É com imensa alegria que acompanho a formação de novas rotas do turismo cervejeiro Brasil afora. Recentemente, o Governo do estado de São Paulo lançou o projeto Rotas da Cerveja de São Paulo, que reúne 107 cervejarias e produtores em 55 municípios. A iniciativa integra o programa Rotas SP, ao lado de roteiros já consolidados como os do vinho, café, queijo e cachaça.
Essa iniciativa do poder público é de extrema relevância. Quando o Estado chancela e organiza, o turismo cervejeiro deixa de ser apenas um nicho e passa a ser política de desenvolvimento. Fortalece as cervejarias, profissionaliza a recepção ao turista e cria um ativo econômico poderoso para toda a região.
Afinal, cerveja é gastronomia. E é também cultura, território e experiência. Os amantes da bebida viajam para conhecer processos de produção, visitar plantações de lúpulo, provar harmonizações diferenciadas e se hospedar em lugares que fazem esses visitantes quererem voltar. Eles não consomem apenas um copo, consomem o destino.
Turismo cervejeiro global
Alguns dados nos fazem refletir: você sabia que, mesmo com uma cena cervejeira pouco expressiva, Paris figura em listas internacionais de melhores destinos turístico-cervejeiros, na 10ª colocação?
Agora pense na nossa própria cena, na nossa variedade e qualidade quando o assunto é produção artesanal. O Brasil não aparece nesse ranking. Incrível, não é?
É exatamente esse cenário que nos inquieta e que precisamos reverter. Temos matéria-prima, temos criatividade, temos terroir, temos cervejeiros premiados internacionalmente. O que nos faltava era organização em forma de produto turístico.
E o país finalmente está percebendo a importância do turismo cervejeiro como um potente indutor da economia. A ferramenta é a “CERVEJA”, mas o que ela movimenta vai muito além: hotelaria, gastronomia, transporte, agricultura familiar e comércio local.
Com tantos destinos e cervejarias lindas, além de cervejas maravilhosas, vemos um mundo de possibilidades. E são esses movimentos de formação de rotas que precisamos multiplicar para, em breve, colocar o Brasil não apenas no ranking, mas no topo dele.
Ana Cláudia Pampillón é turismóloga e sommelière de cervejas. Tem uma longa jornada de atuação no mercado turístico e cervejeiro do estado do Rio de Janeiro. Coordena há 10 anos a Rota Cervejeira RJ e também atua no mercado de lúpulo brasileiro, aproximando os produtores das cervejarias. Leia mais colunas dela.
* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.


