E o ano começa com uma boa notícia. O preço da cerveja caiu em janeiro. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), houve deflação de -0,06%. Esta é a menor taxa para um mês de janeiro desde 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado considera as cervejas em domicílio. Já a produção industrial de bebidas alcoólicas apresentou recuo de -4,7% no acumulado do ano de 2025 em relação ao acumulado do ano de 2024.
Preço da cerveja cai
A variação negativa de -0,06% na inflação da cerveja em domicílio ficou abaixo dos 0,33% do IPCA do mês. O resultado interrompe a alta de oito meses consecutivos em que a bebida tinha variação de preço acima do índice geral. Já os preços das cervejas fora do domicílio tiveram avanço de 0,97% em janeiro, acima do IPCA. Esta é a maior taxa para o mês desde 2020.
Denise Ferreira Cordovil, da Gerência Nacional de Índices de Preços do IBGE, explica que, no caso da cerveja, o aumento em janeiro pode ser explicado por alguns fatores. Entre eles, a maior demanda relacionada às festas de fim de ano, o aumento do consumo no verão e o maior consumo como resultado do aumento da renda.
Em dezembro, o preço das cervejas teve alta de 0,73% em domicílio e de 0,60% fora do domicílio, enquanto o índice geral ficou também em 0,33%.
| IPCA | Variação sobre mês anterior (%) | Variação acumulada no ano (%) |
| Índice geral | 0,33 | 4,44 |
| Alimentação e bebidas | 0,23 | 2,2 |
| Alimentação no domicílio | 0,1 | 0,46 |
| Cerveja | -0,06 | 5,39 |
| Outras bebidas alcoólicas | 0,56 | -1,8 |
| Alimentação fora do domicílio | 0,55 | 6,84 |
| Cerveja | 0,97 | 4,22 |
| Outras bebidas alcoólicas | 0,53 | 7,1 |
Onde a cerveja ficou mais cara?
Em janeiro, a cerveja ficou acima do IPCA geral em cinco das 15 capitais monitoradas pelo IBGE. A cidade que lidera o ranking é São Luís (MA), com alta de 2,39% no preço da cerveja em domicílio, se comparado ao mês anterior.
Na sequência vêm Goiânia (GO) e Recife (PE), empatadas com alta de 0,83%; Rio de Janeiro, com alta de 0,63%; e Brasília (DF), com alta de 0,38%.
As maiores quedas de preços foram registradas em Porto Alegre (RS), com recuo de -0,71%; Curitiba (PR), com -0,54%; e Campo Grande (MS), com -0,38%.
No acumulado de 12 meses, São Luís segue tendo a maior variação de preço, com alta de 9,13% na cerveja em domicílio; seguida pela Grande Vitória (ES), com variação de 8,93%, Recife (8,35%) e Campo Grande (MS), com alta de 7,29%.
| Variação sobre mês anterior (%) | Variação acumulada em 12 meses (%) | |
| São Luís (MA) | 2,39 | 9,13 |
| Goiânia (GO) | 0,83 | 6,96 |
| Recife (PE) | 0,83 | 8,36 |
| Rio de Janeiro (RJ) | 0,63 | 7,01 |
| Brasília (DF) | 0,38 | 4,1 |
| Fortaleza (CE) | 0,29 | 7,07 |
| Belém (PA) | 0,1 | 5,86 |
| Belo Horizonte (MG) | 0,04 | 3,4 |
| Grande Vitória (ES) | 0,01 | 8,93 |
| Salvador (BA) | -0,01 | 3,72 |
| Aracaju (SE) | -0,07 | 5,56 |
| São Paulo (SP) | -0,33 | 4,62 |
| Campo Grande (MS) | -0,38 | 7,29 |
| Curitiba (PR) | -0,54 | 7,11 |
| Porto Alegre (RS) | -0,71 | 4,52 |
| Brasil | -0,06 | 5,39 |
Fabricação de bebidas recua em dezembro
Em meio à queda no consumo, a fabricação de bebidas alcoólicas industriais apresentou recuo em dezembro, de acordo com dados da PIM-PF (Pesquisa Industrial Mensal — Produção Física), do IBGE. Este índice não mede a fabricação por tipo de produto, mas as cervejas correspondem a cerca de 90% do volume de bebidas alcoólicas produzidas no país.
Na leitura dos dados sobre a produção de bebidas alcoólicas, o índice captou um recuo de -5% em dezembro frente ao mesmo mês do ano anterior. E de -4,7% no acumulado de todo o ano de 2025 em relação ao acumulado do ano de 2024.
Já a fabricação de bebidas não alcoólicas teve avanço de 1,6% em dezembro de 2025 e de -0,3% no acumulado do ano passado.
No dado geral, a produção industrial do país teve recuo de -1,2% em 2025. Segundo André Macedo, gerente da PIM, esse “menor dinamismo guarda uma relação importante com a política monetária mais restritiva, especialmente marcada pelo aumento na taxa de juros, o que impacta diretamente nas decisões de investimento por parte das empresas”, avalia.
| Fabricação de bebidas alcoólicas | ||
| Mês | Variação sobre mesmo mês do ano anterior (%) | Variação acumulada em 12 meses (%) |
| dezembro 2025 | -5 | -4,7 |
| novembro 2025 | -6,5 | -4,6 |
| outubro 2025 | -1,8 | -4,5 |
| setembro 2025 | -6,7 | -4,8 |
| agosto 2025 | -11,8 | -4,3 |
| julho 2025 | -15,2 | -3 |
| junho 2025 | -6,2 | -1 |
| maio 2025 | 2,5 | 0,1 |
| abril 2025 | 4 | -0,3 |
| março 2025 | 0,5 | -0,4 |
| fevereiro 2025 | -6,3 | -0,8 |
| janeiro 2025 | -2,8 | 0,2 |
| dezembro 2024 | -3,1 | 1,2 |


