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6 dicas para o cervejeiro fazer boas compras na Black Friday

Depois de um início difícil no mercado brasileiro, com supostas promoções que resultavam em preços até mais elevados do que o usual, a Black Friday se ajustou nos últimos anos e se consolidou como uma das principais datas do varejo. E a expectativa por encontrar preços especiais naturalmente chegou ao setor cervejeiro.

Algumas marcas, como a Invicta, já se anteciparam com excelentes promoções, e o consumidor já vem sendo bombardeado com liquidações e ações de marketing – boas e ruins – por todos os lados. Para se sair bem na Black Friday comprando cerveja com preços realmente bons, o essencial é ter organização. O Guia da Cerveja conversou com dois especialistas, que listaram seis dicas preciosas para aproveitar as oportunidades. Fique atento e boas compras!

1- Prepare-se antes
Se o brasileiro tende a tudo procrastinar, a Black Friday exige um rompimento com essa tradição. Para saber se fará uma boa compra na sexta-feira, o cervejeiro precisa ter certa familiaridade com o produto. “O primeiro movimento é se preparar com antecedência. Para entender se aquela Black Friday tem ou não benefício, você tem de ter, no mínimo, alguma noção de preço, porque se não você tende como consumidor a ficar refém das estratégias de marketing e de preço. Esse é o primeiro ponto: ter tido ao longo do ano alguma interação para realmente entender o benefício”, explica Patricia Cotti, diretora-geral do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (Ibevar) e professora da Academia de Varejo e da Fundação Instituto Administração (FIA).

2- Entenda a dinâmica
Sabe aquelas promoções prévias à Black Friday, que prometem preços melhores antes da sexta-feira? Então, em alguns casos, é verdade mesmo. Ou seja, você pode comprar cerveja mais barata na quarta ou na quinta, sem o risco de pegar um site congestionado, por exemplo. Mas, para isso, é preciso atenção à dinâmica dos varejistas. “O consumidor precisa se planejar para encontrar o que quiser com um bom preço”, avisa Eduardo Terra, presidente da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC). “O Magazine Luiza fez uma divulgação avisando: esses produtos anunciados não estarão mais baratos na Black Friday. Ele deixou claro. Por isso é importante o planejamento, pois o consumidor precisa saber quanto custa no preço normal, para ter o senso crítico se aquela oferta está ou não interessante.”

3- Cadastre-se nos sites
A Black Friday vem mudando sua cara. Nos últimos anos, a dinâmica veio se modificando e atualmente os varejistas têm apostado em publicidade online, direta, que trabalhe a base de dados – e menos as mídias tradicionais. Então, depois de fazer uma pesquisa prévia sobre as lojas de cerveja, é preciso se cadastrar, porque as ofertas chegarão diretamente pela via digital. “É fundamental ter feito o cadastro nas principais lojas”, garante Eduardo. “Não adianta ficar esperando a televisão. O consumidor precisa se organizar”. Assim, “contar” para seus varejistas preferidos que você está disposto a receber ofertas e qual o tipo de produto você pretende comprar funciona como uma ferramenta para se encontrar no mar de promoções.

4- Busque, compare, garimpe
Depois de entender a dinâmica dos preços cervejeiros e de se cadastrar nos principais varejistas, o cervejeiro tem uma coisa óbvia e essencial a fazer: comparar as ofertas. “Um ponto fundamental para uma boa compra é essa parte de buscas e comparações”, atesta Patricia Cotti, da FIA. “É pesquisar, pesquisar e pesquisar. Não tem outro jeito”, concorda Eduardo, da SBVC. “A Black Friday é um grande garimpo para o consumidor e ele precisa procurar as ofertas.”

5- Acorde cedo
O varejo de alimentos e bebidas, que inclui o mercado cervejeiro, trabalha com uma especificidade: as vendas são feitas por lotes. Ou seja, há o risco da cerveja e de seu estilo preferido acabarem. “Se você quiser mesmo investir, você precisa fazer cedo, especialmente nos e-commerce. Historicamente, no caso das bebidas, sabemos que isso acaba sendo divulgado por lotes. Então, eles colocam o primeiro lote, estoura e, quando você vai ver, não tem mais o lote. É importante o horário, principalmente no caso de alimentos e bebidas”, alerta Patricia. “Existe o risco de, na sexta-feira, acabar o produto. É o que chamamos de ruptura, o término dos estoques, que tem sido muito comum na Black Friday”, reforça Eduardo.

6- Se preciso, não compre
E se você fez toda a pesquisa indicada, cadastrou-se, comparou e, ainda assim, achou que o preço de suas cervejas favoritas não valia a pena? Ou, então, mesmo que valesse, o estoque daquela IPA querida ou da belga almejada já tenha acabado, sobrando estilos e rótulos menos apreciados? O segredo, então, é esperar a próxima oportunidade. Black Friday não é necessariamente sinônimo de compra. “As pessoas também precisam se preparar para não comprar na Black Friday. Você estará com a antena ligada e, se vier a oportunidade, compra. Mas, se não vier, não compra”, recomenda o presidente da SBVC.

Para facilitar seu trabalho, o Guia da Cerveja publicará nesta quinta-feira um resumo com as principais ofertas de cerveja. Não perca.

Black Friday: Stout limitada provoca fila nos EUA

O varejo dos Estados Unidos inventou a Black Friday, que leva milhões de consumidores insanos para filas quilométricas em portas de lojas de eletrônicos e eletrodomésticos. As cervejarias artesanais, no entanto, trataram de remodelar o evento. Se nas lojas tradicionais a fila é de gente sedenta por produtos regulares, que estão nas prateleiras o ano todo, na porta das cervejarias a fila é por lançamentos de edições limitadíssimas de Stout envelhecida.

A tradição começou com a Goose Island: desde 1992 a cervejaria se dedica a envelhecer cerveja em barris de madeira. O que hoje pode ser considerado um procedimento comum, deve muito de seu desenvolvimento às experiências da cervejaria de Chicago com sua Stout em barris usados por destilarias de uísque como Evan Willians e Jim Beam. Os resultados dessas ousadias são cervejas com personalidade inigualável, dignas do rótulo de “raras”.

No começo dos anos 2000, a seleta leva de cervejas Stout maturada em madeira pela Goose Island passou a ser anunciada como a grande atração da Black Friday. Assim, fãs da marca se dispuseram a acordar cedo na manhã após o feriado de Ação de Graças para provar a Bourbon County Stout da marca.

Nos primeiros anos, apenas os beergeeks mais aficionados se davam esse trabalho. Mas, com o passar do tempo, filas enormes passaram a pipocar na sede – em 2017 foram mais de 2 mil pessoas – e nos pontos de venda da marca por todo o país, à espera da edição limitada. Esse ano é a primeira vez que oito variações da Bourbon County serão lançadas, sendo que a Proprietor’s (do proprietário, em inglês) estará disponível apenas em Chicago. Os preços não foram divulgados, mas nos anos anteriores variaram entre US$ 9,90 e US$ 18,99 por garrafa.

Outras cervejarias, no entanto, compreenderam a eficácia da fórmula e passaram a adotar estratégias semelhantes, lançando rótulos limitados na Black Friday. A maioria delas se mantém fiel à tradição traçada pela Goose Island, preparando Stouts envelhecidas. O estilo faz sentido para a ocasião: Chicago tem temperaturas médias abaixo de 10 graus em novembro.

Mas nem só de glórias se faz uma tradição. Durante o processo de maturação, a edição de 2015 da Bourbon County foi contaminada pela bactéria lactobacillus acetotolerans, que não faz mal algum, mas provoca off-lavors. O resultado é uma bebida muito mais azeda do que o desejado. Na época, a empresa fez um recall do lote contaminado, oferecendo uma compensação para os clientes que se sentiram lesados.

Consciência Negra: A cerveja e a obra crucial da filósofa Sueli Carneiro

Uma das mais decisivas pensadoras brasileiras da atualidade receberá nesta terça-feira uma importante homenagem. E ela virá com notas de lúpulo africano. Para celebrar o Dia da Consciência Negra, a Goose Island Sisterhood – confraria feminina da tradicional norte-americana Goose Island – lançará uma bebida inspirada em Sueli Carneiro.

A homenagem vem reforçar uma trajetória rica e de extrema abrangência histórica, social e política. Filósofa, escritora e uma das mais importantes ativistas do movimento social negro brasileiro, Sueli Carneiro é fundadora e atual coordenadora executiva do Geledés – Instituto da Mulher Negra.

Fundado em abril de 1988, o Geledés luta em defesa de mulheres e negros e, também, contra as formas de desigualdade e discriminação que limitam a realização da plena cidadania, como a lesbofobia, a homofobia, os preconceitos regionais e de credo. Seu nome veio inspirado no termo Gèlède, uma forma de sociedade secreta feminina de caráter religioso existente nas sociedades tradicionais yorubás.

Mas não é apenas com sua atuação no instituto que Sueli Carneiro conquistou espaço decisivo na sociedade brasileira. Ganhadora do Prêmio Itaú Cultural 30 Anos em 2017 e do Prêmio Trip Transformadores em 2018, a filósofa atuou decisivamente na construção do movimento negro e feminista do país. Tornou-se, assim, mesmo diante dos constantes e cada vez mais brutais ataques às minorias, uma das grandes referências na tentativa de formulação de uma nação menos exclusiva.

“A Sueli é uma figura muito importante no Brasil para o movimento negro, para o movimento feminista e para o movimento de mulheres negras”, explica a escritora e pesquisadora Bianca Santana, que está trabalhando em uma biografia sobre a pensadora. “Escutei certa vez em uma entrevista sobre ela, de uma feminista das antigas, que o feminismo brasileiro hoje reconhece a diferença de raça e classe entre mulheres, o que é visto como um avanço internacionalmente. E isso se deve às feministas negras e especialmente à Sueli Carneiro.”

Autora do importante livro Quando me Descobri Negra e uma das três representantes brasileiras na edição deste ano da Feira do Livro de Frankfurt, a mais importante festa literária do mundo, Bianca conta que Sueli sempre teve uma natural habilidade política, o que foi decisivo para o avanço institucional da luta contra o racismo.

“A Sueli trabalhou pesado para colocar o combate ao racismo como pauta dos direitos humanos, e isso foi uma construção política que não foi fácil de se fazer. E, de fato, ela enegreceu o feminismo”, aponta a escritora. “Ela tem uma habilidade política extraordinária. Consegue compor com pessoas muito diferentes, seja com homem branco, seja com pessoas com concepções políticas realmente diferentes. Tem uma inteligência política enorme para fazer as composições necessárias.”

Sueli também foi decisiva na construção de outras pautas fundamentais nas últimas décadas. É o caso, por exemplo, das cotas nas universidades públicas. “Não há nada do que ocorreu nos últimos 30 anos, seja no movimento negro ou de mulheres, que não passa necessariamente por ela. Você pega as cotas e ela foi essencial para que a pauta fosse colocada na agenda, para que o debate público acontecesse, para que as políticas fossem implementadas.”

Além da habilidade política e da representatividade em temas fundamentais, Sueli tem uma concepção teórica muito aguçada, segundo Bianca. “Ela é brilhante, realmente muito inteligente, então é muito rápida, articulada, sensível, intuitiva”. Compreende, ainda, a importância da luta coletiva – e que a luta só pode ser travada no coletivo. “Mesmo com todas essas características, ela não se tornou um ícone, não se afastou das pessoas, não virou celebridade. Muito pelo contrário”.

O Geledés, acrescenta a escritora, é um exemplo dessa capacidade de articulação coletiva. “O portal do Geledés tem uma importância gigante no combate ao racismo. Muitas vezes ele se juntou a outras organizações para travar a luta necessária”, complementa Bianca, antes de arrematar.

“Então, ela é alguém brilhante individualmente e que consegue articular a luta coletiva. É generosa e, como formuladora teórica, é uma das pensadoras mais brilhantes que temos. Mas o Brasil tem isso: não reconhece quem produz aqui, e o mundo tampouco reconhece quem produz em português. Ainda assim, o pouco dela traduzido ao inglês roda bastante. Precisamos ter mais da produção dela circulando por aqui e lá fora, pois ela é muito brilhante, fora do padrão mesmo.”

A cerveja de Sueli
A homenagem à pensadora parece ter sido rigorosamente pensada pela Goose Island. O estilo que a brindará, afinal, será o African IPA, uma India Pale Ale com lúpulos africanos (african queen e southern passion no dry hopping). Tem coloração cobre clara, aromas frutados e cítricos e o amargor bem presente, com 5,5% de teor alcoólico e 55 IBUs. Por indicação de Sueli, o lucro da cerveja será doado ao Geledés.

Sueli no processo de produção de sua cerveja

“Fiquei muito contente com essa homenagem. Não estamos aqui apenas para falar sobre o lançamento de uma nova cerveja, mas para trazer essa discussão e reflexão para a realidade das pessoas. Uma mesa de bar também pode ser um ótimo lugar para debater diversos temas e novas ideias com seriedade”, garante Sueli.

A escolha pela filósofa como homenageada, aliás, foi quase uma unanimidade na Goose Island Sisterhood. Surgiu quando Simone Gomes, Thami Dias e Stephanie Ribeiro, integrantes da confraria e representantes do movimento negro, buscavam uma referência no ativismo. Rapidamente, chegaram a ela.

“Sueli Carneiro é uma mulher que precisa ser lembrada pela sua atuação na discussão sobre gênero e raça no Brasil. Falamos muito sobre feminismo hoje em dia em espaços que não conseguiríamos ter legitimidade. Não foi à toa que isso aconteceu. Isso é fruto do trabalho de inúmeras mulheres, inclusive da Sueli. Somos mulheres negras e, na nossa sociedade, as coisas não são fáceis e não são dadas para a gente”, aponta Stephanie.

“Todas as cervejas da Confraria Sisterhood contam com a participação de diversas mulheres, já amantes e conhecedoras de cerveja ou até mesmo aquelas que querem saber um pouco mais sobre a confraria”, acrescenta Beatriz Ruiz, gerente de marketing da Goose Island e idealizadora do Sisterhood. “Em um mês marcado pelo Dia da Consciência Negra, buscamos uma pessoa que representasse bem o poder feminino e a cultura negra.”

A Sueli será a oitava cerveja – os rótulos anteriores foram Carolina, Enedina, Nísia, Luz, Helô, Kitty e Giu – lançada pela Goose Island Sisterhood, grupo formado no ano passado por representantes de entidades, ativistas, cervejeiras e mulheres diversas. A confraria se reúne periodicamente para falar sobre universo cervejeiro e empoderamento feminino.

O lançamento oficial da nova cerveja, que inicialmente será vendida apenas em chopp, será no dia 25 de novembro, a partir das 16h, no Brewhhouse de Goose Island, na Rua Baltazar Carrasco, Pinheiros, em São Paulo. Mas, nesta terça, algumas pessoas poderão prová-la no evento Desse Lado da Cor, no House of All, a partir das 14h.

 

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Nova lei obrigará cerveja brasileira a estampar ingredientes no rótulo

O mercado brasileiro de cerveja enfrentará uma mudança substancial no próximo ano. A partir de 6 de novembro de 2019, os rótulos terão que informar claramente ao consumidor quais ingredientes compõem o produto.

A nova instrução normativa foi publicada na última semana pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e, em seguida, em Goiás, houve a homologação e a consequente nacionalização da exigência. Termos como “cereais não malteados ou maltados”, na prática, não serão mais suficientes. As cervejarias terão um ano para se adequar.

Assim, com a nova medida, o cereal ou amido que compõem a cerveja deverá ser explicitado no rótulo em ordem decrescente de proporção. Ou seja: ingredientes como arroz, trigo, milho, aveia, triticale, centeio e sorgo serão obrigados a aparecer.

Presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), Carlo Lapolli diz que a medida é essencial para assegurar a qualidade da cerveja ao consumidor, uma vez que as multinacionais costumam utilizar outros cereais em sua produção.

“Com eles [os outros cereais], é possível aumentar a produção em detrimento das características sensoriais do produto. E isso não ficava claro para o consumidor com a adição de termos que muitas vezes encobriam esses ingredientes”, explica Lapolli. “Agora, quem bebe a cerveja saberá exatamente o que há no seu copo.”

A medida também vai, segundo ele, impulsionar o já dinâmico crescimento das artesanais brasileiras, que saltaram de 679 estabelecimentos registrados para 835 entre dezembro de 2017 e setembro de 2018, um expressivo aumento de 23%.

“Trabalhamos com um produto que tem mais valor agregado, com um processo que emprega mais pessoas e que se preocupa com a qualidade sensorial do que chega ao mercado. Com a normativa, o consumidor vai perceber isso antes mesmo da compra, ao olhar para os ingredientes explícitos no rótulo”, finaliza o presidente da Abracerva.

Se beber, recicle: Artista utiliza tampinhas em trabalho de conscientização

A iniciativa da reciclagem já deu passos importantes no Brasil nas últimas décadas, mas o desperdício de materiais com potencial para reutilização ainda é incalculável. Se garrafas pet e latinhas de alumínio são comumente convertidas em novos produtos, outros resíduos pouco lembrados da indústria de bebidas ainda permanecem esquecidos. É o caso das tampinhas de metal, que se transformaram no mote do trabalho do artista plástico e educador ambiental Alfredo Borret no Rio de Janeiro.

Desde 2007, o artista atua em um projeto denominado Ecotampas. Com sua técnica, transforma as tampinhas de garrafas de cervejas e refrigerantes em trabalhos que vão de pequenos souvenirs a releituras e réplicas de obras de arte. “É uma proposta de consciência ambiental e reflexão sobre a consciência do resíduo do lixo. Utilizo a arte para despertar a consciência ecológica e socioambiental do cidadão”, conta Borret em entrevista ao Guia da Cerveja.

Divulgado recentemente pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), o Panorama dos Resíduos Sólidos no Brasil 2017 apontou que 40,9% de todo o lixo do país não tem a destinação correta, sendo que o número de cidades que usa lixões aumentou para 1.610 no último ano. Além disso, 1.647 municípios – ou 29,6% do total – ainda não possuem serviço de coleta seletiva.

Inicialmente, diante do cenário pouco inspirador, Borret voltou sua habilidade para criar arte através das garrafas pet, um dos materiais mais reciclados no Brasil, ao lado do alumínio e do papel. Mas, posteriormente, decidiu concentrar sua ação nas tampinhas, um resíduo pouco lembrado para reciclagem, o que lhe motivou a transformá-las em beleza através de um trabalho de sustentabilidade e com caráter educacional.

“Comecei a observar que ninguém olhava para o resíduo tampinha. Até hoje, não existe essa gestão por uma empresa. A tampinha é um lixo que está fora do radar da reciclagem. A pergunta que sempre faço é: ‘para onde foi parar a sua última tampinha?’. Ninguém sabe”, explica, apontando o status de “patinho feio” das tampinhas de metal na reciclagem.

A razão para esse esquecimento das tampinhas é financeiro, como calcula Borret. “Uma tampinha pesa 2,5 gramas, é um metal barato, então um quilo equivale a 400 tampinhas. E um quilo no ferro-velho vale R$ 0,50. Não tem valor, então as empresas não se interessam”, explica.

Nesse cenário, o retorno financeiro para a reciclagem poderia ser irrisório para as partes envolvidas nas cadeias da indústria de bebidas. Mas o trabalho de conscientização através da arte tem potencial para evitar o descarte errado do lixo, ação que provoca problemas ambientais e à saúde pública.

O estudo divulgado pela Abrelpe aponta que nos últimos cinco anos foram enviados para lixões 45 milhões de toneladas de materiais recicláveis, que poderiam movimentar mais de R$ 3 bilhões por ano, segundo a estimativa da associação. E não se trata apenas de uma questão econômica. “Uma tampinha pode ser um criadouro para o Aedes aegypti”, alerta Borret, sobre o mosquito transmissor da dengue.

A arte de Borret
No início de seu trabalho, o artista distribuía pequenos brindes aos turistas que visitavam a cidade, como imãs para geladeiras e chaveiros dos principais cartões-postais do Rio. Mas as ações se expandiram, a ponto de Borret calcular já ter utilizado mais de 5 toneladas de tampinhas nos últimos 11 anos, dando uma alternativa para um material de difícil recomposição.

Exposição com as obras de Borret

Entre os trabalhos, o artista já montou uma árvore de Natal em frente à quadra da escola de samba Salgueiro com 82 mil tampinhas, além de ter decorado a fachada de um dos camarotes da Apoteose – onde tradicionalmente ocorrem os desfiles do carnaval carioca – com 13 mil tampinhas. E, também, frequentemente, realiza exposições do seu trabalho.

Para transformar as tampinhas em arte, Borret utiliza uma técnica definida por ele como única, inspirada em quebra-cabeças e que provoca um efeito de mosaico em seus trabalhos. “Uso recorte e colagem de fotografia. Pego uma foto grande, de 90cm x 60cm, por exemplo, e no verso faço diversas bolinhas, cortando uma por uma e encaixando. Depois, com uma agulha, vou alinhando”, detalha.

Sem parcerias com grandes empresas ou indústrias de bebidas, Borret precisa realizar um trabalho de “formiguinha” para colocar seu plano de conscientização artística em prática. Assim, faz parcerias com bares e estabelecimentos para obter as tampinhas, em uma iniciativa que rende bons frutos para todas as partes envolvidas.

“Faço a gestão do resíduo, colocando um coletor de tampinhas. Depois, coleto as tampinhas. E aí transformo as tampinhas em um imã. Vira um souvenir de marketing ambiental. E também recebo doações”, comenta Borret, que tem um slogan e um mantra para seu trabalho: “Se beber, recicle”.

 

Black Friday: Invicta faz promoção de 50% para simular cerveja “sem imposto”

A Invicta aproveitou a Black Friday para fazer uma nova e interessante contra o imposto cobrado das artesanais. Entre os dias 20 e 25 de novembro, a marca fará mais uma edição da Semana da Justiça, em que venderá suas cervejas com até 50% de desconto. A compra pode ser feita no site da cervejaria.

A ideia central da campanha é fazer um alerta sobre o alto imposto cobrado no mercado de artesanais. O desconto oferecido pela Invicta, afinal, simula o valor que cada garrafa teria se não existissem tantas taxas ao setor.

“Com esta ação, onde nós subsidiamos os impostos, queremos fomentar as artesanais e dar oportunidade de todos conhecerem nossas cervejas, já que no período da campanha, são vendidas a um preço bem mais acessível”, explica Rodrigo Silveira, mestre-cervejeiro e diretor da Invicta, marca que se tornou célebre por conta de seus rótulos lupulados, como a 1000 IBU.

Serão disponibilizadas centenas de caixas de cervejas de 24 rótulos diferentes. Com os descontos de até 50%, os valores vão variar de R$ 7,95 a R$ 15,90. O limite de cada compra por CPF será de 32 garrafas, que podem ser do mesmo rótulo ou variados.

Já o envio das cervejas será feito a partir de 10 de dezembro. Se o consumidor quiser ficar isento do valor do frete, pode retirar as cervejas na fábrica, entre os dias 5 e 8 de dezembro, na Avenida do Café, 1881, em Ribeirão Preto.

Para mais informações, ligue no (16) 3878-1020 ou acesse www.facebook.com/cervejariainvicta.

Brasileiras levam 6 medalhas no European Beer Star

O European Beer Star, organizado pela Private Brauereien desde 2004, teve seis cervejas brasileiras premiadas em sua décima quinta edição. Trata-se de um dos principais concursos cervejeiros internacionais, que premia estilos de cervejas com origem europeia, mas é aberto a cervejarias do mundo todo

O Brasil foi o quinto país com mais rótulos inscritos, com 123, atrás de Alemanha (927), EUA (254), Itália (221) e Áustria (148). A Alemanha foi também o país com mais medalhas, 78 ao todo, enquanto EU levaram 29 e Itália 19.

Dentre as seis cervejas brasileiras premiadas, quatro cervejarias levaram duas medalhas de ouro, duas de prata e duas de bronze.

As de ouro foram para Bamberg Altbier (Bamberg, Votorantim – SP), no estilo Düsseldorf-Style Altbier, e Baden Baden Golden (Baden Baden, Campos do Jordão – SP), no estilo Herb And Spice Beer.

Levaram medalhas de prata a Passione, da cervejaria de Niteroi Noi, no estilo Wood And Barrel Aged Sour Beer, e Bohemia Wee Heavy, da Bohêmia (Petrópolis), do estilo Scotch Ale Wee Heavy.

Já as medalhas de bronze ficaram novamente com a Bamberg Rauchbier, no estilo Smoke Beer Traditional Franconian Style – Bamberg Rauchbier e com a Noi, com sua Specialty Honey Beer Noi Diavolo.

A lista completa das premiadas você encontra aqui.

Mais do que bebida: Marcas inovam com rótulo em Braille e embrulho especial

Já se foi o tempo em que uma cerveja conquistava o público meramente pelo efeito provocado no paladar do consumidor. Com o aumento da concorrência pelas diversas opções ofertadas pelo mercado em expansão das artesanais, os fabricantes vêm apostando em ações inovadoras para conquistar um espaço que vai muito além dos sabores variados.

Isso se confirma pelas novidades apresentadas pela Noi e também por um rótulo colaborativo desenvolvido pela Doktor Bräu e pela Tribal. Essas cervejarias mostram que a inventividade está em alta no setor com apostas visuais que pretendem chamar a atenção do público e confirmar o aspecto democrático das artesanais, conhecidas por suas diferentes opções.

A cerveja colaborativa da Doktor Bräu e da Tribal atende a um aspecto social importante. A Braille Brut IPA, como o próprio nome indica, possui o sistema de leitura tátil no seu rótulo, o que lhe dá um caráter especialmente inclusivo. E conta com uma mensagem que só poderá ser compreendida por quem conhece essa escrita.

“De acordo com dados do Censo 2010 do IBGE, no Brasil existem mais de 6,5 milhões de deficientes visuais, então decidimos chamar a atenção para o sistema de leitura tátil, que favorece a inclusão dessas pessoas na sociedade, no rótulo de nossa cerveja”, explica Nuberto Hopfgartner, médico e sócio da mineira Doktor Bräu. “E tem mais: o rótulo traz uma frase que só quem lê Braille saberá qual é”, instiga ele.

A paulistana Tribal, por sua vez, destaca que “segundo dados recentes, a cada cinco segundos, uma pessoa se torna cega no mundo. Além disso, 3,5% da população já declarou ter algum tipo de dificuldade”.

Antes mesmo de lançar a Braille Brut IPA, aliás, a Tribal já demonstrara sua sensibilidade ao tema ao criar a campanha #pracegover. “Esse despertar aconteceu quando uma consumidora com deficiência visual agradeceu o recurso #pracegover que era utilizado nas redes sociais da Tribal”, explica a cervejaria. “Ainda pouco disseminado, é bastante simples de usar: após inserir a hashtag, basta descrever detalhadamente a imagem postada, incluindo cores, textos, descrição de roupa, efeitos, e um aplicativo de áudio-descrição faz a leitura.”

O lançamento da Braille Brut IPA está agendado para o próximo sábado, no Empório Alto de Pinheiros, em São Paulo, a partir das 14 horas. E, depois do evento, estará disponível em diversos bares do país. A cerveja possui coloração dourada, espuma persistente e 8% de teor alcoólico. Será sazonal e vendida em garrafas rolhadas de 375ml. E custará R$ 40 por unidade no seu lançamento.

De acordo com seus fabricantes, no aroma e sabor, as notas remetem à amora e ao limão devido à acidez – e, apenas no aroma, à frutas cítricas amarelas que se destacam graças ao mix de lúpulos utilizados.

É uma bebida seca, de corpo leve, que combina com verão e, segundo as cervejarias, harmoniza com peru defumado, tender com molho agridoce, risoto de morango com camarão ao molho de champanhe, canapés de salmão ao molho taré, haddock defumado, pastel de escarola com bacon e cheesecake com calda de amora.

Cerveja emotiva
Outra novidade que promete mexer com os sentidos e emoções do público é um recente lançamento da Noi, de Niterói. A Passione, uma Belgian Strong Ale, vem embrulhada em papel especial com 12 declarações de amor, escolhidas através de um concurso realizado pela própria marca em suas redes sociais.

A cerveja integra o selo Fuoriserie, de bebidas sazonais e de tiragem única da Noi. Envelhecida por dois anos em barricas de carvalho, a Passione apresenta intenso aroma frutado de ameixas secas e uvas passas e paladar licoroso de vinho xerez, com 12% de teor alcoólico e 24 IBUs, segundo a cervejaria.

A cervejaria explica que foram produzidas 2,6 mil unidades em garrafas de 330ml, que só serão vendidas nos restaurantes Noi Gastronomia, localizados no Estado do Rio de Janeiro.

“A Noi foi uma das desbravadoras no mercado de cervejas artesanais do Rio. Ver este crescimento é emocionante! Ele é fruto de trabalho duro e da nossa paixão pelas cervejas. A Passione faz parte da nossa linha sazonal (Fuoriserie) e foi feita com muito amor! Foram dois anos maturando em barricas de carvalho, trouxemos garrafas francesas para o envase e as embrulhamos com declarações de amor. É uma cerveja para ocasiões especiais”, explica Bárbara Buzin, diretora da Cervejaria Noi.

Festas da Vaia, da Otim’bé, da Bodebrown: 6 eventos para o feriado

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Não faltam festas para embalar o feriado. Cervejarias como a Vaia, a Otim’bé e a Prussia promovem eventos especiais, enquanto a Bodebrown levará um lançamento a seu tradicional Growler Day. Destaque ainda para o shopping Ilha Plaza, no Rio, e seu festival cervejeiro. E o já clássico Festival da Cerveja de Porto Alegre. Confira, a seguir, a agenda completa do feriado.

 

Sudeste

São Paulo
Festa da Vaia: Cervejaria parceira do Let’s Beer, tradicional bar de artesanais na Vila Mariana, a Vaia lançará a sua Transa Lager Wine 12%, uma criação que uniu técnicas das lagers Doppelbocks alemãs e das modernas Barleywine norte-americanas. A cerveja, aliás, foi inspirada no clássico disco de Caetano Veloso, Transa. E, para celebrar a novidade, ao custo de R$ 150, haverá uma festa open bar com a presença de chopes como Zalaz & Everbrew India Black Ale e Batom Vermelho Sour Ale. Será nesta quinta-feira, a partir das 14h, na Rua Joaquim Távora, 955.

Show com Otim’bé: A cervejaria artesanal afro-brasileira apresenta mais uma edição da festa Mestre Lumumba Convida. Dessa vez haverá a participação de Saloma Salomão e da bateria da Comunidade Cultural Quilombaque. Para embalar o show, é claro, não faltará a presença de muita Otim’bé. Será neste sábado, a partir das 19h, no Centro Cultural Butantã, na Avenida Corifeu de Azevedo Marques, 1880.

Rio de Janeiro
Ilha Beer: Localizado na Ilha do Governador, o shopping Ilha Plaza realizará a 3ª edição de seu Ilha Beer Festival, com a presença de cervejarias destacadas como Noi e Dos Hermanos. Hambúrgueres, petiscos e sobremesas gourmetizadas são algumas opções gastronômicas do evento, que terá ainda a apresentação de bandas de rock. Será no sábado e no domingo, a partir das 14h, na Avenida Maestro Paulo e Silva, 400.

São Gonçalo do Rio Abaixo (MG)
Aniversário da Prussia: Para comemorar seus quatro anos, a Prussia fará uma festa com destaque para o lançamento de um novo rótulo, que será mantido sob sigilo até o evento. Haverá, ainda, a presença de outros seis estilos de chopp da cervejaria: Pilsen, Pale Ale, Weiss, IPA, Bohemian Pilsner e Red Ale. Destaque ainda para as opções gastronômicas, como os steaks na grelha de chão, assados na cerca e em fogo de chão. Será no sábado, das 11h às 17h, na Fábrica da Prussia, na Rodovia MG 129, KM1,4. Acesse o site para comprar seu ingresso.

 

Sul 

Curitiba
Growler com Lançamento – O tradicional Growler Day da Bodebrown terá uma novidade especial neste final de semana: o lançamento de sua nova criação, a Chocolat à la Framboise. Trata-se de uma cerveja que “leva toques delicados de chocolate e framboesa”, segundo a marca, e inspirada em tortas doces de chocolate, café e framboesa. “É uma cerveja forte, escura, com notas deliciosas de chocolate, caramelo e café provenientes dos maltes escuros tostados”, conta Samuel Cavalcanti, fundador da Bodebrown. Será na sexta-feira, das 17h às 20h, e no sábado, das 9h30 às 16h, na Rua Carlos de Laet, 1015.

Porto Alegre
Festival POA – Um dos mais tradicionais eventos do calendário cervejeiro brasileiro, o Festival da Cerveja de Porto Alegre ocorre neste final de semana com a presença de 50 cervejarias artesanais, expositores gastronômicos, uma feira com empresas inovadoras e 13 shows representando a música gaúcha. Destaque para a presença de marcas como Irmãos Ferraro, Zapata e Narcose, entre tantos outros nomes consagrados (clique aqui para comprar seu ingresso). Será  na sexta-feira, das 16h à 1h, no sábado e no domingo, das 13h à 1h, no Centro de Eventos do Shopping Iguatemi, na Avenida João Wallig, 1800.

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Skol Beats faz campanha que une sexo e consumo inteligente de álcool

A Skol Beats lançou nesta semana uma campanha de conscientização que trata da necessidade de consumo inteligente de bebida alcoólica, focada nos prejuízos que o excesso pode trazer para as pessoas, especialmente no momento do sexo.

Voltada principalmente ao público jovem, a campanha tem o lema: “If you Drink Right, you F*** Right (Se você bebe direito, f… direito, em tradução livre) – Quem bebe menos se diverte mais”.  Sob essa temática, a bebida apresenta vídeos, site com dicas para o público, além de realizar ações em bares.

A campanha da Skol Beats também conta com a participação de artistas, como a cantora Anitta, que divulgou um vídeo sobre o tema em seu perfil no Instagram em que relata uma noite frustrada pelo excesso de consumo de álcool.

Anitta Skol Beats Sexo Seguro

“Nosso desejo é conscientizar as pessoas sobre o consumo inteligente e a importância deste comportamento em todos os momentos do dia a dia. O excesso no consumo de bebidas é prejudicial também na relação entre as pessoas”, afirma Maria Fernanda Albuquerque, diretora de marketing da Skol.

Para atingir o público com a campanha de consumo inteligente, a Skol Beats preparou algumas ações com parceiros. No site do Empório da Cerveja, por exemplo, os packs da bebida adquiridos estarão acompanhados por uma água – serão três garrafas, sem custo extra.

Isso também se repetirá em três casas noturnas de São Paulo – Cine Joia, Lions Club e Yatch Club -, com o consumidor recebendo gratuitamente uma garrafa de água para cada Skol Beats. A ideia obviamente reflete um dos nortes da campanha: manter a pessoa hidratada enquanto bebe a cerveja.

A Skol Beats também preparou folders para distribuição com informações, que são acompanhados por águas e camisinhas da marca Prudence. O material possui dicas de como alimentar-se antes de beber, intercalar drinques com água, ter sempre a mão proteção e saber que “não é não”.

 “Ao contrário do que muitos pensam, o sexo não combina com o excesso de bebida alcoólica. O consumo exagerado implica em fatores emocionais, como a pessoa não estar 100% envolvida com o momento e acaba não aproveitando aquela relação por inteiro. Além disso, o excesso de bebida no organismo pode causar outros efeitos, como deixar a relação menos prazerosa. Informações como estas precisam chegar ao conhecimento dos jovens para contribuir na formação de uma cultura de sexo saudável e consciente, por isso a importância de campanhas como Drink Right F*** Right”, explica a sexóloga Rose Villella no material divulgado pela Skol Beats.

Todo o material pode ser encontrado no site drfr.com.br. Já o filme da campanha, criada criado pela agência Wieden+Kennedy, pode ser visto no link: https://youtu.be/gnfrqyzOB14.