A balança comercial da cerveja fechou 2025 de maneira muito favorável ao Brasil. Houve um superávit recorde de US$ 195 milhões, o que representa um crescimento de 7,1% em relação ao ano anterior (confira o infográfico). O número faz parte do Anuário da Cerveja 2026 — publicação anual do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) —, lançado na semana passada em evento do Sindicato Nacional da Indústria da Cerveja (Sindicerv) em Brasília (DF). E esse fato pode apontar um bom caminho para o crescimento da indústria da cerveja brasileira.
A avaliação é de Hugo Caruso, diretor do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (Dipov) do Mapa. “Como nós já temos um parque industrial bem instalado e temos uma variedade muito grande de cervejas de altíssima qualidade, a gente pode sim se tornar um grande exportador”, disse em entrevista exclusiva ao Guia da Cerveja no lançamento do Anuário.
Segundo Caruso, o Mapa dispõe de mais de 40 postos de adidâncias agrícolas espalhados pelo mundo que podem auxiliar o setor a buscar esses novos mercados e a conquistar um volume ainda maior de exportação. “Eu vejo com muita perspectiva um crescimento do setor, não apenas interno, mas principalmente no mercado externo”, complementa.
Exportações de cerveja brasileira crescem em valor
De acordo com o Anuário da Cerveja deste ano, a exportação de cervejas do Brasil para o exterior chegou a 315,5 milhões de litros. Mas é no valor que os números se destacam mais: o faturamento chegou a US$ 218,36 milhões, um aumento de 6,9% em relação ao ano anterior.
O bom resultado vem acompanhado por uma valorização do preço médio por litro de 13%, saindo de 0,61 para 0,69 dólares.
Em 2025, o Brasil exportou cerveja para 77 países ao todo. Entre os dez maiores compradores de cerveja brasileira, em volume, os oito são do continente americano e os quatro primeiros são países membros plenos do Mercosul. O principal importador foi o Paraguai, que absorveu 196,5 milhões de litros, o equivalente a 62,3% do total. Ele é seguido por Bolívia (21,61%), Uruguai (8,82%) e Argentina (2,88%). Ou seja, 95,57% dessa cerveja fica no Mercado Comum do Sul.
Em valores, o Paraguai também lidera a lista, somando um montante de US$ 139 milhões, um aumento de 9,3% em relação a 2024.
A cervejaria que quer exportar precisa ser devidamente registrada no Mapa e deve atentar às exigências alfandegárias e sanitárias específicas de cada nação de destino. Além disso, é necessário observar os critérios para certificação para exportação de Bebidas, Fermentados Acéticos, Vinhos e Derivados da Uva e do Vinho presentes na Instrução Normativa nº 67, de 5 de novembro de 2018, do Mapa.
A certificação da exportação de cerveja é feita exclusivamente pelo Portal gov.br, onde o prazo médio para a emissão dos certificados solicitados em 2025 foi de 2,5 dias após a solicitação.
Importações aumentam em volume
O volume de cerveja importada para o Brasil cresceu 251,4% em 2025, segundo números do Anuário. Saiu de 7,5 milhões de litros em 2024 para 26,33 milhões de litros no ano passado. No entanto, o valor importado cresceu apenas 1,7%, correspondendo a pouco mais de US$ 9,4 milhões. Com isso, a cerveja importada para o Brasil custou, em média, 0,36 dólares por litro, o menor valor da série histórica.
Os Estados Unidos desbancaram a Alemanha e assumiram a liderança isolada nas importações de cerveja no Brasil, enviando 19,5 milhões de litros — o equivalente a 74,2% do total importado no país. O avanço representa um salto em relação ao ano anterior, quando os produtores norte-americanos ocupavam a noiva posição do ranking, com apenas 147 mil litros.
No fluxo contrário, a balança comercial mostra-se desfavorável ao mercado nacional. Em 2025, os Estados Unidos importaram apenas 715 mil litros de cerveja brasileira que, comercializados a um preço médio de 0,53 dólar por litro, movimentaram uma receita modesta de 380 mil dólares.
Apesar da dominância norte-americana no volume total, a Europa ainda lidera na variedade de fornecedores para o mercado brasileiro. Entre os quinze maiores exportadores de cerveja para o país, nove são nações europeias e uma é asiática.
Em valores, a Alemanha foi o maior mercado de importação brasileiro de cerveja. Ela responde por 34,4% do valor total de importações, chegando à cifra de US$ 3,2 milhões.
Acordo Mercosul-UE abre caminho para a cerveja brasileira na Europa
O novo acordo entre o Mercosul e a União Europeia promete abrir as portas de um mercado gigante de 720 milhões de pessoas. A grande vantagem para as cervejarias brasileiras é que os impostos para importar e exportar bebidas vão cair aos poucos até zerar. Mas esse processo vai levar cerca de 15 anos.
Como é um acordo bilateral, as exportações de cervejas brasileiras também devem ser beneficiadas. Mas para se dar bem vendendo lá fora, o segredo não será brigar por preço em estilos tradicionais, mas sim apostar em diferenciação. A União Europeia é um prato cheio para as nossas “brasilidades”. Cervejas artesanais que usam frutas tropicais, ingredientes regionais e que apostam na tendência global de receitas sem álcool ou mais leves, segundo disse Carol Sanchez, analista da Levante Inside Corp, em reportagem sobre o assunto aqui no Guia da Cerveja.
“Se a cerveja chega lá com um padrão alto, com uma proposta clara, com uma boa distribuição, dá para construir essa presença. Principalmente em bares especializados, lojas premium, eventos de cerveja artesanal”, afirma.
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