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Cervejarias da Asahi retomam produção no Japão após ciberataque

As seis cervejarias da Asahi retomaram a produção no Japão, segundo anúncio feito nessa segunda-feira (6) pela da Asahi Breweries, subsidiária de cervejas do grupo de bebidas Asahi. O comunicado vem uma semana após ser detectada uma falha nos sistemas em razão de um ciberataque que paralisou as operações do grupo no país. O incidente afetou o fornecimento de bebidas para bares, restaurantes e redes de conveniência.

A crise começou na manhã da segunda-feira (29 de setembro), quando o sistema da Asahi Group Holdings — responsável por marcas como Asahi Super Dry, Nikka Whisky e Mitsuya Cider — foi atingido por um ataque de ransomware. Esse tipo de crime digital bloqueia o acesso a sistemas e dados da empresa até que um resgate seja pago aos invasores. A Asahi confirmou o ataque em seu site oficial e disse ter acionado uma equipe de resposta.

O ataque afetou as cervejarias da Asahi somente no Japão, não interferindo na operação em outros países. A empresa paralisou operações críticas, como o registro de pedidos remessas, operações de call center e balcões de atendimento ao cliente. O ataque não teria afetado diretamente as cervejarias. No entanto, a organização teria optado por paralisar as atividades em decorrência do não funcionamento do restante do sistema logístico.

As fontes da imprensa internacional, no entanto, divergem sobre quantas manufaturas tiveram a produção interrompida de fato. O grupo tem cerca de 30 fábricas de bebidas no Japão.

Grande parte da divergência de informações está relacionada à política de sigilo adotada pela Asahi para não gerar danos adicionais. Com isso, não foram divulgados informações como o nome do grupo que atacou nem detalhes do processo.

Impactos

No site oficial, a Asahi informou que investigações em andamento “confirmaram indícios que sugerem uma potencial transferência não autorizada de dados”. Mas ainda não se sabe que tipo e a dimensão do vazamento de informações. “Estamos envidando todos os esforços para restaurar o sistema o mais rápido possível, enquanto implementamos medidas alternativas para garantir o fornecimento contínuo de produtos aos nossos clientes”, disse Atsushi Katsuki, CEO do grupo na nota.

Durante a paralisação, a companhia chegou a registrar pedidos manualmente e fazer entregas presenciais para manter parte do abastecimento. Ainda assim, bares e restaurantes japoneses relataram escassez da popular Super Dry, e redes como Lawson, FamilyMart e 7-Eleven começaram a substituir temporariamente os produtos da marca, segundo informações da Reuters.

A empresa retomou a produção no último dia 2 de outubro, mas só anunciou oficialmente a normalização parcial das fábricas nesta segunda-feira. Segundo comunicado, as cervejarias da Asahi já voltaram a fabricar a Super Dry e devem retomar o envio de mais de uma dezena de outros produtos a partir de 15 de outubro.

Mesmo assim, é quase certo que haverá impacto financeiro. Ações da companhia na bolsa caíram e a paralisação deve afetar os números do faturamento. O grupo tem produção diária de aproximadamente 6,7 milhões de garrafas de cerveja por dia no Japão.

O caso da Asahi é mais um entre diversos ataques cibernéticos que vêm afetando grandes corporações em 2025. Ja sofreram com o problema a Jaguar Land Rover e redes varejistas britânicas como Marks & Spencer e Co-op Group.

Cervejarias da Asahi

O grupo japonês Asahi Group Holdings foi fundado em 1889 como Osaka Beer Company. Transformou-se em um dos principais players globais de cerveja, destacando-se pela inovação com o lançamento da Asahi Super Dry em 1987. Sua relevância cresceu nos últimos anos por uma agressiva estratégia de aquisições internacionais.

Na última década, essa política incluiu a compra de marcas europeias icônicas como Peroni Nastro Azzurro, Grolsch, e Pilsner Urquell em um negócio multibilionário. Ela é também proprietária da Fuller’s no Reino Unido e foi o responsável pela aquisição da Anchor Brewing, icônica cervejaria artesanal de São Francisco, nos Estados Unidos — bem como sua recente crise de fechamento e venda.

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
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