Uma semana antes do primeiro turno das Eleições 2026, parei de abrir o Instagram e outras redes sociais. Não que eu seja isento, mas queria chegar no dia da votação com a cabeça fria.
Durou só até o resultado sair. Depois dele, caí na besteira de abrir o celular algumas vezes, sempre jurando que era só uma olhadinha, e fui bombardeado pelo mesmo tipo de post: zero cerveja, 100% caos.
No meio da gritaria, uma frase aparecia baixinho, de várias pessoas, com letra diferente. “Você não precisa ser petista para votar em quem apoia causas sociais.” Mais embaixo, outra: “Não! Eu não sou Lula! Eu sou SUS, farmácia popular, bolsa família…”
Confesso que parei o dedo. Quem escreveu aquilo fez uma coisa que o mercado em que eu trabalho leva anos para aprender: separou a camisa da causa.
Foram tantas frases, vídeos e posts que tava na cara que era um sinal: isso tinha que entrar na coluna deste mês.
Li no Meio & Mensagem um estudo do IBPAD que ajuda a entender isso. Os pesquisadores apresentaram uma marca inventada e simularam um boato de que o executivo dela apoiava um dos candidatos. Bastou o boato para a vontade de comprar cair, qualquer que fosse o candidato, e a marca perdeu mais gente do lado contrário do que ganhou do lado a favor. Quando a mesma marca aparecia ligada a uma causa, como sustentabilidade, o público não leu aquilo como política, e os dois lados reagiram quase igual.
Há um ano escrevi aqui que o silêncio da omissão também comunica. Continua sendo meu mantra. O que esse estudo me ensinou é que dá para dizer do que você não abre mão sem vestir a camisa de ninguém.
Na mesa de bar, copo cheio e papo fluindo, a gente sabe disso faz tempo. A gente aguenta o amigo que torce pro time rival e até o que não bebe, porque cerveja sem álcool hoje é o que não falta. O que faz a gente pedir a conta sem saideira é ver o amigo destratar o garçom.
Você que chegou até aqui tem suas causas e princípios, eu tenho os meus, e quem me lê aqui sabe quais são. É com eles que eu conduzo a vida, minhas relações e minhas escolhas, as políticas e as outras.
o seu próximo voto nas Eleições 2026 vai para longe do que você não gosta ou para perto do que você acredita?
Edu Sena
Sejam quais forem as nossas crenças, deixo a pergunta que me fiz esses dias: o seu próximo voto nas Eleições 2026 vai para longe do que você não gosta ou para perto do que você acredita?
Fica com essa pra pensar, entre umas e outras.
Eduardo Sena é publicitário, entusiasta cervejeiro, podcaster e agitador etílico-cultural. Com mais de 20 anos de experiência como criativo, é diretor de conteúdo do Hora do Gole HUB — plataforma que conecta cerveja, cultura, equidade e criatividade. Também colabora como estrategista e criativo para outras marcas.
* Este é um texto de opinião. As ideias e informações nele contidas são de responsabilidade do colunista ou articulista e não refletem necessariamente o ponto de vista do Guia da Cerveja.


