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Consumidor

5 estilos de cervejas para o verão brasileiro

Redação Guia da Cerveja
Por Redação Guia da Cerveja
14 de dezembro de 2019
Atualizado em: 18 de dezembro de 2019
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    O verão começa em 22 de dezembro. Churrasqueira acesa, sol quarando os banhistas na piscina ou na praia, aquele som animado na caixa, muito, mas muito calor e cerveja gelada nos copos. Esse é um típico cenário do verão brasileiro, comum há décadas.

    Mas, atualmente, existe um ponto que pode mudar para deixar essa cena mais agradável: a cerveja não precisa ser aquela bebida neutra, sem personalidade. Há estilos com muitos sabores que podem ser refrescantes e até criarem uma experiência de harmonização simples e surpreendente nas reuniões de família e amigos no escaldante verão brasileiro.

    Por isso, com a ajuda do sommelier de cervejas Rodrigo Sena, o Guia preparou um top 5 dos estilos que são a cara do verão. Confira.

    1- Pilsen
    Dourada, leve, refrescante e com muito gás. Essas características fazem da Pilsen uma receita ideal para os dias quentes. Sem dúvida é o estilo de cerveja mais conhecido no mundo, mas, também, o mais confundido.

    “Importante esclarecer que muitas cervejas vendidas como Pilsen na verdade não são Pilsen e não possuem as características marcantes do estilo. Isso criou muita confusão no mercado. Aqui no Brasil, por exemplo, tomamos American Lagers chamando de Pilsen, os consumidores já se acostumaram com isso”, conta Rodrigo.

    O verdadeiro estilo Pilsen surgiu em 1842 na República Tcheca, na cidade que se chama Pilsen. Os moradores de lá estavam insatisfeitos com a cerveja que era produzida na cidade e foram reclamar para o prefeito, que criou um projeto de construção de uma nova cervejaria municipal.

    Diante do protesto dos moradores de que não queriam mais beber a cerveja de alta fermentação (Ale), o prefeito foi até Munique, na Bavária, e contratou um cervejeiro especializado em fermentação baixa (Lager). Era Josef Groll, filho de cervejeiro, que desde de criança acompanhava a produção das Lagers que o pai fazia.

    Groll foi para Pilsen, estudou a água da cidade, aprendeu a técnica de maltes claros que os ingleses haviam descoberto e conheceu as características do lúpulo Saaz, tradicional da região. Mas ainda faltavam as leveduras corretas. Foi aí que, diz a lenda, um monge contrabandeou uma cepa de leveduras da Bavária e entregou a Groll. Assim, a nova cervejaria da cidade de Pilsen produziu pela primeira vez uma cerveja dourada, leve, refrescante e muito bem carbonatada, batizada de Pilsner Urquell (que significa Original de Pilsen, em tcheco).

    A nova cerveja da cidade de Pilsen causou uma grande disrupção na época e os cervejeiros alemães correram para começar a produzir estilos parecidos, como German Pils e Helles de Munique, que são baseados na Pilsen. Um século depois, os cervejeiros norte-americanos criaram sua própria versão do estilo Pilsen, que ficou conhecida como American Lager. Esse, sim, é o estilo de cerveja mais consumido hoje no mundo, inclusive no Brasil.

    A Pilsen original é leve, refrescante, muito bem carbonatada, com equilíbrio perfeito entre as notas de maltes claros o os lúpulos bem florais. “Uma boa Pilsen ao estilo tcheco possui amargor evidente, essa é uma grande diferença para uma American Lager”, explica o sommelier.

    Tanta leveza e sutileza precisam ser preservadas na hora de pensar em harmonizações para a Pilsen. “Se tivermos uma carne muito gordurosa, um molho forte ou condimentos pesados, a cerveja irá sumir. Sugiro ir mais na linha de carnes magras na grelha, massas ao sugo, ou uma bela salada caprese”, sugere Rodrigo.

    2- Witbier
    Um dos estilos que mais tem a ver com os dias quentes foi criado há mais de 400 anos na Bélgica. A Witbier (que em holandês significa cerveja branca) é clara graças ao trigo e à aveia que são usados juntamente com o malte de cevada – ela também pode ser conhecida como Belgian White.

    Além disso, a receita tradicional leva sementes de coentro e cascas de laranja, deixando-a leve, refrescante, cítrica e condimentada. “Já vi muita gente que não gosta de coentro não querer provar uma Witbier. Mas as sementes de coentro na cerveja deixam sabores refrescantes bem diferentes do que sentimos do coentro em pratos de comida”, avisa o sommelier.

    Atualmente a Witbier faz muito sucesso, mas no início do século 20 nenhuma cervejaria reproduzia a receita, que se perdeu. Somente nos anos 60, quando um padeiro da cidade belga de Hoegaarden, em Flanders, encontrou registros de uma receita que seu avô fazia, a produção do estilo foi resgatada.

    Muitas cervejarias brasileiras fazem suas versões próprias de Witbier. Algumas substituem a laranja por outras frutas cítricas como limão siciliano, tangerina e grapefruit, enquanto outras adicionam ervas como manjericão e hortelã.

    Além das variações nacionais, as tradicionais belgas também possuem grande distribuição no país. “O importante é saber qual versão de Witbier iremos tomar, pois apesar de serem parecidas, as receitas que substituem a laranja possuem outro perfil de sabores”, atenta Rodrigo, que orienta a não bebê-la tão gelada.

    “É comum no Brasil, principalmente no verão, as pessoas deixarem a cerveja muito gelada, sendo servida abaixo de zero. Mas nosso paladar e olfato não sentem nenhum sabor em bebidas abaixo de 2°C. Não quer dizer que devemos beber a cerveja quente, mas sim até 4°C ou 5°C, que é normalmente a temperatura que ela sai quando está em uma geladeira convencional por algum tempo”, explica o sommelier.

    Para harmonização com receitas tradicionais de Witbiers, os pratos não devem ser muito gordurosos nem conter ingredientes muito fortes. Frutos do mar, peixes, queijos menos maturados e porções de embutidos menos condimentados são boas opções. “Uma Witbier na beira da piscina beliscando aquele salaminho italiano é sensacional”, sugere Rodrigo.

    3- Bitter
    É um tradicional estilo inglês de cerveja, ainda não tão difundido no Brasil. São leves, mas com evidentes notas de maltes caramelizados e final amargo e seco, o que faz com que tenham alto drinkability.

    A Bitter (que significa amargo em inglês) surgiu no século 18, quando os ingleses passaram a ter muita oferta de lúpulos da variedade Golding. Apesar do nome, elas possuem amargor menor do que Pale Ales e IPAs. Isso faz com que fiquem mais refrescantes, com notas doces e tostadas do malte.

    O estilo possui divisões conforme intensidade alcoólica e amargor. A mais leve é a Ordinary Bitter, subindo na intensidade há a Special Bitter e, em um degrau acima, a Extra Special Bitter. “A Bitter é a cerveja do dia-a-dia para o inglês. Eles a consomem nos pubs em grandes quantidades e junto com tradicionais pratos da culinária inglesa, como fish and chips, bangers and mash e o bife Wellington”, conta o sommelier.

    Aqui no Brasil Rodrigo sugere a Bitter como um estilo coringa para churrascos. “A Bitter harmoniza muito bem com carnes vermelhas, linguiças, frango e até pão de alho feitos na churrasqueira, com uma vantagem sobre as IPAs: o baixo amargor e o dulçor dos maltes ajudam muito na hora de comer aquela pimentinha”, explica.

    Infelizmente o estilo não é muito popular entre as cervejarias brasileiras, mas os rótulos ingleses possuem grande distribuição no Brasil.

    4- Berliner Weisse
    Para aqueles que acham que as Sours são novidades, a Berliner Weisse (que em alemão significa branca de Berlim) é um estilo de Sour com mais de 300 anos. Ela, inclusive, encantou tanto as tropas de Napoleão que a chamavam de “champagne do norte”. Sim, ela tem características que lembram um champagne: é seca, efervescente, com acidez e refrescância.

    Com teor alcoólico baixo (em torno de 3%), a Berliner Weisse leva trigo na receita e é acidificada com lactobacilos ou ácido láctico, o que a deixa com notas que lembram um iogurte. Os alemães sempre gostaram de misturar xaropes de frutas, como morango, pêssego e cereja.

    “Como é uma cerveja refrescante e com a adição das frutas, ela se torna muito versátil para harmonizações. Uma salada de frutas acompanhada de uma Berliner Weisse é algo extremamente leve, refrescante e com uma explosão de sabores”, sugere Rodrigo, acrescentando que porções de embutidos e queijos mais leves também harmonizam bem com a Berliner Weisse.

    Há muitas cervejarias nacionais que fazem esse estilo e até uma variação dele foi criada no Brasil, a Catharina Sour, onde as cervejarias fazem uma Berliner Weisse e adicionam frutas tropicais. As Catharinas são fáceis de serem encontradas em bares, empórios e supermercados.

    5- New England IPA
    É um estilo novo, que surgiu recentemente nas cervejarias da região da Nova Inglaterra, no Nordeste dos Estados Unidos. A ideia era fazer uma cerveja muito lupulada, mas com baixo amargor, em uma cama alta de maltes de cevada, trigo e centeio. O resultado foi uma bebida com corpo alto, turva, muito aromática, com baixo amargor, notas bem frutadas e teor alcoólico mais alto.

    Foram inicialmente chamadas de Juicy IPA, porque lembram realmente um suco de frutas, tanto na aparência quanto nos sabores. “Apesar de não ser uma cerveja leve, a New England IPA possui muita refrescância das notas cítricas e de frutas amarelas dos lúpulos”, salienta Rodrigo.

    Esse estilo de cerveja, que caiu na graça dos brasileiros, hoje é produzido por centenas de cervejarias nacionais. Assim, não há dificuldades para se encontrar uma New England IPA (também chamada apenas de NEIPA).

    “É um excelente estilo de cerveja para acompanhar receitas mais fortes de peixes, frutos do mar, porco e frango”, finaliza o sommelier.

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