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Preço da cerveja cai em junho; produção industrial tem forte retração em maio

O cenário para o consumidor de cerveja trouxe um refresco no fechamento do primeiro semestre de 2026. Após apresentar pressão em maio, com a maior alta em oito meses (0,96%), o preço da cerveja vendida nos supermercados caiu em junho, registrando deflação de -0,29%. Já a produção industrial de bebidas alcoólicas, referente a maio, amargou uma retração expressiva de -4,2% em relação ao mesmo mês de 2025. Os números são do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O alívio nos preços da cerveja no domicílio (-0,29%) ajudou a segurar o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho, que ficou em apenas 0,16%. O barateamento da bebida acompanhou a onda de bom desempenho da categoria macro de Alimentação e Bebidas, que teve deflação de -0,24% e operou como o principal impacto negativo para a inflação oficial no mês.

A estratégia financeira do consumidor, no entanto, segue dividida e escancara os diferentes comportamentos do varejo. Enquanto a cerveja comprada para beber em casa (no domicílio) barateou, a cerveja consumida fora do domicílio (em bares e restaurantes) continuou subindo, anotando alta de 0,21% em junho. No longo prazo, a cerveja no supermercado ainda pesa mais no bolso: a inflação acumulada em 12 meses é de 5,30%, rodando acima do IPCA geral do período (4,64%). Já a cerveja no bar acumula alta mais modesta, de 3,41% nos últimos 12 meses.

Variação de Preços – Visão Nacional

Geral, grupo, subgrupo e itemMensal (%)12 meses (%)
Índice geral0,164,64
1. Alimentação e bebidas-0,243,82
11. Alimentação no domicílio-0,393,03
1114084. Cerveja-0,295,30
12. Alimentação fora do domicílio0,155,89
1201048. Cerveja0,213,41
Fonte: IBGE – IPCA (junho 2026)

Monta-russa de preços

O número cru da inflação acumulada nos últimos 12 meses esconde, no entanto, um comportamento no estilo monta-russa. Desde janeiro, o preço da cerveja nos supermercados vem alternando altos e baixos que, muitas vezes, chegam à deflação. A mesma alternância pode ser notada no índice da cerveja fora do domicílio desde outubro de 2025. 

No entanto, esse vai e vem não é totalmente simétrico, tendo inflação ainda maior que a deflação geral, gerando índices positivos. No acumulado do primeiro semestre, a cerveja consumida em bares e restaurantes registra alta de 1,98%, bem maior do que a consumida na residência (que tem maior impacto na inflação geral), com inflação de apenas 0,88%.

IPCA vs. Indicadores de cerveja (jul/25 – jun/26)

Preço da cerveja nas áreas pesquisadas

Geograficamente, os supermercados de metade das regiões pesquisadas pelo IBGE apresentaram queda no preço da cerveja. A cidade com maior queda em junho foi Salvador (BA), com expressivos -2,07%. Logo atrás, como destaques de economia para o consumidor, figuraram Porto Alegre (-1,91%) e Fortaleza (-1,38%). Na contramão desse alívio, as maiores pressões e saltos nos preços da cerveja de supermercado no mês foram observados nas prateleiras de Campo Grande (1,25%), Belém (1,13%) e Belo Horizonte (0,28%).

Já observando o acumulado de 12 meses, as maiores altas e o peso mais severo no bolso do consumidor foram registrados em Campo Grande (7,98%), Curitiba (7,35%) e Goiânia (7,25%). Por outro lado, a inflação de longo prazo da cerveja foi mais branda em Porto Alegre (0,78%) e Salvador (1,17%).

Variação Regional – Cerveja no Domicílio

Cidade / RegiãoVariação Mensal (%)Acumulada 12 Meses (%)
São Luís (MA)-0,414,69
Aracaju (SE)-0,494,95
Campo Grande (MS)1,257,98
Goiânia (GO)-1,027,25
Brasília (DF)-0,033,66
Belém (PA)1,135,52
Fortaleza (CE)-1,386,50
Recife (PE)0,012,11
Salvador (BA)-2,071,17
Belo Horizonte (MG)0,283,88
Grande Vitória (ES)-0,407,18
Rio de Janeiro (RJ)-0,237,05
São Paulo (SP)-0,026,77
Curitiba (PR)0,207,35
Porto Alegre (RS)-1,910,78
Fonte: IBGE – IPCA (Dados de Junho 2026 – Item: 1114084. Cerveja). (Nota: Dados de Rio Branco indisponíveis no relatório para o período analisado).

Recuo na produção industrial

Os dados recém-divulgados da Produção Física Industrial (PIM-PF) mostram que, em maio, a fabricação de bebidas alcoólicas sentiu um forte freio. O setor registrou uma retração de -4,2% na comparação com o mesmo mês do ano anterior (maio de 2025). O resultado opera no negativo, alinhado ao comportamento geral da indústria nacional, que teve retração de -0,2% frente a abril.

No acumulado dos últimos 12 meses, a indústria de bebidas alcoólicas — segmento em que a indústria cervejeira representa quase 90% da produção — aprofunda o viés de queda e atinge -3,6%. Já a fabricação de bebidas não alcoólicas teve uma retração mais leve no mês, caindo -1%, e ainda consegue manter um saldo fracamente positivo de 0,5% no acumulado de 12 meses.

Visão Industrial – Fabricação de Bebidas

Grupos e classes industriaisVariação Mensal (%)*Variação 12 Meses (%)
11.1 Fabricação de bebidas alcoólicas-4,2-3,6
11.2 Fabricação de bebidas não alcoólicas-1,00,5
*Fonte: IBGE – Pesquisa Industrial Mensal (Dados de Maio 2026). (Comparação com o mesmo mês do ano anterior).
Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
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