O Brasil produziu 15,34 bilhões de litros de cerveja em 2024 — a maioria, 15,23 bilhões, são de Lagers. Os dados são da Declaração Anual de Produção e Estoques, obrigatória para todas as cervejarias do país, e constam no Anuário da Cerveja 2025, elaborado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e divulgado em evento em parceria com o Sindicerv no início de agosto.
O volume total de cerveja fabricada corresponde a aproximadamente 8% de toda a cerveja do mundo. Para se ter uma ideia de dimensões, caso toda a produção nacional de cervejas fosse envasada em garrafas de 600 ml, seria necessário 1,28 bilhão de engradados para guardar toda a bebida e 1,5 bilhão de caminhões para transportá-las — o que, em fila, preencheria 19.180 km, ou meia volta na Terra.
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No entanto, cerca de 99,2% de toda a produção nacional se restringe a somente três categorias do levantamento: Lager leve clara, Pilsener e Outras Lagers. Essa concentração não contempla toda a variedade do universo da cerveja, que tem hoje mais de 200 estilos diferentes listados no Guia de Estilos de Cerveja da Brewers Association (Associação das Microcervejarias Americanas).
A Declaração Anual de Produção e Estoques também indicou uma ligeira queda na produção nacional, de 0,11%, se comparado ao ano anterior. De acordo com o Anuário, “os dados mostram que o setor ainda cresce, apesar da redução de sua velocidade”. Isso porque, apesar do recuo, o país teve mais de 100 novos registros de estabelecimentos concedidos em 2024.
Confira no infográfico abaixo esse e outros destaques da Declaração Anual de Produção e Estoques.

Aumento nas cervejas sem álcool
Embora a fatia de mercado ocupada pelas cervejas sem álcool ou desalcoolizadas corresponda a menos de 5% do total, a produção aumentou 536,9% em 2024, enquanto a produção nacional de cervejas com álcool registrou recuo de -4,4%.
Já as de baixo teor alcoólico ou com teor alcoólico reduzido (menos de 2% ABV) tiveram aumento de 40,3%, indicando que há um mercado a se explorar.
“Embora o volume declarado de produção de cerveja tenha observado a ligeira queda de 0,11% no total, verifica-se que o nicho de cerveja sem álcool (desalcoolizada) e de baixo teor alcoólico (de teor alcoólico reduzido) demonstram, isoladamente, alta em seus volumes de produção, o que pode indicar uma mudança no perfil de consumo”, aponta o anuário.

Além das Lagers e Pilsener
A maioria das cervejas produzidas no país em 2024 (58,3%) é do tipo Lager leve clara, seguido por Pilseners (32,4%) e Outras Lagers (8,5%). Isso significa que apenas 0,8% do volume produzido concentra todas as outras dezenas de tipos de cerveja possíveis, como as Malzibier (0,3%) e estilos como as IPAs (0,2%). Isso representa aproximadamente 123 milhões de litros.
É pouco. No entanto, o Brasil é o terceiro maior produtor de cerveja do mundo. Percentuais pequenos escondem grandes volumes. Essa mesma quantidade é ligeiramente maior que toda a produção anual de um país de proporções menores como a Nicarágua — que registrou cerca de 120 milhões de litros em 2024, segundo o relatório Barth-Haas Report publicado em julho.

Recuo na puro malte
A produção de cervejas puro malte ou 100% malte corresponde a uma fatia de quase 25% do mercado. No entanto, elas tiveram um recuo na produção de 15,5% entre os anos de 2023 e 2024. Já as demais cervejas feitas com adjuntos cervejeiros correspondem a pouco mais de 75% do total da produção em 2024, tendo variação de 6,2%.



