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Vai Brasa! Harmonizações com cervejas medalhistas do World Beer Cup 2026

Jayro Neto sugere combinações com rótulos vitoriosos na “Copa do Mundo das Cervejas” deste ano. Há sabores ácidos, amadeirados e até históricos

Em primeiro lugar: sim, é um péssimo slogan. Não vai pegar. É a nova caxirola (2014 feelings – bad feelings). Em segundo lugar, notícia fresquíssima, o Brasil levou 5 medalhas na quarta-feira (22) no World Beer Cup – a Copa do Mundo das Cervejas, anualmente conduzida pela Brewers Association (BA). Para ter uma noção do tamanho da competição, este ano foram pouco mais de 8 mil cervejas avaliadas, quase três vezes mais do que nas competições nacionais.

Foram elas: 

  • Cervejaria Unika – Catharina Sour Caju & Pitanga
  • Cervejaria Unika – The Famous Gose – Morango e Pitanga. 
  • 277 Craft Beer – Frutas Vermelhas 277 – Wood Aged
  • Cervejaria Stannis – Kapitan Lisa (Adambier)
  • Cervejaria Daroravida – Terminus 2026

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Ainda não tive oportunidade de degustar nenhuma delas e fiquei imaginando harmonizações com cervejas campeãs. Do mais fácil para o mais difícil – e daria um bom jantar de três a quatro tempos.

Harmonizações com cervejas campeãs

Ambas as cervejas da Unika são ácidas, com baixo teor alcoólico e com protagonismos das frutas. São de Santa Catarina. Com certeza eu iria de ostras! Aliás, eu levaria essas cervejas no Puro Oyster Bar no Jurerê. Vi o Pedro Soares “confeitar” ostras com vinagres, salicórnia e outras coisas superinteressantes quando o conheci na Feira Selvagem em 2023.

Imagino a Frutas Vermelhas 277 – Wood Aged, ácida, frutada e com presença de madeira com carnes vermelhas ou de caça, ou mesmo um magret malpassado (o único ponto correto do magret) com molho de redução da própria cerveja.

Aqui a coisa se complexifica. Eu, sinceramente, não me recordo de ter degustado sequer algum exemplar de Adambier. Tive que recorrer ao guideline

A Adambier é um estilo histórico de cerveja originário de Dortmund, na Alemanha. Trata-se de uma ale forte, escura e complexa, que se destaca pelo seu longo processo de maturação e perfil maltado robusto. Tradicionalmente, essas cervejas podem apresentar notas ácidas ou levemente defumadas devido ao envelhecimento extensivo em barris de madeira. O diferencial está no envelhecimento: o tempo em madeira pode adicionar um caráter de Brettanomyces ou acidez lática, mascarando parte do perfil original de malte e lúpulo. Embora versões modernas possam omitir o defumado, o estilo tradicional frequentemente inclui um toque de fumaça e pode, ocasionalmente, levar trigo na composição.

A Kapitan Lisa tem 9% de ABV e é uma cerveja robusta. Poderia acompanhar perfeitamente um toscano (charuto italiano defumado) após a refeição.

Já a Términus 2026, uma Barley Wine envelhecida em castanheira, merece um queijo azul brasileiro. Cuesta azul da Pardinho, com sua massa macia e untuosa, aromas e sabores pungentes do penicilinum, com sua casca levemente amarga. Tudo ali se encontra bem com uma cerveja potente, de alto teor alcoólico, frutada e com madeira.

Deu fome! Vai Brasa! Saúde!


Jayro Neto é somelelê, CFO, auxiliar administrativo e sócio da Cozalinda. É sommelier de cervejas desde 2015, campeão do Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas de 2019. Também atua como diretor financeiro da Abracerva desde 2022, é juiz BJCP Certified e coautor do livro Guia da Sommelieria Brasileira.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

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