Baixa qualidade trava aproveitamento da cevada pela indústria cervejeira
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Baixa qualidade trava aproveitamento da cevada pela indústria cervejeira em 2018

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Maiores problemas se deram na região Sul e causaram grande prejuízo aos produtores. Em 2019, cenário deve permanecer difícil

Parte da produção de cevada brasileira em 2018 não atingiu o padrão de qualidade exigido para ser utilizada pela indústria cervejeira. A avaliação em tom de alerta é de Euclydes Minella, pesquisador da Embrapa Trigo, que também aponta um cenário complicado para o setor no ano recém-iniciado.

Minella explica que os maiores problemas na produção da cevada – e em sua qualidade – se deram na região Sul do país. “A safra 2018 foi ruim no Rio Grande do Sul e razoável no Paraná. A safra foi boa nos cultivos irrigados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás”, afirma.

Especialmente nos casos de Rio Grande do Sul e Paraná, parte da safra não apresentou qualidade suficiente para ser aproveitada pela indústria cervejeira. O resultado foi o “descarte” de parte da produção e o prejuízo em função dos baixos preços da cevada não cervejeira.

“No Rio Grande do Sul e parte do Paraná, além do baixo rendimento, praticamente a metade não atendeu o padrão cervejeiro, resultando em prejuízo aos produtores.”

Em geral, esses problemas ocorrem em razão da perda de germinação por chuva na colheita ou por secagem malfeita. Quando não atinge a qualidade adequada e acaba sendo descartada pela indústria cervejeira, a cevada é destinada a outras atividades, como o mercado de alimentação animal. Mas tem seu valor rebaixado para até 70% do preço do milho.

Assim, segundo o especialista, nem alguns números de 2018 permitem uma avaliação positiva do setor. De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2018 houve crescimento da produção em 13,5% na comparação com 2017, resultando em 325.081 toneladas. Esse resultado positivo foi apoiado diretamente pela elevação de 33,1% no rendimento médio, atingindo 3.236  kg/ha. Mas perde boa parte de seu efeito quando se considera o descarte e o preço rebaixado.

E, para 2019, o cenário também deve ser ruim. Para o especialista da Embrapa, o desalento provocado pelo resultado da safra do último ano deve provocar a redução na área de cultivo da cevada, o que inclusive já ocorreu em 2018 – o levantamento do IBGE apontou queda de 14,7% na área plantada, para 100.446 ha, algo que deverá se intensificar neste ano.

“Com relação a 2019 ainda não temos a intenção da maltarias em termos de área a ser fomentada. Possivelmente haja redução da área semeada em razão do desânimo dos produtores frente ao mau resultado nesta safra”, diz.

A recente projeção do IBGE, inclusive, segue essa linha. A expectativa é de que a produção da cevada em grão no Brasil seja de 310.693 t neste ano, o que, se tornando realidade, representará uma queda de 4,4% na comparação com 2018.

Porém, o pesquisador também aponta que o cenário da produção de cevada em 2019 deverá ficar mais claro no fim do primeiro trimestre. “Em geral as empresas externam suas metas a partir de março”, finaliza.


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