junho no São Paulo Expo, na capital paulista, já bateu o recorde de patrocínios meses antes da realização, superando em 270% a edição 2024. Trata-se de um evento de importância ímpar para qualquer profissional que quer se atualizar ou fazer negócios. 

A informação foi dada por Laura Harvey, gerente de projetos da GL Events responsável pelo evento, em entrevista exclusiva ao Guia da Cerveja. Com aumento de 40% na área de exposição, a expectativa da organização é reunir 160 marcas expositoras — mais de cem já estão confirmadas — e chegar a 15 mil profissionais presentes, um crescimento de 20%. 

Laura também contou que uma das maiores novidades do evento este ano é a ampliação do escopo, abrindo as portas para outras bebidas. Assim, a Brasil Brasu se alinha à uma tendência mundial do mercado cervejeiro, já presente em eventos internacionais. 

Além disso, o evento vai contar com uma grade de conteúdos extensa. Além da 19ª edição Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC), que este ano tem curadoria da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), haverá palestras e trocas de experiências na programação do CBCTrends e o CBCTalks.

Será um evento à altura da importância histórica da feira, que é a mais tradicional do país. O embrião da Brasil Brau nasceu ainda na década de 1980 em Curitiba (PR), em paralelo ao CBCTEC, ambos criados pela antiga Associação Brasileira dos Profissionais em Cerveja e Malte (Cobracem). Isso num contexto no qual não haviam escolas de cerveja e era necessário compartilhar o conhecimento e fazer networking para fazer a indústria crescer. A primeira edição com o nome Brasil Brau é realizada em 1990 em Blumenau (SC).

O credenciamento gratuito para profissionais do setor na feira já está aberto.

Confira a entrevista:

O que o público pode esperar da Brasil Brau 2026?

Uma edição inesquecível e cheia de novidades. A Brasil Brau deste ano promete vir ainda mais forte, reunindo inovação, experiências, conhecimento e o que há de mais atual no universo cervejeiro. A expectativa é de um ambiente vibrante, com muita troca de conhecimento, tendências do mercado, tecnologia e oportunidades de networking para os profissionais do setor. Sem falar nas experiências interativas, degustações especiais e conteúdos que vão inspirar tanto quem já é do setor quanto quem está começando a explorar esse mundo.

O objetivo da Brasil Brau é promover encontros e negócios na cadeia da cerveja. Com aumento de 40% na área de exposição e uma estimativa de 20% de crescimento de profissionais presentes, como anda a expectativa para isso esse ano?

Foram 160 milhões em negócios gerados na última edição nos três dias de evento e 310 milhões nos meses subsequentes, um recorde de todas as edições. Para 2026 a expectativa é ainda maior. Estamos construindo uma Brasil Brau histórica com diversas novidades em termos de conteúdo, exposição e principalmente no escopo do evento. A Brasil Brau vem em uma crescente constante e expressiva com sua realização acontecendo desde a década de 80 e a cada ano reunindo mais players do mercado durante os dias de evento, com o objetivo de levar conhecimento, gerar networking e converter as conexões em negócios para o segmento.

Mesmo ainda sem ter encerrado a compra de espaços, o que já é possível afirmar sobre o número de expositores e marcas participantes?

São mais de cem marcas já confirmadas e o grande recorde desde a primeira edição da Brasil Brau é no número de patrocinadores que temos esse ano. Estamos 270% acima do realizado em 2024 e já contamos com patrocínio da Heineken, Ruvolo, Fermentis, Agrária, Appinacle by AB Biotek, Novonesis, Consulado da República Tcheca, Fusion Filters e NKA Schiaveto, além dos demais parceiros estratégicos e institucionais, assim como os apoiadores de mídia.

Quais as principais novidades da Brasil Brau este ano? O que muda e o que se mantém das edições anteriores?

Temos duas novas áreas de conteúdo, o CBCTrends e o CBCTalks que dão voz para o mercado. O CBCTrends é um espaço dedicado à apresentação das tendências que estão moldando o presente e o futuro do segmento, enquanto o CBCTalks é um ambiente inspirador de trocas sobre inovação, criatividade, cases de sucesso, sustentabilidade, comportamento e muito mais.

Mas a grande novidade será a ampliação do escopo da Brasil Brau que a partir de 2026 irá incorporar todo o universo de bebidas. Enxergamos essa tendência no mercado com eventos internacionais como Brau Beviale, Craft Brewers Conference (CBC), dentre outros, e acreditamos que abrir este leque seja um movimento imporantíssimo para o setor. Nosso principal objetivo é trabalhar toda a cadeia da indústria de bebidas, com foco no crescimento e nas conexões dos players envolvidos em cada edição.

O Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC) chega à sua 19ª edição. E pela primeira vez a curadoria está sendo feita pela Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva)? Como está sendo essa parceria?

Programação de conteúdo da Brasil Brau 2026 será extensa, com CBCTEC e mais duas áreas de palestras e trocas de informações (Crédito: Divulgação / Brasil Brau)
Programação de conteúdo da Brasil Brau 2026 será extensa, com CBCTEC e mais duas áreas de palestras e trocas de informações (Crédito: Divulgação / Brasil Brau)

Muito positiva. A Abracerva sempre foi uma associação parceira e para esta edição potencializamos essa entrega entendendo a força e conexões da associação com o mercado. Hoje temos 90% da grade do CBCTEC completa com nomes extremamente relevantes para o segmento, tanto nacionais como internacionais.

Este ano será sua primeira edição à frente da Brasil Brau. Como está a expectativa para o evento? 

Altíssima. Como comentei, já é uma edição com um marco histórico em número de patrocinadores, o que nos permitiu investir no CBCTEC. Elevar o nível de conhecimento para o mercado trazendo nomes inéditos e pautas relevantes significa ser porta-voz nas tendências atuais e do futuro.

Além do CBCTEC, há o CBCTrends e o CBCTalks. Quais são seus destaques pessoais na programação dos três pivôs de conteúdo do evento?

Temos nomes como Bob Pease, Apiwe Nxusani-Mawela, Kyle Roderick, Rob Tod, Tin Kocijan, Laura Burns, dentre diversos outros internacionais e nacionais que colocaram os espaços de conteúdo como grande chamariz este ano [confira a programação completa e saiba como se inscrever].

Tarifas sobre alumínio viram gargalo para cervejarias nos Estados Unidos

As taxas impostas por Donald Trump a produtos importados nos Estados Unidos continuam gerando transtornos tanto para o comércio internacional como para os norte-americanos. Entraram em vigor na segunda-feira (6) as modificações feitas pelo presidente na Seção 232, que versa sobre as tarifas sobre alumínio, aço e cobre, assim como derivados. E, apesar da expectativa do mercado cervejeiro – já que essas taxas afetam diretamente as latas, barris e equipamentos de fabricação –, as modificações não trouxeram alívio para as cervejarias, o que deve manter os custos elevados, gerando um gargalo no setor.

Mesmo com a redução do percentual do valor cobrado de certos produtos, como tampas de alumínio – que saíram de 50% para 25% – e o maior esclarecimento sobre a aplicação das taxas, itens como chapas de alumínio, folhas de alumínio e recipientes se mantiveram no maior patamar.

Além disso, a Brewers Association (BA) também diz que a política pode gerar novas incertezas. “O governo pode adicionar produtos derivados à lista de tarifas a qualquer momento, incluindo recipientes metálicos, mesmo quando estes estiverem cheios de outras mercadorias. Isso significa que embalagens comumente usadas na distribuição de cerveja podem enfrentar novas tarifas no futuro”, diz a nota publicada pela entidade que representa as cervejarias artesanais norte-americanas.

Ainda de acordo com a BA, apesar da política ter sido concebida para fortalecer a produção nacional de metais, esses benefícios levarão tempo para se materializarem. “No curto prazo, o impacto geral para as cervejarias artesanais permanece claro: custos elevados de embalagens para latas e possivelmente barris, equipamentos caros (tanques e componentes da sala de brassagem) e volatilidade”.

Cervejas importadas vão pagar menos

Apesar disso, existem alguns elementos que podem beneficiar os importadores de cerveja. A cerveja importada agora está isenta das taxas da Seção 232. Portanto, os importadores não pagarão mais tarifas sobre alumínio das latas que chegam ao país.

Taxas mais baixas também se aplicam a produtos fabricados inteiramente com metais produzidos nos EUA, o que pode incentivar novos acordos e parcerias na cadeia de suprimentos.

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Guerra no Oriente Médio

As notícias também não são boas quando se olha para o mercado internacional. Os preços do alumínio atingiram, na última semana, o maior patamar em quatro anos, após o Irã atacar duas grandes fundições do metal no Oriente Médio. Ambas eram importantes fornecedoras dos Estados Unidos. O alumínio consta na lista de 60 minerais considerados críticos pelo governo americano.

Os Estados Unidos são o segundo maior produtor de cerveja do mundo. E têm o maior mercado de cervejas artesanais do planeta, com mais de 9 mil cervejarias. No entanto, as microcervejarias vêm sofrendo com um processo de maturação do mercado, com queda nos volumes de vendas nos últimos anos. Cerca de 13% do market share de cervejas dos EUA é das cervejarias artesanais.

Inflação da cerveja em março fica em 0,36%, abaixo do IPCA

Os preços da cerveja acumularam alta de 0,36% em março, percentual que ficou abaixo da inflação oficial do país, de 0,88%. Já os preços fora do domicílio avançaram 0,65%.

No acumulado de 12 meses – de março de 2025 a março de 2026 – a inflação da cerveja em domicílio ficou em 6,06%, e fora do domicílio fechou em 3,61%, enquanto o índice geral ficou em 4,14% no período.

Os dados fazem parte do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Eles foram divulgados nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em fevereiro, a inflação também foi de 0,36%.

Março (%)Acumulado em 12 meses (%)
IPCA Geral0,884,14
Alimentação e bebidas1,562,16
Alimentação no domicílio1,940,53
Cerveja0,366,06
Alimentação fora do domicílio0,616,54
Cerveja0,653,61
Fonte: IBGE

Segundo o IBGE, os preços de alimentos e bebidas são influenciados por vários fatores, tais como os efeitos sazonais, questões climáticas e os preços dos fretes na distribuição dos produtos aos mercados consumidores. No indicador geral, os preços de transportes impactaram na inflação de março, com avanço de 4,47% no subitem. A gasolina — que havia caído 0,61% em fevereiro — subiu 4,59% em março. Já o óleo diesel saltou de uma variação de 0,23% para 13,9%. O etanol subiu 0,93% e o gás veicular recuou 0,98%.

Na série acumulada nos últimos 12 meses, até março, o movimento é o mesmo observado na variação mensal, com tendência de estabilidade na série da cerveja consumida no domicílio e aceleração na série de índices da cerveja consumida fora do domicílio, segundo o IBGE.

Onde está mais barato beber cerveja?

A menor variação de preços da cerveja em março foi registrada em Salvador, com recuo de -0,71%. Em seguida vêm Goiânia (-0,47%), Belém (-0,36%) e Belo Horizonte (-0,33%), segundo os dados do IBGE.

A maior variação de preços foi no Rio de Janeiro, com alta de 1,9%. Em seguida vêm Campo Grande (1,84%), Fortaleza (1,57%) e Brasília (1,36%).

Inflação da cerveja nas capitais
Variação mensal (%)Variação acumulada em 12 meses (%)
Rio de Janeiro (RJ)1,99,2
Campo Grande (MS)1,849,09
Fortaleza (CE)1,579,05
Brasília (DF)1,365,4
Aracaju (SE)0,636,47
Grande Vitória (ES)0,4811,93
São Luís (MA)0,458,05
Recife (PE)0,437,2
São Paulo (SP)0,385,89
Brasil0,366,06
Curitiba (PR)0,316,94
Porto Alegre (RS)0,153
Belo Horizonte (MG)-0,334,64
Belém (PA)-0,365,45
Goiânia (GO)-0,476,07
Salvador (BA)-0,715,34
Fonte: IBGE

Produção industrial de bebidas em fevereiro

Os dados da Produção Industrial Mensal (PIM) apontam que, em fevereiro, a fabricação de bebidas alcoólicas teve avanço de 8,9% na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Bem acima do índice geral, que ficou em 0,9%, trazendo o segundo mês seguido de crescimento do setor.

No acumulado de 12 meses, o recuo foi de -2,9%. A indústria cervejeira representa quase 90% da produção industrial de bebidas alcoólicas. 

Fabricação de bebidas
Fevereiro*Acumulado em 12 meses**
Alcoólicas8,9-2,9
Não Alcoólicas3,31,3
*Em relação ao mesmo mês do ano anterior ; **Em relação ao período anterior de 12 meses. Fonte: IBGE

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Já as bebidas não alcoólicas tiveram avanço de 3,3% na fabricação em fevereiro, se comparado ao mesmo mês do ano anterior. No acumulado de 12 meses, a variação foi de 1,3%.

O IBGE divulga os dados da indústria com maior defasagem e ainda não publicou os números de março.

A força do turismo de experiência: unindo vocações para atrair o visitante

Coluna Ana Pampillón

Atualmente, o turista busca cada vez mais vivências inesquecíveis, tornando o esforço do empresário em inovar em termos de turismo de experiência algo fundamental. Uma das alternativas que temos visto é a valorização do território por meio da união de grandes vocações. Por exemplo: a cultura cervejeira pode ser aliada ao vinho, aos queijos, ao café e à cachaça.

Como assim? Degustações e harmonizações de cervejas podem acontecer dentro de uma queijaria e vice-versa. O mesmo se aplica a vinícolas, destilarias e cafeterias, que podem trocar experiências entre si. Dessa forma, um destino com tantas vertentes ganha mais visibilidade, procura e, principalmente, muitos motivos para o visitante retornar.

A exemplo da Rota Cervejeira do Rio de Janeiro — que começou na Região Serrana e hoje se estende por todo o estado —, foi dada a largada na Rota Queijeira da Serra do Rio. Essa união de forças é excelente para multiplicar as opções de turismo de experiência na região.

Turismo de experiência memorável

Outra atração que surgiu naturalmente foi a regionalização dos Conventions Bureau da Serra Verde Imperial. A partir dessa união, nasceu uma experiência maravilhosa: um voo de balão cativo (que sobe cerca de 60 metros, preso por cordas) dentro da área da Cervejaria Barão Bier, localizada no alto de uma montanha. A oportunidade de ver o nascer ou pôr do sol aliada à gastronomia local tem feito muito sucesso.

Em tempos em que vender apenas o produto não é uma tarefa fácil, a criatividade em formatar boas vivências tem sido a grande solução. A chave é criar algo único e memorável que combine as riquezas do território e ofereça ao turista uma vivência autêntica.

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Ana Cláudia Pampillón é turismóloga e sommelière de cervejas. Tem uma longa jornada de atuação no mercado turístico e cervejeiro do estado do Rio de Janeiro. Coordena há 10 anos a Rota Cervejeira RJ e também atua no mercado de lúpulo brasileiro, aproximando os produtores das cervejarias.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

Menu Degustação: Budweiser lança garrafas de alumínio da Copa

A Budweiser inicia na segunda-feira (13) a venda de uma edição limitada de garrafas de alumínio da Copa, em homenagem às edições mais icônicas do campeonato mundial. O lançamento celebra os 40 anos de parceria entre a marca da Ambev e a Fifa. No Brasil, estarão disponíveis seis designs diferentes, representando os mundiais de 1986, 1994, 2002, 2006, 2010 e o aquecimento para 2026.

A partir desta semana, os consumidores já podem adquirir o pacote com as seis artes exclusivas pelo Mercado Livre pelo valor de R$ 54,99. Em maio, as garrafas de alumínio de Budweiser também serão vendidas de forma avulsa pelo aplicativo Zé Delivery. A operação unitária custará R$ 7,99 e atenderá as cidades de São Paulo, Curitiba, Salvador, Recife e Fortaleza.

A campanha é acompanhada pelo filme global “The Big Drop”, produzido com auxílio de inteligência artificial. A peça publicitária utiliza a trilha “You’ll Never Walk Alone” para mostrar garrafas gigantes cruzando continentes até chegarem aos estádios. O objetivo da plataforma é conectar diferentes gerações de torcedores por meio da nostalgia e da expectativa para o próximo torneio.

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Ambev encerra inscrições para estágio

A Ambev recebe até segunda-feira (13) inscrições para o seu programa de estágio 2026. A companhia oferece 163 vagas distribuídas entre as áreas de Business e Supply em diversas regiões do Brasil. O processo seletivo busca estudantes de graduação e oferece mentoria com lideranças e participação em projetos reais. Interessados devem se candidatar pelo site da Ambev.

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Heineken inaugura casa de experiências em SP

O Grupo Heineken abre em maio a Heineken House, no Parque Villa-Lobos, sua primeira casa de experiências no país. O espaço gratuito terá programação de cultura, música e gastronomia, além de um coworking de acesso livre. O local também sediará um restaurante-escola em parceria com o Senac para qualificar jovens em vulnerabilidade. A iniciativa faz parte da estratégia de entretenimento e impacto social da marca na capital paulista.

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Concurso internacional de cerveja BBA tem nova coordenação

A 3ª edição do Brazilian International Beer Awards (BBA) terá a coordenação técnica de Anna Bettu, fundadora da German Beer Academy. O anúncio oficial foi feito durante o Congresso Técnico da Agrária Malte, em Guarapuava (PR), que aconteceu entre terça (7) e quinta-feira (9). Ela entra no lugar do sommelier de cervjas Doug Merlo, que deixa o cargo para se dedicar a projetos pessoais. O concurso será realizado de 2 a 5 de novembro, no Bahia Beer Festival, e já está com inscrições abertas. O evento busca consolidar o município baiano de Alagoinhas como referência no turismo cervejeiro.

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Cervejaria gaúcha elimina glúten de todo o portfólio

A Salva Craft Beer adotou tecnologia enzimática para eliminar o glúten de seus rótulos sem alterar as receitas originais. A mudança, implementada em 2025, tornou o portfólio da marca 100% isento da proteína. A empresa de Bom Retiro do Sul (RS) possui laboratório próprio para análise lote a lote e garantia da segurança alimentar. Em 2025, a cervejaria foi premiada no World Beer Awards, em Londres, com a melhor APA do mundo.

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Blue Moon leva ritual com laranja para SP-Arte

A Blue Moon, witbier do Grupo Heineken, participa da SP-Arte até domingo (12), no Pavilhão da Bienal, em São Paulo (SP). A marca reforça seu ritual de consumo com uma rodela de laranja para ressaltar as notas cítricas e especiarias da receita. Parceira do evento desde 2023, a cerveja busca consolidar sua conexão com o design e a sofisticação sensorial. Detalhes sobre ingressos estãono site oficial da exposição.

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Amstel ativa puro malte em prova no reality

A Amstel promoveu na sexta-feira (3) a Prova do Anjo no Big Brother Brasil 26, vencida pela participante Jordana. A disputa eliminatória utilizou ingredientes da cerveja, como água, malte e lúpulo, para reforçar os atributos de qualidade da marca. A dinâmica incluiu a exclusão do milho, grão não utilizado na fabricação da puro malte de Amsterdam. A ação faz parte da estratégia de expansão e conexão da cervejaria com o público nacional.

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Brasil Brau abre credenciamento gratuito

A Brasil Brau 2026, feira internacional de tecnologia cervejeira, iniciou o credenciamento gratuito para profissionais do setor na semana passada. O evento será realizado de 9 a 11 de junho, no São Paulo Expo, reunindo mais de 170 expositores nacionais e internacionais de equipamentos e insumos. A programação inclui o Congresso Brasileiro de Ciência e Tecnologia Cervejeira (CBCTEC) e áreas de debate sobre tendências de mercado.Informações adicionais estão no site brasilbrau.com.

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Paranaguá recebe festival de cerveja artesanal

O 3.º Festival da Cerveja Artesanal de Paranaguá ocorre neste fim de semana, de sexta (10) a domingo (12), na Praça de Eventos na cidade litorânea paranaense. O encontro reúne dez cervejarias da região e de cidades vizinhas, além de gastronomia e a Feira da Lua. Um dos destaques é a Frutopia Amburana, da Hespanha Brewery, eleita a melhor cerveja do Brasil em 2025. A programação musical conta com bandas de rock, reggae e covers durante os três dias de festa.

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Sexto Sentido lança Dry Stout com café e nitrogênio

A Cervejaria Sexto Sentido, de Piracicaba (SP), está lançando esta semana sua interpretação de Iris Dry Stout. Além dos maltes torrados típicos do estilo, que lembram café, ela leva uma pequena parte de malte que remete a chocolate e tem café de alta qualidade adicionado à receita – mantendo o DNA da marca. Além disso, é servida com nitrogênio nas torneiras, gerando o tradicional efeito cascata e trazendo cremosidade para a espuma. A Cascata Nitro, como foi batizada, tem 4,1% de álcool e já está disponível, podendo ser encontrada nos melhores pontos de venda parceiros da marca.

Feira Envase Brasil em Bento Gonçalves prevê alta de expositores

A Envase Brasil reunirá cerca de 140 marcas entre terça (14) e quinta-feira (16) de abril, no Parque de Eventos de Bento Gonçalves (RS). O número de expositores projeta um crescimento de 20% em relação à edição de 2024. Paralelamente, ocorre a 4ª Copa Sul-Americana de Cerveja, com julgamento técnico entre segunda (13) e quarta-feira (15). A premiação das melhores cervejarias do continente será realizada no último dia do evento. Detalhes da agenda estão no site oficial da feira.

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Heineken distribui ingressos para quem quebrar o algoritmo

A Heineken lançou na quarta-feira (8) a ação Dumb Ads para incentivar os consumidores a saírem de suas bolhas digitais. Criada pela LePub São Paulo, a campanha entregou anúncios com sugestões opostas ao perfil de navegação dos usuários. Quem aceitou o desafio e preencheu o cadastro concorreu a convites para eventos culturais. Ao todo, a marca distribuiu 420 ingressos para festivais como Afropunk, Rock the Mountain e Time Warp. A iniciativa busca promover encontros reais e experiências espontâneas fora das recomendações automáticas das redes sociais.

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Heineken traz taça da Champions League para o Brasil: saiba onde e como ver de perto o troféu

A Heineken, patrocinadora oficial da UEFA Champions League (UCL), trouxe a cobiçada taça do torneio para o Brasil como parte da Trophy Tour 2026 e da sua nova campanha global “Fãs têm mais amigos”. O troféu, que já passou pelo Rio de Janeiro (RJ) em um evento, fará breve parada em São Paulo (SP) e Porto Alegre (RS), oferecendo aos torcedores a chance de ver de perto um dos maiores símbolos do esporte mundial. Na capital gaúcha, também haverá a possibilidade de participar de um evento com transmissão ao vivo de um jogo do campeonato europeu.

A taça da Champions League é carregada de grande simbologia, representando a glória da competição e as conquistas dos clubes e jogadores mais poderosos do mundo. Guilherme Bailão, diretor de experiências e patrocínios do Grupo Heineken no Brasil, destaca em entrevista exclusiva ao Guia da Cerveja que a simples presença do troféu gera arrepios e forte emoção.

Chegada da taça em São Paulo foi celebrada com festa no Museu do Futebol (Crédito: Nicolas Calligaro / Divulgação)
Chegada da taça em São Paulo foi celebrada com festa no Museu do Futebol (Crédito: Nicolas Calligaro / Divulgação)

“Colocar a taça à disposição do fã, do cara que é fanático pelo seu clube, que acompanha a competição — que acontece muitas vezes durante o período do trabalho e ele dá um jeito de escapar e ali para assistir — vai ser, sem dúvida alguma, muito emocionante. Eu quero muito ver a reação das pessoas quando elas chegarem perto da taça”, diz Bailão. “É um elemento aí carregado de muita simbologia, muita paixão”, completa.

No entanto, a oportunidade de vê-la é limitada: a passagem pelo Brasil é rápida, ficando poucos dias em cada cidade antes de retornar para a grande final do torneio na Europa. “O tour da taça é organizado junto com a UCL. Essa taça percorre os principais mercados onde existem mais fans. Mas é correria, daqui a pouco tem a grande final já”, conta o diretor.

Para ver de perto

Na capital paulista, a chegada da taça ocorreu em evento para convidados na noite de quinta-feira (9) no salão Grande Área do Museu do Futebol, localizado abaixo das arquibancadas do Estádio do Pacaembu. Já os fãs poderão ver o troféu no sábado (11) e domingo (12) no mesmo ambiente, das 12h às 18h. Lá encontrarão uma instalação com a memorabilia de itens históricos que celebram o legado do torneio europeu e o grande troféu.

Para participar da experiência, basta comparecer ao local das 9h às 18h. A entrada está sujeita à lotação do espaço.

Em Porto Alegre, o foco principal será em um evento que promoverá a união dos torcedores para assistir aos jogos em clima de celebração. Na próxima quarta-feira (15), das 15h às 20h, o Parque Pontal sediará uma ação imersiva com a transmissão ao vivo das quartas de final em telão.

Público poderá ver a taça da UEFA Champions League em exposição em São Paulo ou no evento de Porto Alegre (Crédito: Nicolas Calligaro / Divulgação)
Público poderá ver a taça da UEFA Champions League em exposição em São Paulo ou no evento de Porto Alegre (Crédito: Nicolas Calligaro / Divulgação)

Durante a noite, além da exposição de memorabilia e de um show com o duo eletrônico DEPARTAMENTO, a taça será revelada de forma surpreendente ao público. A experiência será gratuita, mas os fãs que desejarem participar precisam resgatar seus ingressos previamente por meio do site Sympla.

Campanha mundial

A vinda da taça ao Brasil pela Trophy Tour 2026 faz parte da campanha “Fãs têm mais amigos”, que busca utilizar o esporte como um grande elo de conexão e amizade. A iniciativa reflete uma mudança de comportamento do consumidor, que busca cada vez mais vivenciar experiências coletivas fora de casa.

Segundo a Heineken, o objetivo principal do tour é transformar o simples ato de assistir a uma partida de futebol em uma oportunidade para que o público possa socializar, celebrar e estar mais próximo da competição de uma maneira palpável.

Serviço:

São Paulo (SP) – Exposição da Taça

  • Onde: Museu do Futebol (Praça Charles Miller, s/n)
  • Quando: sábado (11) e domingo (12), das 12h às 18h.
  • Ingressos: gratuitos

Porto Alegre (RS) – Evento UEFA Champions League Trophy Tour 2026

  • Onde: Parque Pontal (Av. Padre Cacique, 2893 – Cristal)
  • Quando: quarta-feira (15), das 15h às 20h
  • Ingressos: gratuitos, mas devem ser retirados com antecedência por meio da plataforma Sympla.

Heineken 0.0 realiza 1ª edição da Finish Line Run no Rio de Janeiro

A capital fluminense recebe, no próximo dia 19 de abril, a primeira edição da Finish Line Run, corrida de rua proprietária da Heineken 0.0. Após estrear em São Paulo em 2025, o evento chega ao Rio de Janeiro com um percurso de 5 quilômetros focado na experiência de bem-estar e na conexão entre os participantes. A largada e a chegada ocorrem na Praça Mauá, em frente ao Museu do Amanhã, a partir das 7h30.

As inscrições para a Finish Line Run são gratuitas e limitadas. O primeiro lote foi aberto na quinta-feira (9). A organização vai disponibilizar o segundo a partir do meio-dia desta sexta-feira (10) por meio do Hei App, o aplicativo oficial da marca. Para participar, o interessado deve ser maior de 18 anos, baixar o aplicativo, selecionar o banner do evento e resgatar o ingresso para gerar o QR Code de confirmação.

O trajeto inédito percorre pontos históricos da região central e portuária do Rio, como a Orla Prefeito Luiz Paulo Conde, a Avenida Venezuela e a Rua do Acre. Diferente de competições tradicionais focadas apenas em performance, a Finish Line Run propõe ativações ao longo do percurso para estimular a interação entre os corredores. “Nosso objetivo é transformar a linha de chegada em um ponto de encontro e celebração”, afirma Bruna Rosato, gerente de marketing da Heineken 0.0 no Brasil.

Ecossistema digital e o Finish Line Run e Club

A estratégia da marca no território da corrida se expande para o ambiente digital com o lançamento do Finish Line Club. Em parceria com o aplicativo Strava, a iniciativa cria uma comunidade na qual as rotas de treino terminam em bares e cafés, incentivando o brinde pós-exercício. A plataforma oferece conteúdos exclusivos, desafios e recompensas, reforçando o ritual de socialização que é marca registrada da cerveja zero álcool.

O clube já está ativo e pode ser acessado por qualquer usuário do Strava. Segundo Yan Prado, diretor-executivo de criação da LePub, a agência responsável pela iniciativa, o foco do projeto é ressignificar o esforço físico como um catalisador de encontros presenciais, conectando o desempenho esportivo ao lifestyle equilibrado da marca.

Retirada de Kits e Premiação

Os corredores inscritos deverão retirar o kit oficial no dia 18 de abril, das 10h às 17h, no espaço Nosso Parque, localizado no Parque dos Patins, na Lagoa. O kit contém uma camiseta oficial da prova, número de peito, ecobag de algodão e uma unidade de Heineken 0.0. No dia da prova, a concentração começa às 6h30, com premiação prevista para as 8h30.

Casa de experiências em São Paulo

Além da expansão da Finish Line Run para o Rio de Janeiro, o Grupo HEINEKEN anunciou a abertura da Heineken House para maio de 2026, em São Paulo. Localizada no Parque Villa-Lobos, a primeira casa de experiências da companhia no país funcionará como um hub gratuito de cultura, entretenimento e lazer. O espaço contará com áreas de gastronomia, música e um coworking de acesso livre, com ambientes inspirados nas marcas do portfólio do grupo.

O local também será a sede da Casa do Futuro – Restaurante Escola Instituto Heineken. Em parceria com o SENAC, a iniciativa oferecerá formação profissional gratuita para jovens em situação de vulnerabilidade social, focando na capacitação para o setor de bares e restaurantes. A companhia deve dar mais informações sobre a data oficial de inauguração e a agenda completa de atrações em breve.

Serviço

  • Finish Line Run Rio de Janeiro
  • Data da prova: 19 de abril (domingo)
  • Horário: Concentração às 6h30 | Largada às 7h30
  • Local: Praça Mauá, 1 – Centro (em frente ao Museu do Amanhã)
  • Inscrições: gratuitas pelo Hei App (disponível para Android e iOS)
  • Datas das inscrições: Lote 1 (9/04 às 12h) | Lote 2 (10/04 às 12h)
  • Retirada de Kit: 18 de abril (sábado), das 10h às 17h, no Parque dos Patins (Av. Borges de Medeiros, 1518 – Lagoa)
  • Como entrar no clube: Acesse o Strava e busque por “Finish Line Club” para aderir à comunidade e participar dos desafios.

Cerveja sem álcool tem álcool? Respondemos às principais dúvidas sobre o produto

O mercado de cervejas sem álcool cresceu 538% em 2024, segundo o Anuário da Cerveja 2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O Brasil já é o segundo maior consuidor do mundo. Um aumento tão grande e tão rápido faz com que um produto relativamente novo chegue aos consumidores em velocidade redorde, o que pode gerar muitas dúvidas. Nos buscadores da internet, perguntas como “cerveja sem álcool, tem álcool?” são repetidas à exaustão. E o número de respostas incorretas também é enorme.

Apesar desse tipo de produto não ser exatamente uma novidade, as tecnologias pelas quais ele é obtido se diversificaram. A legislação também foi atualizada recentemente, o que pode gerar ainda mais confusão. E há ainda um crescente número de termos específicos relacionados à atual onda de saudabilidade que o brasileiro está vivendo: cervejas zero, desalcolização, sem glúten, sem açúcar, low carb, etc.

Pensando em ajudar você a navegar nesse novo mundo, o Guia da Cerveja foi atrás das respostas às principais dúvidas manifestadas na internet sobre cervejas sem álcool e zero álcool. Assim, você vai poder curtir elas de forma muito mais informada e consciente do que está consumindo.

Cerveja sem álcool tem álcool?

A cerveja é obtida a partir do amido presente nos grãos, um tipo de carboidrato que é quebrado em açúcares menores no processo de fabricação e depois fermentado pelas leveduras. É justamente na fermentação que esses açúcares são consumidos pelo micro-organismo, que libera álcool.

Existem hoje vários métodos para fazer uma cerveja sem álcool. O mais tradicional é a fermentação interrompida, estratégia na qual os cervejeiros interrompem a atividade das leveduras já nas primeiras horas, antes delas consumirem muitos açúcares, gerando quantidades muito pequenas de álcool.

Na legislação brasileira, existem hoje duas categorias desse tipo de produto. A primeira, chamada simplesmente de “cerveja sem álcool”, é definida como aquela que deve conter, no máximo, 0,5% de álcool. Isso é dez vezes menos que uma cerveja regular com teor alcoólico de 5%.

Ou seja, apesar de ser uma quantidade muito pequena, esse tipo de produto ainda pode ter, sim, algum álcool residual da fermentação da bebida. A quantidade varia de marca para marca.

Cerveja zero tem álcool?

Essa é a segunda categoria de cerveja sem álcool da lei brasileira. Para ser chamada de “cerveja zero”, “zero álcool”, “zero % álcool”, “0,0%”, a bebida tem que ter no máximo 0,05%, uma quantidade ínfima (cem vezes menor que uma cerveja regular). 

Ou seja, se for classificada como zero, a cerveja tem quantidade de álcool realmente muito pequena, quase insignificante.

Esse tipo de produto é normalmente feito por meio de técnicas mais modernas, como osmose reversa ou destilação a vácuo  (também conhecida como destilação a frio). Nesse último método, a cerveja é produzida normalmente. Depois, é colocada em câmaras de vácuo e aquecida gentilmente. Sem pressão, o álcool evapora em uma temperatura muito menor (30 °C a 40 °C), sendo posteriormente condensado e retirado como numa destilação.

O resultado é uma cerveja com uma quantidade irrisória de álcool residual. O Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) lançou recentemente um site especialmente sobre a cerveja zero.

Cerveja sem álcool acusa no bafômetro?

A resposta é um grande “depende”!

Estudos mostram que, em média, uma pessoa metaboliza uma lata de cerveja de 350 ml em uma ou duas horas. Como uma cerveja sem álcool (até 0,5%) tem dez vezes menos álcool que a média de uma comum, podemos estimar que uma lata seria processada em aproximadamente um décimo do tempo. Ou seja, 6 a 12 minutos.

Ou seja, dá para dizer que há uma segurança relativa, já que o álcool estaria sendo processado à medida que se consome o produto. Bastaria não soprar o bafômetro logo após o consumo e não beber mais que uma cerveja a cada 12 minutos.

No entanto, há muitos fatores que podem mudar essa conta: a quantidade que foi ingerida, em quanto tempo, a taxa de absorção e metabolização do álcool no organismo — que ainda  podem variar muito conforme sexo (mulheres metabolizam o álcool de forma diferente de homens), peso, tamanho, constituição corporal, condições de saúde e até se houve ou não algum tipo de alimentação antes ou durante o ato de beber. 

E isso só determinaria a concentração de álcool no sangue. Além disso, seria preciso correlacionar essa quantidade com o que é medido no bafômetro, que é a quantidade de álcool exalado no ar pelos pulmões.

Por isso, não é possível afirmar com precisão.

Cerveja zero acusa no bafômetro?

Usando o mesmo raciocínio e as advertências acima, como uma cerveja zero tem cem vezes menos álcool, seria preciso entre 30 segundos e um minuto e 15 segundos para que o organismo metabolize uma lata de cerveja. Uma margem mais segura que a demonstrada acima. 

Cerveja sem álcool tem açúcar?

A base da cerveja são “açúcares”, que são fermentados pelas leveduras. No entanto, em geral, esse micro-organismo não consome todo o material e podem sobrar diferentes tipos de açúcares ou carboidratos no final do processo de fabricação. Os métodos de produção de cerveja sem álcool não modificam isso.

E tem calorias?

As calorias da cerveja vêm basicamente de dois componentes diferentes: dos “açúcares” que sobram após a fermentação ou do álcool. Cada carboidrato se converte no nosso organismo em 4 quilocalorias. Já o álcool tem densidade energética mais alta, fornecendo 7 quilocalorias por grama.

Portanto, esse tipo de bebida não tem justamente a parte mais calórica de uma cerveja convencional. Mas mantém as calorias dos carboidratos, fazendo dela, em geral, uma bebida de baixa caloria.

Cerveja sem álcool engorda?

Já vimos acima que, como ela não tem álcool, tem menos calorias. Mas sobram alguns carboidratos residuais. Apesar de ser muito menos calórica do que cervejas convencionais, a questão de engordar ou não depende também de quantos carboidratos há no produto escolhido e da quantidade consumida.

Uma cerveja convencional tem cerca de 140 quilocalorias numa lata de 350 ml. O mesmo volume de uma sem álcool pode variar entre 40 e 70 quilocalorias (confira o infográfico com a quantidade de algumas das principais marcas).

Para chegar à quantidade calórica de uma cerveja regular, você teria que beber duas latas de 70 ou três unidades de 40 calorias.

Faz mal?

Pelo contrário. O maior risco relacionado ao consumo exagerado de cerveja é o excesso de absorção de álcool. Sem ele, os potenciais malefícios à saúde são muito menores. De qualquer forma, para quem tem comorbidades de saúde, a recomendação é sempre consultar um médico para analisar caso a caso. Lembrando que toda a bebida alcoólica deve ser bebida com moderação.

Imposto Seletivo: diferenciação por teor alcoólico é prática mundial

Com a aproximação do debate no Congresso do projeto de lei que vai regulamentar o Imposto Seletivo no Brasil — novo tributo extrafiscal criado pela Reforma Tributária que busca desestimular o consumo de produtos considerados pelos legisladores como nocivos à saúde ou ao meio ambiente —, a discussão sobre a tributação de bebidas alcoólicas também cresce. No entanto, a observação das políticas fiscais adotadas ao redor do mundo oferece um caminho claro sobre as melhores práticas. No cenário internacional, a adoção de impostos proporcionais ao teor alcoólico da bebida consolidou-se como a abordagem recomendada e eficiente por economistas e autoridades de saúde. 

Esse modelo estabelece a premissa direta de que bebidas com maior concentração de álcool devem ter carga tributária maior, enquanto as de menor teor alcoólico, como as cervejas, precisam ser taxadas de forma mais branda.

Benefícios à economia

Os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que a vasta maioria dos países aplica impostos seletivos sobre o álcool. A entidade defende historicamente que desenhar essas taxas com foco no volume de álcool puro contido na embalagem é uma das ferramentas mais eficazes para mitigar os danos à saúde pública. 

Essa mesma visão é compartilhada e detalhada de forma econômica pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Em notas técnicas e diretrizes para os países-membros, o FMI argumenta que o imposto específico baseado na quantidade de álcool puro corrige de maneira muito mais precisa as chamadas externalidades negativas — os custos sociais, médicos e de segurança pública gerados pelo consumo abusivo. 

Tributação sobre álcool por volume

Para a indústria cervejeira, sejam as grandes fabricantes ou as artesanais, esse entendimento global é fundamental. Um artigo focado em políticas fiscais publicado pela Tax Foundation defende categoricamente que tributar as bebidas com base no “Álcool por Volume” (ABV) é o formato mais lógico e justo. 

Segundo o centro de estudos, os custos sociais do álcool derivam do consumo da substância em si, e não do valor agregado do produto, da marca ou do volume de líquido (água) na garrafa. Sendo assim, um imposto atrelado unicamente ao preço final da bebida (ad valorem) falha ao punir consumidores de cervejas artesanais ou premium de baixo teor alcoólico, enquanto alivia o peso sobre destilados baratos e altamente inebriantes. 

No Reino Unido, Austrália e Suécia

Na prática, diversas grandes economias já operam sob essa lógica. No Reino Unido, por exemplo, uma reforma implementada em 2023 passou a tributar as bebidas estritamente com base no teor alcoólico (ABV), o que encareceu os destilados pesados e, em contrapartida, criou alíquotas reduzidas para cervejas mais leves. Bebidas com teor alcoólico abaixo de 3,5% têm taxas reduzidas, enquanto aquelas acima de 8,5% são mais tributadas.

Há também uma redução na taxa para draft beer (cervejas servidas em torneiras por meio de pressão de gás, como o nosso chope) e Real Ales servidas nos pubs visando apoiar a hospitalidade. Essa redução por critério especial do imposto do álcool é semelhante ao que propõe a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) no Brasil pelo tamanho da produção da cervejaria.

Já na Austrália, o modelo fiscal é desenhado para desestimular a embriaguez rápida: os destilados enfrentam algumas das maiores taxas do mundo, enquanto as cervejas se beneficiam de um escalonamento onde rótulos de baixo, médio e alto teor alcoólico possuem encargos diferentes, incentivando as cervejarias a produzirem formulações mais brandas. 

Outro caso emblemático de política de saúde pública unida à tributação é o da Suécia, que aplica um imposto estritamente proporcional ao volume de etanol da garrafa, resultando em uma carga tributária alta para bebidas quentes e muito mais acessível para as cervejas, direcionando o consumo nacional para escolhas de menor risco. Alemanha, República Checa e até a China também operam com sistemas que diferenciam o teor alcoólico.

O risco de criar distorções

A importância de estruturar bem esses impostos é validada pela ciência. Uma extensa análise sobre as estruturas globais de tributação do álcool, disponível na National Library of Medicine (NIH), demonstra que mercados que falham em diferenciar o teor alcoólico acabam criando distorções prejudiciais. 

O estudo aponta que, em sistemas engessados ou baseados apenas no volume de bebida, os destilados ganham uma vantagem competitiva artificial que estimula o consumo de opções de maior risco em detrimento das bebidas fermentadas.

Apesar de o modelo de diferenciação por ABV ser reconhecido como a melhor prática, instituições globais alertam que a calibragem desses valores ainda é um desafio. A lógica, no entanto, permanece a mesma: qualquer aumento deve seguir a proporção da graduação alcoólica para ser efetivo.

Debate sobre Imposto Seletivo no Brasil

Observar o mercado externo deixa uma lição valiosa para o setor no Brasil, especialmente no atual cenário de regulamentação da Reforma Tributária. Com a iminente implementação do Imposto Seletivo (IS) — o chamado “Imposto do Pecado” —, a calibragem das alíquotas tornou-se o centro das discussões no Congresso Nacional. 

Isso porque a lei da Reforma (Emenda Constitucional 132/2023) define apenas que a alíquota “pode” ser feita por diferenciação de teor alcoólico, mas não garante a adoção desse modelo. A palavra final será dada pela Lei Complementar que deve ser enviada em breve pelo Executivo ao Congresso.

Entidades representativas, como a Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) e o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv), vêm atuando para garantir que a lei respeite a diretriz de taxar as bebidas de forma progressiva pelo teor alcoólico. 

Um levantamento feito pelo Guia da Cerveja em 2024 mostrou que 77% das cervejarias já apontam a carga tributária como o principal obstáculo para o negócio, e falhar na diferenciação entre cervejas (incluindo as de baixo teor) e destilados pesados asfixiaria ainda mais as pequenas e médias fábricas. 

A adoção de impostos progressivos de acordo com o ABV faz os países estabelecerem um padrão que incentiva a moderação, promovendo um ambiente de negócios muito mais racional.

O paradoxo da cerveja no Irã: da tradição milenar à proibição do álcool

Foi num jarro do sítio arqueológico de Godin Tepe, no vale de Kangavar, oeste do atual Irã, que arqueólogos encontraram na década de 1990 os primeiros vestígios químicos de uma cerveja da antiguidade. E a bebida tinha mais de 5,5 mil anos de idade. Essa nação, reconhecida como um dos berços ancestrais da bebida mais popular do planeta, vivencia hoje um paradoxo interessante. Desde a Revolução Islâmica de 1979, o álcool foi varrido das prateleiras, dando lugar a uma indústria pulsante, mas estritamente sem álcool. 

Com a guerra entre Estados Unidos e Israel com o Irã, o mundo voltou seus olhos para o Oriente Médio mais uma vez. E um mergulho na cultura cervejeira iraniana pode ajudar a entender um pouco melhor a história daquele país bem como descobrir como uma tradição milenar se adaptou a leis teocráticas, trocando o teor alcoólico por sabores locais.

A famosa pedra cervejeira

Entre as décadas de 1960 e 1970, uma equipe liderada por T. Cuyler Young Jr., do Royal Ontario Museum, escavou o sítio de Godin Tepe. O local era um importante posto comercial na Cordilheira de Zagros, conectando as planícies da Mesopotâmia ao planalto iraniano. As descobertas foram muitas e um volume extenso de material foi coletado para análises posteriores.

Devido à complexidade do trabalho laboratorial, foi somente na década de 1990 que a arqueóloga Virginia Badler identificou algo curioso. Ao analisar fragmentos de cerâmica recuperados, notou ranhuras profundas no interior de um jarro. Dentro delas, havia um resíduo amarelado e pálido que parecia “estranho” para um recipiente comum.

Badler enviou amostras para o Dr. Patrick McGovern, um pioneiro na “arqueologia molecular”. Usando técnicas avançadas de análise química, eles identificaram material popularmente chamado de “pedra cervejeira”, que funciona como uma impressão digital química da bebida. Trata-se de um composto que se forma a partir da mostura, do “cozimento” do malte com água e normalmente se deposita no fundo das tinas.

Até então, era sabido que os sumérios, uma antiga civilização mesopotâmica, bebiam cerveja por causa de tabuletas de argila com pictogramas e escrita cuneiforme. No entanto, não havia evidência física do líquido. 

Argo Factory, centro de arte contemporânea em Teerã (Crédito: Reprodução / Site oficial da Pejman Foundation)
Argo Factory, centro de arte contemporânea em Teerã (Crédito: Reprodução / Site oficial da Pejman Foundation)

No mesmo local, a equipe de McGovern também encontrou potes com resíduos de ácido tartárico, o que prova a existência de vinho. Ou seja, tanto a bebida de uva quanto a cerveja de cevada já eram produzidas na região por volta de 3.500 a.C. A descoberta foi publicada num artigo científico na revista Nature em 1992.

Atualmente, as descobertas mais antigas sobre cerveja são restos de amido fermentado encontrados em escavações na Caverna de Raqefet, em Israel, datando de cerca de 13 mil anos, associados à cultura natufiana.

Cerveja no Irã hoje

A produção de cerveja com álcool é ilegal no Irã desde a Revolução Islâmica de 1979. No entanto, o país possui uma forte indústria de cervejas sem álcool, com marcas populares como Istak e Delster. Vendidas sob o rótulo de bebidas de malte, elas oferecem um paladar que vai do estilo Lager tradicional a combinações exóticas inspiradas na agricultura local, como tâmaras e maçãs-verdes.

Mas nem sempre foi assim. Antes da Revolução, no regime do Xá Mohammad Reza Pahlavi, que governava desde 1941, o álcool era permitido e várias cervejarias abasteciam o país. A mais famosa era a Argo, de Teerã, construída no início da década de 1920, sendo considerada uma das primeiras do país.

Ela fechou pouco antes da mudança de regime por questões operacionais e ambientais. Recentemente, o edifício histórico foi reformado, mantendo suas características industriais, e tornou-se a Argo Factory, um importante centro de arte contemporânea na capital.

Embora o consumo público seja proibido, existe um mercado informal de bebidas alcoólicas. Além disso, minorias não muçulmanas oficialmente reconhecidas (como cristãos armênios, judeus e zoroastrianos) têm permissão legal para produzir e consumir bebidas alcoólicas de forma privada, para uso pessoal e ritos religiosos, conforme garantido pela constituição iraniana.