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6 opções para enfrentar o frio com cervejas de inverno

cervejas de inverno
Ok, o inverno brasileiro não chega a ser tão rigoroso, mas já significa uma boa brecha para explorar as cervejas de inverno

Quando chega o inverno, é sempre a mesma coisa: a disposição para uma boa rodada de cerveja gelada é inibida pelo frio, muitos esperam a estação passar para voltar a seu hábito cervejeiro normal, recorrendo ao vinho. No entanto, um pouco de conhecimento pode mudar completamente o modo de escolher e encarar a cerveja nesse período. Há ótimas opções de inverno já amplamente relacionadas ao frio enquanto outras, menos óbvias, também podem se revelar boas opções.

O impasse é nítido para Yuri Vaicekauskis, sócio da taproom VKS Beerhouse, que fica na Vila Mariana, em São Paulo. Ele observa que o público pouco altera seu padrão de consumo. “Cerca de 80% dos nossos clientes continuam nos estilos mas refrescantes, ou naquilo que foi apresentado a eles como cerveja artesanal – na maioria das vezes IPAs”, afirma ele, mesmo que consiga enxergar um leve aumento da procura por cervejas com “cara” de inverno. “Mas isso vem do público que já tem um conhecimento de cervejas artesanais. Esse público cresce e cada vez mais aprende como e quando alguns estilos caem melhor.”

Mas essa necessidade de ajustar o estilo de cerveja consumido à estação do ano não é exclusividade dos brasileiros. As cervejas de inverno, segundo Luis Celso Junior, sommelier e professor do Instituto da Cerveja Brasil, são uma tradição iniciada na Europa na Idade Média. E têm uma razão muito clara para existir.

“Os europeus produzem há muitos séculos as ‘winter ales’. Eram cervejas que floresciam em uma época do ano em que há a necessidade de uma cerveja mais acolhedora”, conta Celso. “No Reino Unido e na Bélgica existem uma longa tradição de cervejas mais alcoólicas disputando o público do vinho. Esses estilos se desenvolvem em busca de suprir essa lacuna, quando se descobre que podem ser feitas cervejas mais alcoólicas que podem agradar a esse paladar.”

Segundo Celso, três aspectos devem ser observados na busca por uma boa cerveja de inverno. O primeiro deles é a graduação alcoólica, geralmente mais alta nessas cervejas. “O álcool da cerveja causa aquecimento no nosso corpo e traz uma sensação de conforto”, avalia. Um segundo aspecto é o corpo mais elevado, responsável também por proporcionar sensação de conforto, assim como uma carga sensorial mais potente e sabores mais intensos. Outro detalhe que muitas vezes não é observado é a temperatura de serviço: cervejas de inverno são servidas em temperaturas mais altas, a partir de 7o .

Tudo isso, segundo Celso, faz uma boa cerveja de inverno, independentemente muitas vezes do estilo. “Há alguns estilos que não entrariam como de inverno, mas que podem se encaixar nesses parâmetros”.

Confira as sugestões do Celso e da equipe da VKS para o inverno.


SUGESTÕES DO CELSO

  • TRIPEL: Cerveja clara, foge da ideia de que as mais alcoólicas são sempre escuras. Segundo Celso, tem uma carga sensorial proveniente da fermentação, com sabores frutados e condimentados da levedura belga e corpo mais elevado dentre as cervejas claras belgas. Celso sugere a Westmalle Trippel, uma Trapista belga, referência no estilo desde os anos de 1800. Já a Tripel Karmeliet é equilibrada, mais lupulada e fresca, mas ainda alcoólica e com sabores potentes.
  • OLD ALE: De origem inglesa, não necessariamente tão alcoólicas, mas de corpo elevado e com grande complexidade em seus sabores. Nasceram a partir da ideia de “cerveja velha”, guardada por muito tempo em barril. Segundo Celso, isso faz com que tenha sabores vindos da oxidação dos ésteres e do álcool. Têm maltes presentes, tostados, caramelados. Como sugestão, a Fullers Vintage Ale, uma cerveja de guarda, tem versões anuais desde 1997 e a Theakston Old Peculier é bastante sensível aos aromas conferidos pelas madeiras dos barris.
  • IMPERIAL IPA: Por que uma Imperial IPA não pode ser uma cerveja de inverno? Geralmente não se pensa em lúpulo na estação, mas a Imperial IPA tem amargor em primeiro plano, aromas frescos do lúpulo, mas possui o álcool potente (até 10%), é encorpada e tem muita informação sensorial. Para Celso, a já consagrada paranaense Bodebrown Perigosa é uma boa pedida, assim como a paulista Dogma Hop Lover e a Colorado Vixnu.

SUGESTÕES DA VKS

  • QUADRUPEL: A equipe do VKS começa suas sugestões com esse estilo de cerveja mais maltada, adocicada, puxada para banana-passa, ameixa seca e uva passa, além de teor alcoólico em média de 10 a 14%. Vai bem com queijo gouda, fondue de queijo e caldos. No Brasil, marcas como a Wäls oferecem opções do estilo
  • RUSSIAN IMPERIAL STOUT: Um dos estilos com o maior teor alcoólico a baixo drinkability. Na maioria das vezes tem notas de café, e algumas podem levar lactose, baunilha e lascas de carvalho, deixando com notas mais adocicadas. Vai bem com sobremesas à base de leite e chocolate. Maple’s Milk, da cervejaria pernambucana Quatro Graus, leva maple e lactose, além de 12,5% de teor alcoólico bem inseridos.
  • IMPERIAL RED ALE: Boa opção para quem não curte sabor de café, pois tem notas puxadas para o caramelo, um leve dulçor e no retrogosto é um pouco mais amarga. Também tem um teor alcoólico maior que as Red Ales. Vai bem com carnes e pratos bem temperados. Cervejarias nacionais como Tupiniquim e Dado Bier têm opções do estilo.

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