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Balcão do Aloisio: A multiplicidade de usos da cevada

Balcão do Aloisio: A multiplicidade de usos da cevada

Como já dito em outros artigos, a cevada é um dos grãos mais antigos cultivados pelo ser humano, com evidências de seu cultivo que remontam a mais de 10.000 anos atrás. Desde sua domesticação até os dias atuais, vários foram os usos encontrados para essa planta e seus grãos. Embora amplamente cultivada em todo o mundo, a cevada é conhecida por sua resistência a climas frios e é frequentemente cultivada em regiões de clima temperado. Isso a torna uma cultura importante em várias partes do planeta.

A nível mundial, a alimentação animal é o principal uso da cevada. Estima-se que 70% da cevada produzida no mundo seja com esse fim, sendo utilizada na forma de forragem verde, feno, silagem ou com os grãos utilizados na formulação de rações. Em seguida, vem a produção de malte. No Brasil, onde existem alternativas mais econômicas para a alimentação animal, como o milho e a soja, a cevada teve seu cultivo desenvolvido quase que exclusivamente para esse fim, fomentado pela indústria que, posteriormente, utiliza o malte na produção de bebidas, principalmente a cerveja. Mas o malte de cevada também pode ser utilizado para produção de uísque e de outras bebidas alcóolicas, como algumas variedades de vodca e outros destilados.

Além do uso para alimentação animal e da produção de malte, a cevada tem uma série de outros usos que não são muito conhecidos. Em tempos de valorização da alimentação saudável, a cevada desperta interesse crescente para uso na alimentação humana, em função da quantidade de fibras solúveis, principalmente as beta-glucanas, presentes na sua composição. Quando consumidas, essas fibras formam uma substância viscosa que pode se ligar ao colesterol no trato digestivo, ajudando a reduzir a absorção de colesterol LDL (colesterol ruim). Esse efeito pode contribuir para a redução do risco de doenças cardiovasculares. Além disso, as beta-glucanas têm um impacto positivo no controle do açúcar no sangue, pois ajudam a regular a velocidade com que os carboidratos são absorvidos, evitando picos rápidos nos níveis de glicose após as refeições.

Na alimentação humana, a cevada pode ser consumida como grão inteiro ou cevada pérola, em sopas, ensopados, saladas e cereais matinais; e como farinha pode ser usada na fabricação de pães, bolos, biscoitos e outros produtos de panificação. A farinha de cevada tem um sabor distinto e pode adicionar um toque de noz aos alimentos. Extratos de cevada são utilizados na fabricação de suplementos alimentares devido à presença de nutrientes benéficos, como vitaminas, minerais e antioxidantes. A cevada pode, ainda, ser germinada para produzir brotos, que são consumidos como parte de dietas saudáveis. A cevada torrada é usada como sucedâneo do café em certas bebidas, oferecendo uma opção sem cafeína com sabor semelhante ao café. Em algumas culturas, o malte da cevada é usado na produção de bebidas tradicionais não alcoólicas, como as malteadas, uma bebida espessa e cremosa feita com malte de cevada, leite e outros ingredientes. No Oriente Médio e na Ásia, bebidas feitas a partir de cevada não maltada são populares.

Extratos de cevada podem ser usados na indústria de cosméticos devido às suas propriedades hidratantes e antioxidantes. Fibras de cevada são exploradas na indústria têxtil para a produção de tecidos. Resíduos de cevada e fibras de cevada podem ser utilizados na produção de papel. Pesquisas têm sido desenvolvidas para explorar a cevada na produção de materiais biodegradáveis, como bioplásticos e embalagens sustentáveis e também para explorar a cevada na produção de biocombustíveis. A cevada é utilizada como uma cultura de cobertura na agricultura para melhorar a qualidade do solo, reduzir a erosão e controlar ervas daninhas.

Esses são apenas alguns exemplos dos muitos usos da cevada na atualidade, destacando sua versatilidade em diversas indústrias e aplicações.


Aloisio Alcantara Vilarinho é engenheiro agrônomo com doutorado em Genética e Melhoramento de Plantas. Pesquisador da Embrapa desde 2003, ele atua, desde novembro de 2019, como melhorista de cevada na Embrapa Trigo.

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