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Preço da cerveja cai no início de 2026; índice é o menor para janeiro em 5 anos

E o ano começa com uma boa notícia. O preço da cerveja caiu em janeiro. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), houve deflação de -0,06%. Esta é a menor taxa para um mês de janeiro desde 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado considera as cervejas em domicílio. Já a produção industrial de bebidas alcoólicas apresentou recuo de -4,7% no acumulado do ano de 2025 em relação ao acumulado do ano de 2024.

Preço da cerveja cai

A variação negativa de -0,06% na inflação da cerveja em domicílio ficou abaixo dos 0,33% do IPCA do mês. O resultado interrompe a alta de oito meses consecutivos em que a bebida tinha variação de preço acima do índice geral. Já os preços das cervejas fora do domicílio tiveram avanço de 0,97% em janeiro, acima do IPCA. Esta é a maior taxa para o mês desde 2020.

Denise Ferreira Cordovil, da Gerência Nacional de Índices de Preços do IBGE, explica que, no caso da cerveja, o aumento em janeiro pode ser explicado por alguns fatores. Entre eles, a maior demanda relacionada às festas de fim de ano, o aumento do consumo no verão e o maior consumo como resultado do aumento da renda.

Em dezembro, o preço das cervejas teve alta de 0,73% em domicílio e de 0,60% fora do domicílio, enquanto o índice geral ficou também em 0,33%.

IPCAVariação sobre mês anterior (%)Variação acumulada no ano (%)
Índice geral0,334,44
Alimentação e bebidas0,232,2
Alimentação no domicílio0,10,46
Cerveja-0,065,39
Outras bebidas alcoólicas0,56-1,8
Alimentação fora do domicílio0,556,84
Cerveja0,974,22
Outras bebidas alcoólicas0,537,1
Fonte: IBGE

Onde a cerveja ficou mais cara?

Em janeiro, a cerveja ficou acima do IPCA geral em cinco das 15 capitais monitoradas pelo IBGE. A cidade que lidera o ranking é São Luís (MA), com alta de 2,39% no preço da cerveja em domicílio, se comparado ao mês anterior.

Na sequência vêm Goiânia (GO) e Recife (PE), empatadas com alta de 0,83%; Rio de Janeiro, com alta de 0,63%; e Brasília (DF), com alta de 0,38%.

As maiores quedas de preços foram registradas em Porto Alegre (RS), com recuo de -0,71%; Curitiba (PR), com -0,54%; e Campo Grande (MS), com -0,38%.

No acumulado de 12 meses, São Luís segue tendo a maior variação de preço, com alta de 9,13% na cerveja em domicílio; seguida pela Grande Vitória (ES), com variação de 8,93%, Recife (8,35%) e Campo Grande (MS), com alta de 7,29%.

Variação sobre mês anterior (%)Variação acumulada em 12 meses (%)
São Luís (MA)2,399,13
Goiânia (GO)0,836,96
Recife (PE)0,838,36
Rio de Janeiro (RJ)0,637,01
Brasília (DF)0,384,1
Fortaleza (CE)0,297,07
Belém (PA)0,15,86
Belo Horizonte (MG)0,043,4
Grande Vitória (ES)0,018,93
Salvador (BA)-0,013,72
Aracaju (SE)-0,075,56
São Paulo (SP)-0,334,62
Campo Grande (MS)-0,387,29
Curitiba (PR)-0,547,11
Porto Alegre (RS)-0,714,52
Brasil-0,065,39
Fonte: IBGE

Fabricação de bebidas recua em dezembro

Em meio à queda no consumo, a fabricação de bebidas alcoólicas industriais apresentou recuo em dezembro, de acordo com dados da PIM-PF (Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física), do IBGE. Este índice não mede a fabricação por tipo de produto, mas as cervejas correspondem a cerca de 90% do volume de bebidas alcoólicas produzidas no país.

Na leitura dos dados sobre a produção de bebidas alcoólicas, o índice captou um recuo de -5% em dezembro frente ao mesmo mês do ano anterior. E de -4,7% no acumulado de todo o ano de 2025 em relação ao acumulado do ano de 2024.

Já a fabricação de bebidas não alcoólicas teve avanço de 1,6% em dezembro de 2025 e de -0,3% no acumulado do ano passado.

No dado geral, a produção industrial do país teve recuo de -1,2% em 2025. Segundo André Macedo, gerente da PIM, esse “menor dinamismo guarda uma relação importante com a política monetária mais restritiva, especialmente marcada pelo aumento na taxa de juros, o que impacta diretamente nas decisões de investimento por parte das empresas”, avalia.

Fabricação de bebidas alcoólicas
MêsVariação sobre mesmo mês do ano anterior (%)Variação acumulada em 12 meses (%)
dezembro 2025-5-4,7
novembro 2025-6,5-4,6
outubro 2025-1,8-4,5
setembro 2025-6,7-4,8
agosto 2025-11,8-4,3
julho 2025-15,2-3
junho 2025-6,2-1
maio 20252,50,1
abril 20254-0,3
março 20250,5-0,4
fevereiro 2025-6,3-0,8
janeiro 2025-2,80,2
dezembro 2024-3,11,2
Fonte: IBGE

Élida Oliveira
Élida Oliveira
Jornalista formada pela PUC-PR, escreve sobre economia, investimentos, educação, ciência e saúde. Tem passagens pelo Estadão, Folha de S.Paulo, g1, El País, UOL e InfoMoney. Sempre curiosa por aprender e informar.
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