Pode-se dizer que o Radler é um drink feito com cerveja. Uma mistura meio a meio, em geral, de cerveja (o estilo varia) e suco de laranja ou limão. É muito refrescante e o teor alcoólico cai pela metade. Mas nesse caso há uma diluição do sabor da cerveja. Para resolver esse problema — e pegar carona na tendência de moderação no consumo de álcool — a Sierra Nevada lançou na segunda quinzena de agosto nos Estados Unidos três novos sabores da Shred, uma “beer soda”, segundo a própria cervejaria, sediada em Chico, na Califórnia. Ou, em bom português, uma “cerveja-refrigerante”.
Com sabor de toranja (grapefruit), a primeira Shred foi lançada em junho deste ano exclusivamente nas lojas da Sierra Nevada em Chico, na Califórnia, e Mills River, na Carolina do Norte. A marca agora expande a linha e a distribuição, com os sabores limão-siciliano, laranja e limão com gengibre, além de uma caixa de 12 latas variadas.
Mas não se engane pelo nome da “categoria” do produto. É realmente uma cerveja, que tem 4,5% de álcool e é feita apenas com as quatro matérias-primas básicas: malte, lúpulo, água e levedura. Não leva refrigerante na receita. Ou seja, aqui no Brasil, seria até considerada uma cerveja puro malte.
A diferença é que se trata de uma cerveja altamente carbonatada (com muito gás carbônico) e de um sabor cítrico adocicado, fazendo com que pareça um refrigerante. Segundo a própria Sierra Nevada, essa experiência semelhante ao produto não alcoólico é que acaba trazendo o nome de “cerveja-refrigerante” à tona.
“Não, nada de refrigerante. O nome vem da experiência de degustação semelhante à de um refrigerante, bem diferente da cerveja tradicional. Como a maioria das cervejas, a Shred contém apenas água, malte, lúpulo e levedura, além de um toque cítrico”, explica o blog oficial da cervejaria.
Como é feita a “cerveja-refrigerante” da Sierra Nevada
Mas como é possível fazer um produto assim sem diluir com um suco, como no caso do Radler, e com pleno sabor da cerveja? Uma resposta fácil seria: com saborizantes, como extratos e essências. Mas a tecnologia da Shred vai um pouco além disso. Ela usa um tipo de levedura especial.
“Graças a alguns testes minuciosos realizados pela nossa equipe de Inovação na cervejaria, descobrimos que, quando essa levedura é combinada com o açúcar certo, podemos criar uma cerveja com carbonatação semelhante à de refrigerante e um sabor mais vibrante e adocicado do que as cervejas tradicionais. Adicione um toque cítrico e pronto — você tem a Shred”, descreve o blog oficial.
Acompanhando as tendências
A Sierra Nevada é uma das cervejarias norte-americanas que estão apostando em linhas de produtos diferentes da cerveja convencional. Algumas delas escolheram bebidas prontas para beber (RTDs, na sigla em inglês), outras optaram por cervejas fora do convencional, como a Shred. No caso da empresa californiana, esses produtos são marcados com a etiqueta “Crafted By Sierra Nevada”. E refletem a resposta da empresa aos novos caminhos do mercado.
Tanto os Estados Unidos quanto o Brasil vivem uma tendência de moderação ou de, pelo menos, um maior controle sobre o consumo de álcool. Um dos reflexos disso na indústria é a explosão de cervejas sem álcool, além do consumo do tipo “listra de zebra”, alternando cervejas alcoólicas e não alcoólicas.
No exterior, bebidas de baixo teor alcoólico têm crescido. E essa categoria já começa a dar sinais aqui no Brasil também. Apesar de não se encaixar nos termos da legislação brasileira como uma cerveja de baixo teor alcoólico (entre 0,5% e 2%), o lançamento da nova Heineken Ultimate pode ser considerado um passo em direção a isso. Com 3,5%, o produto tem 30% menos álcool que a versão regular da Heineken (5%), além de 30% menos calorias.
Os drinks de cerveja com sucos ou refrigerantes não são muito comuns no Brasil, mas Radlers, Shandys e outras misturas também têm crescido na Europa, segundo o site The Drinks Business. “Radler” em alemão significa ciclista. A origem do nome se dá porque teria sido servido inicialmente nos bares próximos às trilhas dos Alpes da região de Munique, no Sul da Alemanha, um passeio tradicionalmente feito de bicicleta pelos alemães. Há histórias que dizem que, num dia quente, teria faltado cerveja em um desses estabelecimentos, que misturou suco de laranja na bebida para fazer render o estoque.
Independentemente do tipo de tradição ou tendência vinculada, o exemplo da Sierra Nevada abre novas possibilidades para a indústria cervejeira se inspirar e, quem sabe, lançar produtos parecidos. Essas novas possibilidades podem atender os mesmos clientes em novas situações de consumo ou trazer um público diferente para o setor.
Nesta segunda-feira, 31 de agosto, chega ao fim o que muitos consideram o Mês da Cerveja. Agosto concentra algumas das principais datas comemorativas do setor. O Dia Internacional da IPA acontece na primeira quinta-feira e surgiu pela internet em 2011, como uma forma de dar visibilidade ao estilo com a hashtag #ipaday. Ele é seguido pelo Dia Internacional da Cerveja, na primeira sexta-feira, que tem uma história um pouco maior. Aconteceu pela primeira vez em 2007, organizado por um grupo de amigos em um bar em Santa Cruz, na Califórnia, nos Estados Unidos. Hoje, gera brindes em centenas de cidades de diversos países de todos os continentes. Entre os objetivos de ambos está a promoção do mercado da cerveja. E nada melhor para isso do que informação.
Qual o tamanho da cerveja no mundo hoje, quanto é fabricado, quem são os maiores países e empresas produtoras? E o Brasil, como se encaixa em tudo isso? Há uma certa dificuldade em conseguir números do setor. Muitas pesquisas e relatórios são fechados. Mas existem alguns poucos de acesso livre, como o Anuário da Cerveja, do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), no Brasil, e o BarthHaas Report e Kirin Global Beer Consumption Report, mundiais.
Mercado da cerveja
Para responder a essas e outras perguntas, o Guia da Cerveja resolveu, então, criar esse retrato da cerveja, que também serve para orientar quem tem interesse no mercado da cerveja de alguma forma. Um material útil, do tipo para “guardar o link”, salvar nos favoritos, concentrando o melhor desses três levantamentos. Os dois primeiros já têm edição com o ano-base de 2025. Já o da Kirin refere-se ainda ao ano de 2024.
O infográfico abaixo mostra, por exemplo, que a produção mundial de cerveja segue relativamente estável há treze anos; o Brasil é o 3º maior produtor e também o 3º maior consumidor do planeta, e o país bateu recorde de cervejarias registradas — mesmo com o volume total produzido em queda.
Role para ver: o mundo, o ranking de países e de cervejarias globais, o Brasil por dentro — regiões, produtos, comércio exterior — e as tendências que estão abrindo espaço no setor.
Fechamento do mês da cerveja · agosto 2026
Mercado da cerveja 2025: o retrato do Brasil e do mundo, em números
1.896 mi hL
produção mundial — estável há 13 anos
3º
maior produtor e maior consumidor do mundo: o Brasil
1.954
cervejarias no Brasil — recorde histórico
+417,7%
crescimento da cerveja sem glúten no Brasil em 1 ano
01 — O mundo
Uma década de estabilidade no mercado da cerveja
Produção mundial, 2013–2025
Milhões de hectolitros por ano
Faixa de variação: 1,80 a 1,97 bilhão de hL — sem tendência clara de alta ou queda. Único desvio real: 2020 (pandemia). Em 2025, só a África cresceu entre os continentes (+2,6%); Europa, América e Ásia recuaram. Fonte: BarthHaas Report 2025/26.
02 — Zoom em 2025
Os 10 maiores países produtores
Produção 2025 — milhões de hectolitros
Brasil é o 3º maior produtor do mundo
China
353,6
Estados Unidos
174,9
Brasil
151,1
México
147,9
Rússia
90,1
Alemanha
79,2
Vietnã
43,5
Japão
43,2
Espanha
41,1
Reino Unido
38,9
Reino Unido entrou no top 10 pela 1ª vez em 2025, ultrapassando a África do Sul. Fonte: BarthHaas Report 2025/26.
02 — Zoom em 2025
As cervejarias globais que atuam no Brasil
Produção mundial do grupo (2025)
Das 40 maiores cervejarias do mundo, só 3 têm operação no mercado da cerveja do Brasil — % é a fatia de cada grupo na produção mundial
AB InBev (dona da Ambev)
484,2 mi hL · 25,5%
Heineken (Heineken Brasil)
235,7 mi hL · 12,4%
Grupo Petrópolis
17,8 mi hL · 0,9%
⚠ O número é a produção mundial do grupo inteiro, não só a operação no Brasil. Grupo Petrópolis é o único player de capital exclusivamente brasileiro do ranking. Fonte: BarthHaas Report 2025/26.
02 — Zoom em 2025
Quem bebe mais cerveja per capita
Consumo por habitante, 2024
Litros por habitante ao ano — top 10 do mundo + posição do Brasil
21º
é a posição do Brasil no consumo de cerveja per capita do mundo — 70,3 litros por habitante ao ano, menos da metade do líder, a República Checa (148,8 L). O Brasil sobe uma posição frente a 2023 (era 22º).
República Checa
148,8 L
Lituânia
110,6 L
Áustria
104,6 L
Irlanda
99,0 L
Croácia
95,1 L
Estônia
93,2 L
Espanha
91,8 L
Eslovênia
88,4 L
Romênia
87,4 L
Alemanha
86,9 L
Brasil (21º)
70,3 L
Fonte: Kirin Global Beer Consumption Report.
03 — Brasil
Menos volume, muito mais cervejarias
Volume declarado
Bilhões de litros
2024
17,21 bi L
2025
15,69 bi L
O mercado da cerveja no Brasil sofreu queda de -8,85% em volume entre 2024 e 2025. Fonte: Anuário da Cerveja 2026.
Cervejarias registradas, 2016–2025
+296% em 10 anos — maior número da série histórica
Fonte: Anuário da Cerveja 2026.
03 — Brasil por dentro
Onde estão as cervejarias
Volume produzido por região (2025)
% do volume nacional
Sudeste 52,1%
Nordeste 24,2%
Sul 15,6%
Centro-Oeste 6,7%
Norte 1,4%
O mercado da cerveja no Brasil não é uniforme: Sudeste concentra 47,2% das cervejarias do país (923) e foi a única região que cresceu em nº de estabelecimentos (+3,8%); Nordeste teve a maior retração (-8,5%). Fonte: Anuário da Cerveja 2026.
Cervejarias por estado
Top 7 de 27 UFs — demais vão de 1 (AP/RR) a 38 (GO)
São Paulo
452
Rio Grande do Sul
325
Santa Catarina
247
Minas Gerais
236
Paraná
187
Rio de Janeiro
138
Espírito Santo
97
Fonte: Anuário da Cerveja 2026.
Densidade cervejeira
Cervejarias por 100 mil habitantes — top 7 de 27 UFs
Santa Catarina
3,07
Rio Grande do Sul
2,89
Espírito Santo
2,36
Paraná
1,58
Minas Gerais
1,11
São Paulo
0,98
Rio de Janeiro
0,80
Cálculo próprio: 100.000 ÷ habitantes por cervejaria (Anuário da Cerveja 2026). SC, RS e ES lideram densidade sem estar no topo em nº absoluto. Recorde municipal: Linha Nova/RS, 1 cervejaria a cada 860 habitantes. No outro extremo, Salvador é a capital com a pior densidade do país: 1 cervejaria para 2,57 milhões de habitantes.
03 — Brasil por dentro
Cidades: crescimento recorde, maior rotatividade
Cidades com mais cervejarias
Top 5 de 25 municípios com 10+ cervejarias — variação 2024→2025
São Paulo/SP
61 (-7,6%)
Porto Alegre/RS
35 (-18,6%)
Curitiba/PR
25 (-13,8%)
Belo Horizonte/MG
24 (-4,0%)
Rio de Janeiro/RJ
21 (+10,5%)
Fonte: Anuário da Cerveja 2026.
Cancelamentos de registro por UF
Top 5 de 20 UFs com cancelamento — total nacional: 158 (+42,3% vs. 2024)
Rio Grande do Sul
36
São Paulo
34
Minas Gerais
25
Paraná
14
Santa Catarina
13
RS e SP lideram cancelamentos e também o nº absoluto de cervejarias. Fonte: Anuário da Cerveja 2026.
03 — Brasil por dentro
Produtos e marcas registrados
44.212
cervejas registradas no Brasil em 2025 (+2,4%) · 56.170 marcas (+2,1%)
Top 5 estados
Produtos
Marcas
São Paulo
13.240
17.651
Minas Gerais
6.299
7.894
Santa Catarina
5.537
— (não consta)
Paraná
4.349
6.043
Rio de Janeiro
3.648
4.348
No outro extremo, o Amapá tem só 4 produtos e 4 marcas registrados — a mesma cervejaria única do estado responde por tudo. Fonte: Anuário da Cerveja 2026.
03 — Brasil por dentro
O volume por dentro
Quem produz o volume do Brasil
Participação no volume nacional, por fatia de cervejarias
10% maiores cervejarias
99,5%
Outras 90% das cervejarias
0,5%
O mercado da cerveja braisileiro também é bastante concentrado: 1% das maiores já responde por 42,49% do volume nacional. Fonte: Anuário da Cerveja 2026.
Matéria-prima
% do volume declarado em 2025
Cerveja Puro Malte 29,2%
Com adjuntos (milho, arroz) 70,8%
Puro Malte cresceu 21,01% no ano; adjuntos encolheram 3,90%. Por álcool: 1,27% do volume é cerveja sem álcool ou desalcoolizada. Por fermentação: 99,57% é tipo Lager — Ale e fermentação mista somadas não chegam a 1%. Fonte: Anuário da Cerveja 2026.
Estilos declarados (fora Pilsen/Lager comum)
% da fatia de 17 estilos “menores” — eixo abaixo mostra o tamanho real dessa fatia
0,91%
é tudo o que estes 17 estilos somados representam da produção total do Brasil (142,99 milhões de litros dos 15,69 bilhões declarados). O Anuário exclui da tabela os estilos “com bilhões de litros declarados” — isto é, Pilsen/Lager comum e afins, que sozinhos formam os outros ~99,1%.
Malzbier
28,3%
IPA
20,7%
Lager Escura
15,8%
Outras Ales
11,3%
Pale Ale
8,8%
Lagers Claras
8,1%
Ale Belga
2,3%
Weizenbiers
1,6%
Outros 9 estilos
3,2%
% de cada estilo é relativa à soma dos 17 estilos desta tabela, não ao total nacional (ver stat acima). Fonte: Anuário da Cerveja 2026.
Características especiais
Volume declarado, 2025 — todas as 7 características do Anuário
Sem Glúten
367,9 mi L
Com Fruta
5,9 mi L
Com Ervas/Especiarias
4,5 mi L
Com Mel
1,9 mi L
Com Café
0,15 mi L
Com Madeiras Brasileiras
0,06 mi L
Gruit
0,02 mi L
Sem Glúten saltou de 71 para 367,9 milhões de litros — +417,68% em um único ano, o maior salto de qualquer categoria do Anuário 2026. Fonte: Anuário da Cerveja 2026.
Elaboração por contrato — cervejarias “ciganas”
Nº de “ciganos” identificados por UF, 2025 — top 7 de 17 UFs com ao menos 1
280
“ciganos” — marcas que não têm planta própria e contratam outra cervejaria registrada para produzir — identificados em 2025, somando 36,93 milhões de litros em 17 UFs. É a primeira vez que o Anuário traz esse levantamento.
São Paulo
99
Paraná
45
Minas Gerais
29
Rio de Janeiro
23
Rio Grande do Sul
23
Espírito Santo
17
Santa Catarina
13
São Paulo concentra mais de um terço dos “ciganos” do país (99 de 280). Fonte: Anuário da Cerveja 2026.
04 — Comércio exterior
Exportação e importação de cerveja
Volume exportado x importado, 2021–2025
Milhões de litros
Exportação
Importação
Recorde de valor: US$ 218,3 milhões faturados em 2025 (+6,9%), mesmo com 5,1% menos volume — o preço médio do litro exportado subiu de US$ 0,61 para US$ 0,69. Fonte: Anuário da Cerveja 2026.
Destinos da exportação
% do volume, 2025
Paraguai 62,3%
Bolívia 21,6%
Uruguai 8,8%
Outros 7,3%
América do Sul concentra 98,5% do volume exportado. Fonte: Anuário da Cerveja 2026.
Origens da importação
% do volume, 2025
Estados Unidos 74,2%
Alemanha 8,6%
Argentina 5,7%
Outros 11,5%
Estados Unidos saltou da 9ª para a 1ª posição entre os fornecedores em um único ano (+13.178% sobre 2024). Fonte: Anuário da Cerveja 2026.
05 — Tendências
Sem álcool no mundo, sem glúten no Brasil
MUNDO — SEM ÁLCOOL (NAB)
+85% / +150%
alta nas vendas de cerveja não-alcoólica em 5 anos nos EUA e na Irlanda (+8% na Alemanha) — tendência estratégica central do BarthHaas Report.
BRASIL — SEM GLÚTEN
+417,7%
crescimento da cerveja sem glúten em 2025 (71 → 367,9 milhões de litros) — maior salto de qualquer categoria do Anuário.
Antes de conhecer leveduras, enzimas, açúcares fermentescíveis ou qualquer uma das palavras que hoje usamos com tanta desenvoltura, alguém deixou alguma coisa acontecer. Grãos, água, tempo, temperatura, microrganismos e curiosidade. Primeiro veio a natureza. Depois, a observação. Aí a curiosidade, a prova, o paladar. Em algum momento, a repetição. Muito mais tarde, depois de muitas ideias, alguma explicação.
Primeiro fermentamos; depois tivemos as ideias
A cerveja talvez seja uma das testemunhas mais antigas dessa nossa mania de observar o mundo e tentar fazer alguma coisa com aquilo que aprendemos. Eu li sobre um fermentado de acelga, a pessoa ensinando como fazer um prato típico coreano. Comprei os ingredientes e fui tentar fazer. Salivando de vontade daquilo estar tão gostoso quanto parece no vídeo. Parecia fácil, inclusive, fermentar.
De primeira, posso confessar que não funcionou. Fazemos cerveja há milênios e, desde então, não paramos de não estarmos satisfeitos. Mudamos os grãos a depender do lugar. Selecionamos novas plantas. Cultivamos as leveduras como se fossem mini pets. Inventamos os equipamentos necessários para refinar, apurar, sofisticar. Aprendemos a controlar as temperaturas, até aprendemos a fazer gelo (e fogo, primeiro). Adicionamos ingredientes, retiramos outros. Fizemos cervejas mais fortes, mais leves, mais amargas, mais ácidas, mais límpidas, mais claras, mais escuras, mais isso ou mais aquilo. Criamos nomeações para elas e, quando os nomes já não davam conta, criamos categorias e subcategorias. Desenvolvemos vocabulários inteiros para descrever aquilo que sentíamos dentro da boca. E ainda vamos inventar um bocado.
Agora até conseguir tirar o álcool e ficar parecendo uma boa cerveja, já conseguimos. Acrescentamos até proteína, seguimos tendências mundiais. Recuperamos cereais esquecidos para contar histórias, desenvolvemos leveduras capazes de fazer transformações químicas que nossos antepassados não faziam. Olhamos ao mesmo tempo para técnicas ancestrais e laboratórios de última geração. Essa geração. Que cerveja gostosa. É uma quantidade extraordinária de pensamentos para acompanhar a bebida. E talvez seja justamente isso que ainda me fascina na cerveja: ela nunca fica completamente pronta.
Primeiro fermentamos; depois vêm as boas ideias
Estou falando da ideia de cerveja. Richard Sennett, sociólogo e historiador norte-americano, escreveu sobre o artífice como alguém movido pelo desejo de fazer bem alguma coisa e também pelo próprio prazer de fazê-la bem (The Craftsman/2008). Gosto desse pensamento porque ele aproxima as mãos da cabeça e penso que é a construção de quando fazemos algo profissionalmente, socialmente, coletivamente. Fazer não seria simplesmente executar uma ideia que já estava pronta; fazer também é uma maneira de pensar.
Quem repete um gesto percebe até as sutis diferenças. Quem conhece profundamente um assunto começa a fazer perguntas melhores, novas perguntas, novas respostas, novas descobertas, evolução em constante movimento. E quem aprende a controlar um processo logo descobre novas possibilidades de controle ou descontrole (já entendemos que um pouco de rock, um pouco de funky, um tanto de diversidade). Talvez uma parte importante da história da cerveja tenha sido construída exatamente assim.
Primeiro fermentamos; depois vamos executando as ideias
Não apenas por grandes descobertas, mas por uma sucessão quase infinita de pequenos incômodos: e se eu fizer diferente? E se usarmos outro cereal? E se colocarmos em um lugar mais frio? E se deixarmos mais tempo? E se essa levedura for outro tipo de microrganismo? E se o amargor vier daqui também? E se não tiver álcool? E se pudermos aproveitar melhor a água, a energia, o bagaço? E se uma cerveja puder entregar outra textura, outro aroma, outra experiência? Eu tenho mais uma tonelada de perguntas aqui rascunhadas nos meus caderninhos. Milhares de perguntas, e você?
Algumas dessas perguntas nasceram do prazer de beber uma boa cerveja. O que é uma boa cerveja? Outras da necessidade que o trabalho implica. Muitas vieram da escassez de uma época, do clima de um lugar, do mercado de um país, da indústria de um local, da ciência disponível ou do desejo, bastante humano, de fazer amanhã um pouco melhor aquilo que ontem já parecia suficientemente bom.
A cerveja já esteve na alimentação cotidiana, na remuneração de trabalhadores, em mesas aristocráticas, em mosteiros, fábricas, casas, botecos, restaurantes, estádios e mesas de degustação. Já foi alimento, sustento, mercadoria, símbolo de distinção, produto industrial, objeto de coleção e companhia para uma tarde qualquer. Pode custar pouco ou muito. Pode exigir meses de trabalho e desaparecer de um copo em quinze minutos.
Nem o paladar aceita muito bem essas fronteiras. Ele aprende, estranha, reconhece, rejeita, muda. Às vezes volta. O que gostávamos aos vinte anos pode não ser o que procuramos aos quarenta. O que parecia defeito pode ganhar contexto. O que parecia sofisticado pode se tornar enfadonho. Beber também é construir repertório cultural, mas precisa também ser moderado, inteligente, saudável.
Talvez por isso eu goste de pensar que a cerveja é democrática não apenas no consumo, mas também no pensamento. Podemos estudá-la profundamente sem precisar transformá-la em monumento. Podemos discutir microbiologia e tomar uma cerveja gelada no balcão. Podemos defender técnicas centenárias e ficar genuinamente curiosos diante de uma tecnologia nova ou de um novo estilo proposto. Podemos querer mais qualidade sem transformar gosto em instrumento de distinção. Podemos aprender nomes, processos, estilos e histórias sem utilizar esse conhecimento para decidir quem merece ou não sentar à mesa.
Quanto ainda podemos tirar, colocar, selecionar, cruzar, fermentar, filtrar, concentrar, recuperar ou reinventar antes que alguém diga que aquilo deixou de ser cerveja?
Não sei.
E desconfio de respostas muito definitivas.
Os limites da cerveja nunca foram estabelecidos apenas por receitas. Foram desenhados e redesenhados por gerações, tecnologias, territórios, legislações, disponibilidade de ingredientes, necessidades econômicas e, sobretudo, pelo gosto das pessoas que continuaram fazendo e bebendo. E claro, de forma mais contemporânea pelo marketing, pela arte de narrar histórias, pelo investimento feito em estar disponível, ser desejada, ser comunicada. Ser o objeto de influência. Progressista.
Algumas ideias acabam por desaparecer. Outras parecem absurdas até deixarem de parecer. Algumas tecnologias resolvem problemas e podem também criar outros. Certas tradições sobrevivem justamente porque alguém decidiu protegê-las; outras sobrevivem porque alguém teve coragem de mexer nelas, falar sobre elas, fermentá-las. Transformá-las. Há milhares de anos colocamos a cerveja para fermentar e, ainda assim, não conseguimos parar de pensar.
* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.
A Mercado Livre Arena Pacaembu, na capital paulista, recebe neste sábado (29), a partir das 19h30, o Spaten Fight Night 3. Consolidado como a principal plataforma de artes marciais da cerveja premium da Ambev, o evento chega maior: soma ao boxe as estreias do judô e do jiu-jítsu, reúne cinco combates ao todo e reserva como atração principal o duelo inédito entre Maurício Shogun e Glover Teixeira, duas lendas do MMA que nunca se enfrentaram em competição oficial. A noite tem transmissão simultânea pela Globo, pelo Combate, pelo Globoplay e pelo canal ge, o que reforça o apetite da marca por audiência de massa em torno do esporte.
Spaten Pro no Spaten Fight Night 3
Por trás do espetáculo esportivo, o Spaten Fight Night 3 também funciona como vitrine comercial. Foi em torno desta edição que a Ambev antecipou, no sábado passado (22), o início das vendas da Spaten Pro em todo o país — primeira cerveja proteica e sem álcool do portfólio da companhia, do estilo alemão Munich Dunkel, com 10 gramas de proteína por lata de 350 ml e preço de R$ 12,90 no aplicativo Zé Delivery. A aposta confirma o movimento das grandes cervejarias em direção ao segmento de wellness, também em eventos esportivos com o Spaten Fight Night 3.
O aquecimento para o Spaten Fight Night 3 começou na praia do Arpoador, no Rio de Janeiro, com treino aberto no fim de semana passado, e ganhou capítulo simbólico na quinta-feira (27), quando os lutadores se encararam em frente ao monumento da Baleia, na Faria Lima — coração financeiro de São Paulo e vitrine e tanto para uma marca que investe pesado em patrocínio esportivo. Rafaela Silva, ouro olímpico no Rio-2016, e Bia Souza, campeã em Paris-2024, lideraram a estreia do judô diante de rivais medalhistas, enquanto Nicholas Meregali e Felipe Pena reeditam no tatame uma das rivalidades mais longas do jiu-jítsu.
Mamba Water lança lata comemorativa para os quiosques da Orla Rio
A Mamba Water apresenta uma lata comemorativa criada para os quiosques da Orla Rio, com estampa inspirada nas ondas do calçadão carioca. A peça marca o avanço do piloto iniciado em junho, em São Conrado, que substitui garrafas e copos plásticos pelas latas de alumínio da marca e já soma presença em 71 pontos da orla, com redução estimada de 25 mil garrafas plásticas. “A gente juntou esse desenho tão carioca ao movimento de uma cobra, criando uma estampa nova e exclusiva”, afirma Pedro Scooby, sócio da marca. A Mamba Water também patrocina a Rio S21K, corrida marcada para este domingo (30).
Stella Artois forma 150 mulheres em projeto de gastronomia da Ambev
O projeto Juntas na Mesa, de Stella Artois, formou 150 mulheres em seu primeiro ciclo, entre 306 inscritas de 19 estados e do Distrito Federal. Com 60 horas de conteúdo 100% online, a iniciativa da Ambev combinou uma trilha de conhecimento cervejeiro — desenvolvida com a Academia da Cerveja — a temas como empreendedorismo e geração de renda. Do público formado, 53,3% são empreendedoras e 71,3% vivem com renda per capita de até R$ 2 mil, reforçando o recorte social do programa, voltado à equidade de gênero e ao protagonismo feminino na gastronomia.
Heineken Masters abre disputa por melhor casa de chope do Brasil
O Grupo Heineken abriu a terceira edição do Heineken Masters, competição que capacita e avalia bares e restaurantes de todo o país em busca do título de melhor casa de chope Heineken do Brasil. Nesta edição, cem estabelecimentos disputam a partir do Ritual Star Quality, metodologia que audita cinco etapas do serviço, do copo gelado ao colarinho alinhado à estrela. A disputa segue até 30 de novembro, quando os dez melhores são premiados em evento exclusivo — o campeão leva R$ 20 mil em bonificações e uma viagem a Amsterdã. Em 2025, o vencedor, o Empório Dona Tereza (SP), registrou alta de 40% nas vendas de chope após o título.
Eisenbahn lança campanha Eisen Hour para celebrar conquistas no happy hour
A Eisenbahn lançou a campanha Eisen Hour, que propõe transformar o happy hour em celebração das conquistas do dia a dia, dentro da plataforma Locomotiva da marca. A ação, assinada pela Ogilvy, oferece a terceira cerveja em bares parceiros a quem topar brindar suas vitórias, com lista disponível no Instagram da marca, e segue no ar até 31 de agosto em mídia digital e OOH em São Paulo, Ribeirão Preto e Rio de Janeiro. O mote dialoga com o histórico da marca, uma das mais premiadas do país, com 163 medalhas em concursos.
Praya patrocina quarta edição do Festival Harmonia, no Rio de Janeiro
A cerveja Praya, do Grupo Heineken, patrocina a quarta edição do Festival Harmonia, que celebra os seis biomas brasileiros neste fim de semana, com entrada gratuita, no Parque das Figueiras, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro. A programação, que se estende até domingo (30) e deve reunir cerca de 25 mil pessoas, tem shows de Roberta Sá e Toquinho — que recebe Camila Faustino —, além de oficinas e ilhas gastronômicas assinadas por chefs. O público encontra no evento os rótulos Praya LN Clássica e Praya LN Lager.
Alles Blau compra fábrica da Bierland e dobra capacidade em Blumenau
A cervejaria Alles Blau comprou maquinário, tanques e linhas de envase da fábrica da Bierland, negócio que dobra sua capacidade produtiva em Blumenau (SC). A marca Bierland, no entanto, ficou de fora do acordo — já havia sido negociada anteriormente com a Opa Bier, como o Guia da Cerveja revelou em primeira mão em fevereiro. O edifício, no entanto, não foi incluído no negócio e será alugado pela Alles Blau. O valor do negócio não foi revelado.
Ball mobiliza empregados em ações de voluntariado na América do Sul
Na sexta-feira (28), Dia Nacional do Voluntariado, a Ball, fabricante global de embalagens de alumínio, destacou o alcance de seu programa corporativo de voluntariado na América do Sul: 190 empregados participaram de 17 ações no Brasil, na Argentina, no Chile e no Paraguai, beneficiando mais de 800 pessoas. No ano passado, a companhia registrou 24 mil horas de voluntariado em mais de 30 países e destinou mais de US$ 350 mil a instituições por meio de um programa que converte horas doadas em recursos financeiros — soma-se a isso outros US$ 4,1 milhões em investimentos comunitários ao redor do mundo.
Blue Moon patrocina temporada do Cirque du Soleil no Brasil
Desde a estreia, em 21 de agosto, no Parque Villa-Lobos, em São Paulo, a Blue Moon integra a nova temporada do espetáculo “Alegría – In A New Light”, do Cirque du Soleil. A cerveja super premium do Grupo Heineken opera um bar exclusivo aberto ao público, onde o tradicional ritual “Perfeita com Laranja” — girar a garrafa, servir em copo inclinado a 45º e finalizar com uma rodela de laranja — ganha contexto dentro da experiência do espetáculo, que segue em cartaz até novembro antes de rodar outras cidades.
Neste fim de semana, a marca também estará presente na segunda edição da SP-Arte 2026, um dos principais eventos do setor na América Latina. Ele acontece até domingo (30), na ARCA, na Vila Leopoldina, em São Paulo.
Grupo Heineken confirma megaoperação de chope para o Rock in Rio
O Grupo Heineken confirmou a megaoperação de chope para o Rock in Rio Brasil 2026, que ocorre entre 4 e 12 de setembro, na Cidade do Rock. Serão mais de 700 mil litros distribuídos por quatro Beer Stations, torneiras de autosserviço e cerca de 380 mochileiros, com o portfólio ampliado por Heineken, Heineken 0.0, Heineken Ultimate, Eisenbahn e a novidade Lagunitas DayTime, session IPA com 98 calorias por lata.
A Heineken também participa da operação de compra antecipada de bebidas por meio do aplicativo oficial do Rock in Rio Brasil 2026, disponível para iOS e Android. A funcionalidade permitirá que o público adquira antecipadamente seu chope e faça a retirada na Cidade do Rock durante os dias de festival, trazendo mais agilidade e conveniência para a experiência de consumo. É a oitava vez que o grupo patrocina o festival, que neste ano celebra 15 anos de parceria com a marca.
RuERA recebe tributos a The Doors e Planet Hemp em Campinas
Na sexta-feira (28), a cervejaria cigana RuERA, em Barão Geraldo, Campinas, recebeu a King of Lizards em tributo ao The Doors. Neste sábado (29), é a vez da CabeSativa prestar homenagem ao Planet Hemp, com formação reunindo músicos de outros projetos que se uniram pelo gosto comum pela banda. A casa, fundada por Fernanda Brito e Bruno Martinelli, tem nove torneiras — sete de chope, uma de água e outra dedicada ao drink autoral Amadinho.
Verano Ultra chega ao mercado como cerveja puro malte zero açúcar
A Verano Ultra, nova marca do Grupo Notória, chega às gôndolas como cerveja puro malte, zero açúcar, sem glúten e de baixa caloria — 27 kcal a cada 100 ml —, mirando o público de 20 a 35 anos em capitais e regiões litorâneas. O posicionamento aposta no consumo pós-esporte e no fim de tarde como ocasião central, concorrendo menos pela performance e mais pelo momento de descontração que vem depois dela, território ainda pouco disputado entre as cervejas funcionais do mercado brasileiro.
A Rock Brewing, do Grupo Notória, lançou o Chope de Vinho, registrado no Ministério da Agricultura como coquetel composto: uma mistura de cerveja Pilsen com vinho de mesa tinto, de espuma rosada cremosa e notas de morango no aroma. A bebida já chega a supermercados, atacarejos, conveniências e distribuidoras, com preço acessível, propondo ocupar um território próprio entre a cerveja, o vinho e os drinks prontos — categoria que vem ganhando espaço no mercado nacional de bebidas mistas.
Copa Sul-Americana de Cerveja abre inscrições para a edição de 2027
A Revista da Cerveja abriu as inscrições da 5ª Copa Sul-Americana de Cerveja com uma série de novidades para 2027: limite de 35 amostras por cervejaria, desconto progressivo conforme o volume inscrito e lotes de taxas promocionais — o primeiro, com valor reduzido, vale até 18 de setembro. A edição também estreia o título de Melhor Cerveja Colaborativa do Ano e inclui a Cerveza Chicha, estilo latino-americano, entre as categorias julgadas. “Acreditamos que o Brasil pode ser um grande líder no segmento das cervejas na América do Sul quando se fala em conhecimento e expansão de mercado”, afirma Fabrício Scalco, diretor da competição. Na edição de 2026, a Cervejaria Salva (RS) faturou os títulos de Melhor Cervejaria do Ano e Melhor Cerveja da Copa, em um ano em que foram distribuídas 272 medalhas entre 114 cervejarias. O julgamento de 2027 ocorre entre 5 e 8 de abril, com premiação marcada para 9 de abril, em Bento Gonçalves (RS).
Salva lança água proteica e amplia diversificação para bebidas funcionais
A Salva Craft Beer, cervejaria de Bom Retiro do Sul (RS), lançou a Água Proteica sabor Limão Siciliano, sua entrada no segmento de bebidas funcionais. Cada lata de 355 ml traz 22 gramas de proteína a partir de colágeno hidrolisado, zero carboidratos, sem adição de açúcares e sem glúten — chega inicialmente ao Salva Pub, com distribuição gradual a parceiros e distribuidores. “As categorias funcionais deixam de ocupar nichos específicos e passam a fazer parte do consumo diário”, afirma Thiago Wild, diretor e mestre-cervejeiro da marca. O lançamento consolida um movimento que já havia levado a Salva às cervejas sem álcool e sem glúten e se apoia em uma fábrica de 2,5 mil m² com capacidade de 500 mil litros por mês, estrutura pensada para acelerar a expansão do portfólio para novos mercados, inclusive internacionais.
Proibida aposta em engenharia sensorial com três lúpulos na Puro Malte Extra
A Proibida, distribuída pelo Grupo Notória, descreve a Puro Malte Extra, sua Golden Malty lager relançada em julho, como resultado de uma combinação técnica entre maltes especiais e três variedades de lúpulos europeus — cada uma responsável por um atributo: amargor, aroma e estabilidade da espuma. Segundo a marca, o desafio foi dosar os componentes para preservar o chamado drinkability, a facilidade de beber, mesmo com mais malte por litro do que uma lager tradicional, o que também confere à bebida coloração amarelo cobre e corpo mais acentuado. A cerveja chega a supermercados em garrafa de 600 ml, com preço acessível e rótulo de predominância preta e detalhes dourados.
Lagunitas DayTime estreia no Rock in Rio Brasil como porta de entrada para as IPAs
A Lagunitas DayTime, Session IPA da cervejaria californiana do Grupo Heineken, chega pela primeira vez ao Rock in Rio Brasil 2026, disponível durante os sete dias de festival — de 4 a 7 e de 11 a 13 de setembro — na Gourmet Square, com os mochileiros e na ativação da marca, nos formatos chope (R$ 23) e lata (R$ 22). Com 98 calorias por lata de 350 ml, 4% de teor alcoólico e 30 IBU, o rótulo mantém o protagonismo do lúpulo característico de Lagunitas em um corpo mais leve e final refrescante, proposto como porta de entrada ao estilo. “Queremos que quem já gosta de IPA reconheça a personalidade de Lagunitas, mas também que quem ainda acha o estilo intenso demais encontre em Lagunitas DayTime uma forma de começar a explorá-lo”, afirma Marina Awada, gerente de Marketing das Marcas Super Premium do Grupo Heineken no Brasil. A chegada ao festival vem acompanhada de um espaço inspirado no Píer de Santa Mônica, na Califórnia, com karaokê, o jogo do Cão Cartomante e photo opportunities — fora do Rock in Rio, a cerveja já é vendida em lata, long neck e chope nas regiões Sul e Sudeste.
Presença feminina cresce no consumo de cerveja e se concentra no happy hour, aponta Abrasel
Levantamento da Kantar, divulgado pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), mostra que a presença de mulheres consumindo cerveja em locais públicos no Brasil subiu de 14,5% para 21,2% — avanço que se concentra sobretudo no happy hour e nos fins de semana, quando a frequência de consumo entre elas chega a 45%. O movimento ocorre num quadro mais amplo de consumo de álcool no país: pesquisa Datafolha aponta que 49% dos brasileiros com 18 anos ou mais bebem álcool, sendo 58% dos homens e 42% das mulheres, das quais 81% avaliam consumir na medida adequada.
A cerveja segue como a bebida alcoólica mais consumida do país, respondendo por mais de 90% do volume de vendas de bebidas alcoólicas, segundo a Euromonitor International — participação que ajudou o Índice Abrasel-Stone a registrar alta de 4,2% nas vendas do setor de bares e restaurantes no segundo trimestre de 2026 ante igual período de 2025, nono mês consecutivo de crescimento, puxado em parte pelo consumo durante a Copa do Mundo.
Guinness e Premier League lançam coleção de roupas inspirada no futebol inglês
A Guinness, cerveja oficial da Premier League desde a temporada 2024/25, e a competição inglesa ampliaram a parceria — que tem duração prevista de quatro anos — com uma coleção de roupas e acessórios que soma duas camisas, moletom e boné, em paletas de preto com roxo e preto com dourado. O lançamento reforça a estratégia das duas marcas de se aproximar da cultura em torno do futebol para além dos 90 minutos em campo, unindo a identidade da cerveja irlandesa à linguagem visual do futebol inglês em peças pensadas para o uso casual, fora do figurino tradicional dos estádios.
Adnams chega ao Brasil novamente via Boxer do Brasil
A importadora Boxer do Brasil, empresa de 27 anos conhecida pelo seu trabalho com cervejas britânicas, trouxe novamente ao Brasil cervejas da Adnams, cervejaria inglesa com 154 anos de história. São ao todo seis rótulos, que misturam estilos tradicionais e modernos. Entre os primeiros estão a Adnams Southwold Bitter, uma Special Bitter de 4,1%, a Adnams Blackshore Stout, uma interpretação inglesa do estilo Irish Dry Stout, e a Boardside, uma Strong Ale inglesa de 6,2%. Já os mais modernos, com forte influência norte-americana, são as American Pale Ales Adnams Ghost Ship — carro-chefe da cervejaria — e a single hop Adnams Mosaic, além da Session IPA sem glúten Ease UP IPA. Os produtos já estão disponíveis nos melhores pontos de venda e no BoxerBeers.com.
Aos 18 anos, Renê dos Santos Pinto quase desistiu. Tinha saído da cidade natal, Guareí, município de 15 mil habitantes no interior de São Paulo, para estudar em Sorocaba. E o dinheiro do seguro-desemprego que o sustentava enquanto cursava a faculdade estava no fim. Numa visita à sua família, falou com o Ari, antigo patrão, dono da farmácia onde trabalhava desde muito novo, pedindo para voltar. A resposta que ouviu mudou o resto da história: “Não, você não vai voltar. Você tem que estudar. Você tem potencial para mais do que isso. Segue teu caminho”.
Renê seguiu. Passou por uma oficina lavando peças de máquina e entrou na área de logística — onde ficaria por quase 20 anos, em empresas como a Libra e a Case New Holland. Nessa última, conheceu um colega chamado Célio Ongaro Jr. E só décadas depois, já em Santos, no litoral do estado, entenderia que aquela recusa em voltar para casa tinha sido o primeiro de vários riscos que havia tomado e que sustentariam a Cervejaria Everbrew, que agora comemora dez anos de existência.
“Tem um ditado que fala que, se você tem 70% de certeza, abraça e vai. Você nunca vai ter 100%. Negócio com zero risco não existe”, conta.
A partir deste sábado (29) tem festa. E há muito o que comemorar. A Everbrew brilha em tempos de crise. Foi assim na pandemia do coronavírus em 2020, quando a empresa surpreendeu e cresceu. E está sendo assim agora, com um cenário desafiador. A empresa cresceu dois dígitos no ano passado. O segredo? A gestão do negócio.
Uma marca que nasceu como hobby e virou negócio
A Cervejaria Everbrew foi fundada oficialmente em 2016 por Renê e Célio, mas a história começou antes, em 2012, quando Célio comprou as primeiras panelas e passou a produzir cerveja em casa. Renê, que trazia rótulos belgas na mala em viagens a trabalho, foi quem apresentou aquelas cervejas diferentes ao amigo — e quem, mais tarde, transformaria o hobby em plano de negócio. “Quem produziu, quem desenvolveu, foi o Célio. Mérito dele integral”, resume Renê. “Eu fui o propagador da ideia de transformar aquilo num negócio.”
A dupla começou como cervejaria cigana, terceirizando a produção em plantas com capacidade ociosa — modelo que permitiu à Everbrew se especializar em cervejas de perfil intenso e aromático, como as New England IPAs, sem o peso de um investimento fixo. Funcionou: em poucos anos, a marca saltou de dois para mais de dez rótulos e ganhou nome suficiente para abrir, em 2018, um brewpub próprio no Canal 4, em Santos, que segue em operação até hoje.
Mas o próprio sucesso trouxe um problema. Por volta de 2019, o volume de produção da Everbrew já rivalizava com o de uma fábrica de porte médio, com cerca de 20 mil litros por mês — grande demais para o modelo cigano. “Eu falava para o Célio: a gente tá chegando num tamanho que, se rompesse um contrato, a gente não teria mais para onde ir”, conta Renê. O temor não era hipotético: pouco depois, uma das fábricas parceiras foi comprada por um grupo maior e parou de produzir para terceiros. “A gente teria esse problema que já tinha previsto lá atrás.”
A decisão de virar fábrica — em plena pandemia
Os sócios Renê dos Santos Pinto (esq.) e Célio Ongaro Jr. despachando o primeiro contêiner de exportação da Cervejaria Everbrew para o exterior (Crédito: Arquivo pessoal)
Em 2020, ano da pandemia, a dupla começou a comprar equipamentos para montar sua própria planta, uma decisão que, segundo Renê, não fazia todo sentido financeiro imediato, mas era necessária para a perpetuidade do negócio. “Olhando matematicamente, não era tão lógico. Mas para o negócio continuar existindo, tinha uma necessidade”, diz.
Com o isolamento social, o consumo doméstico de cerveja disparou, e a Everbrew usou análise de dados para identificar regiões com maior potencial de compra direta ao consumidor, direcionando tráfego pago para lugares onde não havia distribuição via bares. Com essa e outras ações, a Cervejaria Everbrew cresceu 30% naquele ano. Hoje, ela ainda tem exportações recorrentes para a Europa. “Quando você acha que o negócio vai complicar tudo, de repente vê uma luz e o contrário acontece”, resume o cervejeiro.
Mas o timing para a fábrica não era o ideal. Mesmo assim, as obras avançaram no pós-pandemia, com a fábrica entrando em operação em janeiro de 2022, dentro do Mercado Municipal de Santos, após a Everbrew vencer a licitação da prefeitura para ocupar o espaço. Para financiar parte da construção, a empresa lançou em abril de 2021 uma campanha de financiamento coletivo, que reverteu os aportes do público em créditos de consumo — o embrião do que se tornaria o Everclub, hoje uma espécie de carteira digital em que o cliente compra créditos (as “evercoins”) sem prazo de validade. Área tocada pela funcionária Letícia Massullo.
O investimento total, estimado inicialmente em R$ 3 milhões, fechou em R$ 4 milhões. E o momento mais tenso, segundo Renê, não foi decidir construir. Nem largar o emprego fixo no início de 2021 para se dedicar à cervejaria — deu um frio na barriga, mas ele estava seguro, conta. Foi esperar a licença ambiental sair a tempo de cumprir a promessa feita a quem havia investido no crowdfunding. “Isso me tirava o sono, porque você tem uma responsabilidade com quem acreditou no seu projeto.” A licença saiu em 26 de dezembro daquele ano. “A gente comemorou muito.”
Foi também com a fábrica própria que a Everbrew lançou a linha Evertreze — batizada em homenagem ao DDD de Santos —, voltada a produtos de entrada com preço competitivo, algo inviável no modelo cigano por causa do custo da embalagem. Hoje a empresa mantém produção média de 60 mil litros por mês, tem um parque de quase 2 mil barris de inox e um portfólio que já passou de 200 rótulos lançados.
Cervejaria Everbrew não é (só) sobre cerveja boa
Parte do valor investido na fábrica da Cervejaria Everbrew veio de financiamento coletivo (Crédito: Arquivo pessoal)
O mercado da cerveja artesanal no Brasil é composto em grande parte de cervejeiros apaixonados pela profissão e pela cerveja. Mas isso tem um lado bom e outro ruim. A paixão traz propósito, criatividade e ousadia. Por outro lado, muito poucos se lançam realmente preparados para o desafio de ter um negócio próprio e administrar uma empresa.
Renê reconhece isso como o diferencial da própria trajetória. Formado em Projetos Mecânicos pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo (Fatec), com MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e um programa de desenvolvimento executivo pela Fundação Dom Cabral, ele soma duas décadas de experiência corporativa em logística e centros de distribuição antes de se dedicar à cervejaria em tempo integral. Célio, formado em Administração e Comércio Exterior pela Uniso, com MBA em Gestão Empresarial na FGV, também soma aos conhecimentos técnicos de cerveja — é sommelier e mestre cervejeiro — uma bagagem de gestão.
“A gente sempre tentava passar isso para quem estava começando: você montou uma precificação do seu produto? Sabe onde quer se posicionar?”, conta Renê. Para ele, o erro mais comum entre cervejeiros é confundir faturamento com lucro. “Tem gente que se encanta em vender 100, 200 mil litros, mas o custo é alto, o lucro é baixo. No fim do dia, você tomou risco e não sobrou nada — e qualquer soluço quebra o negócio.”
Esse cuidado se traduz em decisões concretas: a Cervejaria Everbrew nunca trabalhou alavancada, evita empréstimos bancários diante do custo do crédito no Brasil e prioriza reinvestimento constante. Mesmo durante a fase mais dura da construção da fábrica, Renê optou por não retirar salário da empresa para preservar o caixa — uma escolha que só fez sentido, segundo ele, porque havia planejamento por trás. Foi também assim que a empresa manteve, segundo o próprio Renê, um crescimento de 10% a 12% ao ano mesmo em meio a cenários desafiadores do último ano no Brasil e nos Estados Unidos — o mesmo padrão de “crescer apesar da crise” que a empresa já havia repetido durante a pandemia.
EverPub foi o primeiro ponto de venda próprio da marca em Santos e recebe esquenta da festa de 10 anos neste sábado (29) (Crédito: Arquivo pessoal)
Há também uma camada mais discreta de gestão que aparece nos bastidores: o controle rigoroso de ativos como os barris, tarefa hoje puxada pela funcionária Karla Nazareth. Heitor Tozzi, que entrou como garçom no brewpub há quase nove anos e hoje é executivo de vendas, ajuda a cobrar os barris dos clientes. “É um ativo caro. Isso acaba corroendo muito a margem quando ninguém controla”, diz Heitor. Rigor que se estende à cultura interna da empresa: além das reuniões semanais de alinhamento entre Renê (comercial e marketing), Célio (produção) e Aline, esposa de Renê, que cuida da parte financeira e tributária, o time também compartilha rodas de truco — uma tradição interna que, segundo a equipe, ajuda a manter a integração mesmo com Renê hoje morando fora do país.
Em maio de 2024, Renê se mudou com a família para a Flórida, nos Estados Unidos — decisão que ele descreve como “tudo ou nada”: vendeu casa e carro no Brasil, tirou os filhos da escola no meio do ciclo escolar e passou a gerir a operação brasileira à distância. O processo de green card o impediu de voltar ao Brasil por dois anos e quatro meses, período em que aprendeu, em suas palavras, “a delegar de verdade” — apoiado em Célio, que segue à frente da produção em Santos, e em uma equipe que ele descreve, sem meias palavras, como o motivo pelo qual a gestão remota foi possível. “A gente combina meta e resultado. Como cada um chega lá, cada um tem seu método. O mais importante é o resultado.”
Nos Estados Unidos, a empresa chegou a operar um brewpub próprio em Orlando, vendido em 2025. O plano agora é produzir de forma terceirizada na Flórida a partir do próximo ano, com foco em cervejas extremas e usando um parceiro que já tem canal de distribuição consolidado no mercado americano.
No Brasil, para os próximos meses, a Everbrew prepara o lançamento de uma linha sem glúten e uma versão de baixo teor alcoólico da linha Evertreze — reforço de uma aposta que já rendeu a Little Juicy, uma New England IPA com 1% de álcool lançada recentemente.
As festas de 10 anos da Cervejaria Everbrew
Para quem quiser comemorar com a Cervejaria Everbrew, já vai ter festa neste fim de semana. Neste sábado (29) acontece o “Esquenta 10 Anos” no Everpub do Canal 4, em Santos, a partir das 17h30, com as bandas Music Box e Tom Cremon Trio e entrada a R$ 15.
A festa oficial acontece em 5 de dezembro, no Mercado Municipal de Santos, com seis horas de duração — abertura para convidados VIP ao meio-dia e para o público geral a partir das 13h —, música ao vivo e open bar com mais de 20 torneiras.
A fábrica também integra a Rota da Cerveja Artesanal de Santos, com visitas guiadas mensais organizadas pela Secretaria de Turismo da cidade; a partir de 2027, a Everbrew pretende retomar encontros trimestrais abertos ao público no próprio Mercado Municipal, recém-revitalizado.
Parodiando o ditado popular, pode-se dizer que a união faz a cerveja. Isso é verdade pelo menos no que diz respeito à 6ª edição do Festival das Cervejarias Paulistanas (FCP), que acontece neste sábado (29) e domingo (30) na capital paulista com entrada grátis. O evento bateu o recorde de participantes, totalizando 40 fabricantes, que vão levar suas criações ao público. Em 2025, foram cerca de 25. O motivo foi o engajamento gerado pela criação do Polo Cervejeiro da Grande São Paulo em setembro do ano passado, que fortaleceu as empresas cervejeiras da região.
Isaac Deutsch, presidente do Polo Cervejeiro da Grande São Paulo, explica em entrevista exclusiva ao Guia da Cerveja que esse sucesso já é fruto da união gerada pela nova associação. “O fato de as cervejarias da região estarem agora reunidas pelo Polo fortaleceu a união do segmento e facilitou o engajamento das cervejarias no FCP. Como primeiro evento realizado sob a gestão do Polo, esse movimento acabou se refletindo diretamente no número de cervejarias participantes, que foi maior nesta edição.”
Outra prova da força do coletivo é a criação da cerveja oficial da 6ª edição do Festival das Cervejarias Paulistanas. Os mestres cervejeiros da associação desenvolveram a receita coletivamente. Símbolo de união entre as cervejarias da região, ela é uma Pilsen produzida com insumos 100% brasileiros.
E isso é só o começo, segundo Isaac. Os objetivos passam por conferir protagonismo à cidade com o maior número de cervejarias do país, segundo o Anuário da Cerveja 2026 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). “Temos a ambição de realmente colocar o segmento de cervejas independentes na rota do turismo da cidade, destacar seu impacto econômico e contribuir para a cena gastronômica. Por isso, precisamos ter eventos de destaque, especialmente em uma cidade com tantas atividades acontecendo ao mesmo tempo”, diz.
Festival das Cervejarias Paulistanas é neste fim de semana
O evento deste ano deve contar com mais de 70 torneiras de chope ao todo e um espaço novo. Até 2025, a festa era realizada na Cervejaria Tarantino, na Zona Norte da cidade. “Achamos fundamental migrar o evento para um espaço maior, mais acessível por transporte público e mais neutro. Ganhamos um espaço muito mais amplo e com mais personalidade, que nos permite fazer o evento crescer e trazer outras atrações para atrair um público além dos conhecedores de cerveja independente”, explica o presidente do Polo Cervejeiro da Grande São Paulo.
Uma dessas atrações é a parceria com a Feira Estranha El Cabriton, uma feira de artistas locais, que se une ao evento cervejeiro. Além disso, o evento terá música ao vivo, DJs, opções gastronômicas, espaço infantil, entre outras atrações.
Quem for à festa, receberá logo na entrada o copo reutilizável oficial do festival. O preço da cerveja vai variar entre R$ 13 e R$ 25, a depender do tipo e da quantidade. As doses serão de 150 ml e 300 ml.
O público também poderá contribuir com a ação solidária do festival levando 1 kg de alimento não perecível. O Polo vai destinar o volume total de doações ao Instituto Ações Sociais Vó Tutu, que distribui cerca de 2 mil pães diariamente em São Paulo.
As cervejarias confirmadas são: Cervejaria 77, Alvorada, Arkangel, Brassbrew, Brework, Brewto’s, Camilos, Central, Cia de Brassagem Brasil, Costa Leste, Croma Beer, Cybeer, Dinastia, Dogma, Dosmoret, Dr. Ewan, Drom Cerveja & Fogo, East Zone, Filosofia, Guaru, Gutembeer, Holy Water, Incomum, La Caminera, Lab, Langerwisch Bier, Mad Lizard Brewing, Maralto, Menze Brew, Minnesota, Nacional, Palácio, Peregrinos, Smokedbrew, Sóbrejja, Tarantino, Tria, Trilha, Triângulo das Bermudas e Zev.
Serviço:
O que: 6º Festival das Cervejarias Paulistas
Quando: sábado (29), das 12h às 21h, e domingo (30), das 12h às 20h.
Onde: Centro Cultural Tendal da Lapa (Rua Guaicurus, 1100 – Lapa)
Quanto: Entrada gratuita
Ação solidária: leve 1 kg de alimento e contribua com o Instituto Ações Sociais Vó Tutu.
Com uma única cerveja inscrita, a Cervejaria Landel, de Campinas (SP), venceu o título de Melhor IPA do Mundo no World Beer Awards (WBA) 2026 — um aproveitamento perfeito, raro até para cervejarias grandes. O feito não é acaso. Desde 2025, uma parceria entre o WBA e o Concurso Brasileiro de Cerveja (CBC) de Blumenau (SC) vem desmontando barreiras que afastavam o produtor brasileiro do circuito internacional — o preço e a logística de exportação.
Rene Aduan Junior, coordenador do WBA no Brasil, acompanhou essa transformação de perto. Nesta entrevista, ele explica como descontos, pontos de coleta com cadeia fria e um sistema de seletiva nacional que acontece desde 2015 passaram a levar cervejas artesanais frescas até o julgamento final no Reino Unido. E os prêmios provam que pequenas marcas brasileiras podem competir de igual para igual com os gigantes do mercado global.
Rene, você coordena o WBA no Brasil desde 2015. Como era o processo de participação das cervejarias brasileiras no início e o que mudou de lá para cá?
Rene Aduan Junior coordena o concurso britânico World Beer Awards no Brasil desde 2015 (Crédito: Arquivo pessoal)
No início, o campeonato era sediado apenas no Reino Unido. As cervejarias precisavam enviar as amostras diretamente para lá. Isso desestimulava muito a participação porque o processo de exportação era caro e burocrático, inviável para cervejarias pequenas e demorado até para as grandes. Tínhamos apenas cerca de 20 a 30 amostras brasileiras por ano. A partir de 2015 e 2016, propusemos trazer o julgamento e a seleção para o Brasil. Fomos pioneiros nisso. A ideia sempre foi facilitar o acesso, olhando pela perspectiva do cervejeiro brasileiro e resolvendo suas “dores” logísticas. Depois do Brasil, esse modelo de ponto de coleta e julgamentos locais foi adotado no Canadá, na Alemanha, no Chile e no Japão.
Como funciona, na prática, a parceria atual entre o Concurso Brasileiro de Cerveja (CBC) e o World Beer Awards?
A parceria com o CBC de Blumenau funciona como uma ponte direta. Quem participa do CBC já ganha um desconto para o WBA. Os medalhistas (ouro, prata ou bronze) ganham descontos ainda maiores, e as melhores cervejas (1º, 2º e 3º lugares) recebem inscrições gratuitas — o que é um excelente prêmio, já que a inscrição em libras é cara. Isso estimula o cervejeiro que se destacou nacionalmente a testar seu produto no mundial. Além disso, nós cuidamos de toda a parte burocrática: transporte, notas fiscais e embalagem. O cervejeiro só precisa entregar o produto em nosso ponto de coleta e esperar o resultado.
Qual é a importância de realizar a primeira etapa de julgamento diretamente no Brasil?
O grande benefício é o frescor. Cervejas muito lupuladas ou delicadas sofrem com variações de temperatura, tempo e oxidação no transporte internacional. No Brasil, nós temos ponto de coleta com estrutura de cadeia fria e seca. Fazemos uma curadoria rigorosa e enviamos as cervejas selecionadas para o Reino Unido em um prazo curtíssimo. No máximo, de um mês a um mês e meio entre a entrega e a final. Isso garante que a cerveja brasileira seja avaliada em seu potencial máximo de qualidade, competindo de igual para igual com os maiores títulos do mundo.
É algo raríssimo, que eu acredito que nunca tenha acontecido antes no campeonato, certamente não com o Brasil. Ter uma única inscrição que ganhe como Country Winner (etapa nacional), depois vença a categoria de estilo (World’s Best Milkshake/New England IPA) e, por fim, leve o prêmio máximo de Melhor IPA do Mundo (World’s Best IPA) é um feito impecável. A categoria de IPA é a mais disputada do concurso, equivalente às American Light Lagers. Todo mundo faz IPA e manda o seu melhor. Ver uma cervejaria pequena, que opera de forma cigana [sem fábrica própria, produzindo por contrato em outras plantas fabris], conquistar o maior ícone cervejeiro do mundo é fantástico e mostra exatamente o que o modelo do WBA permite.
Esse resultado reflete uma mudança no perfil dos vencedores dos grandes concursos internacionais?
Com certeza. O mercado mudou e o campeonato reflete isso. As grandes cervejarias tradicionais, que sempre foram referências ou criadoras de estilos, estão abrindo espaço para novos players altamente criativos, que trazem uma pegada mais contemporânea. O WBA confronta cervejas do mundo inteiro e permite que um “patinho feio” — no sentido de ser uma cervejaria estreante e desconhecida internacionalmente, como a Landel — desbanque gigantes. Nosso foco hoje está voltado para o craft brasileiro e para as pequenas cervejarias. Queremos estimular o pequeno produtor a perceber que, se ele tem qualidade para ganhar uma medalha no CBC, ele tem plenas condições de disputar e vencer o campeonato mundial.
Uma pesquisa nacional realizada pela Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) revela que 60,9% dos empresários do setor afirmam não estar preparados para a transição da reforma tributária. O levantamento, que ouviu 1.480 empreendedores de todas as regiões do país entre os dias 20 e 28 de julho de 2026, expõe uma lacuna de informação no setor gastronômico. Apenas uma minoria de 22,9% dos entrevistados declara estar preparada ou muito preparada para lidar com as novas regras tributárias que se aproximam (confira o infográfico ampliado).
Dentro do grupo majoritário que admite o despreparo, 43,9% dos proprietários de bares e restaurantes consideram-se pouco preparados para as mudanças, enquanto 17% se dizem nada preparados. Outros 16,3% dos participantes não conseguiram sequer avaliar o nível de preparação de suas próprias empresas.
Essa falta de clareza gera pessimismo comercial. Mais da metade (54,2%) dos empresários preveem que os efeitos da reforma tributária para o setor de alimentação fora do lar serão negativos ou muito negativos. Já 52,9% estimam o mesmo impacto ruim para os seus próprios negócios. Além disso, mais de 22% dos donos de estabelecimentos admitem não saber precisar as consequências práticas em suas operações.
Para Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, o setor precisa de um grande esforço de orientação para evitar decisões equivocadas. “Os empresários estão diante de uma transformação profunda no sistema tributário brasileiro, mas ainda sem acesso às informações necessárias para compreender todas as implicações da mudança”, explica.
Solmucci diz que o governo federal é quem deveria liderar este processo de esclarecimento, mas tem falhado na missão. “Em face disso, inclusive surgem a todo momento peças de desinformação sobre o tema nas redes sociais, muitas delas com falsos alertas que confundem ainda mais o empreendedor e a população. O principal desafio neste momento é garantir que os empresários e os responsáveis pela contabilidade dos negócios entendam o que muda na prática, quais decisões precisam tomar e em que prazo elas deverão ser tomadas”.
Bares e restaurantes do Simples Nacional
A inércia prática é ainda mais acentuada entre os bares e restaurantes enquadrados no Simples Nacional. Eles correspondem a 71,3% da amostra total da pesquisa da Abrasel. Apenas 10,6% desses empresários estão se preparando ativamente para a escolha do regime tributário que deve ocorrer em setembro de 2026.
Entre os que não estão se preparando, 33,6% apontam a ausência de informações suficientes para justificar a inação. E 29% afirmam que reconhecem o impacto da decisão, mas precisam de ferramentas e dados adicionais para escolher. Já 26,8% alegam que o prazo é curto e que o mercado ainda não está apto a dar orientações.
Os donos de bares e restaurantes também apontaram quais são as suas maiores dúvidas sobre as novas regras. A principal preocupação do segmento é com a formação de preços e margem de lucro, tema indicado por 49,4% dos entrevistados. O funcionamento básico dos novos impostos, o IBS e a CBS, gera dúvidas em 48,1% dos empresários. Já as regras da redução de 40% na alíquota e o aproveitamento de créditos fiscais confundem 46,8% do setor.
A pesquisa aponta ainda preocupações com a opção entre o Simples tradicional e o modelo híbrido (34,5%), o funcionamento prático do sistema de split payment (34%), o cumprimento de obrigações acessórias e emissão de notas fiscais (26,6%) e as datas e fases do cronograma de transição tributária (16,4%).
Prazo curto para definição de modelo
Com o calendário de transição tributária batendo à porta, os proprietários de bares e restaurantes enquadrados no Simples Nacional enfrentam uma decisão importante já em setembro de 2026. A Abrasel recomenda que as empresas do setor, especialmente aquelas que vendem para outras pessoas jurídicas, façam a opção preventiva pelo modelo híbrido de recolhimento do IBS e da CBS.
Essa modalidade garante que o estabelecimento continue transferindo créditos fiscais aos seus clientes corporativos, evitando a perda imediata de competitividade no mercado B2B.
Para proteger os empresários de bares e restaurantes em meio ao cenário de incertezas, há uma janela de segurança. Quem realizar a adesão ao modelo híbrido em setembro terá até o dia 30 de novembro de 2026 para desistir da escolha. Caso avalie que a migração não foi vantajosa para o negócio, poderá retornar ao formato tradicional do Simples Nacional.
O Brasil está longe de plantar toda a cevada de que precisa para dar conta dos mais de 15 bilhões de litros de cerveja que fabrica anualmente — o terceiro maior fabricante da bebida do mundo. Mas o país deu mais um passo em direção à autossuficiência. O Paraná, maior produtor brasileiro desse tipo de grão, bateu recorde de área plantada na primeira quinzena de agosto, com 129 mil hectares. A expectativa é de uma produção também histórica, com cerca de 550 mil toneladas, segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) divulgados pela Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) do Paraná.
O Brasil como um todo bateu o recorde de produção de cevada em 2025, com 606,6 mil toneladas ao todo — superando a previsão inicial de 516,5 mil. Com o novo impulso paranaense, 2026 pode superar esse número. A previsão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) é de 614,9 mil toneladas, um crescimento de 1,4% em relação ao ano anterior.
Paraná no topo do ranking da cevada
A área plantada com cevada no Paraná em 2026 superou as expectativas de cerca de 118 mil hectares e representa um crescimento de 24,4% em relação aos 104 mil hectares do ano anterior.
Com esse aumento e a diminuição no plantio no Rio Grande do Sul — que teve queda de 35,4% em relação à produção passada, saindo de 31,4 para 20,3 mil hectares —, o Paraná aumentou a sua participação de 74,5% para 84% no total brasileiro, também segundo dados da Conab. E se manteve como maior produtor nacional.
Gráfico: Guia da Cerveja, com informações do boletim da Safra de Grãos do Conar.
Por questões climáticas, a cevada é cultivada principalmente na região Sul, com pequena participação do estado de São Paulo.
“A produção concentra-se na região mais fria do estado. Sobretudo nos Regionais de Ponta Grossa e Guarapuava, que detêm 57,5 mil e 47,5 mil hectares, respectivamente. Embora Ponta Grossa concentre a maior área, a região de Guarapuava tende a registrar uma produção maior devido à sua superior aptidão climática”, explica o engenheiro agrônomo Carlos Hugo Godinho no boletim da Seab de 13 de agosto.
Na colheita, a Conab prevê que o Paraná deve responder por 88,1% da produção nacional este ano, atingindo sozinho 542 mil toneladas. A concretização das projeções dos órgãos estaduais e federais, é claro, depende ainda das condições climáticas em um ano de um El Niño muito forte, segundo as previsões dos meteorologistas.
O fenômeno aumenta o risco de alto volume de chuvas na região Sul. O que pode prejudicar a colheita, feita de setembro a novembro, e afetar a qualidade dos grãos.
O motivo para o aumento está relacionado com a cerveja. É verdade que a produção da bebida sofreu uma queda de volume de aproximadamente 8% em 2025, segundo o Anuário da Cerveja 2026 do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). No entanto, a demanda por cevada está aquecida por um déficit histórico e novos investimentos no setor de cevada e malte.
Um deles é a criação da Maltaria Campos Gerais, localizada entre Ponta Grossa e Carambeí, no Paraná, que passou a funcionar em junho de 2024. Ela é considerada a maior maltaria já construída no mundo em uma única etapa, com capacidade para produzir 240 mil toneladas de malte por ano. E projeta tornar-se a maior da América Latina após futuras expansões.
Além disso, Agrária Malte, em Entre Rios, no município de Guarapuava, já deu início à reforma e modernização de sua maltaria, com a construção de mais uma torre e todo um novo projeto voltado à produção de maltes especiais. Um investimento de aproximadamente R$ 1,1 bilhão.
Isso aumentou a demanda e o preço, fazendo com que a cevada se tornasse mais atraente para os produtores. Em janeiro de 2025, a saca de cevada registrou média de preço de R$ 84,93, chegando a R$ 92,08 em fevereiro. Segundo Godinho, o aumento de área plantada no Paraná no momento também é influenciado pela venda garantida. Apesar da safra recorde de 2025, todo o volume foi absorvido pelas maltarias.
“Estas indústrias fomentam a produção, garantindo a compra futura, ainda que seja necessário que se atendam rigorosos padrões de qualidade para aquisição. Caso repita as boas produtividades de 2025, podem ser produzidas mais de meio milhão de toneladas. O que ajudaria a diminuir as importações brasileiras, realizadas por estas mesmas indústrias”, explica no boletim de 26 de março.
Demanda histórica
A demanda por cevada para abastecer as cervejarias brasileiras é muito maior do que uma eventual queda no volume de produção, como ocorreu em 2025. Dados apresentados por Jeferson Caus, superintendente de Negócios da Cooperativa Agrária Agroindustrial, durante o painel “A Indústria da cerveja no Brasil: investimentos, tecnologias e o futuro pelo campo”, no Congresso “Do Grão ao Gole” em setembro do ano passado dão a dimensão da necessidade.
Para dar conta da produção anual de cerveja, o Brasil precisaria de 1.933.950 toneladas de malte. O volume produzido em 2024 foi de 955 mil toneladas, ou seja, apenas a metade. Há um déficit de 978,95 mil toneladas do produto, que é a cevada beneficiada pelo processo de malteação nas maltarias.
De cevada, importamos 922,5 mil toneladas em 2024, correspondendo a 77,31% da necessidade nacional.
O aumento da capacidade de malteação no Brasil com os novos investimentos tem impulsionado, inclusive, um aumento na importação de cevada. Em 2025 foram 933 mil toneladas, segundo Godinho. Com o Paraná respondendo por 58% desse total. “Consequentemente, as importações de malte de cevada recuaram. Em relação ao pico de 1,42 milhão de toneladas em 2021, o volume registrou uma queda de 28% em 2025, fechando em 1,03 milhão de toneladas”, diz.
Cada vez que o mercado de cerveja lança uma inovação, eu penso: “daqui a pouco vão colocar whey na cerveja”. Era só uma piada. Aí colocaram.
Tão rápido quanto muita gente correu para elogiar o lançamento da cerveja com proteína, outra parte da internet não botou tanta fé. Teve quem dissesse que agora dá para bater a meta de proteína no boteco. Outros lembraram que a única proteína aceitável perto de uma cerveja gelada continua sendo aquela servida ao ponto e bem acebolada.
O marketing que me perdoe, mas os memes são um ótimo termômetro do nosso tempo. Só que, dessa vez, acho que eles olharam para o lado errado.
A novidade não é a cerveja com proteína, mas que — queira você ou não — ela faz sentido em 2026. Nos últimos anos, a cerveja mudou demais: tiraram o glúten, as calorias, o álcool, o açúcar e, segundo alguns, a própria razão dela existir. A Gen Z bebe menos; o consumo mundial caiu; as cervejarias leiloam a própria dignidade pra tentar ser relevantes. Ou seja, aquela brejinha que sempre esteve no mesmo lugar na nossa vida precisou procurar novos espaços no nosso dia a dia.
A cerveja parece que vive uma crise de identidade.
Antes o jogo estava ganho. Bastava ser boa e chegar gelada. Agora, a cerveja precisa ser saudável, funcional, compatível com a academia, com a corrida noturna, com a dieta, não reagir com os remédios de emagrecimento, ficar bonita na foto do Instagram e fazer sentido em uma rotina que não gira mais em torno do happy hour.
Percebe como a conversa mudou?
A cerveja não briga mais com outras cervejas. A disputa agora é com suplementos, cafés especiais, energéticos, refrigerantes, água saborizada e qualquer coisa que prometa acompanhar o nosso estilo de vida e ainda render um bom post.
Talvez seja por isso que enfiaram proteína na cerveja. O que não tem a ver com reinventar a lei da pureza alemã, mas com um consumidor que não é mais o mesmo e com a eterna tentativa da indústria de acompanhar as tendências.
O ponto é: até onde uma cerveja pode mudar sem deixar de ser cerveja?
Não pergunto isso como purista, pelo contrário. E como alguém que trabalha com comunicação e marketing, entendo o drama da indústria e a necessidade de inovar.
O que me intriga é que, em algum momento, toda marca corre o risco de tentar agradar tanta gente que perde o próprio rumo. Na cultura pop, isso é conhecido como “fan service”, quando a direção e os roteiristas começam a guiar a história pelo termômetro das redes sociais, da fan base ou pela vontade de chocar a audiência. Isso acaba quebrando a lógica interna da série e dos personagens, como rolou em “Game of Thrones”, “Lost” e outras séries.
Talvez isso nunca aconteça com a cerveja e essa coisa de “beer protein” vire moda, vire categoria, vire barrinha sabor calabresa, pernil e medalhão de frango com bacon. O pessoal é criativo.
Ou talvez, daqui a alguns anos, a gente descubra que sempre subestimou os memes.
Enquanto a resposta não chega, continuo achando que a proteína vai muito bem com cerveja. Desde que venha no rechaud, rodeada de cebola dourada, maionese da casa e rodelas de pão francês que montam um combo de assustar qualquer Gen Z fã de balada de cafeteria. Mas é só a minha opinião. Qual é a sua?
Eduardo Sena é publicitário, entusiasta cervejeiro, podcaster e agitador etílico-cultural. Com mais de 20 anos de experiência como criativo, é diretor de conteúdo do Hora do Gole HUB — plataforma que conecta cerveja, cultura, equidade e criatividade. Também colabora como estrategista e criativo para outras marcas.
* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.