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Em 2025, diversidade e inclusão amadurecem no setor cervejeiro brasileiro

O ano de 2025 chega ao fim consolidando um movimento fundamental para a indústria da cerveja no Brasil: a transformação de intenções em políticas estruturadas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI). O que antes eram ações pontuais, agora faz parte da governança formal das empresas, com comitês, grupos de afinidade e metas públicas voltadas à representatividade, avalia o Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv). A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) também destaca ações de diversidade no setor, especialmente em raça e gênero.

Tanto nas grandes indústrias quanto no segmento artesanal, o balanço é considerado positivo pelas entidades representativas do setor, revelando um estágio mais maduro dessas políticas no setor.

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Avanços em frentes prioritárias

De acordo com o Sindicerv e a Abracerva, o setor trabalhou de forma estratégica em diversos pilares. No recorte por gênero, houve destaque para programas de desenvolvimento e empoderamento feminino, resultando em presença relevante em cargos de liderança e conselhos. Na inclusão por raça, o sindicato destacou o avanço na implementação de programas estruturados para o desenvolvimento de lideranças negras.

Segundo o Relatório de Sustentabilidade do Sindicerv, lançado na semana passada, a Ambev atua na agenda de diversidade, equidade e inclusão com ações como Programa Somos, para o desenvolvimento e empoderamento feminino; Programa Homens Aliados, que incentiva diálogos com a liderança masculina e seu papel na inclusão de mulheres; e Programa Dàgbá, de apoio ao desenvolvimento de lideranças negras. Além disso, a empresa possui hoje 40% de mulheres na liderança e presença de três mulheres no Conselho de Administração.

No Grupo Heineken, a governança é sustentada por um Comitê de Inclusão e Diversidade. “Em 2021, quando a meta de 50% de mulheres na liderança até 2026 foi estabelecida, o número de mulheres na liderança era de 29%, hoje, 45%. O board da Companhia também se tornou mais equitativo, com 44% de Vice-presidentes mulheres”, diz Vetusa Pereira, gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão. As metas também incluem 40% de pessoas negras na liderança até 2030, segundo o Relatório de Sustentabilidade.

“Todas essas iniciativas fortaleceram a inclusão interseccional, promovendo mais oportunidades para pessoas com deficiência, LGBTQIAPN+ e de diferentes gerações, com o incentivo de vagas afirmativas, programas de aceleração de carreiras como o ‘Elas que brilham’ e ‘Shining Stars’, além de 100% da liderança da Companhia treinada em módulos de Segurança Psicológica”, completa Vetusa Pereira.

O Sindicerv também reforça a criação de grupos de afinidade que fortaleceram a pauta das pessoas com deficiência e LGBTQIAPN+ internamente, criando bases para avanços em acessibilidade.

Na Abracerva, por exemplo, a maioria do staff e da diretoria já é composta por mulheres, de acordo com Gilberto Tarantino, presidente da entidade, que também conta com a participação de negros na gestão.

Renda

O pilar de inclusão por renda concentrou-se na inclusão produtiva, conectando a geração de empregos ao fortalecimento das redes de fornecedores locais.

Dentre as ações do Grupo Heineken, o Relatório de Sustentabilidade destaca a parceria com a CUFA (Central Única das Favelas) para fomentar negócios de impacto social nas comunidades brasileiras e as metas de impacto, que incluem beneficiar mais de 10 mil ambulantes catadores e ambulantes via Instituto Heineken.

A Ambev projeta incluir 5 milhões de pessoas até 2032 através de programas como o AMA, o VOA (mentoria para organizações) e a plataforma Bora, que foca na empregabilidade e empreendedorismo local.

Perspectiva para 2026

O setor cervejeiro brasileiro entra em 2026 buscando expandir ainda mais as políticas de diversidade, equidade e inclusão. De acordo com o Sindicerv, a indústria cervejeira já definiu as áreas que precisam de maior aprofundamento para garantir um ambiente ainda mais inclusivo. “O próximo ano aponta claramente para uma agenda de continuidade e expansão”, avalia o sindicato.

“Os desafios relacionados às políticas de diversidade e inclusão no setor passam pela ampliação da presença de talentos diversos em diferentes áreas das empresas e pelo fortalecimento de iniciativas que garantam desenvolvimento e permanência desses profissionais ao longo da jornada”, a gerente de Diversidade, Equidade e Inclusão do Grupo Heineken.

O foco sairá da base para o topo. O Sindicerv aponta metas futuras para ampliar a participação de mulheres e pessoas negras em posições de decisão, exigindo a revisão de processos de atração e promoção profissional. Para as Pessoas com Deficiência (PCDs), o desafio em 2026 é evoluir da mobilização interna para políticas estruturadas de recrutamento e adaptação física dos postos de trabalho nas indústrias. A agenda para a população LGBTQIAPN+ passará pela consolidação da governança interna e investimentos contínuos em comunicação para evitar que a pauta seja apenas sazonal.

“Para pessoas com deficiência, permanece o cuidado de garantir acessibilidade, desenvolvimento contínuo e oportunidades reais de crescimento. No que se refere à comunidade LGBTQIA+, há espaço para ampliar ações de apoio institucional e formação de lideranças que promovam um ambiente cada vez mais seguro e acolhedor”, diz Vetusa Pereira.

Artesanais

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Para o segmento de artesanais, o avanço da pauta de diversidade em 2026 está intrinsecamente ligado à saúde financeira das empresas. Por isso, a pauta mais crítica para a sobrevivência e crescimento das artesanais é o Imposto Seletivo. A Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva) afirma que já enviou propostas ao Ministério da Fazenda defendendo um escalonamento tributário: quem produz menos, paga menos. 

Esse ajuste é visto como essencial para que as pequenas empresas tenham fôlego para investir não só em qualidade e marketing, mas também em programas de treinamento e gestão mais inclusivos.

“Cerveja é celebração e alegria. Queremos que as pequenas cervejarias tenham cada vez mais prática na qualidade e na gestão, de olho no negócio para garantir o futuro do setor”, afirma Gilberto Tarantino, presidente da Abracerva. Com a chegada da Brasil Brau e da Copa do Mundo em 2026, o setor espera que o calor e os grandes eventos impulsionem o consumo e permitam a continuidade dessas políticas de impacto social.

Élida Oliveira
Élida Oliveira
Jornalista formada pela PUC-PR, escreve sobre economia, investimentos, educação, ciência e saúde. Tem passagens pelo Estadão, Folha de S.Paulo, g1, El País, UOL e InfoMoney. Sempre curiosa por aprender e informar.
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