back to top
InícioNotíciasConsumidorObras na Rua da Cerveja prometem impulsionar nova vocação da Rua da...

Obras na Rua da Cerveja prometem impulsionar nova vocação da Rua da Carioca

O último sábado (16) foi um dia especial para a cerveja artesanal e o Rio de Janeiro. O prefeito Eduardo Paes e o secretário de Obras, Osmar Lima, estiveram na Rua da Carioca, no Centro da cidade, para anunciar que em setembro começam as obras de reurbanização, que prometem transformar a região na Rua da Cerveja, um grande polo cervejeiro.

Esta será uma etapa fundamental do projeto Rua da Cerveja, que desde setembro de 2024 vem incentivando donos de cervejarias a se instalarem nos casarões históricos desta via tão importante para o centro carioca. A ideia é criar um ponto de encontro para amantes da cerveja artesanal, atrair turistas e moradores para uma área que há anos sofre com o esvaziamento e degradação, além de resgatar a tradição boêmia da região.

>>> Leia também: Criação de polo cervejeiro na Rua da Carioca começa com 7 empreendimentos

Arte do Projeto da Rua da Cerveja:  alargamento das calçadas em três metros e boulevard na área onde estão as cervejarias devem transformar o cenário (Crédito: Prefeitura do Rio de Janeiro / Divulgação)
Arte do Projeto da Rua da Cerveja: alargamento das calçadas em três metros e boulevard na área onde estão as cervejarias devem transformar o cenário (Crédito: Prefeitura do Rio de Janeiro / Divulgação)

Para viabilizar a iniciativa, a prefeitura oferece incentivos financeiros robustos: R$ 1 mil por metro quadrado para ajudar nas reformas dos prédios tombados (até 200 m² por empreendimento), além de R$ 75 mensais por metro quadrado para despesas de aluguel e água por até 30 meses. Os subsídios já mostram resultados. Nove cervejarias já assinaram contrato com a prefeitura, e quatro já se instalaram na região: Vírus Bier, Martelo Pagão, Piedade Cervejaria e Cotovelo. Até o final de setembro, outras duas devem abrir as portas, Arkan e Krans. 

Rua da Cerveja já transforma Rua Carioca

Os proprietários estão animados com a repaginação da rua, que prevê melhorias na iluminação, drenagem, novos mobiliários e, principalmente, o alargamento das calçadas em três metros, criando um espaço mais amigável para pedestres e um boulevard na área onde estão as cervejarias.

Luiz Oliveira, dono da Vírus Bier, a primeira a abrir as portas, em setembro de 2024, acredita que a reurbanização será essencial para aumentar o fluxo de visitantes, um dos principais desafios do projeto. A Rua da Carioca, embora histórica, há anos sofre com degradação, comércio fechado e sensação de abandono. “No imaginário do carioca, a rua ainda é um lugar onde só tem lojas de instrumentos musicais e com 50% dos imóveis fechados. O movimento está crescendo, mas ainda é lento”, afirma Luiz.

René Saleme, sócio da Choperia Piedade, também destaca a importância da obra de reurbanização para atrair público: “Estamos sentindo o movimento crescer durante a semana, mas no sábado e domingo a rua ainda fica muito vazia. Acho que essa intervenção da prefeitura é bem importante para mudar esse panorama. Vai ser o diferencial para transformar a região num centro atrativo de lazer num período de 2 a 5 anos”, diz.

Cervejaria Vírus Bier, do cervejeiro Luiz Oliveira, foi a primeira a abrir as portas em setembro de 2024 na Rua da Carioca, dando início à concretização do projeto da Rua da Cerveja (Crédito: Vírus Bier/Divulgação)
Cervejaria Vírus Bier, do cervejeiro Luiz Oliveira, foi a primeira a abrir as portas em setembro de 2024 na Rua da Carioca, dando início à concretização do projeto da Rua da Cerveja (Crédito: Vírus Bier/Divulgação)

Outro desafio é adaptar os prédios antigos, muitos tombados, para abrigar, ao mesmo tempo, fábricas de cerveja e salões de atendimento. No caso da Vírus Bier, instalada em 170 m², a obra foi menos complexa. Luiz recebeu R$ 170 mil de incentivo e investiu outros R$ 100 mil. Hoje, a cervejaria produz 30 mil litros e oferece seis torneiras com rótulos como Pilsen, IPA, Sour, Red Ale e Double IPA. “O incentivo da prefeitura foi fundamental. Sem ele não teríamos condições de começar”, conta.

Já a Choperia Piedade, com 600 m² e três andares, enfrentou um processo bem mais desafiador. Diferentemente dos demais, que contam com equipamentos pequenos, René está transferindo sua fábrica inteira, que ficava no bairro de Piedade, para o prédio da Rua da Carioca. “Estou trazendo a produção para o segundo andar, então, tive que fazer muita obra num espaço bastante deteriorado. Tanto que demoramos um ano para conseguir abrir. O benefício da prefeitura ajuda muito, mas não cobre tudo. A legalização e o projeto têm um custo alto. Então, o investimento foi bem maior”, relata.

Apesar dos obstáculos, os cervejeiros estão muito motivados e enxergam na Rua da Cerveja uma oportunidade única. “É a paixão de todo cervejeiro ajudar a construir um polo cervejeiro no Rio. Temos locais assim em Niterói, na região Serrana, mas aqui não tínhamos. Por isso, quando o projeto foi anunciado, eu não pensei duas vezes”, diz Luiz.

René também aposta no sucesso da iniciativa: “O que me motivou a investir é que a ideia é muito boa. A região tem um DNA boêmio e fazer um polo cervejeiro ali vai ser algo muito importante para o Rio. É uma cidade muito visitada por turistas brasileiros e estrangeiros e nunca teve um polo cervejeiro até agora”, reforça.

Debora Pivotto
Debora Pivotto
Formada na Cásper Líbero, foi repórter do Guia do Estadão, produtora na TV Globo SP, além de ter colaborado com veículos como Veja São Paulo, Superinteressante, Capricho, entre outras revistas. Apaixonada por autoconhecimento e comunicação, também atua como psicoterapeuta.
NOTÍCIAS RELACIONADAS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui