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Beer Summit: Brasil caminha para se tornar um país exportador de lúpulo

Durante apresentação no Beer Summit, Rodrigo Baierle avaliou que o lúpulo brasileiro pode chegar a ter qualidade superior ao importado

No ano de 2015, a explosão do sucesso das cervejarias artesanais em todo o país despertou o interesse de muitos produtores pelo lúpulo, o que fez a planta voltar a ser cultivada no Brasil após décadas. Desde então, investimentos na produção fazem com que o lúpulo nacional comece a se transformar em uma realidade, reforçando as perspectivas de que ele se junte, um dia, aos itens do catálogo de exportação do país.

“O Brasil será um exportador de lúpulo”, assegurou Rodrigo Ertel Baierle, engenheiro agrônomo e um dos produtores de lúpulo nacional para cultivo comercial, durante a palestra “Cultivo de lúpulo no Brasil”, realizada nesta segunda-feira no Beer Summit, o maior evento online de conhecimento cervejeiro da América Latina, tendo sido idealizado e organizado por mulheres. Ele vai até o próximo domingo, com grandes nomes do mercado se conectando com o público para troca de conhecimento em busca de um universo cervejeiro com mais diversidade e pluralidade.

Confira as atrações e como participar do Beer Summit

Em sua apresentação no Beer Summit, Baierle destacou que, além de se tornar um produto para exportação, o lúpulo nacional pode chegar a ter qualidade superior ao importado. A certeza veio após conversas com importadores que, segundo ele, revelaram que o produto trazido ao Brasil costuma ser de classes inferiores. “Vamos proporcionar ao brasileiro o lúpulo fresco. Quando chegarem as variedades nacionais, a qualidade com certeza estará dentro dos patamares do importados ou superiores.”

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Hoje, 99% dos lúpulos usados pelas cervejarias são advindos da exportação. Mas o cenário aponta para a possibilidade de mudanças. Para Baierle, será possível cultivar a planta em todo o país e, em algumas regiões, poderão ter até duas ou três safras por ano, o que dará ao mercado nacional preços competitivos em relação aos praticados no mercado externo.

Já as cervejarias nacionais indicam ter boa aceitação em relação ao lúpulo brasileiro. Baierle relatou que a procura é quase diária pela sua produção. “Já estou com a safra de março quase toda vendida”, contou.

Retomada e desafios
Atualmente, o país cultiva uma área aproximada de 60 hectares de lúpulo em diversos estados. Santa Catarina é o responsável pela maior quantidade de produtores, principalmente na região serrana. Já Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul também são outros estados com participação importante.

As maiores áreas de cultivo no Brasil são estimadas entre dois e quatro hectares. E, entre as espécies produzidas, predominam as variedades norte-americanas, europeias e da Nova Zelândia.

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Segundo Baierle, com o auxílio da tecnologia, daqui a sete ou oito anos já será possível ter uma variedade nacional de lúpulo. Inclusive, já estão em desenvolvimento dois programas de melhoramento genético, ambos em São Paulo. Nos estudos, a planta precisa ser adaptada, produtiva, ter qualidade e não ser suscetível a doenças.

Entre os avanços para o segmento, ainda é possível destacar a criação em 2018 da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo), que tem atuado com troca de informações e palestras em todo território nacional.

A Aprolúpulo também possui uma cadeira na Câmara Setorial da Cerveja, criada no ano passado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). “As nossas demandas já foram levadas e as coisas começaram a acontecer mais rapidamente. O governo tem que agir também e fazer a sua parte para ajudar nas questões”, alertou Baierle.

Resultados obtidos
Ao analisar os resultados obtidos no decorrer destes cinco anos de retomada da fabricação do lúpulo, o especialista lembrou que diferentemente de outras nações, que já possuem histórico de produção, as lavouras brasileiras ainda são jovens. Isso significa que só a partir de agora será possível analisá-las em termos de produtividade.

Nossas lavouras já conseguem boa produtividade e devemos lembrar que em alguns lugares já temos até duas safras por região. Então, a nossa produtividade está parecida com a dos gringos. Precisamos agora aumentar a escala de produção

– Rodrigo Ertel Baierle

Sobre a qualidade do lúpulo nacional, Baierle assegura que o Brasil já tem plantas “muito boas”. Segundo ele, laboratórios internacionais já realizaram análises e constataram ser “possível produzir lúpulo de qualidade no Brasil”.

Assim, o beneficiamento seria o maior gargalo da produção nacional. A secagem é outro grande desafio, por conta do maquinário envolvido – o ideal é que seja feita em temperaturas baixas, evitando a perda de qualidade das folhas.

O beneficiamento também é uma das grandes críticas dos estrangeiros em relação à produção brasileira. Mas, segundo destaca Baierle, há lúpulo peletizado e com todas as propriedades preservadas no país.

Também já existem no mercado cervejas produzidas com o lúpulo nacional, como a da Lohn Bier, que leva na receita os lúpulos plantados em Santa Catarina. “Agora precisamos aumentar a produção para aumentar a escala e abastecer as cervejarias em todo o Brasil”, concluiu Baierle.

O evento
O Beer Summit foi idealizado e organizado por mulheres. O evento conta com cinco trilhas: Diversidade, equidade e inclusão, Negócios, marketing e empreendedorismo, Sommelieria, estilos, serviço e harmonização, Matérias-primas, processos e inovação, e Experiências, tecnologia, ciência cervejeira e equidade.

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