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Cervejas artesanais sem álcool: onde estão?

Encontrar esse tipo de produto nos supermercados ainda é um desafio para muitos consumidores, explica a colunista Sara Araujo. Confira!

Há algum tempo, a busca por cervejas alcohol-free tem sido uma constante, seja por uma pausa na ingestão de bebidas alcoólicas para dar um descanso ao corpo, seja por questões médicas ou religiosas. Mas está sendo difícil encontrar cervejas artesanais sem álcool por aqui.

Na minha casa, por exemplo, essa pausa na ingestão de álcool já ultrapassou os dois anos e, provavelmente, o hiato se prolongará por muito mais tempo. O que começou por uma recomendação médica, no meu caso, tornou-se um hábito: hoje já não consigo tomar mais do que uma taça de cerveja convencional — mesmo que seja de apenas 2% —, e meu filho tem acompanhado essa mesma dinâmica. E isso é algo que tenho observado entre os amigos dele também. 

Dias atrás, fiz um jantar em casa e, ao oferecer cervejas de estilos diversos, ouvi: “Obrigado, Dona Sara, mas não estou bebendo álcool. Se a senhora tiver cerveja sem álcool, aceito”. Perguntei se haviam parado de beber e eles me informaram que, nos últimos tempos, vêm dando uma pausa na bebida. Começamos a conversar e uma das principais queixas foi o fato de não encontrarem cervejas artesanais sem álcool nas gôndolas dos supermercados.

Conversando com meus convidados — oito naquele dia —, todos foram unânimes em dizer que há uma grande dificuldade em encontrar o produto. Ponderei: o mercado existe; o produto, não.

A dificuldade em encontrar cervejas artesanais sem álcool

Com a aproximação do “Julho das Pretas” — mês em que mulheres negras se reúnem para buscar caminhos possíveis para as nossas vidas —, pensei em reunir algumas amigas em um jantar harmonizado para dialogarmos. É algo que já fiz em anos anteriores e que nos rendeu momentos muito edificantes.

Contudo, ao me dirigir mais uma vez ao supermercado, deparei-me com a total ausência de diversidade no que tange aos estilos de cerveja. Nacional, encontrei apenas uma Summer Ale de uma cervejaria de Santa Catarina; de resto, uma Weiss de uma cervejaria alemã e nada mais.

O que tenho observado, ao menos nos espaços que frequento, é uma grande dificuldade em encontrar cervejas artesanais sem álcool. Há uma demanda? Sim, ela existe. Os estilos que mencionei acima, quando chegam às gôndolas dos supermercados daqui, saem rapidamente. Iso mostra que há pessoas sedentas por cervejas sem álcool. Mas, aparentemente, o mercado não se mostra disposto a acompanhar o ritmo da mudança deste setor.


Sara Araujo é sommelière de cervejas e palestrante sobre relações raciais; consultora, formada em Direito (ITE de Bauru/2012) e em Ciências Sociais (UEM/2022), é também especialista em História da África e da Diáspora Atlântica (Instituto Pretos Novos/2025), além de mestranda em Ciências Sociais pela UEM.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

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