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Indústria

Entrevista: Indústria 4.0 chega ao setor com interface homem-máquina e realidade aumentada

Redação Guia da Cerveja
Por Redação Guia da Cerveja
16 de maio de 2019
Atualizado em: 16 de maio de 2019
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    realidade aumentada

    A quarta revolução industrial, mais conhecida como indústria 4.0, chegou ao mercado para desempenhar uma mudança sem precedentes na dinâmica da economia mundial. Panorama que obviamente já atinge o setor cervejeiro, sobretudo em pilares como interface homem-máquina, realidade aumentada e monitoramento de equipamentos, que trazem perspectivas capazes de revolucionar a produção de uma cervejaria.

    Essa é a análise de Thomas Junqueira Ayres Ulbrich, diretor-executivo da VDMA Brasil, a representante no país da Associação Alemã dos Fabricantes de Máquinas e Instalações Industriais, uma das mais importantes entidades mundiais no setor de máquina e equipamentos.

    Em entrevista exclusiva ao Guia, Thomas Ulbrich faz uma análise detalhada sobre a relação entre indústria 4.0 e cervejarias. E mais: traça uma comparação entre os mercados etílicos alemães e brasileiros, além de detalhar o que o precisa ser feito no país para atingir um grau maior de maturidade.

    “Considero a cerveja um dos aspectos da histórica e multifacetada parceria que existe entre o Brasil e a Alemanha”, aponta o diretor da VDMA Brasil. “Os futuros desafios dessa indústria estão voltados à digitalização, aos ganhos em produtividade e à utilização adequada dos recursos disponíveis.”

    Confira, a seguir, a imperdível entrevista com Thomas Junqueira Ayres Ulbrich, diretor-executivo da VDMA Brasil.

    Como a VDMA avalia o grau de desenvolvimento da indústria brasileira de cerveja e quais seriam os nossos grandes desafios?
    De acordo com estatísticas internacionais, o Brasil ocupa a terceira colocação no ranking mundial de produção de cerveja. Um mercado que já atingiu essa dimensão só pode, no meu ponto de vista, ter um grau de desenvolvimento comparável aos mais avançados do mundo. Esperamos que nos próximos anos esse mercado continue sua trajetória de crescimento, seja pela evolução tecnológica, seja pelo aumento da produção, pelo lançamento de novos produtos e, também, pelo aumento no número de consumidores.

    Para a VDMA – Associação Alemã dos Fabricantes de Máquinas e Instalações Industriais (em alemão, Verband der Deutschen Maschinen- und Anlagebau), os futuros desafios dessa indústria estão voltados à digitalização, aos ganhos em produtividade e à utilização adequada dos recursos disponíveis. Para qualquer um dos casos, tenho certeza, as empresas associadas à VDMA estão em condições de contribuir com soluções inovadoras e consistentes.

    De maneira geral, o que a indústria cervejeira brasileira e alemã tem em comum e como é hoje a interação entre esses dois mercados?
    Considero a cerveja um dos aspectos da histórica e multifacetada parceria que existe entre o Brasil e a Alemanha. As primeiras cervejarias no Brasil, fundadas no século 19, foram iniciativa de imigrantes alemães, o que já demonstra a proximidade entre os dois países. De lá para cá, a indústria cervejeira evoluiu muito e a parceria entre brasileiros e alemães, posso dizer, só se fortaleceu. Afinal, os maiores fabricantes de instalações industriais para produção de cerveja no mundo são alemães. Essas empresas, associadas à VDMA, atuam no Brasil. Mas não é só na produção, isto é, na moagem, na brasagem, na filtragem que as empresas de origem germânica marcam presença. No campo da logística – armazenamento e transporte – também existe uma proximidade muito grande entre empresas representantes das duas economias. E não podemos esquecer a formação profissional. Afinal, para qualquer aspirante a cervejeiro, fazer um estágio profissional na Alemanha é mais do que um sonho. É quase uma obrigação!

    Há ainda um outro aspecto comum entre os dois mercados ao qual quero me referir. Trata-se do boom das cervejarias artesanais, observado tanto na Alemanha quanto no Brasil. Essas iniciativas procuram apresentar ao mercado produtos que, de forma criativa, se diferenciam daqueles “tradicionais”. Naturalmente, quem ganha com todo esse movimento é o consumidor!

    Quais as principais lições que a indústria brasileira pode tirar desse histórico setor na Alemanha?
    Acho que há um marco na história da cervejeira alemã que deveria servir de guia para o setor em todo mundo, inclusive o Brasil. É o “Edital de Pureza da Cerveja”, um documento escrito há mais de 500 anos e pelo qual os produtores se comprometem a produzi-la exclusivamente com quatro ingredientes: água, malte, lúpulo e cevada. Desde então, o certificado sofreu algumas alterações, mas a sua essência se mantém, pois trata-se da responsabilidade do produtor assegurar a qualidade do produto que oferece ao mercado. Mesmo trabalhando só com quatro ingredientes básicos, as 1.500 indústrias cervejeiras estabelecidas na Alemanha produzem, atualmente, 6 mil tipos de cerveja que se diferenciam por cor, aroma e sabor. Essas características são resultantes das variedades das matérias-primas e dos diferentes processos de melhorias na produção.

    Como a indústria 4.0 tem auxiliado na potencialização da indústria cervejeira alemã? Quais os principais pilares utilizados e como eles otimizam a produção?
    A indústria 4.0 desempenhará um papel cada vez mais importante não só na indústria cervejeira, mas na indústria em geral. Seu objetivo é aprimorar o fluxo de informações entre máquinas, pessoas e processos, aumentando os índices de eficácia e rentabilidade. A digitalização irá gradualmente abrir novos potenciais de inovação que nem sequer conhecemos. Trata-se de um novo patamar na evolução da indústria. Estamos no início desse processo e é ainda difícil antever todas as mudanças que trará. A VDMA está bastante atenta a essas transformações e a indústria 4.0 já é um dos temas centrais em nossa associação.

    No que se refere ao setor cervejeiro, observamos que ele tem se envolvido bastante com os temas ligados à indústria 4.0 com destaque para áreas como monitoramento das condições das máquinas, assistência remota, interface homem-máquina (HMI – human machine interface, em inglês) e realidade aumentada. Todos são aspectos que contribuem para a atuação independente das linhas de produção e de enchimento e, mais importante, para a reação inteligente das máquinas a mudanças não previstas. Paralelamente, observamos que a indústria cervejeira continua focada na utilização eficiente dos recursos disponíveis. Isso envolve questões relativas à limpeza da linha de produção, sensores que detectam impurezas, lavagem automática dos tanques de armazenamento, etc.

    Em termos de tecnologia industrial, o que a VDMA projeta como tendência para o setor cervejeiro nos próximos anos? E como essas novidades podem mexer com o mercado?
    Como já dito na pergunta anterior, estamos no início de uma nova era industrial. Ainda não temos condições de dizer o que virá com a 4.0, mas certamente, muita coisa vai mudar para o setor cervejeiro, seja na produção, no armazenamento, no estoque, no transporte ou na distribuição. Importante é saber que a VDMA e seus associados acompanham essas alterações para estarem aptos a atender e antever, a qualquer momento, as necessidades de seus clientes da melhor forma possível.

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