Desde à Pandemia de Covid-19, as cervejarias artesanais brasileiras vêm enfrentando desafios constantes. O crescimento diminuiu de ritmo e a economia não está ajudando. Mesmo assim, há marcas de perfis e tamanhos variados que projetam crescimento de até 50% em 2026. Essas previsões apareceram no levantamento que o Guia da Cerveja fez no final do ano passado com 21 executivos de cervejarias artesanais brasileiras. Além de pedir um balanço de como foi 2025, a reportagem perguntou sobre as perspectivas para o novo ano.
Entre elas está a Arkangel Beer, única cervejaria de Arujá (SP), município da região metropolitana de São Paulo vizinho da cidade de Guarulhos e que possui cerca de 80 mil habitantes. A meta da cervejaria é crescer ao menos 50% ao longo deste ano, de acordo com um dos fundadores, Luis Henrique Barros.
Ela é uma cervejaria de porte pequeno, mas não é nova. Tem mais de sete anos de história e que produz vários estilos de cerveja. Entre os rótulos estão: Arkangel Uriel, uma Irish Red Ale com 6,5% ABV; a Arkangel Raguel, uma Witbier de 5,1% ABV; a Arkangel Rafael, uma Weissbier que também tem 5,1% ABV; a double IPA Lilith, de 8,7% ABV; e a Blond Ale Arkangel Gabriel de 5,2% ABV.
Na mesma linha de otimismo, a Hespanha Brewery, de Paranaguá (PR), espera um incremento de 20% a 30% em seu desempenho em comparação ao ano anterior, segundo o sócio-proprietário João Hespanha. A marca opera no modelo de cervejaria cigana — ou seja, sem fábrica própria. Ela terceiriza a produção em outras plantas fabris.
A cervejaria fez, em colaboração com a Yellow Bird Brewery, de Pinhais (PR), a melhor cerveja do Brasil na Copa Cerveja Brasil em 2025. Trata-se da Frutopia Amburana, uma Brazilian Wood and Barrel Aged Sour Beer que combina Catharina Sour — estilo brasileiro de cerveja ácida — e incorpora amoras, morangos, tangerina e limão, com um toque final dado pela maturação com chips de Amburana (madeira aromática tipicamente nacional).

Expansão das cervejarias artesanais
É fácil crescer muito e rápido se a produção é pequena ou está no início. No caso de uma fábrica de 2 mil litros, passar para 3 mil litros é um crescimento de 50%. Mas não são só as microcervejarias ou ciganas que estão vislumbrando um 2026 melhor. A carioca Hocus Pocus pretende expandir quase esse percentual, mesmo com capacidade acima de 100 mil litros. “Com uma operação mais robusta e um time cada vez mais alinhado ao nosso propósito, projetamos um crescimento em torno de 45%”, afirma o fundador Vinicius Kfuri.

A marca carioca é uma das precursoras das cervejas New England IPA no Brasil e produz outros rótulos como Orange Sunshine, uma American Blonde Ale de 5% ABV; Aura, uma Session Hazy IPA de 5% ABV; Magic Trap, uma Belgian Golden Strong Ale de 8,5% ABV; Alma, uma Oat Lager de 4,4% ABV; APA Cadabra, uma American Pale Ale de 5,2% ABV; e a Interstellar, uma American IPA de 7% ABV.
Já Monka Cervejaria, localizada no bairro Olhos D’Água, em Belo Horizonte, se classifica como maior brewpub de Minas Gerais. Aberto no início de 2025, recebeu investimento superior a R$ 1 milhão e tem capacidade para acomodar cerca de 400 pessoas sentadas (até 1,5 mil em eventos). A produção é superior a 20 mil litros de cerveja por mês.
Para Guilherme Marinho, fundador da Monka Cervejaria, o mercado vem passando por um processo de amadurecimento após a Pandemia de Covid-19. E isso deve resultar em crescimento. “No ano de 2026, não tenho dúvida, esse processo vai continuar e esse amadurecimento, tanto em relação às cervejarias quanto em relação ao consumidor, vai fazer com que o consumo das cervejas artesanais venha a aumentar”, diz. “Então, vemos 2026 com muito otimismo”, completa.
A Monka fabrica quatro rótulos de cerveja, entre eles a Mico Leão Dourado, uma Pilsen com álcool por volume (ABV) de 4,4%; a Babuipa, uma American IPA de 6,5% ABV; a Saimiri, uma Hop Lager de 4,4% ABV; e a Orangotango, uma Amber Lager de 4,5% ABV.
Desafios e foco em qualidade
Entretanto, esse crescimento não virá sem desafios. O setor atravessa uma fase de consolidação, na qual o ritmo de surgimento de novas fábricas diminuiu, e a tendência é que o número de fechamentos supere o de novas aberturas nos próximos anos, segundo Guilherme Marinho.
Para sobreviver e crescer neste cenário, a qualidade e a inovação deixam de ser diferenciais para se tornarem requisitos básicos de permanência. “As cervejarias artesanais que se dedicarem a entregar qualidade vão continuar existindo e o consumo vai continuar aumentando, tudo alinhado às tendências de inovação e adaptação ao perfil do consumidor”, diz Marinho, da Monka Cervejaria, que não especificou um percentual de aumento da produção.

Flávio Moret, sócio-proprietário da DosMoret, concorda que 2026 será um bom ano para o setor cervejeiro artesanal. Mas, para ele, isso não significa que será fácil. “O mercado está estagnado ou em retração, e a competição será muito baseada em preço. Não será fácil”, diz Moret. Em 2025, ele e seu irmão e sócio, superaram o desafio de abrir uma própria fábrica em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. A produção inclui rótulos permanentes, como a Session IPA DosMoret e a Fruit n’ Sour, além de cervejas sazonais.


