back to top
InícioColunasColuna Ana PampillónTurismo cervejeiro de inverno: quando o frio ensina o Brasil a beber...

Turismo cervejeiro de inverno: quando o frio ensina o Brasil a beber melhor

A colunista Ana Cláudia Pampillón mostra como a estação mais fria do ano pode ser uma excelente professora no universo da cerveja

Coluna Ana Pampillón

O Brasil aprendeu a amar a cerveja no verão. Foi natural. Mas está aprendendo a entendê-la no inverno. Existe uma pedagogia no frio. Quando a temperatura cai, o nosso paladar muda. Ele fica mais paciente, mais atento, mais disposto ao complexo. Trocamos a sede pela curiosidade. E é exatamente aí que o turismo cervejeiro de inverno encontra sua força.

Chamamos de Inverno Cervejeiro aquele período de maio a agosto em que a Serra, o Sul e as montanhas viram destino. Mas o que acontece não é apenas uma mudança de estação. É uma mudança de relação.

No inverno, a cerveja deixa de ser coadjuvante da paisagem e vira a própria paisagem. Você não bebe uma Porter com notas de chocolate enquanto está com pressa. Bebe na frente da lareira, depois de visitar a sala de brassagem, ouvindo do cervejeiro por que ele escolheu aquele malte defumado. Você não prova uma Belgian Dubbel com pressa. Harmoniza com um queijo da região, com um fondue, com uma conversa longa.

Turismo cervejeiro de inverno

É por isso que o turismo cervejeiro de inverno é tão potente. Ele não vende apenas um estilo de cerveja mais encorpado. Ele vende tempo.

Vende a experiência completa que o verão, com sua correria, raramente permite: a visita guiada sem multidão, o balcão onde dá para conversar com quem fez a cerveja, a cidade que respira cerveja em cada restaurante, em cada vitrine, em cada história. Petrópolis sabe bem disso. Aqui, cerveja é patrimônio, não é moda. E o inverno é quando esse patrimônio fica mais visível, porque as pessoas vêm justamente para procurá-lo.

O Inverno Cervejeiro consolidou-se porque entendeu algo essencial: o consumidor brasileiro amadureceu. Ele já não busca apenas refrescância; busca profundidade, origem, narrativa. E quer saber de onde vem o que ele bebe e quer que esse beber aqueça, não apenas refresque.

No fundo, o Inverno Cervejeiro é o convite mais elegante que o mercado artesanal já fez. Um convite para desacelerar, vestir um casaco e descobrir que existe uma cerveja para cada temperatura da alma.

E que algumas delas, as melhores, só fazem sentido quando faz frio.


Ana Cláudia Pampillón é turismóloga e sommelière de cervejas. Tem uma longa jornada de atuação no mercado turístico e cervejeiro do estado do Rio de Janeiro. Coordena há 10 anos a Rota Cervejeira RJ e também atua no mercado de lúpulo brasileiro, aproximando os produtores das cervejarias. Leia mais colunas dela.


* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.

NOTÍCIAS RELACIONADAS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui