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Consumidor

Entrevista: São Paulo Oktoberfest será a festa da democracia

Redação Guia da Cerveja
Por Redação Guia da Cerveja
28 de setembro de 2018
Atualizado em: 29 de setembro de 2018
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    são paulo oktoberfest
    são paulo oktoberfest

    A mais popular das festas mundiais cervejeiras começa nesta sexta-feira em São Paulo. Depois de agradar em sua estreia, a Oktoberfest sofreu mudanças para a segunda edição – especialmente no horário e na unificação do ingresso – e promete muita alegria e democracia ao visitante.

    Democracia. É esse mesmo o termo. Em período de turbulência política e intensa confrontação em mídias sociais, a São Paulo Oktoberfest garante que será um contraponto: terá democracia e respeitará a diversidade de todos os visitantes que forem ao Sambódromo do Anhembi, na capital paulista.

    Essa é a promessa de Walter Cavalheiro Filho, fundador da São Paulo Oktoberfest, que falou exclusivamente ao Guia da Cerveja. “Essa é a palavra: democracia”, conta o executivo, quando questionado sobre o que definiria o evento que começa nesta sexta, às 17 horas, e vai até o dia 14 de outubro (a festa funcionará de quinta a domingo).

    Walter destacou ainda a importância de uma festa tradicional como a Oktoberfest – criada em 1814 para celebrar o casamento do rei bávaro Ludwig, em Munique, e hoje espalhada por outras diversas cidades brasileiras – ter finalmente espaço em uma capital como São Paulo.

    “Imagina você que uma família pode vir para cá, ir na Oktoberfest um dia, pegar um Theatro Municipal no outro, ir na Rua 25 de Março fazer uma compra”, destaca.

    Confira, a seguir, a entrevista completa com Walter Cavalheiro Filho, fundador da São Paulo Oktoberfest.

    O que o público pode esperar da 2ª edição da São Paulo Oktoberfest?
    O público pode esperar democracia. Democracia através das mais diversas atividades familiares, em termos de atração, democracia gastronômica, com diversas opções alemãs, democracia através da culinária de diversas outras regiões, como italiana, japonesa, do pessoal vegetariano. Democracia também de um evento que tem um patrocinador master [Eisenbahn] que dá oportunidade para outras 30 pequenas cervejarias entrarem no evento, sendo que esse patrocinador não só abre um canal para que eles se comuniquem e coloquem seus produtos em experimentação, como também ajuda financeiramente, apoiando na produção . Então, acho que a democracia é a palavra que mais abrange, que você consegue percebê-la dentro do festival. E, também, tem a democracia na parte de shows, não só dentro da Biertent, onde teremos uma variedade de músicas típicas alemãs, mas também no Palco Rock, onde estão localizadas as cervejarias artesanais, com mais de 70 apresentações com bandas desse universo. A democracia também do Palco Sunset, onde vamos levar apresentações de músicas eletrônicas, com DJs renomados. Então, essa é a palavra: democracia.

    Uma excelente palavra, aliás, para um momento como o de agora.
    Exato. Um momento em que a democracia em nosso país precisa estar em evidência.

    E quais as principais diferenças em relação à 1ª edição?
    A primeira nos deu a oportunidade de entender o fluxo que nossos visitantes desejavam e esperavam para a segunda. Dentro das principais mudanças, acho que a mais perceptível é o evento ter crescido de dois finais de semana para três. Também teve o ajuste dentro do horário, principalmente nos dias de semana, entendendo que o nosso visitante é aquele que vem das empresas, que forma grupos de happy hour. Esses grupos chegam mais à tarde, então ajustamos o nosso horário para começar à tarde, às 17 horas, mas estender também um pouco mais para que o visitante tenha a oportunidade de ficar e passear pelos 24.000 m2 de evento. Outra grande novidade que implantamos foi a adoção do ingresso único. No ano passado, ele tinha diferenças quanto à área aberta, à Biertent. E, neste ano, com um trabalho feito entre a organização e o principal patrocinador, conseguimos entregar – com a exceção dos camarotes corporativos – o ingresso único com acesso a todos esses palcos, todas essas tendas.

    Com relação a rótulos e cervejarias, quais serão os principais destaques?
    Como disse, o principal destaque é ter ao nosso lado um patrocinador master que acredita na experiência cervejeira. Então, vamos levar cervejas do nosso patrocinador principal, que terá mais de 18 rótulos, entre eles um específico e sazonal que é o Oktoberfest. Tem outros rótulos também, como Weizenbier, Golden Ale, American IPA, envelhecida em barril de carvalho. E aí entramos nas artesanais, nas pequenas cervejarias, dando a oportunidade para que elas ganhem destaque e conotação dentro de um grande festival. Temos uma série de outros rótulos que nos trazem bastante alegria de ter no evento. São Lagers, são IPAs, são APAs, enfim, um universo de cervejas. De verdade, para aquele que gosta de cervejas, é um prato cheio.

    O evento, então, é propício tanto ao consumidor ligado ao mainstream quanto aquele mais aficionado por artesanais?
    Exatamente. Vai democraticamente abranger esses dois universos dando a opção, dando ao público uma experiência cervejeira inesquecível nesses 11 dias de evento.

    O que uma cidade como São Paulo, que já tem uma infinidade de eventos, ganha ao receber uma Oktoberfest?
    A cidade de São Paulo foi a primeira a receber as colônias vindas da Alemanha, o que aconteceu há mais de uma centena de anos, e depois elas caminharam para o Sul, para o Rio, para outras localidades do país. São Paulo, além desse fato, é a maior cidade industrial alemã fora da Alemanha. É um fato curioso: nenhuma outra cidade do planeta tem tantas indústrias alemãs como São Paulo. Aqui tem mais indústrias germânicas do que Munique, que é o berço da Oktoberfest. Trazer um evento desse para cá, então, faz todo o sentido. Planejamos isso de forma a trazer um evento que fosse uma réplica do alemão, de Munique. Reconhecemos que o evento de Blumenau é o mais antigo, e que é um sucesso, sem dúvida nenhuma. Mas o molde que gostaríamos de implantar – e conseguimos em 2017 – é de um evento em que os pilares fossem facilmente reconhecidos como: família, gastronomia (e dentro da gastronomia está inserida a cerveja, porque na Alemanha, principalmente em Munique, a cerveja é considerada alimento), música, diversão e amizade.

    Festa promete muita música e cultura (Crédito da imagem: Felipe Panfili)

    Esses foram os pilares que desenhamos lá atrás e implantamos em 2017 para quebrar paradigmas, porque as pessoas ainda confundiam muito a história do “pô, é Oktoberfest, vou para lá e tomar dez litros de cerveja”. Até pode ir lá e tomar dez litros de cerveja. Mas não é só isso. Você vai encontrar música, cultura, família, diversidade. Para nós, esses era o desafio e o evento mostrou que o paulistano gostou. O paulistano vai continuar indo para Blumenau? Claro, sem dúvida nenhuma. Mas queremos trazer para cá os catarinenses, os mineiros, os paraibanos, os sul-mato-grossense. Porque São Paulo é uma capital, como você disse na pergunta, que reúne diversas qualidades. Imagina você que uma família pode vir para cá, ir na Oktoberfest um dia, pegar um Theatro Municipal no outro, ir na Rua 25 de Março fazer uma compra. Então, São Paulo reúne uma série de outros programas que vão trazer para nossa cidade arrecadação através de tributos, movimentação comercial através de hotéis, de passagens aéreas. Ou seja, o evento contribui não só para diversão, amizade, alegria, mas também para a máquina econômica do município.

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