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Bebida do povo: Contra elitização, Bahia e Brahma se unem por cerveja a R$ 1

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Torcedores do Bahia festejam vitória sobre o Botafogo, em jogo que teve inédita parceria por cerveja barata (Foto: Felipe Oliveira)

O pedido de Guilherme Bellintani, presidente do Esporte Clube Bahia, para que seus torcedores boicotassem a cerveja dentro da Arena Fonte Nova surtiu efeito imediato. Pouco depois de protestar contra o aumento do preço da bebida, o clube fez uma parceria com a Brahma para vender a “piriguete” (versão de 269ml) por R$ 1 na porta do estádio.

A promoção foi válida antes da partida contra o Botafogo, nesta quarta-feira, pelo Campeonato Brasileiro. Desde às 18h e enquanto durou o estoque, a cervejaria que patrocina o clube vendeu sua “piriguete” por um preço promocional, em uma ação para incentivar o protesto do Bahia.

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Para garantir cerveja gelada e evitar tumulto, a Brahma montou um esquema especial para atender os ambulantes. Cada um deles pagou R$ 0,50 e pôde levar até 20 caixas. E o torcedor teve o direito de comprar dos vendedores ou mesmo do próprio depósito.

A interessante parceria não apenas garantiu a festa dos torcedores do Bahia, como jogou luz sobre dois assuntos recorrentes nesse universo que envolve futebol e cerveja: a elitização nos estádios e o preço da bebida.

Cerveja do povo
Em um momento de readequação de perfil dos estádios brasileiros, que viram os ingressos encarecerem excessivamente com o surgimento das novas arenas e afastaram tradicionais torcedores de baixa renda, o Bahia criou um movimento de vanguarda após Bellintani ser eleito presidente do time, no final de 2017.

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Assim, o “clube do povo” – como ficou conhecido nos últimos anos – fez planos populares de sócio-torcedor e baixou o preço de venda das camisas oficiais. Também desenvolveu inovadoras campanhas de inclusão contra o machismo, o racismo e a homofobia.

E, em um momento em que o mercado cervejeiro também debate sobre a readequação do valor das artesanais, o Bahia estabeleceu um acordo com a Arena Fonte Nova para vender cerveja dentro do estádio por R$ 6 – e com 50% de desconto para o sócio-torcedor.

Leia também: Preços altos travam democratização do mercado de artesanais

Tal acordo, contudo, finalizou e não foi renovado. Os administradores da Fonte Nova, então, aumentaram o preço da cerveja para R$ 8 e tiraram o desconto do sócio-torcedor, causando a revolta de Bellintani.

“Quem quiser tomar uma cervejinha, que tome na Ladeira (próximo ao estádio). Deixa os bares vazios (da Arena), porque é inadmissível que uma cerveja suba para R$ 8 dentro do estádio em uma cidade como Salvador”, pediu o dirigente na terça. “Se você quer um Bahia mais forte, que sabe negociar, que quer discutir os problemas de forma justa, participe do boicote.”

Se ainda não foi suficiente para sensibilizar os administradores da Arena, o boicote resultou na excelente iniciativa promovida pela Brahma e pelo clube. E o fanático torcedor do Bahia teve duplo motivo para celebrar: além de tomar cerveja a R$ 1 antes do jogo, viu seu time vencer o Botafogo por 2 a 0 e assumir a sétima posição do Campeonato Brasileiro.

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