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Conheça as cervejarias premiadas no World Beer Awards 2025

O World Beer Awards (WBA), um dos maiores concursos de cervejas do mundo, anunciou os grandes vencedores da edição 2025 na quarta-feira (13). E o Brasil de destacou com 13 premiações, um número bastante expressivo. Foram ao todo 12 cervejas condecoradas de nove marcas, produzidas por oito cervejarias diferentes. Elas receberam os prêmios de “World’s Best” em seus estilos e por grupo de estilos. Nesta etapa foram avaliadas mais de 8,3 mil amostras de todo o mundo por 265 juízes de 37 países.

O WBA funciona fazendo seletivas nacionais ou regionais em vários países do mundo. As melhores cervejas ganham medalhas de ouro, prata e bronze, além do título de Country Winner para a melhor do país em determinado estilo. A lista completa das premiações regionais pode ser acessada aqui.

>>> Leia mais: World Beer Awards premia 12 cervejas brasileiras entre as melhores do mundo

Muitas dessas cervejarias brasileiras premiadas na rodada mundial já obtiveram sucesso em outros concursos recentemente. Isso mostra que não só estão fazendo cerveja de qualidade, como também estão mantendo essa qualidade ao longo do tempo — um ótimo sinal no mercado cervejeiro. É o caso da cervejaria caterinense Stannis e da Sim! Cerveja, de Campinas (SP), marca especializada em cerveja sem álcool.

Que tal conhecer mais sobre algumas dessas cervejas e cervejarias?

Categoria Lager

Um dos grandes destaques da participação brasileira no World Beer Awards foi na categoria Lager, que agrupa os estilos de baixa fermentação. Duas cervejarias do país trouxeram para casa quatro prêmios para três cervejas diferentes.

A OPA Bier, de Joinville (SC), foi a grande vencedora na categoria Lager, conquistando uma das maiores premiação do concurso: World’s Best de toda a categoria Lager. O título foi para a OPA Bier Hop Lager. Essa condecoração é disputada somente pelas 15 eleitas como melhores em seus estilos individuais na rodada mundial. Para chegar lá, essa cerveja também foi a vencedora do estilo Hoppy Pilsener. A cervejaria também trouxe para casa o prêmio de melhor Czech Style Pale do Mundo para a Merecida.

A OPA Bier é uma das maiores cervejarias da região com capacidade produtiva de até 3,6 milhões de litros anuais (300 mil por mês). Fundada em 2006, fica no Vale do Itajaí, região que colonização alemã que concentra grande número de cervejarias em Santa Catarina, além da capital da cerveja do Brasil, Blumenau (SC). Foi lá que conquistou este ano o prêmio de terceira Melhor Cervejaria no Concurso Brasileiro da Cerveja. Ela também já havia ganhado o título de Melhor Cervejaria no Brasil Beer Cup de 2024. Esses prêmios por cervejaria são concedidos para as fabricantes que tiveram maiores números de medalhas, sendo que ouro, prata e bronze tem pesos diferentes na somatória final.

“É um orgulho imenso para toda a equipe OPA Bier e para Joinville. Esses prêmios são o reconhecimento do nosso compromisso com a qualidade, a tradição e a inovação na produção de cervejas”, disse o fundador e CEO da OPA Bier, Werner Weege, por ocasião da premiação no WBA. “As vitórias da OPA Bier reforçam a posição da cervejaria como referência de qualidade no cenário cervejeiro mundial e fortalecem ainda mais a tradição cervejeira da cidade de Joinville”, completa.

A premiação brasileira na categoria Lager é fechada pela Vienna Lager da Big John. Fundada em 2017 em Descanso, no Oeste Catarinense, a cervejaria também faturou medalha de ouro para sua American Lager no Concurso Brasileiro da Cerveja 2025 realizado em Balneário Camboriú (SC).

Cerveja Stannis: a mais premiada

Entre as cervejarias, a que mais ganhou prêmios foi a Stannis, também de Santa Catarina. Ela levou as condecorações de melhor do estilo Flavoured Stout & Porter com a Antonieta Porter, Melhor Fruit Lambic com a Mother Gaia e Melhor Sour & Wild Ale com a Alma Mater. No início de agosto, a fábrica também foi eleita a Melhor Cervejaria de Médio Porte no Brasil Beer Cup.

Criada em Jaraguá do Sul a partir da ideia de dois amigos cervejeiros, a Stannis começou pequena, feita de maneira caseira em uma garagem, e hoje figura entre as cervejarias mais premiadas do país nos anos recentes. Além da produção própria, mantém o bar da fábrica e dois pubs (Jaraguá do Sul e Blumenau), além de ser presença constante em eventos culturais.

No Instagram do Guia da Cerveja, ao serem perguntados sobre o que consideram um diferencial para tantas conquistas, o perfil da Stannis respondeu: “Não há uma única resposta para essa pergunta, são vários fatores que, somados, contribuíram para este resultado. Podemos citar investimento em processos, não abrir mão de matéria-primas de qualidade, investir em treinamento constante e qualificado, mas, acima de tudo, ter um objetivo traçado e um propósito claro que motive o trabalho diariamente”.

Campinas em destaque

Duas cervejarias de Campinas, no interior de São Paulo, também figuraram na lista, mostrando a relevância de um dos polos produtores mais fortes do estado paulista. 

A Sim! Cerveja Sem Álcool é uma marca especializada em cervejas em álcool que venceu o prêmio de Melhor IPA sem álcool no WBA. Este ano, a Sim! já havia ganhado medalha de ouro no World Beer Cup com a Melancia Sour’n Salt — uma releitura do estilo Gose, de perfil ácido e salgado, com aroma e sabor da fruta. A mesma cerveja ganhou medalha de ouro na Copa Cervecera Mitad del Mundo 2025, realizada em julho em Quito, no Equador. A cervejaria também recebeu prata na Maracujá Sour’n Salt na capital equatoriana.

Criada em junho de 2024, a Sim! Cerveja é uma spin-off da Cervejaria Cogumelo que chega ao 14º prêmio com apenas um ano de existência. “Tudo isso é fruto de muita pesquisa e envolvimento de toda a nossa equipe de diretores e colaboradores”, diz o co-fundador da marca, David Figueira.

Já a Daoravida venceu com a Terminus 2025 o prêmio de Melhor Wood Aged Beer — cerveja maturada em madeira. O projeto já acumula 16 medalhas em concurso nacionais e internacionais e consiste em cervejas do estilo Barley Wine envelhecidas em diferentes madeiras, com o intuito de explorar os efeitos do tempo.

Lançada em 2015 como cervejaria cigana, a Daoravida teve um taproom próprio inaugurado em 2018, um brewpub em 2021 e expandiu a unidade de Campinas em 2023. “Para a gente [essa premiação] tem muito mais importância porque é a nossa cerveja de comemoração de dez anos, que vai ser lançada em novembro”, conta Wagner Falci no vídeo em que comemora a premiação no Instagram da cervejaria.

Pale Beer: categoria com mais prêmios

O Brasil também se destacou na categoria Pale Beer com três prêmios. 

A melhor cerveja da categoria Bitter Over 5.5% também foi para o interior de São Paulo. A vencedora foi a British Strong Ale da Ashby (Amparo – SP), uma das mais antigas cervejarias artesanais do país, fundada em 1993 pelo americano Scott Alan Ashby e a brasileira Anelise Marques. Hoje tem capacidade de aproximadamente 400 mil litros por mês e cerca de 50 funcionários.

Desde que foi criado, em 2014, o rótulo acumula aproximadamente duas dezenas de prêmios em concursos cervejeiros, sendo um dos mais recentes no concurso alemão European Beer Star em 2024.

Já a American Pale Ale da Salva Craf Beer (Bom Retiro do Sul – RS) foi premiada como Melhor Brazilian Pale Ale, estilo voltado para cervejas que utilizam insumos nacionais. A cervejaria é a maior do Rio Grande do Sul e foi eleita a Melhor Cervejaria de Grande Porte no Brasil Beer Cup 2025. Fundada em 2014, hoje a Salva tem capacidade de produção de cerca de 200 mil litros por mês.

Tradição marca prêmios da Ambev

A Ambev também marcou presença com dois prêmios na competição: um deles para uma das mais antigas cervejarias do país, outro para uma das marcas mais tradicionais. Ambas criadas ainda no século 19.

Finalizando a categoria Pale Ale, a cerveja Bohemia 838 levou o prêmio de melhor English Style Pale Ale do mundo. A cervejaria, localizada em Petrópolis, na Serra Carioca, é considerada uma das mais antigas do país. Ela deriva da antiga sede da Imperial Fábrica de Cerveja Nacional na cidade, que mudou de sócios e se transformou em Companhia Cervejaria Bohemia em 1898.

A segunda medalha foi para a cerveja Caracu como melhor do estilo Sweet Stout. O rótulo é também muito antigo, tendo sido lançado pela Cervejaria Rio Claro, no interior do São Paulo, em 1899. Ela foi adquirida pela Skol em 1967 e passou para a Brahma em 1980, já tendo sido conhecida pela alcunha de Guinness brasileira.

Confira a lista das brasileiras premiadas como melhores do mundo:

Flavoured Beer

  • World’s Best Flavoured Stout & Porter – Cerveja Stannis – Antonieta Porter
  • World’s Best Wood Aged Beer – Daoravida – Terminus 2025

Lager

  • World’s Best Lager – Opa Bier – Hop Lager
  • World’s Best Hoppy Pilsener – Opa Bier – Hop Lager
  • World’s Best Czech Style Pale – Opa Bier – Merecida
  • World’s Best Vienna Lager – Big John – Vienna Lager

No & Low Alcohol Beer

  • World’s Best No & Low Alcohol IPA – Sim! Cerveja Sem Álcool – IPA

Pale Beer

  • World’s Best Bitter Over 5.5% – Ashby – British Strong Ale
  • World’s Best Brazilian Pale Ale – Cervejaria Salva – American Pale Ale
  • World’s Best English Style Pale Ale – Bohemia – 838

Sour & Wild Beer

  • World’s Best Fruit Lambic – Cerveja Stannis – Mother Gaia
  • World’s Best Sour & Wild Ale – Cerveja Stannis – Alma Mater

Stout & Porter

  • World’s Best Sweet Stout – Caracu – Sweet Stout

A lista completa das premiações do World’s Best está no site do World Beer Awards.

Luís Celso Jr.
Luís Celso Jr.
É jornalista, escritor e sommelier de cervejas. Formado pela PUC-PR, se especializou em jornalismo digital e em gestão de Pequenas e Médias Empresas (FIA Business School). No ramo da cerveja, foi premiado no 1º Campeonato Brasileiro de Sommelier de Cervejas em 2014, defendo o Brasil no mundial em 2015. É professor do Instituto da Cerveja, juiz de concursos nacionais e internacionais (National BJCP), consultor e fundador do BarDoCelso.com — blog mais antigo de cerveja da internet brasileira que completa 20 anos em 2026. Premiado no Edital Fermenta!, é autor do livro “Uma viagem pela história da cerveja no Brasil” (no prelo).
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